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Por que eu sempre comprei livros para a faculdade

Pergunte a qualquer pessoa que me conhece e você ouvirá: o Fábio ama livros, ao ponto de ser anti-social e ler na mesa enquanto outros compartilham dela (já não faço mais isso, pelo menos). Esse meu traço de personalidade está comigo desde a infância, e por isso nunca hesitei na faculdade em comprar livros. Aqui está por que eu acho que sempre vale a pena fazer isso.

Primeiro, vamos falar da realidade cruel: às vezes gastar com livros não é uma opção. Eu tive amigos que passavam fome na faculdade, fazendo de tudo para conseguir se manter numa cidade estranha e concluir o curso, mesmo com o esforço dos pais e auxílios estudantis. Felizmente, eles se formaram, alguns fizeram doutorado, e estão numa situação muito melhor. Se você conta dinheiro para comer e pagar aluguel, obviamente esse post não é para você. Aguente firme e peça ajuda; vai melhorar. Tente absorver o máximo possível de conhecimento, e você terá uma vida inteira para comprar os livros que marcaram a sua faculdade. Se achar que eu possa contribuir de alguma forma, entre em contato nos comentários.

Eu estou imaginando conversar com alguém de classe média, aluno de uma faculdade pública ou privada, que tem dinheiro para gastar com livros mas não sabe se vai servir para alguma coisa. Serve – ainda que dependa da sua personalidade e da sua visão para o futuro.

Livros que comprei durante a Graduação, Mestrado e Doutorado e que foram muito usados na minha carreira

Eu entrei na faculdade há 15 anos, e todos os livros que eu comprei e fui acumulando me acompanharam nesses anos, em diferentes projetos. Você pode argumentar que eu segui a carreira acadêmica e naturalmente uso mais livros que um engenheiro de chão de fábrica. Eu concordo, mas também não acho que meus papeis eram muito diferentes de um engenheiro qualquer. Eu participei de projetos de bancadas experimentais junto com outros técnicos, discutindo materiais e dimensões – e recorri ao meu livro de Projeto de Máquinas para revisar assuntos de engrenagens e projetos de eixos. Eu tive de conferir sistemas de medição, coisa que qualquer engenheiro que trabalhe com controle de qualidade precisa dominar – e recorri aos meus livros de Estatística e Metrologia. Antes de ser pós-graduando, eu era (e ainda sou) Engenheiro – só não ganhava direitos trabalhistas.

Agora, preparando aulas, eu sempre estou com um livro aberto perto de mim. É muito mais conveniente que ter de procurar por um PDF (muitas vezes de má qualidade), e tem muito mais garantia de estar correto que uma pesquisa rápida no Google. A informação está ali, de maneira didática, geralmente acompanhada de tabelas e figuras, para praticamente qualquer desafio que você enfrenta.

Minha visão de trabalho 70% do tempo

Há ainda o efeito de acumulação. Com um pouco de dinheiro gasto por semestre, ao final de uma faculdade você tem dezenas de livros à sua disposição, que podem lhe acompanhar por uma vida profissional. Você está entrando na sua profissão a sério.

Meu companheiro desde 2008

Sobre o dinheiro, como tudo nessa vida, é uma questão de prioridades. Independente do seu curso, você já deve conhecer os livros clássicos que são usados muitas vezes em mais de um semestre. Você pode pesquisar em fóruns ou grupos de ex-alunos, Amazon, Estante Virtual – livros usados são ótimos, e ainda geralmente já vêm com anotações do que outras pessoas acharam importante (o que para mim é uma feature, não um bug). Procure nas livrarias locais e nos sebos que ficam próxima à sua faculdade. Peça de presente. Vá em algumas festas a menos.

Você não quer levar a sua profissão a sério?

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Preste atenção no seu trabalho!

Eu tenho uma característica de personalidade que é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição: eu penso demais em trabalho.

Isso já atrapalhou muito minha vida, é tema de discussão de terapia, mas já aceitei que está aqui na minha cabeça para ficar. Acho que com o tempo estou melhor em me desligar quando estou com minha família, ou quando vou correr, ou quando mergulho em algum tema de que gosto. Mas digo que essa faceta tem lados bons.

Eu caminho com meu filho todo santo dia em que não chove. Eu me esforço muito ativamente para conversar com ele, apontando as flores, os cachorros, os pássaros. Muitas vezes desabafo, explico em voz alta um problema para movimentar meu cérebro, ciente de que ele adora ouvir a minha voz (lembro uma vez em que consegui fazer ele dormir apenas contando uma história, um feito raríssimo para um bebê que só dorme embalado). Faço planos com ele, paro para tirar fotos.

Entretanto, frequentemente me pego apenas divagando, nós dois em silêncio. É nesses instantes também que penso em trabalho, o que dá resultados. Há algumas semanas, nós estávamos em Curitiba, e eu passeando com ele. De repente, num momento de silêncio, eu vejo uma loja de “turbinas para caminhões” – o acessório que faz um motor ser classificado como turbo. O que isso tem de mais? Eu ministro uma disciplina sobre motores turbo.

Alguns dias depois, fomos para Florianópolis, mas na volta para Joinville aconteceu a mesma coisa: divagando enquanto dirigia, notei uma outra loja de turbinas.

Resultado: ao preparar as aulas desse assunto, eu pesquisei as duas lojas, o que me levou a baixar vários catálogos de turbinas para mostrar a meus alunos como consultá-los.

Eu talvez já deveria ter tido essa ideia de arquivar catálogos, mas foi o estímulo visual, o ato de prestar atenção no meu trabalho que me fez ter melhores ideias.

Às vezes o que você precisa é prestar atenção no que você presta atenção.

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Trabalhando com um iPad nas férias

O título acima é enganador: em janeiro de 2021 eu não estava de férias; ainda não completei um ano no meu emprego atual de professor. Porém, sem compromissos de aulas e de pesquisa, eu e minha esposa quisemos aproveitar esse período para visitar familiares dos dois lados – principalmente para todos babarem em cima do bebê da família. Rompemos o isolamento social que mantivemos desde o início da pandemia, tentando, ao chegar nos lugares, ficar o mais isolado possível.

Para honrar meus compromissos com meus alunos e com o meu departamento, já antevendo a volta das aulas, eu trouxe o meu iPad comigo nesses 800 km entre Cascavel, Curitiba e Florianópolis. Foi ele que me permitiu avançar, que seja aos poucos, nos meus projetos, tendo uma rotina mais leve e criativa. Com o carro cheio de artigos de bebê, não achei que caberia o peso adicional de um laptop…

Meu setup de trabalhar nas férias

Em três casas diferentes e muitas mesas e sofás, eu tive de substituir o meu escritório cuidadosamente montado por isso:

Sinceramente, não estou com saudade da minha mesa

Esse aparelho acima é o iPad Air de 3ª geração, 256 GB de armazenamento, 10,5 polegadas, com conexão apenas Wi-Fi (sinceramente, meu próximo iPad vais ter conexão celular). Ele está sempre montado em uma capa com Smart Keyboard. Geralmente do lado desse conjunto está o meu caderno.

1. É muito caro. 2. É muito bom.

O que não aparece nas imagens acima é o Apple Pencil de 1ª geração e AirPods, sempre para escutar Deezer. Tudo isso foi comprado com o desconto educacional da Apple depois que minha esposa finalmente me autorizou a fazer esse gasto, cansado de me ouvir falar em comprar um iPad para trabalhar há mais de 3 anos.

O que posso fazer num iPad

Afinal, é possível fazer trabalho de verdade? Essa é uma discussão corrente e que está perto de ser solucionada, à medida que os tablets vão ficando mais poderosos em termos de hardware e software. Sim, é possível – pelo menos alguns tipos de trabalho.

Trabalhar com documentos

O app mais essencial no meu iPad é o Documents da Readdle, que não sei como não é mais divulgado; é a melhor maneira de navegar por documents salvos no OneDrive, Dropbox, Google Drive, iCloud, ou mesmo na memória interna do iPad, e ainda possui um editor de PDF integrado. Usei esse app para criar pastas para alguns trabalhos que estou criando para os alunos, duplicar arquivos e mover entre diferentes locais, juntar documentos, apagar páginas.

Com certeza, o meu app preferido para iPad: Documents da Readdle

Nesse período de férias, eu resolvi testar o modo Pro, que permite, entre outras coisas assinar documentos:

A propósito: o PDF que foi assinado foi exportado a partir do Word. A minha irmã recentemente comentou que descartava comprar um laptop Apple por “mas eu preciso do Office”; essa fase de incompatibilidades já acabou. Os aplicativos da Microsoft para dispositivos Apple são bastante capazes.

Preparar aulas

Nesses tempos de aulas remotas, a minha tarefa básica é preparar apresentações. Eu me surpreendi em como o Keynote para iPad é tão capaz quanto a versão para macOS.

Quem souber deixa nos comentários

Para me guiar nas apresentações, eu digito notas no Notion. Nessas viagens eu não tinha os livros que tenho na minha pequena biblioteca, mas consegui escrever algumas notas que estavam mais frescas na cabeça e consultando alguns PDFs (usando o supra-citado Documents).

Sim, nós somos engenheiros, nós discutimos válvulas

Como diz Shawn Blanc, porém, o fato do Notion para iPad não exibir os itens completos na visualização de calendário (apenas exibe que existem itens em um dado dia) é uma insanidade.

Parte do trabalho de preparar aulas é preparar planilhas de notas, para me ajudar a avaliar trabalhos e apresentações. O Numbers para iPad é ótimo. A integração com provedores de documentos é sensacional; ao navegar no app, só aparecem habilitados os arquivos que podem ser abertos no Numbers:

Sim, eu quero deixar bem claro para meus alunos o que eu espero de um trabalho

Tomar notas de livros

A habilidade de colocar apps lado a lado no iPad permite um fluxo de trabalho perfeito; de um lado o Kindle, com trechos sublinhado, e do outro o Bear, onde vou escrevendo minhas impressões com minhas próprias palavras.

Aguardem um post completo sobre como aprendi a usar o Moodle

Publicar posts

Tanto o presente texto quanto o último foram escritos inteiramente em um iPad.

Esses posts todos são planejados com o ótimo MindNode.

De boas, sonhando em ser um blogueiro profissional

Como me concentro

Para me guiar nesse processo, eu tenho um sistema no Todoist, que vou descrever no próximo post, e uso o Focused Work como um cronômetro; consigo criar um timer para trabalhar concentradamente por meia hora, uma hora, duas horas, dependendo do quanto tempo tenho.

O que quero que melhore

Eu gostaria muito de poder invocar Atalhos pelo Smart Keyboard. É algo que tenho pesquisado mais e mais à medido que uso o iPad com mais frequência. Por exemplo, tenho um atalho para criar uma nota no Bear com aquele time stamp no título; gostaria de, enquanto escrevo uma nota, já conseguir criar outra, sem precisar ir no app de Atalhos.

Como falei, o Smart Keyboard é ótimo, mas eu queria ter mais angulações para trabalhar, e de preferência com um layout em português.

A única angulação possível.

E por fim, quero widgets na tela inicial, pelo amor de Deus.

Acho que vou me divertir muito com meu iPad em 2021…

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Revisão de Janeiro 2021 e Planejamento de Fevereiro 2021

Totalmente roubado da Thais Godinho, vou experimentar aqui em FabioFortkamp.com uma série de posts regulares revisando e planejando meus meses.

Este ano de 2021 é o Ano da Diversão, e até então tenho alternado sucessos e falhas. Acho que tenho conseguido aproveitar mais as coisas, como brincadeiras com meu filho; filmes com minha esposa têm se tornada uma rotina; e tento reenquadrar situações monótonas – como ficar calmamente tomando notas de livros enquanto espero o carro ficar pronto da revisão. Porém, os níveis de estresse continuam altos, com o desafio interminável de combinar paternidade com ambição. Eu sou imperfeito.

As minhas metas para o mês de janeiro eram:

  1. Completar as viagens de verão, o que inclui a manutenção de rotina que já estava programada no carro (e que rendeu uma hora e meia de concentração para ler, vide parágrafo acima)
  2. Finalizar os planos de aulas (notas, slides, exercícios) de todas as aulas que devem acontecer até o Carnaval – as aulas retomam nessa quarta-feira 03/fevereiro.
  3. Publicar 4 posts no blog

Felizmente, consegui cumprir todas. Depois de viagens muito agradáveis, estamos de volta na nossa casa que adoramos, e o carro está revisado depois de viajar por esse milhar de quilômetros. Pela primeira vez desde que comecei a dar aulas, tenho mais de 2 semanas de um buffer de aulas, sem precisar correr tanto para finalizá-las, e aos poucos abrir espaço para outras atividades profissionais. E tivemos 6 posts no blog.

Porém, nesses últimos dias, eu percebi o quando ainda não incorporei uma frase perfeita da Laura Vanderkam: não existem semanas típicas. Eu passei o domingo finalizando as aulas para cumprir a meta e me dar tranquilidade, e isso foi necessário por inúmeras pequenas coisas que aconteceram durante os dias de trabalho: o bebê com dias mais carentes que o normal, noites mal dormidas, viagens de última hora e às pressas ao mercado. Mas essas interrupções não são a exceção; hoje é segunda-feira e já sei que inúmeros imprevistos vão acontecer. O resultado da minha ânsia por cumprir as metas me deixou estressado, calado, a ponto de minha esposa perguntar o que estava errado comigo. Vou tentar lembrar do tema melhor nesse mês que se inicia.

Falando nele, aqui estão as minhas metas para o mês de fevereiro de 2021:

  1. Aproveitar um pouco o Carnaval de 2021, com refeições gostosas em família, talvez até um passeio com distanciamente social
  2. Finalizar as aula do Verão de 2021 (i.e. até 21/03/2021)
  3. Retomar os estudos para um concurso de professor efetivo que deve ocorrer nesse ano

Todas essas metas ficam registradas no meu Bullet Journal, para serem consultadas regularmente, sempre que faço o plano do dia. Seguindo exemplo da Thais Godinho que linkei no início desse posto, eu faço um plano inicial no meio do mês anterior e reviso na passagem de um mês para outro. Fundamental é ter o calendário sempre aberto e revisá-lo, para ver o que vai acontecer – por exemplo, notar que há um Feriadão nesse mês me ajuda a decidir que quero aproveitá-lo o máximo possível e então tomar providências.

E a leitora, o que pretender realizar nesse mês – mais curto mas ainda significativo?

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Você pode salvar uma vida

Um aviso: esse texto contém discussões sobre doenças mentais e morte. Alguns leitores podem querer evitar lê-lo.


Há alguns dias, eu perdi um amigo querido. Em respeito à sua memória e à privacidade da família, eu não vou divulgar o seu nome nem o que aconteceu (pois eu ainda não sei os detalhes), mas vou dizer isso: os inimigos dentro da cabeça dele eram muito fortes e ele escolheu encerrar essa batalha – e a própria vida.

Foram dois anos de convivência diária, com muitas discussões sobre trabalho, futuro, livros, filmes, séries, músicas, relacionamentos. Almoçávamos juntos praticamente todo dia de trabalho. Resolvemos problemas científicos juntos. Viajamos juntos. Apoiamo-nos em concursos e entrevistas de emprego. E agora isso nunca mais vai acontecer.

O que também nunca mais vai acontecer são nossas conversas sobre saúde mental. E eu nunca mais vou poder encorajá-lo, nem pedir desculpas pelas vezes em que o critiquei demais.


Lembro de uma vez em que eu estava discutindo a Fé católica com algumas pessoas que partilham dessa mesma fé. Falávamos de como Jesus veio para os pobres e esquecidos desse mundo, e de como o que nos faz cristãos é imitar Cristo em ter uma opção preferencial pelos pobres.

Essas pessoas, da alta sociedade catarinense, usaram o pior adjetivo que eles poderiam usar (na cabeça deles): esse comportamento é muito petista, muito assistencialista em ajudar quem não necessariamente merece ser ajudado. Há pessoas – assim eles argumentaram – que, se ajudadas, nunca vão aprender a se ajudar, nunca vão conseguir sair da pobreza por conta própria. E quem disse que elas não se empobreceram pelos seus próprios erros? Elas merecem ser pobres ao mesmo em que não merecem ajuda. Isso aconteceu um pouco depois da eleição de Você Sabe Quem.

Se repeti muitas vezes o verbo merecer no parágrafo anterior, é porque ele é o termo chave. O que aprendemos nas Oficinas de Oração e Vida é que merecimento não existe. As igrejas estão cheias de gente que reza e reza e continua desgraçada na vida, ao mesmo tempo em que é fácil encontrar gente genuinamente feliz longe dali. Deus ajuda não quem merece, mas quem Ele quer. Ele tem Seus critérios que nós nunca vamos conhecer.

Se Ele, o “justo Juiz” (2 Tm 4,8), age assim, quem sou eu, um pobre pecador, para determinar quem merece ser ajudado?


O meu amigo tinha um comportamento, para usar um termo que ouvi desde o Evento, “auto-destrutivo” – o que é verdade. Porém, isso não deveria ser critério de ajuda, encorajamento ou amizade. Mais uma vez: Jesus viveu no meio de prostitutas, doentes, cobradores de impostos (os inimigos públicos da época) e só lhes deu amor.

Eu sempre soube dos seus problemas de ansiedade e depressão, e fiquei tranquilo quando soube que ele estava se tratando. Ele me confessou coisas pessoais que o atormentavam, e aos poucos eu fui relacionando esse passado com o seu comportamento. Depois que perdemos o contato diário por mudanças de emprego, mantivemos contato mas falávamos mais de família e de trabalho, e nunca consegui captar o que estava acontecendo na sua mente.

Infelizmente, eu tenho de confessar que foram várias as vezes em que eu ri de como ele era muitas vezes marginalizado por essa auto-destruição, critiquei os seus hábitos, reclamei que ele não procurava ajuda. E agora, eu nunca vou poder saber se isso contribui, se isso se acumulou na sua cabeça, até acontecer o que aconteceu.

Vamos todos combinar o seguinte: da próxima vez que você perceber um ser humano fazendo algo de que você não gosta, não critique, não julgue. Pense que ele pode ter seus motivos. Ajude. Com algumas palavras positivas, você pode, literalmente, salvar uma vida.

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Como eu aproveito dias ruins

Sendo pai de um bebê, o meu dia começa de maneira perfeita quando eu consigo tomar café da manhã com calma, arrumar-me e planejar meu dia antes de ele acordar, para então poder me dedicar totalmente a ele. Hoje não foi um dia perfeito.

O problema de não ter esse tempo para mim é que tudo vai se deslocando muito na escala do tempo para mais tarde, comprimindo o tempo útil disponível. Eu não consigo ser multi-tarefa enquanto sou o responsável por vigiar um ser humano ativo e que ainda não tem medo de trancar o dedo nas gavetas, então só consigo começar a trabalhar quando existe outro adulto por perto que assuma a vigia.

Um corolário do meu transtorno de ansiedade é enxergar o desastre em todo. Já que o dia começou “errado”, então tudo vai dar errado, e não vou conseguir fazer nada de útil. Isso é natural de se pensar, mas não é lógico; em vez de correr para otimizar o tempo restante, eu fico paralisado por um atraso pequeno que de repente consome todo o tempo restante!

É nessas horas que o meu caderno me salva. Sempre é possível pensar: “o dia começou meio tumultuado, eu tenho algumas tarefas mundanas para resolver, como tornar hoje um dia de sucesso?”. Cada página de registro diário começa com uma lista de 3 MIT (Most Important Tasks).

Hoje eu tinha de preparar comidas, caso contrário ninguém aqui em casa teria o que comer; queria ligar para minha Vó pelo aniversário dela; e deveria trabalhar nas minhas aulas e materiais para o semestre que vai recomeçar.

Como diz a Thais Godinho, às vezes a maneira de avançar nos projetos é aproveitar as deixas das tarefas com prazo e trabalhar no mesmo contexto. Se eu tenho que “preparar comidas”, então vou entrar na mentalidade de “Abastecer geladeira e casa” (que foi exatamente o que escrevi no caderno), e aproveitar para revisar a despensa e fazer compras de mercado online. Se eu tinha que ligar para minha vó, vou limpar a minha lista de “tarefas de Comunicações” no Todoist:

(E de fato, ao final do dia eu cumpri todos esses itens).

Para finalizar o dia, estando mais tranquilo que muita coisa de relevante foi resolvida, finalizei uma lista de exercícios, e já coloquei tudo no Moodle.

Um dia que era para ser ruim se tornou cheio de coisas significativas. No meio de tudo isso dei almoço (recém-preparado) para o meu filho, corri com ele pela casa, fiz um pouco de exercício físico, orei, e ainda deu tempo de escrever esse post.

Sério, povo: manter um caderno para anotar tarefas, ter um sistema de contextos organizado, estudar métodos de produtividade – tudo isso vale a pena, eu prometo.

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Como eu (ainda) uso o Trello para gerenciar meus projetos

Nesse ano de 2021, eu quero me divertir mais, e isso significa escrever mais – principalmente para FabioFortkamp.com, que é a minha principal expressão criativa. No meu intuito de mostrar meu trabalho, eu planejei um post sobre como eu uso o Trello, a minha ferramenta de gerenciamento de projetos.

Porém, lendo o post onde eu descrevi em detalhes o meu sistema de filas de projetos, surpreendi-me em como tudo que escrevi lá ainda vale, e por isso recomendo a sua leitura para entender bem. Só fiz algumas adaptações de lá para cá.

Minhas listas atuais

O cerne do meu sistema de produtividade são dois canais de atenção: em um dado dia, eu tenho dois projetos principais em andamento, geralmente trabalhando em um de manhã e outro de tarde. Estas e todas as listas mostradas aqui estão em um quadro chamado Dashboard; se o leitor não consegue identificar, a imagem de fundo é uma mesa de controle de som.

Início do ano: tempo de preparar trabalhos e exercícios

Nesse início de ano, estou trabalhando um pouco em vários projetos ao mesmo tempo, por isso todos tem a etiqueta verde de “ativo”. Mas a ideia, baseada no exemplo acima, seria trabalhar todo dia na aula 6 de Refrigeração (REF0001) e na lista 2 de Máquinas Térmicas I (ST2MTE1); quando acabar o primeiro projeto, eu passo para o projetos das aulas 14 e 15 de Transferência de Calor e Massa I (TCM1001); quando acabar o segundo, eu passo para a planilha de avaliação dos seminários de REF0001, e assim por diante.

Obviamente que eu tenho mais projetos em paralelo:

Reparem que todo projeto começa com um verbo

Sim, eu mistura inglês com português; minha cabeça é caótica assim. A lista de Other projects, sinceramente, contém tudo que quero avançar mas que resisto a colocar como prioridade dos canais de atenção. São projetos do tipo “Comprar”, “Pesquisar”, “Testar”. No dia a dia, às vezes tenho alguns minutos disponíveis e pouca energia para trabalhar em aulas, então posso trabalhar nesses projetos (em um futuro post, vou detalhar como isso vai parar no Todoist).

Eu tenho também uma lista com coisas que só posso fazer no meu escritório na Universidade, usando materiais que estão lá.

A lista FabioFortkamp.com contém cartões com ideias de posts. Cada cartão contém tarefas de criar um mapa mental, escrever um rascunho, editar, publicar.

Spoiler Alert!
Exemplo de cartão de projeto de blog

Isso é dizer o óbvio, mas eu sou bem nerd; tenho uma lista de projetos de leituras, que incluem tarefas para processar as notas que vou tomando e publicar textos aqui no blog.

Exemplo de cartão no Trello com projeto de leitura

Projetos que não podem andar por algum motivo ficam na lista On Hold:

Eu não crio todos esses cartões do zero, mas tenho uma lista de templates; repare na imagem acima o pequeno ícone que, quando selecionado, me permite escolher um cartão da lista abaixo. Essa lista é apenas organizacional; qualquer cartão do Trello pode ser transformado em template, e, na lista de templates, eu preciso transformar cada cartão em um modelo.

Por último, eu mantenho uma lista de projetos concluídos. O que significa o emoji? Foi uma dica do Vlad Campos. Crie uma lista que tenha esse emoji, arraste um cartão para ela e veja o que acontece.

Criando sistemas duráveis

Foi uma surpresa para mim o quanto uso o mesmo sistema há mais de 3 anos. Acho que o motivo disso é que esse sistema foi estudado; usa as bases do livro do GTD com outras dicas roubadas de outros sites e blogs.

Trocar de ferramenta é muito legal, e eu mesmo estava pensando em estudar alternativas para o Trello apenas pela novidade. Depois de ver o quão bem funciona, vou me dedicar a aprimorar o meu uso do Trello cada vez mais.

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Viajando 600 km com um bebê entre Cascavel e Curitiba

Acho que o título acima ilustra um pouco da complexidade do feito. Eu passei o primeiro dia do ano de 2021 cruzando o estado do Paraná, e tenho algumas dicas para compartilhar.

Primeiro, a parte dos 600 km. Eu acho indispensável usar o Waze em uma viagem dessa magnitude, não apenas para ser avisados dos radares, mas também para ser notificado de acidentes, obras, buracos, congestionamentos, além de ter uma previsão dinâmica da distância e tempo de viagem restantes até o destino. Com um bebê, isso é mais importante que se pensa; quando ele demonstra sinais de incômodo, podemos planejar se vale a pena parar já para alimentá-lo ou tentamos distraí-lo até chegar na próxima escala.

Falando em incômodo e escalas: talvez eu seja diferente da maioria das pessoas, mas eu acho uma insanidade dirigir essa distância de uma só vez, mesmo se eu não tivesse um bebê. Nós fizemos duas grandes paradas no meio do caminho; recomendo o Restaurante Três Pinheiros, em Candói, e o Benedita, em Irati, para quem vai fazer uma viagem nessa região. Nessa configuração, a viagem se tornou três trechos de cerca de 200 km, o que é um bom equilíbrio.

Para ouvir, eu gosto muito da playlist MPB Anos 90 do Deezer (que tém faixas de Pop e Rock também).

Para ajudar um bebê a dormir, esse álbum é essencial (com cuidado para você não dormir muito). Quando ele não estiver dormindo, leve brinquedos e livros, e tenha um adulto do lado dele o tempo todo. Para o nosso filho, foi a sua primeira viagem desse tipo e ele ficou bastante cansado; da próxima vez, temos de fazer mais paradas no meio do caminho. A dica de ouro que meu compadre deu: viajar com um bebê significa não ter hora para chegar.

Por último, se você vai viajar nesses tempos, não esqueça de colocar a máscara a cada pedágio. Cuide-se.

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100 coisas que fizeram meu ano de 2020

Totalmente roubado do Austin Kleon, aqui vai uma revisão do meu ano de 2020.

  1. Dormir durante a passagens de 2019 para 2020 para cuidar do João Pedro durante a madrugada, e estar totalmente OK com isso.
  2. Cuidar do João Pedro durante a primeira hora do dia, enquanto minha esposa se recupera das horas amamentando de madrugada.
  3. Reunir todos os sete (!) bisnetos de meu avô no início desse ano para uma surpresa para ele e uma foto coletiva
  4. Realizar o meu sonho de virar professor
  5. Às pressas, achar um ótimo apartamento em Joinville…
  6. … mas, para ter mais espaço, voltar para Florianópolis no inverno, quando as aulas paralisaram…
  7. … para finalmente retornar às nossa nova cidade, e achar uma outra casa ótima, espaçosa – um lar.
  8. Fazer da quarentena devido à pandemia de Covid-19 uma coisa boa por estar com minha esposa e vendo cada etapa do crescimentos do João.
  9. Falando na quarentena: usar essa oportunidade para desenvolver um fluxo de trabalho para preparar aulas online: criar mapas mentais rodeado de livros, exportar para outlines, e automaticamente criar apresentações no Keynote
  10. Relacionado ao acima: estudar muito AppleScript para automatizar minhas tarefas
  11. Tantos romances históricos: O Último Reino, O Filho da Luz, Os Pilares da Terra, Mundo Sem Fim, O Crepúsculo e a Aurora
  12. Romances de fantasia/distópicos/ficção científica: Os Testamentos, Fogo & Sangue – Volume 1, O Fim da Infância, Frankenstein
  13. Falando em livros: para economizar, reler livros que já estavam no meu Kindle e não se importar com isso – aliás, de fato curtir e lembrar desses livros
  14. Falando no Kindle: largar um pouco o meu discurso de “é melhor ler no papel para absorver mais informações”, ler livros no Kindle por ser mais prático, e não se importar com isso
  15. Finalmente criar o hábito de fazer exercícios em casa (diariamente!) com Seven, Headspace, Asana Rebel, apps de flexões e abdominais, e um tapete de ioga…
  16. … e depois abandonar esse hábito por vários meses, entendendo que não era a prioridade no momento…
  17. … mas então, aos poucos e sem ansiedade, tentar re-estabelecer o hábito de caminhar todo dia, para em breve voltar a correr
  18. Meditar e orar quase todo dia. Headspace. App Liturgia Diária da Canção Nova. Salmos para a vida.
  19. Ver o João Pedro crescer, dia após dia, mês após mês, e comemorar o seu 1 ano de vida.
  20. Mesmo sendo recém pai e começando a carreira de professor com 5 diaciplonas, publicar 2 novos artigos em periódicos indexados
  21. Completar um semestre letivo como professor, assegurando para mim mesmo que eu consigo fazer esse trabalho
  22. Podcasts: Mac Power Users, Nerdcast, Cortex, Back to Work (depois de anos sem escutar!), Automators, Deep Questions, Numberphile
  23. Assinar Globoplay só para assistir Modern Family desde o começo
  24. Aproveitar a deixa acima para assistir The Big Bang Theory no Globoplay, e assinar Amazon Prime para ver Two and a Half Men.
  25. Também no Prime Video: terminar de assistir a saga Skywalker
  26. Passar um tempo na casa de praia da minha família e assistir uma quantidade não saudável de Law & Order: SVU e Chicago One na TV a cabo
  27. Montar um home office respeitável, depois de alguns meses sem um espaço em casa dedicado ao trabalho (efeitos da paternidade)
  28. Minha rotina de tomar chás enquanto trabalho
  29. Estabelecer uma rotina de preparar comida para a semana, e não gastar mais tanto tempo cozinhando durante a semana…
  30. … mas comemorar os 6 meses do João Pedro fazendo um dos meus bolos favoritos – o que na verdade serviu de desculpa para passar horas na cozinha, fazendo um bolo (depois de anos), para comer algo por prazer, e não apenas para meal prep
  31. Gadgets: Mouse Trackball MX Ergo, One by Wacom, Magic Keyboard com teclado numérico da Apple, AirPods
  32. Música: Titãs Trio Acústico EP, Not Our First Goat Rodeo, Ludovico Eunadi, Kourosh Dini, Chilly Gonzales, Roger Eno, Robert Fripp, Brian Eno
  33. Música II: curtir Mundo Bita com meu filho
  34. Música III: playlists do Deezer para trabalhar: Deep Focus, Deep Concentration, Epic Soundtracks
  35. Música IV: redescobrir Emmerson Nogueira, Renato Vargas e discos estilo “O Som do Barzinho”
  36. Música V: canais do YouTube do Nando Reis, Samuel Rosa, Capital Inicial mostrando como funciona a mente de um compositor
  37. Outros canais do YouTube: Numberphile, CGP Grey, Ali Abdaal, MusicDot, Thomas Frank, Jovem Nerd, Matt Ragland, Geography Now, Matt D’Avela
  38. Newsletters: Austin Kleon, The Art of Noticing, The Weekly Review
  39. Dois textos sobre ser melhor: 68 Ensinamentos Não Solicitados, Como ser perfeito
  40. Apps novos que fazem parte do meu fluxo de trabalho: Bear (para recuperar o prazer de tomar notas), Notion (praticamente apenas para organizar as diversas aulas a serem preparadas num dia), Screenflow (para gravar e editar vídeo-aulas), Focused Work (para controlar o tempo)
  41. Confiar no Todoist solidamente para gerenciar tantas tarefas…
  42. …e ter o Busycal como apoio de calendário…
  43. …e Trello para organizar projetos
  44. Comprar polpa de açaí e leite em pó e parar de gastar comendo isso fora (não contem para minhas antigas nutricionistas)
  45. Poucas, mas ótimas, corridas na praia
  46. Por sugestão de Rob Walker, notar a passagem do tempo nessa quarentena; retratos de um mundo antes e depois do isolamento. Como o calendário litúrgico me ajuda a saber “que dia é hoje”.
  47. Tambem por sugestão de Rob Walker, notar os sons da quarentena. Já perceberam a quantidade de sons diferentes de passarinhos?
  48. Finalmente ler (na verdade, ouvir) Sapiens
  49. Outros Audiobooks: The Bible: A Biography, The Periodic Table, The Obstacle is the Way
  50. Aprender tanto em tão pouco tempo sobre o Moodle.
  51. Rotineiramente cumprimentar meus alunos nos corredores da Udesc.
  52. Consumir quantidades absurdas de pasta de amendoim (é o que me deu energia para tudo isso).
  53. Aprender a ser ineficiente
  54. Finalmente aprender a fazer screencasts
  55. Voltar a fazer terapia (e aceitar e entender o quão importante é isso para mim)
  56. Receber e-mail de um aluno dizendo que minhas aulas o fizeram querer trabalhar com Refrigeração
  57. Poke do Hai Poke. Crepes do Cine Café. Bolinho de Costela da Costelaria da Serra de Rancho Queimado
  58. Finalmente, depois de quase dez anos de formado, aprender realmente sobre engenharia de motores de carros (o Fábio recém formado jamais imaginaria que daria aula sobre motores turbo)
  59. Passeios quase diários com o João nas ruas do Balneário Daniela
  60. Largar de Senhor dos Aneis e ler livros que me cativam: Deuses Americanos, Belas Maldições, O Médico e o Monstro, 20000 Léguas Submarinas, O Grande Gatsby
  61. Finalmente comprar um iPad e um Apple Pencil e usá-lo para corrigir trabalhos e ler artigos de maneira eficiente e prazerosa
  62. Cada vez mais, escrever no meu diário para aprender a pensar melhor
  63. Equipar a minha sala na Udesc do jeito que eu quero
  64. Em outubro, fazer mais um destralhamento digital. Deletar Instagram, YouTube, Wikipedia, IMDB do celular. Reaprender a priorizar as coisas.
  65. Passear e brincar com meu filho praticamente todo dia, sem celular, sem TV, apenas eu, ele, e seus brinquedos
  66. Poder contar com a melhor esposa do mundo como minha parceira nesse ano louco, minha âncora contra ansiedade, minha companhia amorosa não importa o que aconteça
  67. Ver o modo como minha família (de todas as direções!) ama e cuida do João Pedro
  68. Estudar o método PARA e o Second Brain
  69. Guacamole toda semana
  70. Aprender a usar máscara como nova peça obrigatória, aceitar isso, e perceber que as da Adidas são as melhores
  71. Filmes vistos esse ano: Democracia em Vertigem, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Batman vs Superman, A Chegada, História de um Casamento, Mulher-Maravilha
  72. Cuca da minha sogra
  73. Cucas de Joinville
  74. Widgets do iOS 14: Todoist, Fotos, Fantastical, Focused Work, Pocket Casts
  75. Ser convidado pelos alunos para orientarem seus TCCs, e aceitar que minha carga horária e minha condição de professor substituto não deixa
  76. Livros didáticos: todos do Çengel, Brunetti, Heywood, Incropera, Refrigeração e Ar-condicionado do Stoecker, Geração de Vapor do Edson Bazzo
  77. Acompanhar as eleições nos EUA e as desgraças do nosso governo enquanto re-assisto todas as temporadas de House of Cards e ver tudo ficar mais claro
  78. Ver o meu espaço de armazenamento no meu celular ser tomado por fotos do João Pedro
  79. Um único livro de não-ficção lido nesse ano: Crianças Dinamarquesas
  80. Passar um Natal diferente em um pesque-e-pague, em família, e ver a reação do meu filho ao encontrar cachorros, galinhas, ovelhas, cavalos
  81. No evento acima, ajudar meu sobrinho a ter uma primeira experiência dirigindo um carro
  82. Finalmente dirigir até Cascavel, cidade natal da minha esposa, em uma estrada belíssima
  83. Voltar a ir às Missa, na minha nova paróquia, e conhecer um pouco mais dos Salesianos de Dom Bosco
  84. Assistir The Crown com minha esposa
  85. Montar uma Coroa do Advento (não relacionada com a coroa acima) e acendar as velas todo domingo
  86. Concluir o Ano do Novo, cheio de experiências novas (é só ver essa lista)
  87. Planejar o tema de 2021: O Ano da Diversão
  88. Aprender a dirigir em Joinville sem uso do GPS
  89. Fazer compras on-line para tudo, e parar de gastar tanto tempo em supermercado (independente da pandemia)
  90. Tomar café lendo a Folha de São Paulo, com assinatura grátis para professores (embora eu saiba que acordar com as notícias não é uma boa ideia)
  91. Escolher padrinhos para o meu filho, e chamá-los de “meu compadre” e “minha comadre”
  92. Conseguir postar 20 textos no blog
  93. Experimentar Apple Arcade e testar dois jogos no final de ano: Oceanhorn 2 e Outlanders
  94. Aprender a comer melhor com meu filho: frutas, arroz e feijão, peixe
  95. Meu café da manhã preferido: Panqueca de aveia com pasta de amendoim e geleia de fruta
  96. Blogs: Austin Kleon, MacSparky, MacStories
  97. Passar alguns dias com meu filho dormindo no mesmo quarto que eu e aproveitar as músicas de ninar para eu pegar no sono
  98. Passar os últimos dias do ano em Cascavel, com minha família estendida
  99. Descobrir novos lugares para correr: Avenida Brasil em Cascavel, ADE e minha rua em Joinville
  100. Ver meu filho descobrir escadas e cachorros

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2021: O Ano da Diversão

O meu tema para 2021 é o Ano da Diversão.

Em 2020, eu fiz bastante coisa. Quando paro para pensar que criei um filho no seu primeiro ano ao mesmo tempo em que ministrei 17 créditos semanais em um curso de Engenharia Mecânica, praticamente apenas trabalhando de casa, eu me sinto levemente insano. Deu certo, eu consegui, mas eu preciso de um pouco de equilíbrio.

À medida que vou finalizando mais um semestre acadêmico, as aulas que tenho de preparar estão ficando mais redondas; meu orientador muito sabiamente me deu a dica de que são necessários três semestres para você realmente montar uma disciplina. Nesse ano, eu não preciso mais partir de uma velocidade inicial nula, mas refinar o que já fiz.

Meu filho também está crescendo, eu estou ficando mais habilidoso em conciliar paternidade com outras coisas. Eu não me iludo: vai demorar décadas até meu filho se tornar independente, mas o sono dele está se tornando mais estável, ele se movimenta pela casa sozinho, e, mais importante, estou brincando mais com ele e vigiando menos, o que quero reforçar mais nesse ano.

No que quero me divertir? O primeiro ponto é esse blog. Eu genuinamente gosto de escrever, e meus momentos de trabalho mais feliz são quando eu consigo separar um tempo para mostrar meu trabalho. Quero publicar mais nesse ano, e voltar a fazer desse blog uma parte importante da minha vida, como foi quando comecei.

Tenho alguns sonhos mais ousados também, como voltar a tocar violão, principalmente quando estiver com meu filho. Quero comprar um, voltar a estudar, e incentivar a musicalidade do meu menino – e a minha. Gostaria de poder jogar mais também, como forma de extravasar um pouco. Fazer coisas que não são relacionadas ao trabalho é uma questão de saúde mental.

Em 2020, eu tive poucos finais de semana de descanso, e está na hora de mudar isso. Eu já vinha pensando nisso, e Rob Walker sugeriu na sua última newsletter, em explorar mais a minha região. Quero fazer pequenos passeios em família, sempre de máscara e mantendo distanciamento social.

Onde vou arranjar tempo para isso? Da mesma forma como faço todas as outras coisas na minha vida atual: arranjando alguns minutos aqui e ali. Eu achava que não tinha tempo para exercícios, mas voltei a correr regularmemte. Eu achava que não conseguiria dar conta de 5 disciplinas, mas recebi até elogios pelas minhas aulas.

O Ano da Diversão não é um período de férias de 365 dias. Eu vou manter meus compromissos com meus alunos, criar meu filho, amar minha esposa, manter minha casa. Mas, a cada passo que tomar: vou me perguntar: é possível fazer isso de maneira divertida?