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Como eu aproveito dias ruins

Sendo pai de um bebê, o meu dia começa de maneira perfeita quando eu consigo tomar café da manhã com calma, arrumar-me e planejar meu dia antes de ele acordar, para então poder me dedicar totalmente a ele. Hoje não foi um dia perfeito.

O problema de não ter esse tempo para mim é que tudo vai se deslocando muito na escala do tempo para mais tarde, comprimindo o tempo útil disponível. Eu não consigo ser multi-tarefa enquanto sou o responsável por vigiar um ser humano ativo e que ainda não tem medo de trancar o dedo nas gavetas, então só consigo começar a trabalhar quando existe outro adulto por perto que assuma a vigia.

Um corolário do meu transtorno de ansiedade é enxergar o desastre em todo. Já que o dia começou “errado”, então tudo vai dar errado, e não vou conseguir fazer nada de útil. Isso é natural de se pensar, mas não é lógico; em vez de correr para otimizar o tempo restante, eu fico paralisado por um atraso pequeno que de repente consome todo o tempo restante!

É nessas horas que o meu caderno me salva. Sempre é possível pensar: “o dia começou meio tumultuado, eu tenho algumas tarefas mundanas para resolver, como tornar hoje um dia de sucesso?”. Cada página de registro diário começa com uma lista de 3 MIT (Most Important Tasks).

Hoje eu tinha de preparar comidas, caso contrário ninguém aqui em casa teria o que comer; queria ligar para minha Vó pelo aniversário dela; e deveria trabalhar nas minhas aulas e materiais para o semestre que vai recomeçar.

Como diz a Thais Godinho, às vezes a maneira de avançar nos projetos é aproveitar as deixas das tarefas com prazo e trabalhar no mesmo contexto. Se eu tenho que “preparar comidas”, então vou entrar na mentalidade de “Abastecer geladeira e casa” (que foi exatamente o que escrevi no caderno), e aproveitar para revisar a despensa e fazer compras de mercado online. Se eu tinha que ligar para minha vó, vou limpar a minha lista de “tarefas de Comunicações” no Todoist:

(E de fato, ao final do dia eu cumpri todos esses itens).

Para finalizar o dia, estando mais tranquilo que muita coisa de relevante foi resolvida, finalizei uma lista de exercícios, e já coloquei tudo no Moodle.

Um dia que era para ser ruim se tornou cheio de coisas significativas. No meio de tudo isso dei almoço (recém-preparado) para o meu filho, corri com ele pela casa, fiz um pouco de exercício físico, orei, e ainda deu tempo de escrever esse post.

Sério, povo: manter um caderno para anotar tarefas, ter um sistema de contextos organizado, estudar métodos de produtividade – tudo isso vale a pena, eu prometo.

Por Fábio Fortkamp

Pai do João Pedro, Marido da Maria Elisa, Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Estado de Santa Catarina, católico devoto, nerd

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