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Preste atenção no seu trabalho!

Eu tenho uma característica de personalidade que é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição: eu penso demais em trabalho.

Isso já atrapalhou muito minha vida, é tema de discussão de terapia, mas já aceitei que está aqui na minha cabeça para ficar. Acho que com o tempo estou melhor em me desligar quando estou com minha família, ou quando vou correr, ou quando mergulho em algum tema de que gosto. Mas digo que essa faceta tem lados bons.

Eu caminho com meu filho todo santo dia em que não chove. Eu me esforço muito ativamente para conversar com ele, apontando as flores, os cachorros, os pássaros. Muitas vezes desabafo, explico em voz alta um problema para movimentar meu cérebro, ciente de que ele adora ouvir a minha voz (lembro uma vez em que consegui fazer ele dormir apenas contando uma história, um feito raríssimo para um bebê que só dorme embalado). Faço planos com ele, paro para tirar fotos.

Entretanto, frequentemente me pego apenas divagando, nós dois em silêncio. É nesses instantes também que penso em trabalho, o que dá resultados. Há algumas semanas, nós estávamos em Curitiba, e eu passeando com ele. De repente, num momento de silêncio, eu vejo uma loja de “turbinas para caminhões” – o acessório que faz um motor ser classificado como turbo. O que isso tem de mais? Eu ministro uma disciplina sobre motores turbo.

Alguns dias depois, fomos para Florianópolis, mas na volta para Joinville aconteceu a mesma coisa: divagando enquanto dirigia, notei uma outra loja de turbinas.

Resultado: ao preparar as aulas desse assunto, eu pesquisei as duas lojas, o que me levou a baixar vários catálogos de turbinas para mostrar a meus alunos como consultá-los.

Eu talvez já deveria ter tido essa ideia de arquivar catálogos, mas foi o estímulo visual, o ato de prestar atenção no meu trabalho que me fez ter melhores ideias.

Às vezes o que você precisa é prestar atenção no que você presta atenção.

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Trabalhando com um iPad nas férias

O título acima é enganador: em janeiro de 2021 eu não estava de férias; ainda não completei um ano no meu emprego atual de professor. Porém, sem compromissos de aulas e de pesquisa, eu e minha esposa quisemos aproveitar esse período para visitar familiares dos dois lados – principalmente para todos babarem em cima do bebê da família. Rompemos o isolamento social que mantivemos desde o início da pandemia, tentando, ao chegar nos lugares, ficar o mais isolado possível.

Para honrar meus compromissos com meus alunos e com o meu departamento, já antevendo a volta das aulas, eu trouxe o meu iPad comigo nesses 800 km entre Cascavel, Curitiba e Florianópolis. Foi ele que me permitiu avançar, que seja aos poucos, nos meus projetos, tendo uma rotina mais leve e criativa. Com o carro cheio de artigos de bebê, não achei que caberia o peso adicional de um laptop…

Meu setup de trabalhar nas férias

Em três casas diferentes e muitas mesas e sofás, eu tive de substituir o meu escritório cuidadosamente montado por isso:

Sinceramente, não estou com saudade da minha mesa

Esse aparelho acima é o iPad Air de 3ª geração, 256 GB de armazenamento, 10,5 polegadas, com conexão apenas Wi-Fi (sinceramente, meu próximo iPad vais ter conexão celular). Ele está sempre montado em uma capa com Smart Keyboard. Geralmente do lado desse conjunto está o meu caderno.

1. É muito caro. 2. É muito bom.

O que não aparece nas imagens acima é o Apple Pencil de 1ª geração e AirPods, sempre para escutar Deezer. Tudo isso foi comprado com o desconto educacional da Apple depois que minha esposa finalmente me autorizou a fazer esse gasto, cansado de me ouvir falar em comprar um iPad para trabalhar há mais de 3 anos.

O que posso fazer num iPad

Afinal, é possível fazer trabalho de verdade? Essa é uma discussão corrente e que está perto de ser solucionada, à medida que os tablets vão ficando mais poderosos em termos de hardware e software. Sim, é possível – pelo menos alguns tipos de trabalho.

Trabalhar com documentos

O app mais essencial no meu iPad é o Documents da Readdle, que não sei como não é mais divulgado; é a melhor maneira de navegar por documents salvos no OneDrive, Dropbox, Google Drive, iCloud, ou mesmo na memória interna do iPad, e ainda possui um editor de PDF integrado. Usei esse app para criar pastas para alguns trabalhos que estou criando para os alunos, duplicar arquivos e mover entre diferentes locais, juntar documentos, apagar páginas.

Com certeza, o meu app preferido para iPad: Documents da Readdle

Nesse período de férias, eu resolvi testar o modo Pro, que permite, entre outras coisas assinar documentos:

A propósito: o PDF que foi assinado foi exportado a partir do Word. A minha irmã recentemente comentou que descartava comprar um laptop Apple por “mas eu preciso do Office”; essa fase de incompatibilidades já acabou. Os aplicativos da Microsoft para dispositivos Apple são bastante capazes.

Preparar aulas

Nesses tempos de aulas remotas, a minha tarefa básica é preparar apresentações. Eu me surpreendi em como o Keynote para iPad é tão capaz quanto a versão para macOS.

Quem souber deixa nos comentários

Para me guiar nas apresentações, eu digito notas no Notion. Nessas viagens eu não tinha os livros que tenho na minha pequena biblioteca, mas consegui escrever algumas notas que estavam mais frescas na cabeça e consultando alguns PDFs (usando o supra-citado Documents).

Sim, nós somos engenheiros, nós discutimos válvulas

Como diz Shawn Blanc, porém, o fato do Notion para iPad não exibir os itens completos na visualização de calendário (apenas exibe que existem itens em um dado dia) é uma insanidade.

Parte do trabalho de preparar aulas é preparar planilhas de notas, para me ajudar a avaliar trabalhos e apresentações. O Numbers para iPad é ótimo. A integração com provedores de documentos é sensacional; ao navegar no app, só aparecem habilitados os arquivos que podem ser abertos no Numbers:

Sim, eu quero deixar bem claro para meus alunos o que eu espero de um trabalho

Tomar notas de livros

A habilidade de colocar apps lado a lado no iPad permite um fluxo de trabalho perfeito; de um lado o Kindle, com trechos sublinhado, e do outro o Bear, onde vou escrevendo minhas impressões com minhas próprias palavras.

Aguardem um post completo sobre como aprendi a usar o Moodle

Publicar posts

Tanto o presente texto quanto o último foram escritos inteiramente em um iPad.

Esses posts todos são planejados com o ótimo MindNode.

De boas, sonhando em ser um blogueiro profissional

Como me concentro

Para me guiar nesse processo, eu tenho um sistema no Todoist, que vou descrever no próximo post, e uso o Focused Work como um cronômetro; consigo criar um timer para trabalhar concentradamente por meia hora, uma hora, duas horas, dependendo do quanto tempo tenho.

O que quero que melhore

Eu gostaria muito de poder invocar Atalhos pelo Smart Keyboard. É algo que tenho pesquisado mais e mais à medido que uso o iPad com mais frequência. Por exemplo, tenho um atalho para criar uma nota no Bear com aquele time stamp no título; gostaria de, enquanto escrevo uma nota, já conseguir criar outra, sem precisar ir no app de Atalhos.

Como falei, o Smart Keyboard é ótimo, mas eu queria ter mais angulações para trabalhar, e de preferência com um layout em português.

A única angulação possível.

E por fim, quero widgets na tela inicial, pelo amor de Deus.

Acho que vou me divertir muito com meu iPad em 2021…

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Como eu (ainda) uso o Trello para gerenciar meus projetos

Nesse ano de 2021, eu quero me divertir mais, e isso significa escrever mais – principalmente para FabioFortkamp.com, que é a minha principal expressão criativa. No meu intuito de mostrar meu trabalho, eu planejei um post sobre como eu uso o Trello, a minha ferramenta de gerenciamento de projetos.

Porém, lendo o post onde eu descrevi em detalhes o meu sistema de filas de projetos, surpreendi-me em como tudo que escrevi lá ainda vale, e por isso recomendo a sua leitura para entender bem. Só fiz algumas adaptações de lá para cá.

Minhas listas atuais

O cerne do meu sistema de produtividade são dois canais de atenção: em um dado dia, eu tenho dois projetos principais em andamento, geralmente trabalhando em um de manhã e outro de tarde. Estas e todas as listas mostradas aqui estão em um quadro chamado Dashboard; se o leitor não consegue identificar, a imagem de fundo é uma mesa de controle de som.

Início do ano: tempo de preparar trabalhos e exercícios

Nesse início de ano, estou trabalhando um pouco em vários projetos ao mesmo tempo, por isso todos tem a etiqueta verde de “ativo”. Mas a ideia, baseada no exemplo acima, seria trabalhar todo dia na aula 6 de Refrigeração (REF0001) e na lista 2 de Máquinas Térmicas I (ST2MTE1); quando acabar o primeiro projeto, eu passo para o projetos das aulas 14 e 15 de Transferência de Calor e Massa I (TCM1001); quando acabar o segundo, eu passo para a planilha de avaliação dos seminários de REF0001, e assim por diante.

Obviamente que eu tenho mais projetos em paralelo:

Reparem que todo projeto começa com um verbo

Sim, eu mistura inglês com português; minha cabeça é caótica assim. A lista de Other projects, sinceramente, contém tudo que quero avançar mas que resisto a colocar como prioridade dos canais de atenção. São projetos do tipo “Comprar”, “Pesquisar”, “Testar”. No dia a dia, às vezes tenho alguns minutos disponíveis e pouca energia para trabalhar em aulas, então posso trabalhar nesses projetos (em um futuro post, vou detalhar como isso vai parar no Todoist).

Eu tenho também uma lista com coisas que só posso fazer no meu escritório na Universidade, usando materiais que estão lá.

A lista FabioFortkamp.com contém cartões com ideias de posts. Cada cartão contém tarefas de criar um mapa mental, escrever um rascunho, editar, publicar.

Spoiler Alert!
Exemplo de cartão de projeto de blog

Isso é dizer o óbvio, mas eu sou bem nerd; tenho uma lista de projetos de leituras, que incluem tarefas para processar as notas que vou tomando e publicar textos aqui no blog.

Exemplo de cartão no Trello com projeto de leitura

Projetos que não podem andar por algum motivo ficam na lista On Hold:

Eu não crio todos esses cartões do zero, mas tenho uma lista de templates; repare na imagem acima o pequeno ícone que, quando selecionado, me permite escolher um cartão da lista abaixo. Essa lista é apenas organizacional; qualquer cartão do Trello pode ser transformado em template, e, na lista de templates, eu preciso transformar cada cartão em um modelo.

Por último, eu mantenho uma lista de projetos concluídos. O que significa o emoji? Foi uma dica do Vlad Campos. Crie uma lista que tenha esse emoji, arraste um cartão para ela e veja o que acontece.

Criando sistemas duráveis

Foi uma surpresa para mim o quanto uso o mesmo sistema há mais de 3 anos. Acho que o motivo disso é que esse sistema foi estudado; usa as bases do livro do GTD com outras dicas roubadas de outros sites e blogs.

Trocar de ferramenta é muito legal, e eu mesmo estava pensando em estudar alternativas para o Trello apenas pela novidade. Depois de ver o quão bem funciona, vou me dedicar a aprimorar o meu uso do Trello cada vez mais.

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Resenhas de livros

Frankenstein, ou como conhecimento superficial não conta

Frankenstein, ou O Prometeu Moderno, de Mary Shelley, foi o último livro de ficção que li em 2020, e um exemplo de como conhecimento superficial não é bem conhecimento.

O que eu achava que conhecia sobre a obra, baseado em apenas ouvir dizer: um cientista maluco cria um monstro chamado Frankenstein com parafusos na cabeça, grita IT’S ALIVE, e a criatura sai quebrando tudo.

Sobre o que o livro realmente é: o impacto de decisões erradas. Frankenstein é o estudante de filosofia natural (e não a criatura) que se vê no meio de uma briga de ego de dois professores, que resulta numa descoberta “mágica” (melhor dizendo, alquímica) sobre a origem da vida. Ele faz um experimento, fica horrorizado, e tem de lidar com o que acontece depois. É ele quem fica louco de arrependimento.

O ato da criação em si consome muito pouco tempo do livro, o que me leva a questionar a classificação de Frankenstein como “horror” ou “ficção científica”. Para mim, é um drama, cheio de reflexões sobre o sofrimento do protagonista, com toques de fantasia.

O que mais eu não sabia? Que esse é um livro suíço. A geografia da Suíça, com seus lagos, planícies e Alpes são parte importante da relação entre criador e criatura.

E, surpresa, o monstro não tem parafusos na cabeça. Ou pelo menos Mary Shelley não queria nos dar essa imagem vívida. Aliás, ambíguo é um adjetivo apropriado para descrever esse livro.

Por dentro das coisas

Donald Knuth tem uma frase que adoro, difícil de traduzir, mas que basicamente significa que o trabalho dele é conhecer os detalhes profundos de poucas coisas, e não uma visão geral de tudo.

Por uma questão de personalidade, eu também sou assim. Dê-me um livro e um fone de ouvido e me largue por horas e consigo ser feliz. Porém, na minha carreira, diversas vezes sofri pressão para abandonar essa abordagem em favor de um conhecimento mais raso porém mais amplo. Os resultados sempre foram ruins.

Conhecimento superficial não é conhecimento. Nunca há tempo para saber tudo que há para saber, e há que se tomar cuidado para não perder tempo demais pesquisando e de menos fazendo. Porém, acredito que geralmente é possível se organizar e realmente aprender alguma coisa, estudando-a efetivamente, tomando notas. Querer realizar uma tarefa com base em um vídeo rápido do YouTube vai exigir retrabalho depois para cobrir os detalhes que ficaram para trás. Mais valia a pena ter se dedicado a estudar com mais afinco antes.

Esse texto é para lembrar desse lema pessoal: Fábio, você é uma pessoa que gosta de estar on bottom of things. Ler o livro Frankenstein (que, sinceramente, é chato de ler) dá um conhecimento muito superior a ler todos os resumos e artigos na Wikipedia ou ver todas as adaptações.

Próximo passo: ler Drácula e ver o quanto eu realmente sei sobre vampiros

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Como eu me preparo antes de entrar em uma sala de aula

Lembro quando entrei numa sala de aula para dar aulas pela primeira vez. Não estava vazio, como a foto da capa deste post, mas o pensamento mais aterrorizante era o que vou falar para essa gente?

Hoje em dia esse sentimento não sumiu, mas está atenuado pela prática e pelas minhas rotinas de preparação para aulas. Como já falei aqui, eu me dedico bastante a preparar bem minhas aulas, mas mesmo assim descobri que ter um pequeno ritual antes de entrar numa sala de aula, mesmo virtual, ajuda bastante a conter a ansiedade.

Para implementar isso, além de colocar os horários de aula no meu calendário, eu dedico tempo para um pré- e um pós-aula:

Assim, se a aula começa 09:20, às 09:00 eu já estou me ambientando: abrindo o Moodle, revisando notas de aula, separando água e chá. Às 09:20 eu já estou completamente pronto – ainda que isso não garanta que minhas aulas sejam sempre boas.

Para quem interessar, aqui está minha rotina que consulto antes e depois das aulas. Ainda estou no processo de sedimentar esses hábitos; algo que pretendo melhorar nesse semestre é tomar um tempo após as aulas para refletir um pouco sobre o que deu certo e o que deu errado.

Sim, isso toma bastante tempo a mais, mas uma constante em minha vida profissional é que fazer as coisas com pressa geralmente toma mais tempo pelo retrabalho envolvido. Eu estou numa fase de aprender a preparar essas disciplinas, aceito em paz que preciso trabalhar bastante (inclusive aos finais de semana) e, a não ser em caso de emergências, quero fazer as coisas com a minha calma habitual.

O leitor tem algum ritual de preparação no trabalho? Para os que têm reuniões regulares, posso imaginar isso sendo muito útil, principalmente para esfriar a cabeça após. Deixem nos comentários!

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Meu maior segredo de produtividade: filas de projetos

Eu não sou a pessoa mais produtiva do mundo, mas consigo completar coisas. Em 2020, eu me mudei de cidade (algumas vezes, na realidade, e para diferentes casas em uma mesma cidade) e comecei um novo emprego, preparando 5 disciplinas enquanto crio um filho bebê. Nada mal.

O meu segredo: eu não tenho fazer tudo, mas pouco de cada vez, sempre avançando num projeto e partindo para o próximo. A maior base do meu sistema são filas de projetos.

Como funcionam filas de projetos

É simples: eu gerencio meus projetos na forma de cartões no Trello, e tenho duas listas com projetos que devem ser atacados em sequência:

A grande questão: eu não estou preparando todas essas aulas ao mesmo tempo; num dado dia de trabalho, só estou focado nas atividades que tem a etiqueta verde, seguindo dois canais de atenção. Já falei sobre esse conceito aqui, que vem dos livros do Kourosh Dini (este post explica bem também). Geralmente, de manhã me dedico ao “Canal 1”, e de tarde ao “Canal 2”.

Como acesso as tarefas? No Todoist, tenho etiquetas para esses canais:

Quando decido que vou trabalhar em um projeto, consulto essas etiquetas:

Ao final de uma sessão do trabalho, ao fechar o dia, ou na Revisão Semanal, eu vou adicionando tarefas no Todoist a partir do cartão do Trello, sempre mantendo-o atualizado para completar o que precisa ser feito para concluir um dado de projeto.

Quando um projeto é concluído, os cartões do Trello são arquivados, os próximos da fila se tornam ativas, as tarefas são copiadas para o Todoist com a etiqueta apropriada, e assim as coisas vão se realizando. No exemplo acima do Trello, eu preparo a aula de Transferência de Calor, que ocorre às terças, e depois, só quando esse projeto é concluído eu preparo a aula de Refrigeração, que ocorre às quartas.

Nada espetacular ou revolucionário, mas funciona.

O leitor acha que faz sentido?

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Montando bibliografia de disciplinas com leitura inspecional

No dia 16 de outubro desse ano, eu concluí uma meta muito importante: finalizar um semestre – o meu primeiro semestre – como professor universitário. Foi uma jornada cansativa e incrível, que me ensinou muito, e que agora dá espaço ao meu segundo semestre como professor.

Apesar de todo o meu esforço, a primeira versão das minhas aulas foram medianas, o que é natural. Recebi alguns elogios, pelos quais sou muito grato, mas sei que há muito espaço para melhorar. Nesses dias antes do semestre de fato começar, fiz uma grande reflexão sobre os pontos mais críticos, que precisam de mais atenção na segunda versão das aulas.

A primeira conclusão a que cheguei é que o planejamento mais global das disciplinas precisa melhorar. No semestre passado, planejei os programas e fui criando as aulas, mas muitas vezes cheguei na hora de montar a aula de fato e me vi sem material de apoio, e sem tempo para pesquisar. Assim, dediquei-me a implementar um planejamento mais detalhado, testando o Notion para organizar e acessar melhor notas de aula. Para preencher essas tabelas de aulas, o próximo passo foi rever a bibliografia das disciplinas. Principalmente para as aulas que eu senti que ficaram piores, eu já quero deixar separado desde o início do semestre material para montar aulas mais completas.

Leitura inspecional

A ferramenta que usei para isso foi a Leitura Inspecional, o processo de “folhear” sistematicamente o livro, prestando atenção no que realmente importa: a estrutura, objetivos, os capítulos que parecem ser mais importante. Em 2015 (!), eu fiz uma série aqui no blog sobre esse processo; como dá para ver, Como Ler Livros me influencia profundamente há bastante tempo.


Como professor substituto, sem compromissos com pesquisa e extensão, eu dou aula sobre temas muito diversos, mas muitos dos quais eu já exploro há anos na minha carreira acadêmica. Assim, eu fiz uma pesquisa no site da Biblioteca da Udesc por livros que eu achava que poderiam contribuir, e alguns que fui pesquisando por palavras chaves, como “turbinas” ou “thermal design”. O leitor pode ver a coleção de candidatos na capa deste post.

Por uma semana, eu selecionava dois livros por dia, colocava um fone de ouvido e folheava atentamente o livro, marcando as páginas de maior interesse.

De Stoecker W. J., “Design of Thermal Systems”, McGraw-Hill, 1980
De Bejan et al., “Thermal Design and Optimization”, New York: John Wiley & Sons, 1996
De Bejan A., “Advanced Engineering Thermodynamics”, New York: John Wiley & Sons, 1988.

Próximos passos

Feito isso, eu já tenho uma noção bem boa de que livros vou poder usar no próximo semestre. Vou agora processar essas notas em post-it, montando listas de bibliografias no Notion e criando lembretes para estudar analiticamente os trechos marcados quando for hora de preparar de fato as aulas.

Se o leitor por acaso tem indicações de livros nas áreas de Refrigeração, Motores de Combustão Interna, Geração de Vapor, Transferência de Calor, Sistemas Térmicos em geral, eu estou sempre interessado.

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Aprendendo Notion para planejar semestres de aula

Uma das tarefas mais difíceis do meu trabalho de professor é planejar o semestre: preencher cada uma das horas do curso com algum tipo de conteúdo — de preferência, que avance o aprendizado dos alunos.

Quando as aulas do primeiro semestre de 2020 foram retomadas pós-interrupção pandêmica, eu apressadamente criei uma tabela básica no Notion, que listava os temas em cada dia:

Agora, antes de começar um semestre novo, quero realmente aprender a usar o Notion de maneira mais efetiva.

Por que Notion?

Eu nem lembro quando ouvi falar pela primeira vez desse aplicativo que promete ser tudo. O que é fácil notar é a quantidade de conteúdo criado exclusivamente sobre ele: era citado em podcasts e blogs, enchia a minha lista de vídeos recomendados no YouTube… Quando algo tem tanto hype assim, os meus instintos nerds não conseguem seguir a lógica de ser mais racional e me dizem que é hora de testá-lo de uma vez-

Thomas Frank e Ali Abdaal têm ambos vídeos excelentes sobre como usam Notion para planejar os seus respectivos canais, o que me convenceu de que este app é perfeito para isso: planejar um projeto ambicioso e criativo. A recente notícia de que o Notion agora é grátis para uso pessoal foi o incentivo final.

Eis o objetivo que eu me coloquei: eu quero algo que me permita criar uma lista de aulas para cada disciplina, com notas de aula para cada aula, e que me permita visualizar na forma de calendário.

Alguns recursos para ajudar a começar

Eu segui todas as instruções e tutoriais que aparecem quando você cria uma conta, e isso foi o bastante para criar o calendário mostrado anteriormente, mas queria mergulhar de maneira mais profunda para melhorar a partir do próximo semestre.

Eis os pontos principais:

  • Eu quero não apenas um calendário de aulas, mas uma visualização de lista que me permita visualizar cada aula dentro do contexto da disciplina, e.g. “Aula 1: Introdução”, “Aula 2: Lei de Fourier”;
  • Eu quero que cada “aula” conforme vista na tabela contenha notas que eu possa consultar durante as aulas, links para materiais relevantes que vou citar e disponibilizar, slides usados, exercícios

Para re-começar basicamente do zero, esse vídeo do Keep Productive é um bom primeiro passo.

Montando as páginas no Notion

O Notion funciona na base de tabelas, que são propriamente bancos de dados. Após alguma experimentação, eu criei uma tabela com os seguintes campos:

  • ID: a sequência daquela aula na disciplina; por exemplo, uma disciplina que tenha aula 1x por semana, durante as 18 semanas do semestre, vai ter aulas numeradas de 1 a 18;
  • Nome: o título daquela aula (e.g. “Ciclo Padrão de Compressão a Vapor”)
  • Status: uma propriedade do tipo “Escolha” que indica em que estágio está a preparação da aula: “A fazer”, “Notas no papel”, “Slides prontos”, “Ministrada”
  • Disciplina, identificada pelo código para ficar mais curto
  • Tipo: se a aula vai ser síncrona, ou é uma prova, ou uma apresentação de trabalho etc

O trabalho duro foi rever as aulas que dei nesse semestre, refletir sobre o que quero mudar para o próximo, e de fato preencher a tabela:

E isto que ainda está faltando as aulas de uma disciplina, que não tenho certeza que vou ministrar ainda

Facilitando a visualização

Para filtrar por disciplina, é fácil definir um filtro pela propriedade relevante:

Não vou negar: é bem divertido brincar com o Notion, até o momento eu que eu realmente vou ter de preparar cada aula dessa

Notas de aula

A outra função que quero aplicar no Notion é uma versão pelo menos rudimentar de notas de aula para consultar durante a aula.

O Notion vem com templates prontos, inclusive sobre educação. Para montar a tabela, eu comecei adaptando o template Lessons Plans para a tabela, e traduzindo o template de nota Lesson Plan (no singular) para usar para cada aula. Assim, clicando em cada linha da tabela de aulas, eu posso começar a rascunhar ideias para as aulas, usando os prompts do template:

Traduzido do template “Lesson Plan” embutido no Notion

Próximos passos

O semestre 2020-1 foi uma confusão em termos de notas: as primeiras aulas estão em notas rascunhadas que eu usava para escrever no quadro negro; algumas disciplinas já tinham alguns slides; e depois das aulas remotas, todas as aulas foram dadas completamente em slides.

Tudo indica que o semestre 2020-2 vai começar de forma remota também. Agora, o trabalho a ser feito é consolidar todas essas notas espalhadas nessa tabela central (que eu criei aliás para isso), preparar slides de apoio, e começar um novo capítulo da minha carreira de professor.

E o leitor, usa o Notion nos seus projetos?

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Como eu preparo provas para faculdade

Nota: esse texto está sendo publicado após a realização e correção dos exames mencionados aqui, sem nenhum prejuízo à lisura do processo. Nenhum aluno (nem nenhuma pessoa, aliás) teve acesso a este texto ou às fotos mostradas aqui, nem a nenhuma informação relevante para a realização dos exames.

Em outubro de 2020, a universidade em que trabalho está realizando os exames finais do primeiro semestre letivo desse ano, com o desafio adicional de tudo ser totalmente não-presencial. Penso que esta é uma excelente oportunidade para eu refletir como eu preparo provas e compartilhar neste blog o meu processo.

Papel e caneta para começar

Minha vida nerd dá voltas. Quando eu comecei a mergulhar no mundo Apple, em 2012, queria fazer tudo digitalmente, e cheguei ao extremo de tomar notas para uma disciplina enquanto fazia mestrado exclusivamente “escrevendo” em um iPad 2.

Agora, mais velho e menos infectado por hypes, eu sei que a melhor forma de escrever é em papel e caneta.

Começar a preparar uma prova é um processo analógico. No máximo, um iPad (agora o iPad Air 3ª geração, um presente para mim mesmo para finalizar esse semestre) para consultar PDFs e músicas:

Começando os trabalhos de preparar uma prova

Como exemplo, eu estava preparando uma prova da disciplina de Transferência de Calor e Massa I, do curso de Engenharia Mecânica. Então o grosso da prova é calcular propriedades e correlações empíricas:

Gosto de resolver as provas em papel, com caneta e calculadora, para simular precisamente como os alunos resolveriam

Esse processo leva de uma a duas horas. Vou escrevendo e resolvendo questões, tentando simular ao máximo como meu alunos resolveriam a prova. Esse gabarito naturalmente é usado para a correção das provas.

Digitando em LaTeX

Para disponibilizar um arquivo que será distribuído aos alunos (e que seria impresso se o semestre fosse presencial), eu uso LaTeX, sobre o qual já escrevi extensamente.

Como editor de LaTeX, eu ainda uso Emacs. Para automatizar o processo, eu tenho um template que insere um modelo básico de prova (e que chamo de LaTeX Problem Set porque uso para listas de exercícios também) com um comando do menu, assim que crio um novo arquivo LaTeX:

Tendo como resultado:

Sim, é 2020 e eu ainda estou usando Emacs

Se o leitor quiser usar esse modelo, aqui está:

\documentclass[english,brazil,shortlabels,article]{techreport}
%% see https://github.com/fabiofortkamp/techreport
%% I honestly cannot remember where I got this from
\newenvironment{problem}[2][Problem]{\begin{trivlist}
\item[\hskip \labelsep {\bfseries #1}\hskip \labelsep {\bfseries #2.}]}{\end{trivlist}}
\usepackage{siunitx}
\usepackage{enumitem}
\usepackage{pdfpages}
\sisetup{
output-decimal-marker = {,},
per-mode = symbol, }
%% see https://github.com/fabiofortkamp/engsymbols
\usepackage{engsymbols}
\begin{document}
\pretextual
\titulo{Final Exam}
\autor{Prof. Fábio Pinto Fortkamp}
{\ABNTEXchapterfont\large University ...}
\par
{\ABNTEXchapterfont\large Departament of ...}
\par
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\LARGE\imprimirtitulo}
\par
\vspace{\baselineskip}
\ABNTEXchapterfont\large\imprimirautor
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\textual
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Basic Instructions:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\begin{itemize}
\item Be explicit in every calculation
\item ...
\end{itemize}
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Problems:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
Some introductory text.
\begin{problem}{1 (2,0 points)}
Calculate something.
\end{problem}
\end{document}

O bom desse template é que ele tem espaço para instruções básicas e já defini um ambiente para criar questões, com uma formatação adequada.

Após revisão, o PDF está pronto para ser publicado no Moodle.

De onde as ideias vem

Tudo isto é ótimo, mas esse processo eficiente só funciona se, ao sentar para rascunhar a prova, eu já tiver a ideia na cabeça.

O meu segredo principal é usar as caminhadas matinais com meu bebê para falar em voz alta algumas ideias. Ele se tranquiliza com o som da minha voz, e (provavelmente) reclama menos que a minha esposa se fosse ela a ouvinte das minhas ideias de prova. Na foto acima, eu sentei para escrever logo depois de chegar de uma caminhada.

Algo que, ao final do meu primeiro semestre, já se tornou meu estilo é mesclar questões numéricas (essenciais num curso de Engenharia), com “pausas estratégicas” para os alunos pensarem um pouco na teoria:

Já faz parte do meu estilo colocar algumas questões teóricas no meio da prova para fazer uma pausa de cálculas

Além disso, trata-se da pergunta geral sobre criatividade. Não há resposta senão as básicas: ao longo desse semestre, eu fui roubando ideias dos livros que estudei para preparar aulas; eu observei quais os tópicos que mais geram discussões (e que portanto tendem a ser mais importantes) entre os alunos; eu fiquei subconscientemente pensando em que questões colocar, a cada vez que tomava banho ou lavava a louça; e eu arrisquei, sem ter 100% de certeza de que é a melhor prova que eu poderia preparar. Eu preparei a prova, e cronometrei o meu tempo para ter certeza de que os alunos também vão conseguir fazer (sendo naturalmente mais lentos que eu), e tenho confiança em mim e conheço meus alunos para perceber que é uma prova justa e mediana.

Uma das maiores vantagens de ser professor universitário: sempre há um próximo semestre para melhorar.

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Métodos de entrada no meu computador

Este texto é uma continuação do post sobre como ministro aulas
Por métodos de entrada, quero falar de todas as formas pelas quais interajo com o computador.

Sobre o computador em si

Minha máquina principal, e sobre a qual vou falar aqui neste texto, é um MacBook Pro 2017 13’’, comprado quando eu morei na Europa em 2017. Eu adoro esse computador: é leve, potente, não deu problema até agora, roda macOS (um sistema operacional simplesmente fantástico).

Sobre os embutidos no computador em si

Eu gosto do teclado embutido do MacBook Pro. Ele é confortável de digitar, não faz muito barulho (o que é ótimo quando esse mesmo computador mora na mesma casa de um bebê — embora eu esteja louco para experimentar um bom teclado mecânico e avaliar como é a experiência) e nunca deu problema, apesar de sua má fama.

O trackpad embutido também é ótimo. Ele responde bem, permite um fácil deslizamento, é enorme sem comprometer o peso do laptop, e é uma ótima plataforma para os vários gestos permitidos pelo macOS (como deslizar com quatro dedos para trocar de app em modo Tela Cheia). Esses gestos podem até ser personalizados, e novos gestos podem ser criados. Quando estou “no modo laptop”, i.e. sem monitor externo, nunca pego um mouse para usar o laptop.

Meu teclado externo de preferência

Quando estou usando o laptop em modo “Desktop”, sentado numa mesa em frente a um monitor externo, o teclado que uso é o Logitech MK 220. Minha escolha por esse foi simples: eu gosto da Logitech, e queria um bom custo-benefício.

Foi uma escolha acertada: é confortável de digitar, tem várias media keys que permitem controlar brilho, volume, reprodução de música, silencioso.

Usando este teclado, minha velocidade média de digitação é de 57 palavras por minuto, bem na média, portanto. Claramente, tenho algo a melhorar.

Também uso vários atalhos de teclado no próprio macOS que eu mesmo criei, geralmente para abrir apps (e.g. Cmd+Shift+Ctrl+Option+L abre a janela do BusyCal para que eu possa rapidamente criar um evento — e tenha em mente que eu remapeei a tecla Ctrl do lado esquerdo para a combinação Cmd+Shift+Ctrl+Option; quer saber mais sobre isso? Deixe nos comentários!

Também uso extensivamente o Alfred e diversos workflows para abrir programas, procurar arquivos, navegar pelo meu histórico de copiar e colar, invocar meus Bunches

Meu mouse de preferência

Uma extravagância que cometi nessa quarentena foi um Mouse Trackball Logitech Mx Ergo. Eu acho que ouvi falar de trackballs em algum episódio de Cortex, provavelmente nesse, e, intrigado, comprei um.

A grande vantagem de um trackball é que você não precisa mover o braço para mover o ponteiro, e usa apenas o polegar para mover a bola — e, ainda por cima, o mouse é ergonônico, elevado:

Duas fotos lado a lado, mostrando o mesmo mouse em duas posições: horizontal e levemente inclinada
As duas posições do Logitech MX Ergo

Um mouse poderoso desse ainda vem com vários botões que podem ser personalizados com o app da Logitech. Sinceramente, ainda não me acostumei a usar esse poder. Apenas sentar confortável e ergonomicamente, com o mouse numa posição fixa, já vale.

Magic Trackpad (externo)

Uma das minhas coisas favoritas da Apple é que eles fabricam exatamente isso: um trackpad externo, para usar todos os gestos de que falei acima mesmo com o computador montado a um monitor, sem que eu interaja olhando para o laptop.

O fluxo de trabalho de trabalhar num app usando o teclado, e erguendo levemente o braço para a esquerda para alcançar o trackpad (muitas vezes enquanto minha mão direita continua usando o teclado) para rolar páginas é sensacional.

Mesa digitalizadora

Essa tem sido uma ferramenta essencial para dar aulas. A One by Wacom é uma forma de efetivamente desenhar na tela do computador, e tem sido muito usada.

Ainda estou me acostumando com esse método, essa mesa é a mais simples da Wacom, e minha letra ainda é feia. Mas, como o site acima propagandeia, seu uso abriu novas formas de interagir com o computador.

Conclusões

E chego ao fim desse texto com essa mensagem: eu gastei tempo documentando tudo isso para mostrar que, mais que gadgets, essas ferramentas são ferramentas de criatividade. A mesa digitalizadora mudou a minha concepção de aulas remotas, permitindo-me rabiscar livremente em cima de documentos e apresentações. O bom teclado e o bom mouse me fazem querer sentar e trabalhar para preparar boas aulas.

Volto sempre ao que Austin Kleon diz: as ferramentas importam e as ferramentas não importam.