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Breves comentários sobre Tomb Raider: A Origem

Estou aqui em um avião indo para Frankfurt, e como não tenho nada melhor para fazer no momento, vou tecer alguns comentários sobre o filme que acabei de ver: Tomb Raider: A Origem (2018).

Eu sou grande fã da Alicia Vikander, joguei os jogos quando era adolescente (em um PlayStation da primeira geração), e vi os filmes com a Angeline Jolie — mas sinceramente, não me lembro destes o suficiente para fazer paralelos com o filme atual. Minha análise é como expectador que está relativamente familiarizado com a história. Resumindo a trama em uma sentença: Lara Croft descobre que o pai que a abandonara quando criança deixou pistas sobre um lugar sobrenatural e parte para encontrá-lo.

O filme é bom, e recomendo ao fãs da franquia de video game. Mas para os que nunca jogaram, temos um problema: o maior defeito do filme para mim é que ele se parece demais com um video game, com pulos acrobáticos, lutas cinematográficas a toda hora e até os gritos de Lara Croft que parecem sons gravados.

A história peca em alguns pontos, na minha visão. No começo do filme, Lara perde uma luta em uma academia onde treina, dando indícios de uma pessoa que está se iniciando em artes marciais apesar de ter um corpo com nada de gordura — mas depois, quando viaja para encontrar o pai, de repente ela consegue saltar entre árvores e bater em soldados armados. Como diabos ela começou a lutar tão bem assim? E além disso, a explicação do pai sobre por que começou a ir atrás dessas coisas místicas me parece uma preguiça de roteiro; sem querer dar muitos spoilers, parecx§e-me mais natural que uma pessoa que sofre uma perda ir atrás de Deus do que de repente se tornar o maior especialista em ocultismo do mundo.

Em resumo: um bom filme de ação, mas nada sensacional.

Os melhores filmes que vi em 2014

Esse é um assunto que adoro e que nunca falei aqui, mas, inspirado por episódios recentes do Rapaduracast e do Podcast Cinema em Cena, vou falar dos 3 melhores filmes que vi em 2014.

Antes, um aviso: como comentado em algum dos episódios (não lembro qual), fazer uma lista desse tipo sempre causa o risco de se priorizar os filmes vistos no fim do ano, que estão mais recentes na memória. Eu tenho o estranho hábito de anotar todos os filmes que vejo (e essa lista me diz que vi 69 filmes em 2014, contando lançamentos de cinema e filmes alugados), mas não costumo escrever comentários de filmes, o que me permitiria refletir melhor sobre cada filme. Então sim, os três filmes de que vou falar são recentes (e só vou falar de filmes lançados nesse ano), mas são excelentes.

Com certeza, o melhor filme de 2014 é Garota Exemplar, do diretor David Fincher (de Se7en, A Rede Social, Clube da Luta entre outros excelentes). Este filme é a definição de suspense, para mim, e foi o único nesse ano que atende ao critério Fábio Fortkamp de Qualidade Suprema de Cinema, que é quando acabar o filme eu falar “pqp, que filmaço!” (outro que atendeu foi Argo, que vi em 2013). É a história de uma mulher que some no dia do aniversário de casamento, e o marido, de comportamento estranho, vira suspeito. A partir daí, a cada 5 minutos você muda de opinião sobre a inocência ou não dele (acompanhando ou não a posição da polícia), e aprende um fato novo sobre o caso. Lá pela metade do filme, você acha que está tudo resolvido, e a parte mais interessante do filme começa. Absolutamente incrível, prende a atenção a cada segundo.

O segundo melhor filme de 2014, para muita controvérsia, é Interestelar, de Christopher Nolan. O filme é ousado, é poético, é bem-feito, é científico, é criativo (quantos filmes de exploração espacial tem como eixo a vontade de um homem em voltar logo e ver sua filha?). É mais um passo maravilhoso na reformulação de Matthew McConaughey como ator sério (lembra quando ele estava sempre sem camisa nos filmes de menininha?), é mais uma vez Michael Caine sendo Michael Caine, a trilha sonora é de arrepiar e tem muitas nerdices envolvidas. Ignore as críticas pontuais a falhas no diálogo e vá ver.

Já para o terceiro lugar… temos um problema. Eu vou ficar com a indicação que eu dei a muitas pessoas (incluindo a minha namorada, que discorda enfaticamente de mim sobre esse filme), que é Chef. O filme é lindo (apesar de muitos e muitos clichês), e se você gosta de cozinhar, como eu, é bem difícil não ficar sorrindo o filme todo. É um monumento à simplicidade que pode ser uma boa comida, mesmo que seja comida em pé e longe de um restaurante da moda (num lance meio autobiográfico do diretor Jon Favreau, de Homem de Ferro e Cowboys e Aliens). As atuações são boas, e o mais importante, você se sente bem vendo o filme; como não gostar?

Disse que este terceiro lugar era um problema porque, revendo minha lista, vi dois filmes mais para o começo do ano, que são excelentes mas não me marcaram como esses três; então ficam como uma menção honrosa. Um é X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, com um cruzamento brilhante das duas linhas do tempo da franquia, e Planeta dos Macacos: O Confronto, que só consolida o retorno dessa série de filmes maravilhosa, agora mais dramatizada e adaptada aos dias atuais, combinando questões de política ( como lideranças se formam?) com questões ambientais (até onde vai o limite da nossa ocupação da Terra?).

No post anterior falei de como quero rever hábitos em 2015. Definitivamente, o que eu quero continuar fazendo é vendo bons filmes como esses.