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Forçando-me a seguir objetivos com Todoist

Eu falei recentemente que nesse mês eu tenho tentado ser mais intencional com meus objetivos para tentar vencer o estresse. Quero ter noção clara de que estou avançando no que quero avançar.

Em junho, eu me coloquei três objetivos:

  1. Submeter um paper que estava pendente da minha tese e vem sendo trabalhado há mais de um ano – para manter pelo menos a taxa de artigo publicado por ano (é muito pouco, mas é o mínimo, e vem sendo cumprido desde a minha defesa)
  2. Finalizar uma seção de um curso de Machine Learning da Udemy que tenho feito – porque esse é o assunto que mais me anima intelectualmente, e onde eu acho que pode estar a minha próxima fronteira de pesquisa (não são muitos engenheiros mecânicos falando disso)
  3. Finalizar os estudos e documentos para um Concurso para Professor Efetivo

E isso é além das minhas atividades rotineiras de professor (preparar aulas, corrigir trabalhos, planejar atividades, atender alunos etc).

Para me forçar a seguir esses objetivos, nada como as boas e velhas tarefas recorrentes no Todoist:

Não estranham a mistura de inglês com português

Eu tenho uma tarefa de aula para fazer – e isso é inadiável. Mas eu preciso escrever e pesquisar materiais para o Projeto Acadêmico para o Concurso, e preciso assistir um vídeo do curso. Mas eu “preciso” mesmo fazer essas duas coisas? Não – se eu não fizer, o mundo não vai acabar, e por isso elas não deveriam estar na minha lista de tarefas de hoje segundo o GTD, pois há o risco de eu me sobrecarregar.

Eu sei que não se deve fazer, mas eu prefiro me forçar, estimular-me a encarar essas tarefas prioritárias, e constantemente refletir – se não der tempo, paciência; eu marco as tarefas de aulas com as etiquetas de cada aula para saber o que é crítico.

Resultado? No dia 8 desse mês já cumpri dois dos objetivos acima, e posso me concentrar no concurso, sabendo que já avancei em objetivos de curto e médio prazo. Agora é evitar de querer colocar mais e mais objetivos no meu Todoist…

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Apps e equipamentos para ajudar a manter o foco no meio da loucura

O mês de março foi uma pequena loucura.

Tudo estava indo razoavelmente bem, depois de várias reflexões sobre foco – mas no final do mês, uma combinação de doenças (leves, mas que requisitaram cuidados), eventos grandes familiares, e recomeço do semestre letivo (e tudo acontecendo ao mesmo tempo agora) quase me tirou do eixo; eu senti que não estava dando conta. Felizmente, tudo voltou a uma rotina razoavelmente tranquila.

Para continuar seguindo os dias fazendo o essencial, eu resolvi experimentar o app Sunsama, por recomedação do canal Keep Productive.

Este app puxa tarefas do Todoist (e outros serviços) e eventos das suas diversas contas de calendário) e permite a você reordenar, priorizar, e distribuir ao longo do dia. O Sunsama tem um modo de planejamento que estimula você a pensar, entre as milhares de tarefas do Todoist, quais são realmente importantes; você também pode estimar quanto tempo cada tarefa leva, e depois conferir com o tempo real (há um timer que você pode acionar quando começa a trabalhar em algo). Ainda estou refletindo se vale o preço, depois de testar por um período grátis.

Além de ter um aplicativo mais poderoso para ajudar a planejar o dia, também tenho tentado seguir com minhas rotinas básicas: meditação, escrever no diário, fazer um pouco de exercício todo dia.

Parte da loucura e da angústia era também por causa do meu laptop, um MacBook Pro 2017 de 13 polegadas, que está começando a dar sinais de velhice e cuja bateria falhou de vez. Como vou fazer para dar aulas, agora presenciais? Desde o começo do ano estou perdendo o sono, pensando se compro outro MacBook, se compro outro computador mais barato, ou se mando consertar a bateria. Em março, eu finalmente levei para fazer um orçamento para troca da bateria – e o preço era duas vezes mais absurdo que o absurdo original que eu estava esperando. Foi a gota d’água; nessa inflação, eu me recuso a gastar esse dinheiro com apenas a bateria. Pelo mesmo preço, eu comprei um computador novo em folha, mais poderoso que o meu antigo:

Shocking news: um laptop cinza-preto de plástico

Este é um Samsung Book i7, 8GB de RAM, 256 GB de SSD. Está me servindo perfeitamente. Para alguém que estava usando exclusivamente macOS há 2 anos (e que antes disso estava usando Macs e PCs de maneira paralela por uns 3 anos), voltar a usar Windows, mas agora numa versão (11) que nunca tinha usado, foi uma variação interessante.

Uma cara muito macOS em um notebook Windows

Sinceramente, um dos motivos que me levou a querer voltar para Windows foi justamente a questão do foco. Com esse jeitão meio corporativo, o laptop me convida a sentar e preparar aulas e é isso. Com macOS, eu percebia que às vezes estava mais interessado em automatizar a preparação de aulas, e acabava esquecendo o objetivo final. Talvez seja o efeito psicológico de que, durante todo o meu doutorado e pós-doutorado, eu estava usando Windows para “atividades acadêmicas”, então o meu “cérebro acadêmico” automaticamente se sente em casa no Windows.

E claro, não vamos nos esquecer das portas:

Repararam no hub USB-C pendurado ali e que agora tenho que tirar da mesa?

O verdadeiro teste vai ver como essa máquina se comporta de maneira portátil, indo da minha sala para as salas de aula e de volta, e se vou aguentar transportar os 1,6 kg todo dia por aí – no final de abril volto a reportar. Com o perdão da analogia barata, comprar um notebook poderoso e pesado assim me tirou um peso emocional – o problema de ter um laptop funcional para começar um novo semestre, e com aulas presenciais, está resolvido. Em uma aula de Transferência de Calor, usei justamente um vídeo que assisti quando estava pesquisando para comprar o laptop como exemplo do problema de resfriamento de componentes eletrônicos.

O grande desafio de abril será justamente esse – será que sei dar aulas numa sala de aula ainda? Como vou balancear usar um laptop com escrever e desenhar livremente num quadro-negro? Para os meus leitores e leitoras que ainda têm ou dão aula – o que vocês preferem, slides ou “cuspe-e-giz”? Vamos conversar aqui nos comentários!

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Praticando a procrastinação produtiva

Hoje de manhã, eu postei duas versões da minha lista de tarefas: uma que eu deveria fazer e que está de acordo com meu foco para a semana e para o planejamento semanal, e uma que eu gostaria de fazer:

Eu já falei aqui do meu eterno conflito entre foco e exploração e como tenho “perdido tempo” fazendo algo produtivo. Acontece que isso é algo trabalhado pelo meu ídolo Austin Kleon em Roube como um Artista: a procrastinação produtiva: você deixa de trabalhar na sua lista de tarefas não para ver vídeos do YouTube, mas para trabalhar no que você realmente quer trabalhar, seguindo a sua intuição.

No fim das contas, eu segui a lista da direita na foto acima. Em vez de montar cronogramas no Excel, eu fui estudar um dos livros mais complexos e maravilhosos da Engenharia, o Advanced Engineering Thermodynamics do Bejan – e apanhei um pouco, mas terminei a tarde com mais ideias de aulas e com maior entendimento desse assunto fundamental. Também fui levar meu filho no médico, e, em vez de voltar para casa e trabalhar em algo útil como estudar um outro livro que quero usar nas minhas aulas, levei-o no parquinho e fiquei ruminando ideias sobre um livro-texto que eu quero escrever.

Novamente: eu deveria ter montado cronogramas no Excel?

Antes de terminar a semana amanhã, dá de fazer algo divertido e ao mesmo tempo útil?

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Minha jornada em aprender R (ou: o conflito entre foco e exploração)

Eu me sinto em um conflito intelectual enorme entre dois aspectos de trabalho, simbolizados por duas grandes influências minhas: Cal Newport (foco e prioridade é tudo que importa) e Austin Kleon (como deve se expor ao máximo de influências e roubar delas para fazer a sua arte).

Exceto que este conflito não existe. Cal Newport lê no mínimo 5 livros por mês, sobre assuntos variados, e Austin Kleon fala da importância de desligar suas notificações e ter uma boa estação de trabalho onde se concentrar. O trabalho consiste em ciclos de se aprofundar e explorar.

O que me leva a um objetivo vago na minha vida profissional, que é aprender a linguagem de programação R, uma ferramenta bastante focada em estatística e ciência de dados.

Eu não consigo me lembrar como comecei a me interessar por isso, mas se fosse apostar, diria que foi quando Dr. Drang linkou algum post de Kieran Healy, um professor de Sociologia da Duke University que posta sobre como criar gráficos muito interessantes e ricos usando R . Isso deve fazer uns 5 anos, por volta de 2017.

Em 2019, quando comecei a utilizar bastante os conceitos de ciência de dados e quis aprender mais, comprei os livros da foto acima, mas nunca mergulhei de fato.

Nesse ano de 2022, decidi que era de mergulhar nisso. Mas aí está o problema: como vou priorizar isso dentro do meu problema de foco? Eu não preciso estudar R, e não vou ter proveito imediato.

Porém , foi numa tarde onde tirei uns 90 minutos para começar a ler o livro R for Data Science que me deparei com um exemplo do livro sobre dados experimentais de motores – uma biblioteca de R tem uma tabela já pronta. Por que essa minha empolgação? Porque eu ministro duas disciplinas sobre motores, e já consigo pensar em muitas maneiras de explorar esses dados na sala de aula. Sem essa perda de tempo brincando de estudar, eu talvez nunca teria chegado nesse exemplo.

Brincando com RStudio

Brincando em mais algumas sessões de trabalho, o resultado é saber produzir um gráfico como esse:

Aqui nós temos dados de alguns motores catalogados pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA entre 1999 e 2008. Há uma tendência geral de queda da eficiência: motores maiores consomem mais combustível. Mas! Há outros fatores em jogo: a linha de tendência mais inferior mostra apenas veículos de tração nas 4 rodas, que são consistentemente menos eficientes que veículos de tração em 2 rodas (o leitor sabia disso?). Analisando por classes, vemos que na faixa de cilindradas maiores há exemplos de carros que são mais eficientes que outros: 2seaters, ou carros esportivos de 2 lugares. Esse veículos usam motores potentes, mas consomem menos que um SUV de mesmo tamanho, porque são mais leves, com menos perdas no sistema de transmissão; eu acredito também que o sistema de exaustão desses veículos esportivos faça diferença, com conversores catalíticos de parede metálica, mais fina, que têm menos perdas de potências (à custa de mais emissões).

Essa discussão de um parágrafo acima é muito útil para ser levada para a sala de aula. Eu perdi tempo estudando R?

Agora estou nessa situação; tirando algumas sessões de trabalho a cada mês para avançar na leitura desses livros, encaixando no meu planejamento semanal. Tenho sonhado em finalmente escrever apostilas de notas de aulas usando bookdown, de maneira que o código para resolver exercícios seja parte do texto, e divulgar essas notas de aula para o Brasil todo. O ecossistema de R põe muita ênfase na publicação e compartilhamento de dados – algo que não vejo em Python, por exemplo, daí o meu interesse em uma ferramenta nova (já que tenho usado Python para meus projetos científicos há mais de 1o anos).

Como a leitora faz para balancear entre o foco e a exploração? O leitor consegue achar tempo no meio da semana para simplesmente explorar algum assunto e “ver no que vai dar”?

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Como ter mais foco nos objetivos?

Eu vou desabafar com meus leitores: estou com dificuldades em manter o foco nos meus objetivos.

Estamos no começo do mês de Março. Aqui estão minhas três metas para esse mês:

  1. Finalizar os estudos para um concurso para professor que deve ser feito nesse ano
  2. Submeter para um journal um artigo que estou finalizando com meu orientador de doutorado
  3. Preparar uma apresentação para um workshop no final do mês

Em março estamos em recesso de aulas, o que diminui a carga de trabalho; estou apenas monitorando a realização de provas de recuperação, e vou ter de corrigi-las após a entrega. O novo semestre começa na última semana do mês. Então tenho uma janela de algumas poucas semanas para realmente focar nos objetivos acima.

Por que não consigo focar? Porque, quando começo a fazer alguma atividade, meu cérebro quer ir para algo relacionado e mais fácil, mas não tão importante. Por exemplo, ao estudar um assunto, fico pensando em como compartilhar isso de alguma maneira, como posso gerar gráficos, implementar computacionalmente etc – e iludo-me ao pensar que isso vai tomar pouco tempo. Ao mesmo tempo, eu estou muito empolgado em mostrar meu trabalho, e não quero perder isso. Tenho que contabilizar tempos de estudos maiores (lembrando que pensar em um post ou alguma outra forma de compartilhar meus estudos não é perda de tempo; qualquer maneira de pensar sobre como deixar um tema mais didático é preparação para concursos de professor).

Por isso, tento ser mais diligente ao seguir os conselhos do Cal Newport e colocar os meus objetivos no calendário da semana:

Assim, eu tento criar espaço para as tarefas necessárias, para exercício, atividades familiares, e espaço para o que eu quero fazer, como estudar alguns livros e escrever sobre eles.

O que os leitores pensam? Têm alguma estratégia específica para focar mais em objetivos? Quero muito ouvir!

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Meu setup no Todoist: tarefas que podem ser feitas apenas com um iPhone

O que fazer nos 20 minutos até a aula começar?

Quando eu não tinha filho e trabalhava fora de casa, parecia que eu tinha todo o tempo do mundo. Agora, o maior segredo de produtividade que eu posso dar para recém-pais é ficar realmente bom em aproveitar pequenos espaços de tempo. Pode ser bastante difícil achar blocos de tempo de 2 horas para trabalho profundo.

Assim, eu tenho widgets do Todoist no meu iPhone que me mostram exatamente isso: coisas que eu posso fazer apenas com um iPhone, aproveitando uma janela aqui e outra ali:

No meu Todoist, eu tenho um “projeto” (na verdade uma lista) de Communications, onde eu ponho tarefas de mandar mensagens, emails e ligações. Tenho uma lista para tarefas do próprio iPhone, como explorar algum app. Tenho uma lista de Brainstorming, que posso fazer no iPhone pois tenho o MindNode instalado. Tenho uma lista de Reading, onde marco os livros digitais com uma etiqueta @Kindle. Tenho listas que chamo de Any-Device, geralmente pesquisas em geral que podem ser feitas em qualquer dispositivo.

O widget no topo mostra um filtro iPhone, que puxa tarefas desses lugares:

O caracter de * significa “qualquer caracter”; eu uso emoji nos meus nomes de projetos, e para não precisar copiar os emojis para esse filtro eu simplesmente coloco um asterisco. Assim, o filtro vai incluir todos os projetos (simbolizados por #) que começam com “iPhone”, OU (simbolizado por |) que começam com “Comm”, e assim por diante

O widget de baixo na outra imagem é simplesmente o meu projeto de leitura, como um estímulo ao meu Ano de Ler e Escrever.

Esses widgets são também usados em filas de espera, e é o meu pequeno segredo de produtividade.

O que a leitora achou dessa dica?

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Meu setup no Todoist: lista de estudos

Na sua teoria de fluxo, Mihaly Csikszentmihalyi fala que um dos fatores que fazem as pessoas encontrarem prazer no seu trabalho (sem se tornar workaholic) é adicionar variedade: você nunca fica entediado, ao mesmo tempo em que não têm uma atividade âncora na qual pode ficar viciado e não querer/conseguir fazer mais nada.

Ontem, falei de como ordeno minhas tarefas no Todoist para colocar as mais antigas no topo da lista. Aqui está a minha lista de tópicos a estudar, tanto para me preparar para concursos quanto para reforçar assuntos que preciso passar aos alunos:

A prioridade hoje parece resolver exercícios de Mecânica dos Fluidos – e repare como eu coloco etiquetas de assuntos (com cores diferentes) para identificar qual é o tópico da vez, e também para garantir a variedade de que falei: há tarefas de ler, e tarefas de resolver exercícios; há tarefas de várias áreas diferentes, que referenciam livros diferentes. Todo dia, quanto sento para estudar, há um desafio novo. Como professor de 5 disciplinas diferentes, isso me ajuda a ver conexões entre os tópicos.

Após resolver os dois exercícios no topo da lista, e tentando ser o mais específico na hora de resolver, imaginando como explicaria isso para algum aluno, eu decidi que está na hora de passar para uma próxima seção; então adiciono uma nova tarefa nessa lista – mas, por causa da ordenação, a nova tarefa foi para a parte de baixo deste projeto:

Assim, na próxima vez em que for estudar, vou descansar a cabeça de Mecânica dos Fluidos e me dedicar um pouco à Transferência de Calor. Na vez seguinte, vou estudar Termodinâmica. Eu nunca estou entediado e nunca hiper-especializado em um assunto apenas; quando chegar a vez de fazer algum concurso, eu não vou estar muito adiantado em um tópico e completamente atrasado em outro.

Eu roubei essa ideia em partes dos ótimos textos da Thais Godinho sobre ciclos de estudos. Espero que isso ajude a leitora a encontrar mais motivação e prazer ao estudar.

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Meu setup no Todoist: tarefas a fazer em um iPad

Não é deja vu: eu já escrevi sobre trabalhar com um iPad, incluindo quais apps uso, que tipo de tarefas dá para fazer, quais acessórios carrego comigo. Mas naquele texto eu prometi uma continuação falando do meu setup no Todoist: como sei no que trabalhar no iPad? Com um ano de atraso, aqui vai.

Vou tentar documentar uma sessão típica de trabalho. Neste mês de janeiro, estou tentando avançar em projetos profissionais importantes, sem estresse, nas minhas férias. Para evitar sobrecarga, eu foco em dois grandes projetos por dia: de manhã, estudar tópicos variados para concursos (e também para sempre me aprimorar), e de tarde em papers a serem publicados. Hoje à tarde, então, eu abri meu Todoist e abri minha etiqueta de Channel2, que é como chamo os meus projetos vespertinos:

Eu ordeno as tarefas com as mais antigas no topo, para evitar apenas fazer o mais urgente e esquecer tarefas que criei lá atrás. Após notar que realmente não há nada urgente, eu percebo que é preciso ler um artigo, e que esta tarefa está categorizada a ser feita no meu iPad Air. Eu sigo totalmente o conselho da Thais Godinho de usar o recurso de “projetos” do Todoist como na verdade “listas” genéricas. Os meus projetos são gerenciados no Trello.

Então, mãos à obra:

Eu leio, com toda a atenção, enquanto uma música de foco do Headspace fica tocando. Após ler o bendito artigo, tomar notas, refletir, sublinhar algumas passagens, eu decido que minha leitura está completa. Essas notas, porém, precisam ser processadas, isto é, virar notas no meu Zettelkasten e referências no artigo que estou escrevendo. No Todoist, eu crio uma nova tarefa a ser feita outra hora, mas em outro contexto:

Mas, se eu tenho tempo sobrando, ainda estou disposto a trabalhar, o que mais é possível fazer no iPad? Para aproveitar o contexto em que estou, eu tenho um filtro no Todoist onde listo tudo que é possível fazer no iPad:

Deixem nos comentários se querem saber como funciona esse filtro

Ok, parece que é hora de ler mais um outro documento, então vamos lá:

Dessa maneira, se meu computador está desligado, ou se estou em outro lugar que não o meu escritório, sempre há algo significativo a fazer com a ferramenta que tenho em mãos.

Querem ver mais posts sobre Todoist?

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É certo trabalhar em metas nas férias de verão?

Em janeiro de 2022, eu estou, pela primeira vez na vida, em férias remuneradas. Mesmo assim, hoje, 17 de janeiro de 2022, eu sentei para trabalhar.

Eu não me sinto culpado por isso porque o verbo trabalhar acima está bastante vago. Eu não estou corrigindo provas nem preparando aulas, e me recuso a fazer isso enquanto minhas férias oficiais não terminarem. Mas há outros desenvolvimentos profissionais importantes que justamente agora, sem obrigações de 17 horas-aula por semana, podem ser avançados.

Eu estou trabalhando como Professor Substituto, mas quero me tornar efetivo um dia. Para isso, só há uma maneira: estudar assuntos que caem em concursos públicos para professor e melhorar meu currículo. Assim, hoje de manhã, sentei na minha mesa pela primeira vez no ano para algo realmente profissional: esbocei redações sobre temas de termodinâmica e reli alguns textos do assunto para aquecer o cérebro; de tarde, examinei alguns artigos a serem incluidos na revisão bibliográfico de um paper que estou escrevendo com meus orientadores de doutorado. Bônus: isso indiretamente ajuda o meu trabalho principal de professor e não vou estar enferrujado quando as aulas recomeçarem.

Se o meu tema de 2022 é Ler e Escrever (dois verbos que resumem bem o dia de hoje), o meu tema para o Verão 2021-2022 é O verão da história, e estou usando o termo dúbio em português: ao mesmo tempo que eu estou trabalhando mais nos meus objetivos de longo-prazo (especilamente me preparar para concursos) e refinando meus hábitos pessoais (exercícios, meditação, oração, piano) para, perdoem o clichê, escrever a minha própria história, eu tenho usado livros de história para relaxar e não pensar em nada sobre termodinâmica (no momento: um livro sobre Roma Antiga, um livro da série Harry Potter que estou relendo, um romance na Inglaterra invadida pelos vikings, um livro sobre justamente “escrever a sua história” – resenha de todos assim que acabar de lê-los).

E o leitor, consegue realmente aproveitar as férias, ou, assim como eu, não consegue sossegar?

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Revisão do meu Ano da Diversão

Há algumas horas, eu digitei o restante das notas pendentes dos trabalhos de 2021 dos meus alunos. Antes disso, eu estava na praia com meu filho. Hoje é o penúltimo dia do ano, e este dia, tal como este ano, foi um misto entrelaçado de trabalho e lazer. Do trabalho não há como escapar, e é justamente por isso, principalmente para alguém ansioso como eu, que é bem fácil esquecer de relaxar e de aproveitar a vida. Por isso, o meu tema do ano de 2021 foi diversão.

O Ano da Diversão para mim é simbolizado pelo piano. Em 2021, mesmo ministrando 5 disciplinas, mesmo tendo um filho e uma esposa, mesmo tendo uma casa para cuidar, eu voltei a tocar piano. Eu pratico o número de horas necessárias para me tornar bom? Certamente não, mas isso não importa para mim. Eu não quero ser bom, eu quero me divertir. Já renovei meu plano da MusicDot para 2022.

Outro ponto forte de 2021 foram os finais de semana. O longínquo Ano do Nosso Senhor de 2020, para mim, foi o Ano Sem Finais de Semana, tentando conciliar trabalho e paternidade. No começo deste ano atual, eu determinei que eu não trabalharia aos finais de semana. Não consegui eliminar totalmente o trabalho ocasional, mas também foi porque tive uma rotina mais leve durante a semana. Eu não me importo de estudar um pouco aos sábados, se isso me permite ir correr ou mesmo tocar teclado no meio de uma terça-feira. O mais importante para mim, e isso sim eu cumpri, foi priorizar minha família; eu nunca deixei de levar meu filho ao parquinho ou tomar um café com minha esposa para trabalhar; eu tentava encaixar na volta do passeio

O meu tema do ano estava anotado no meu Bullet Journal e no meu Evernote, e revisitado constantemente em busca de ideias. Eu preciso revisar uma aula difícil; é possível colocar uma música legal e me divertir enquanto faço isso? Eu ganhei um dinheiro inesperado no meio do ano; a compra de uma cafeteira vai tornar o meu escritório mais agradável, e minha vida mais prazerosa? Eu sei que deveria adiantar mais aulas e trabalhos dessa semana, mas o que eu realmente quero fazer nesta noite é pedir uma pizza e assistir La Casa de Papel com minha esposa – é possível?

Novamente: o trabalho nunca acaba e férias acontecem só uma vez por ano e dificilmente são de verdadeiro descanso integral. Minhas férias começam em janeiro, mas há um concurso para professor efetivo no meio de ano, então adivinhem quando tenho tempo para me preparar de fato? O meu Ano da Diversão me preparou para este desafio: a cada dia, eu vou brincar com meu filho, vou sentar com ele na rede e ler um livro, e vou estudar tomando um café espresso. Vou sair com ele de manhã e escrever artigos e projetos de tarde, enquanto toca uma boa música clássica (que eu adoro) em um dos meus presentes de Natal; vou então fazer uma pausa, descansar um pouco com minha família, e quando ele for dormir vou pegar os meus livros preferidos de Termodinâmica e devorar. Em algumas noites, vou ficar lendo; em outras, vou ver um filme com minha esposa. De qualquer maneira, vou tentar me divertir, e vou escolher alguns dias para de fato focar na diversão; eu moro em Joinville e não conheço nenhuma praia da região!


Um adendo para mostrar como minha mente funciona: no que eu escrevo estas palavras, minha ansiedade quer me classificar como preguiçoso e quer me empurrar a estudar e trabalhar cada vez mais. Por isso, fui perguntar a minha esposa se ela acha que eu me diverti mais neste ano; ao final de dois minutos embaraçosos, ela me respondeu: “talvez, mas com certeza você também trabalhou bastante, mais que 2020”.

Ser nerd e ter um sistema de temas para melhorar minha vida é muito importante.


Como foi o ano de 2021 de vocês?