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2020: O ano do novo

Eu sou grande fã do podcast Cortex e, no ano passado, comecei a brincar com a ideia de temas para o ano: um palavra ou frase que guie as minhas decisões para um ano novo que se segue.

Em 2019, eu estabeleci que queria ser mais intencional sobre minhas ações e minha vida. Mantive um diário regularmente, continuei na terapia, e fui muito mais reflexivo em relação ao que estava acontecendo. Eu terminei o ano com uma sensação muito maior de controle sobre minha vida — portanto, tive sucesso em seguir o meu tema.

Agora, em 2020, é hora de testar coisas novas.

O maior desafio novo: ser pai

No final de 2019, nasceu o João Pedro, e apenas isso já garantiria um ano muito diferente dos 31 anos anteriores de minha vida.

Ser pai implica ter uma nova rotina, um novo comportamento (demorou dois dias para eu me espantar como meu celular só tem fotos dele), novos desafios. Principalmente: coisas antigas não cabem mais na minha vida, como ir à academia, ver séries, sair para jantar apenas com minha esposa.

Sem problemas: muito desses abandonos são apenas temporários, enquanto que a aventura de ver uma criança crescendo vai se renovar ano após ano, para sempre.

Um novo emprego

Após 12 anos como parte do POLO, estou partindo para novos desafios: a partir de fevereiro, vou assumir uma posição de Professor Substituto no Centro de Ciências Tecnológicas da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Eu escolhi entrar para o mundo acadêmico em 2012, quando ingressei no mestrado, mas desde então só havia trabalhando com pesquisa. No meio de 2019, fiz um concurso para professor da UFSC que me fez perceber como faltava experiência docente. Desde então, dei algumas aulas quando meu orientador viajava, e percebi o quanto adoro o ambiente de sala de aula.

Eu já havia decidido não fazer mais concursos e terminar meu pós-doutorado e talvez estendê-lo em 2020, mas aconteceu que numa determinada noite vi um anúncio em um telejornal sobre o concurso para a Udesc, com inscrições vencendo em poucos dias. Fiz o concurso e passei.

Eu quase nunca assisto a jornais, mas bem naquele dia eu estava sentado no sofá quando veio esse notícias. A área do concurso era a minha área. Não seria vontade de Deus que eu passasse?

Uma nova cidade

Uma consequência do novo emprego é sair de Florianópolis, minha cidade natal, e ir para Joinville, a maior cidade de Santa Catarina.

Eu já morei fora de Florianópolis por alguns períodos, todos delimitadoa por no máximo 1 ano. Agora, eu estou indo por período indeterminado. Quem sabe eu volte. Mas também quem sabe não vou me estabelecer em Joinville, ou depois tomar outro rumo?

Não saio de Floripa sem pesar, dado que é a cidade mais bonita do mundo, além de estarem aqui minha família e a maioria de meus amigos. Mas, em 2020, eu vou experimentá-la como visitante — e quem sabe assim eu não aprenda a conhecer essa ilha de outra forma?

Eu estou muito animado para ver tudo isso acontecendo nesse ano. Todos esses aspectos vão me fazer sair da minha zona de conforto e crescer — como pai, marido, profissional, e simplesmente como homem.

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Ser pai é ser ineficiente

Ainda lembro do dia em que, passeando pela Fnac na Rua de Santa Catarina, na cidade do Porto, deparei-me com um livro intitulado Fazer bem as coisas (publicado no Brasil como A Arte de Fazer Acontecer), e aprendi sobre listas, projetos, calendário… Estudar produtividade virou quase um vício, a ponto de precisar tratar na terapia como lidar se as coisas não saem como planejado.

E ainda bem que aprendi a não ser produtivo, porque quando o João Pedro nasceu, junto vieram os dias mais ineficientes que já vivi.

Eu escrevo isso não como uma reclamação, mas como um simples reconhecimento de agora tudo mudou: o meu tempo não é mais meu, é do meu filho, e funciona numa outra escala. Posso planejar o quanto quiser tarefas para quando ele estiver dormindo, mas há dias em que ele simplesmente quer acordar de hora em hora, e não há como se concentrar em algo por muito tempo. Posso marcar num calendário com máxima precisão os horários e trajetos para sairmos de casa para visitarmos alguém, mas se ele quiser mamar bem nessa hora, nós vamos chegar atrasados. E eu nunca posso dizer para o bebê com cólicas que eu estou cansado e só queria ler um pouco.

Pode parecer estranho um pai de um recém-nascido já querer escrever regras de paternidade, mas isso tem estado o tempo todo na minha mente nesse primeiro mês. Além disso, observando pais de crianças mais velhas, imagino que a ineficiência vai fazer parte de minha vida por muito tempo — por exemplo, ao andar de carro para lá e para cá, algo que sempre me incomodou.

Quando eu escrevo “ineficiência”, é mais para chamar a atenção, porque não é bem verdade. Prefiro pensar que troquei eficiência por eficácia. Tudo leva mais tempo, poucas tarefas cabem num dia, mas as que acontecem têm real significado. As inúmeras trocas de fralda e horas em pé para fazê-lo arrotar não são itens a marcar numa lista, mas atos de cuidado. Quando sou interrompido no que estou fazendo para pegá-lo e confortá-lo, isso é algo que só eu posso fazer, e que tem grande impacto sobre o bem estar dele. E quando eu de fato trabalho, quando ele estiver dormindo ou com a mãe, eu preciso me forçar a trabalhar no que é realmente importante – principalmente porque agora eu trabalho para o futuro dele.

Ser pai é ser ineficiente, mas é trocar eficiência por amor. É trocar uma noite de sono inteira, que me faria trabalhar melhor, por uma noite interrompida para consolá-lo e ver as mãozinhas dele se aninharem no meu peito depois que ele se acalma. E então eu penso: eficiência para quê?