Arquivo da categoria: Notas do autor

Em março, eu estou sem redes sociais e sem outras tecnologias digitais. E isso tem me feito ficar muito mais calmo e mais focado.

O que mais tem causado efeitos benéficos foi ter saído de grupos de WhatsApp. Olhando agora com essa perspectiva de quem está fora, percebo o WhatsApp como um simples substituto de SMS via WiFi que saiu totalmente de controle. Naturalmente, eu perco informações, mas as realmente importantes acabam chegando a mim, sem prejuízo da minha vida como um todo. A Thais Godinho, recentemente, fez ótima reflexão sobre isso. 

Falando nisso: eu parei de ler blogs, mas resisti a cancelar minhas diversas newsletters, porque são leituras que aprecio muito — e foi de onde tirei o link acima. Estou enganando a mim mesmo?

Também tenho aumentado muito a minha capacidade de gerar ideias ao caminhar sem escutar podcasts e audiolivros — esse tempo em solidão e silêncio, aliás, era um dos benefícios que eu estava mais buscando.

Última observação: agora que não tenho por que pegar o celular a cada momento de tédio, eu estou chocado como absolutamente todos à minha volta fazem isso o tempo todo…

 

Motivado pelo excelente Digital Minimalism, de Cal Newport, no mês de março de 2019 eu estou dando um tempo de todas as tecnologias opcionais:

  • Instagram
  • Twitter
  • Grupos de WhatsApp (com exceção dos absolutamente essenciais: minha família mais próxima e os guias das Oficinas de Oração e Vida)
  • Podcasts
  • YouTube
  • Sites de notícias
  • Blogs
  • Jogos
  • Streaming (quando estou sozinho)

O que quero com isso? Redescobrir o valor dessas coisas. Como vai ser minha vida se eu parar de conferir como foi o final de semana dos meus amigos através dos stories, e começar a perguntar cara a cara, como fazíamos nos tempos de escola? Se eu não deixar de trabalhar para ver qual meme ou piada sem graça foi enviada para mim? Se eu dedicar menos atenção ao governo Bolsonaro e à Venezuela e mais aos livros? Se eu ocupar menos minha cabeça com outras pessoas falando nela e dar mais vazão às minhas ideias? Se, por não ter acesso aos meus tios falando do meu avô, eu me forçar a ir visitá-lo mais vezes?

Parece louco?

Nota do autor: Os últimos posts foram escrito em inglês. Isso foi um experimento que começou quando estava na Dinamarca. Este blog é o justamente o meu espaço para experimentações.

Mas enfim, eu amo a língua portuguesa, fato que foi realçado pela minha experiência em Portugal. Eu escrevo em português no meu diário, leio livros em português, converso em português. A maior parte dos meus leitores são brasileiros, e eu escrevo para vocês. Já leio e escrevo bastante em inglês para meu doutorado, e assim vou voltar a escrever regularmente em português em FabioFortkamp.com.

Todos os posts em inglês vão continuar existindo, com as mesmas URLs de sempre.

Espero continuar com a leitura continuada de muitos dos meus leitores atuais. Agradeço a paciência de acompanhar esse experimento. E mais uma vez, obrigado por acompanhar esse simples blog!

thermocode

Gostaria de anunciar meu novo projeto: thermocode.net.

Eu sei que parece uma insanidade criar mais um blog quando eu mal posto coisas nesse aqui, mas esse é o ponto: FabioFortkamp.com é o meu blog totalmente pessoal. Eu escrevo sobre o que eu quiser aqui, sem agenda fixa, quando eu simplesmente quero escrever. Sei que entre os leitores existem amigos, familiares e alguns completos desconhecidos (obrigado mais uma vez por lerem!).

Há algum tempo, porém, sinto a necessidade de escrever textos mais técnicos, com mais ciência e matemática, como forma de elucidar as coisas que aprendo enquanto faço meu doutorado. Também venho mergulhando cada vez mais no mundo da programação e da automação do meu Mac, e queria postar algumas soluções para alguns problemas que encontro e que soluciono. E preciso treinar muito a minha escrita em inglês.

Como resultado disso, resolvi criar thermocode.net. Lá vou documentar o meu trabalho como estudante de doutorado, aprendiz de pesquisador e usuário de Mac — e pretendo inclusive, respeitando minhas prioridades e prazos, incorporar o site na minha rotina de trabalho. E, seguindo a minha vontade de ser um documento acessível ao máximo número de pessoas, vou escrever em inglês.

Se você também é estudante de engenharia ou ciências afins (ou quer aprender mais sobre isso) e também se interessa por automatizar as suas tarefas no computador, convido-o(a) a fazer uma visita. E, agora que ele finalmente está pronto (ainda que bem simples), posso voltar a me concentrar em escrever — lá e aqui.

Eu mudei de ideia

Quando se comete um erro, acho que é melhor admitir e corrigir a tempo.

Há algumas semanas, eu disse que ia sair do WordPress.com e e manter o blog eu mesmo em um servidor, usando a versão self-hosted do WordPress (onde eu instalaria e faria manutenção no software). Fazia isso para ter mais controle e não pagar tanto pelos pacotes da plataforma atual. Disse também que isso ia demorar umas duas semanas.

Para pôr o resultado de uma maneira leve, o WordPress.org é uma bagunça. Comecei a fazer alguns testes, e poder modificar o blog da maneira que eu estava pretendendo é incrivelmente difícil. A estrutura de arquivos é complexa, a documentação existente é confusa, e o resultado das pesquisas no Google são em sua maioria para você comprar um tema pronto. Além disso, existem custos que eu não estava esperando, como sistemas anti-spam e backups (e com o WordPress não se pode descuidar da segurança, baseado em muitos artigos que li).

No fim das contas, trocar ia sair mais caro e eu não conseguiria ter o tal controle que eu queria, além de demorar muitas semanas para ter o resultado mais básico.

Por isso, eu mudei de ideia. Tudo fica como está. O WordPress.com está funcionando bem para mim, e vou tentar explorá-lo ao máximo para deixar o blog do meu jeito. Escrever aqui é uma das coisas que mais gosto de fazer, e não quero gastar minhas energias excessivamente com outras que não o próprio ato de escrever.

Peço desculpas aos meus leitores pela confusão, e espero que todos continuem seguindo o blog por email ou RSS. Nesse meio tempo produzi alguns textos que logo irão ao ar. Obrigado por ler FabioFortkamp.com, e agora de volta à programação normal.

Anunciando mais mudanças em FabioFortkamp.com

Eu já mudei esse site algumas vezes, tanto a estrutura quanto o design. Comecei com uma versão bem simples no Squarespace, e me cansei de puder usar apenas a versão web do site para publicar e de não poder fazer mudanças mais profundas. Mudei para uma versão estática no Jekyll, mas era muito trabalho e eu não estava preparado; então mudei rapidamente para o WordPress.com, a plataforma atual.

Eu gosto do WordPress.com. É fácil de usar, bem documentado, e, ao contrário do Squarespace, é possível configurar programas (tanto no computador quanto nos dispositivos móveis) que se conectam ao site, permitindo-me trabalhar no site de qualquer lugar (embora nunca houvesse uma necessidade real de publicar a partir do iPhone; uso mais o recurso de usar diferentes editores de texto no Mac). Mas eu continuo não tendo muito controle sobre o site, pelo menos sem pagar.

Essa plataforma tem um modelo de negócios interessante e que parece funcionar. Na versão mais básica, pode-se criar um blog de graça, apenas com o domínio .wordpress.com (este blog também pode ser acessado em https://fabiofortkamp.wordpress.com). É possível então comprar pequenos pacotes que vão atualizando o site. Eu uso um que me permite usar meu domínio próprio, fabiofortkamp.com. Existe um que tira os anúncios ao final dos posts, outro que aumenta o armazenamento (para quem usa muitos vídeos e fotos), outro que permite modificar o design etc. São relativamente baratos, mas os custos se somam, naturalmente.

Eu gostaria de ter mais controle sobre meu site. Quero sim tirar essas propagandas, por respeito ao leitor. Quero poder atualizar a aparência de vez em quando. E, sendo nerd, quero poder mexer no código por trás do blog, podendo deixar FabioFortkamp.com do meu jeito. Poder fazer tudo isso sairia caro e nunca me daria o grau de personalização que eu desejo.

O WordPress é um software, voltado para criar blogs e sites. É possível instalar e configurar no seu servidor próprio, ou é possível usar uma versão “pronta”, hosted, mantida por uma empresa (a Automattic, que desenvolve o software) que cobra uma taxa pelo recursos extras de que falei. Isto é o WordPress.com.

Assim, estou mudando esse site mais uma vez. Vou sair desta plataforma, e passar para a versão self-hosted do WordPress.org, totalmente gerenciada por mim. Vai dar muito mais trabalho, mas em contrapartida vou ter muito mais controle. E espero também aprender muita coisa, já que o WordPress é um dos softwares mais usados na internet, e portanto manter um site assim pode render futuros projetos de sites (por que não?).

Para o leitor, as coisas não vão mudar. Os endereços vão continuar os mesmos, assim como o feed RSS e, espero, os posts recebidos por email. Apenas há dois detalhes:

  1. Nessa semana e na próxima, esse blog vai ficar fora do ar em alguns momentos, enquanto faço essa migração.
  2. Se o leitor também usa o WordPress.com e costuma ler meus posts no leitor dessa plataforma, isso não vai funcionar mais. Por favor, ative o recebimento por email ou assine o feed.

Quando tudo estiver resolvido, publicarei um novo post, que servirá de teste.

E, uma vez mais, obrigado por ler FabioFortkamp.com.

Sobre resenhas e comentários de livros de ficção

Num texto anterior, eu falei de como imergi em A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin, e de como tinha dado uma pausa me livros de não-ficção para me dedicar aos romances e às estórias.

Resenhar livros de não-ficção é uma das minhas coisas favoritas em FabioFortkamp.com. Eu tento seguir duas regrinhas básicas quando publico uma resenha assim:

  1. Se o livro é muito ruim, eu simplesmente não escrevo nada. Quando vou eu procurar alguma resenha, e encontro poucos, isso já é indicativo da qualidade do produto. Não preciso ocupar esse blog com textos negativos.
  2. Só escrevo sobre aquilo que posso interpretar.

Por que acho que tenho algo a dizer sobre O Andar do Bêbado? Porque esse é um livro sobre estatística, e eu sou engenheiro, mestre em engenharia, e tenho o conhecimento mínimo de matemática e física para interpretar a mensagem do autor. Com livros mais práticos, como A Arte de Fazer Acontecer ou Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, eu posso experimentar as sugestões do autor na minha vida e dar minha opinião.

Coisa diferente ocorre com livros de ficção. Parte do motivo pelo qual eu nunca publiquei uma resenha de um é por causa do imenso respeito que tenho pelos livros. Isso não é desmerecer os livros de não-ficção, mas reconhecer que um romance ou um livro de poesia tem muitos mais sutilezas que posso não perceber. Como dizem Adler e van Doren em Como Ler Livros, um livro expositivo bom é aquele que é claro e direto, ao passo que uma estória interessante tem muitas ambiguidades e muitos detalhes nas entrelinhas. Assim, interpretar um romance exige conhecimentos que eu não tenho, sobre outras obras do autor, e obras de autores clássicos que possam ter influenciado o presente autor, e o contexto social e econômico da época.

Em resumo: eu não tenho qualificações para resenhar um livro de ficção. Não sou um crítico literário (sempre digo que um dia vou fazer Letras, o que pode ser um primeiro passo, mas isso é para o futuro). Porém, isso não me impede de ter algumas observações pontuais a fazer sobre alguma estória. A Guerra dos Tronos, por exemplo, é um livro rico em detalhes, e embora eu não possa comentar com propriedade todos, acho que posso traçar algumas análises, mesmo que superficiais, sobre pequenas coisas que chamam minha atenção, baseado apenas na minha experiência pessoal.

Esse texto começou como uma pequena nota e acabou se transformando num post completo. Tudo isso para dizer o seguinte: tive algumas ideias lendo A Guerra dos Tronos, e pretendo compartilhá-las aqui (esse blog afinal serve para isso). Quero apenas deixar claro que são análises pequenas, a minha opinião apenas, e não são tentativas de fazer uma análise profunda. Não são resenhas.

No fim, quero apenas estimular os meus leitores a ler mais.

Sobre resenhas de apps

O leitor já deve ter lido duas resenhas de apps que já fiz: sobre o
Day One, um aplicativo para se manter um diário, e o YNAB, um
gerenciador de finanças com uma metodologia excelente por trás. Eu
escrevi ambas como um teste, e estou disposto a escrever mais, mas antes
deixe-me esclarecer por que faço isso.

Eu acredito muito na utilidade da tecnologia. Acredito também na
importância de se fazer pesquisa pura, como matemática, física avançada.
Porém, produtos que estão no mercado deve ajudar as pessoas de maneira
concreta.

Não vou negar que tenho um interesse particular por software. Acho um
feito incrível da inteligência humana que um grupo de programadores crie
um conjunto de instruções e, pronto, temos algo que obedece a nossos
comandos. Eu não sou programador profissional, mas sempre trabalhei um
pouco com isso, na época de faculdade, no estágio e agora no mestrado, e
quero realmente estudar mais a fundo. Exige uma capacidade muito grande
de se criar um modelo de uma ideia e implementar.

Essa febre por aplicativos pode demandar bastante dinheiro. Muitos
programas bons são baratos, mas eu realmente tenho de me controlar para
não gastar demais. É muito fácil ouvir falar de um app muito cool e ir
correndo lá comprar. Quando você faz isso com uma certa regularidade, e
levando em conta o fato de temos de pagar em dólar na nossa economia em
queda, o extrato do cartão de crédito pode se acumular.

Assim, quando eu compro um aplicativo, eu tenho extrair o máximo de
proveito. Tenho avaliar em como ele está ajudando em alguma tarefa real.
O que ele tem que me atrai? Em como ele é útil?

Eu descobri que uma boa maneira de assegurar para mim que um app
realmente é importante é escrever uma resenha. Uma nota pessoal sobre
como estou usando o programa. E, periodicamente, vou publicar algumas
aqui.

Repito: eu escreve essas resenhas de apps para mim, como um lembrete
pessoal do dinheiro gasto, e publico por achar que pode ser útil para
alguém.

É preciso deixar claro que eu sou usuário de produtos Apple, e minhas
resenhas vão se concentrar no OS X e no iOS. Também, ao contrário do que
fiz com a resenhas anteriores, vou escrever resenhas separadas para apps
que tenhas versões nos dois sistemas – mais ainda, uma resenha de um app
para iPhone vai ser diferente da resenha de um app para iPad. Acredito
que o uso de um app difere totalmente dependendo do dispositivo sendo
usado.

O grande autor de resenhas de apps do ecossistema Apple é Federico
Viticci do MacStories. Eu leio e adoro as suas resenhas, embore ele
seja bastante detalhado e longo. David Sparks e Shawn Blanc são
também ótimos blogueiros quando o assunto é divulgar apps. Recomendo
também a rede Appstorm.

Todos esses autores, porém, escrevem em inglês, e muitas resenhas não se
concentram nos casos de uso (pelo menos é minha impressão, esses autores
escrevem bem mas geralmente focam nos detalhes). Isso é extremamente
importante para mim, leitores: eu não quero divulgar um aplicativo
porque acho que ele é legal ou porque é bonito. Eu pesquiso muito antes
de comprar um (lendo principalmente os autores acima) e penso bastante
antes de comprar. Quando o faço, e quando a compra vale a pena, penso de
que forma esse programa pode ajudar outras pessoas.

Ou seja, minhas resenhas só vão ser publicadas depois de muito tempo de
uso, e com foco na utilidade. É do ponto de vista de um usuário.

Um autor em português que segue essa linha (e que serve de inspiração
para mim) é o Augusto Campos do BR-Mac. Se você é usuário brasileiro
de OS X, deveria segui-lo.

E, claro, vou continuar com outros tipos de textos. Lembrem-se de que
este é um blog sobre tecnologia, ciência e produtividade, de maneira
geral, e não um repositório de resenhas.