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Por que substituí o Spotify pelo Google Play Music

Se você me visitar em minha mesa de trabalho, provavelmente vai me encontrar com um fone de ouvido escutando a algum tipo de música instrumental, pelo simples fato de que eu não consigo trabalhar sem música. Escutar a compositores clássicos ou a faixas mais eletrônicas ou meditativas serve como um sinal para meu cérebro de que é hora de engajar em trabalho profundo e ajuda a me isolar de conversas e ruídos de máquinas (fundamental se você passa os dias em um laboratório).

Até o final do ano de 2016, minha escolha para isso era o Spotify, em parte graças à sua extensa coleção de playlists de “foco” (as minhas preferidas estão descritas no link anterior) e de outros gêneros — no Spotify, as playlists são “cidadãs de primeira classe” (como diriam os programadores) e descobrir e escutar seleções interessantes é o grande ponto forte desse serviço.

Mas…

Não me lembro exatamente como descobri isso, mas há alguns meses percebi que o Google tinha o seu próprio serviço de streaming de música, o Google Play Music, e que ele tinha um recurso muito interessante: você pode fazer upload das músicas que você tem em mp3 no seu computador e importar músicas do iTunes (o que chamou muito a atenção para mim, que ainda era usuário Mac). Os álbuns que eu tinha digitalizado (da minha época adolescente de comprar CDs físicos) ou comprado via iTunes Stores podiam fazer parte da minha biblioteca, juntamente com o próprio acervo do Play Music, e eu podia escutar a todas essas músicas indiferentemente no computador ou no meu smartphone Android.

Na época, fiquei muito interessado, mas ao mesmo decepcionado com as playlists do Play Music. O que era tão fácil e presente no Spotify parecia que estava escondido na interface nada amigável do serviço do Google (“Como assim não há dezenas de playlists de música clássica para eu escolher?”). Depois do mês de teste, abandonei o serviço; continuei com o aplicativo instalado no celular para ouvir a alguns álbuns que eu tinha já adicionado e que não estavam no acervo ao Spotify (felizmente, você não precisa assinar a versão paga do Play Music para escutar as suas próprias músicas, até certo limite) .

Esse ponto negativo perdeu muito de importância no final do ano passado, quando o Spotify anunciou os seus []novos termos de uso, que seguem a tendência de todas as start-ups e empresas baseadas na web de ficarem cada vez mais assustadores e sedentos de informação pessoal. Eu normalmente não me importo com isso (e sei que estamos trocando privacidade por conforto), mas achei que uma explícita menção a uma “quebra de sigilo bancário” era um pouco demais, mesmo que não tenha validade legal nenhuma.

E é por isso que desde o começo do ano tenho usado o Google Play Music como meu único serviço de música por streaming. Como já falei, o recurso de permitir upload das suas próprias músicas é um grande diferencial, e encontrei um substituto muito interessante das playlists (embora elas existam no Play Music): as rádios de artistas e álbuns.

De tanto escutar a música para foco no Spotify, já conheço alguns artistas e álbuns interessantes, em particular de trilhas sonoras de filmes. Ao selecionar um álbum no Play Music, você pode escutar a uma “estação de rádio” apenas com músicas e artistas relacionados ao álbum em questão, e você ainda pode dizer se gostou ou não de cada faixa que estiver escutando (imagino que, se não agora, isso vai alimentar algum mecanismo de inteligência artificial para lhe mostrar apenas o que você vai gostar, bem do jeito Google de ser). Aqui vão algumas sugestões:

Uma última dica: uma grande desvantagem do serviço do Google são os apps: o aplicativo para Android tem uma navegação um tanto confusa (mas funciona bem) e não existe programa oficial para desktop, mas o Google Play Music Desktop Player tem sido muito usado, principalmente por permitir usar as teclas de Play/Pause e de volume que alguns teclados possuem. Recomendo!

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Drafts: a ferramenta perfeita de captura

Eu não gosto de dizer que eu preciso de um aplicativo ou programa para trabalhar. Não deve ser segredo aqui que tenho uma propensão ao vício em tecnologia, então eu preciso constantemente avaliar como estou usando meus apps, para ver se estou fazendo algo de útil ou apenas usando por usar.

Um iPhone pode ser um artigo de luxo ou um convite à produtividade. Conheço muitas pessoas que têm um celular de R$ 2000 para usar WhatsApp e algum jogo viciante na espera do médico; a minha cabeça de engenheiro abomina tal desperdício de tempo e dinheiro. Eu gosto de resolver problemas, e o uso de um smartphone é apenas uma extensão disso.

Um exemplo: eu gosto de passear com a minha namorada, e embora não tenha muita paciência para tirar milhões de fotos, sempre tiro algumas para deixar registrado aquele momento. Organizar as fotos em um iPhone é tedioso, difícil e ilógico; um celular naturalmente não foi feito para isso. Com esse computador de bolso, porém, é possível enviar automaticamente as fotos do iPhone com o seu computador, de maneira que você, ao chegar em casa pode organizar suas 1000 fotos sem precisar de cabos ou apertar um botão. Pergunte-me como.

Como no caso das fotos, o iPhone me facilita muitas atividade, mas eu não preciso de um para viver. Durante muito tempo eu conectei uma câmera ao computador e passei foto por foto.

Mas, num exercício hipótetico, se me fosse permitido violar minha regra, e escolher um aplicativo do qual eu realmente preciso, esse seria o Drafts.

O Drafts é basicamente um bloco de notas, com um detalhe que praticametente define esse app: quando você abre, ele te apresenta a tela branca acima, pronto para receber o seu texto. Você não precisa explicitamente criar uma nova nota ou abrir alguma já existente. Abrir o aplicativo significa criar um novo documento; uma vez no app, você pode navegar pelas suas notas.

O nobre leitor que me acompanha há algum tempo deve lembrar que revisei um livro chamado A Arte de Fazer Acontecer, que apresenta um método de produtividade e organização conhecido como GTD. Eu me concentrei mais no livro que no método em si, mas dei uma breve visão panorâmica. Escrevi:

Quando você está fazendo algo, seja relacionado ao seu trabalho (como preparar uma apresentação) ou à sua vida pessoal (como montar um armário), você se concentra nisso. Quando chega uma interrupção, você não pára e parte para outra atividade. Você anota a pendência numa caixa de entrada e continua o seu trabalho.

Esse processo de captura (como é chamado no jargão GTD) é o aspecto mais fundamental de organização. Não importa como você se organiza depois; na minha opinião, a chave de tudo é anotar tudo que chega até você.

O Drafts é a ferramenta perfeita de captura, devido à sua rapidez para criar uma nova nota. Tudo de que eu preciso me lembrar vai parar ali (tenho certeza que algumas pessoas, em especial minha namorada, devem estranhar quando tiro o iPhone do bolso por 15 segundos para escrever alguma coisa e depois volto a guardá-lo). Qualquer, absolutamente qualquer pensamento que eu tenha que não esteja relacionado ao que estou fazendo no momento vira uma nota no Drafts. Exemplos:

  • Eventos, festas, compromissos, com dia e horário (“Aniversário fulano amanhã 18:00”)
  • Ideias para textos (“Post sobre Drafts”)
  • Lembretes de tarefas para minha dissertação (“Corrigir figura no capítulo tal”)
  • Gastos (para depois eu adicionar ao YNAB) (“Mercado R$ 20,23”)
  • Pensamentos aleatórios (para depois adicionar ao meu diário)
  • Filmes que vi
  • Livros que li
  • Lista de compras para o mercado

Você poderia usar papel para isso, claro. Se você não tem smartphone, compre um caderno pequeno ou um bloquinho e tenha sempre consigo. Seu cérebro é para processar, e não para guardar. Mas o Drafts tem uma seguinda característica essencial, além da tela em branco rápida para você anotar: ações.

Uma coisa leva a outra

Vamos examinar o exemplo dos eventos. Encontro um amigo meu e ele me convida para seu aniversário. Imediatamente anoto:

Para agenda, eu uso um app muito bacana chamado Fantastical 2) (falei dele há pouco tempo). Ele não é nem de longe essencial, já que eu poderia usar a agenda nativa (ou até uma agenda de papel), mas ele tem um recurso interessante de permitir linguagem natural. Em inglês, você pode digitar uma frase exatamente como acima e ele vai entender, marcando um evento no dia especificado.

O Fantastical também tem um recurso avançado chamado esquema URL. Não se preocupe em saber o que é isso, apenas entenda que é uma maneira, no iPhone, de um aplicativo chamar outro. O Drafts também suporta esquemas URL, e isso permite criar ações. Eu tenho uma chamada “New Event” (gosto de configurar meus apps em inglês para treinar e porque não gosto das traduções que geralmente encontro), que pega esse texto do Drafts e manda para o Fantastical processar (lembrando que ele entende esta linguagem natural).

Após clicar nessa ação, e esperar os dois apps se falarem, como resultado, eu tenho um evento marcado na minha agenda. Tudo que eu fiz foi anotar, numa linguagem bem simples, e depois clicar num botão dentro do próprio Drafts.

Para montar essas ações, não se asuste com a complexidade. Existem muitos recursos que ensinam você a fazer isso e é possível encontrar muitas ações prontas; no próprio aplicativo, é possível ir até um diretório e procurar alguma coisa que você queira. Eu mesmo ainda estou aprendendo.

Todo dia eu faço tudo sempre igual

Rotinas ajudam a ligar o processo de captura com as ações. Ao longo do dia, eu já desenvolvi o hábito de anotar tudo; e, no fim da tarde, tenho uma rotina de processar essas notas. Para algumas, existem essas ações automáticas: mandar para o calendário, mandar para o meu gerenciador de tarefas, criar nova entrada no diário. Para outras ainda preciso copiar manualmente (o YNAB, por exemplo, não tem esquemas URL).

Se não tem smartphone, use um caderno. Se você tem Android, procure um aplicativo similar. E se tem iPhone, considere comprar o Drafts. Poder rapidamente anotar alguma coisa, e saber que após algum tempo essa informação estará no lugar certo, é a base do meu sistema de organização.

1Password 4 para Mac: proteja suas informações

A ideia por trás do 1Password é simples: você possui uma senha
difícil (one password), mas que possa ser lembrada de alguma forma, e
com ela você acessa todas as suas informações sensíveis: suas senhas da
internet, dados do seu cartão de crédito, documentos sigilosos,
configurações do seu email do trabalho, licenças de software, passaporte
etc.

Vamos pensar em um exemplo básico, geralmente usado como a descrição
básica do app: gerenciamente de senhas. Se você não usa algo assim, é
provável que você pertença a um dos seguintes grupos:

  1. você usa a mesma senha para tudo
  2. você nunca lembra das suas senhas

O item 2 é uma incomodação. Você vai fazer compras naquele site que você
não usou por três anos e não lembra da senha. Você clica em “Esqueci
minha senha” e espera pelo email, que às vezes demora, e gera uma nova
senha. Mas algum tempo depois o problema se repete.

O item 1 é realmente perigoso. O problema do uso da mesma senha em todos
os sites ser um procedimento popular é que é um procedimento popular.
Quando alguém rouba sua senha de algum serviço (digamos Gmail) vai
tentar usar a mesma senha no Facebook, Twitter, ou, pior, nos sites de
compra onde seus dados do cartão de crédito estão armazenados. Vez por
outra vemos vazamentos de senhas e é importante isolar as suas, para que
o problema em um serviço não afete outros.

O 1Password para Mac resolve esse problema combinando duas ferramentas:
ele pode gerar senhas grandes compostas de sequências aleatórias de
caracteres, evitando senhas fáceis de adivinhar como seu aniversário ou
variações do seu nome. E como você se lembra dessas senhas difíceis? Com
o segundo recurso fundamental: um banco de dados de todas as suas
senhas, armazenadas de forma segura, e que só pode ser acessado com sua
senha mestra. Você cria uma senha, de dificuldade relativamente grande,
que possa ser memorizada, e com ela acessa todas as suas senhas
aleatórias.

Vamos fazer um exemplo prático. Eu vou até algum site no qual quero
fazer login e clico no ícone da extensão do 1Password (que pode ser
instalado no menu do aplicativo):

1p-login

Eu digito a minha “senha mestre” e a extensão oferece alguns logins que
podem ser usados nesse site:

1p-after-login

A partir daí, o app preenche automaticamente o formulário e faz o login,
com a senha que você guardou para aquele site.

Para salvar uma nova senha, é fácil. Se eu digitar ou colar uma
senha e fizer login (em vez de usar a extensão para inserir uma senha já
salva), o 1Password vai se oferecer para salvar a senha na sua base de
dados (que é salvo no seu computador e pode ser sincronizado
opcionalmente).

Alternativamente, se eu quiser me cadastrar em algum site, posso usar o
gerador de senhas:

Gerador de senhas do 1Password

O gerador pode ser configurado para diferentes sequências de caracteres,
variando-se o número total de caracteres, a proporção entre letras e
números, o fato de ser pronunciável etc.

Esse é o princípio de funcionamento do app. Vamos agora examinar mais a
fundo algumas características.

Usos

Primeiramente o que guardar no app? Qualquer tipo de informação
sensível:

  • Senhas
  • Licenças de software
  • Cópias digitalizadas de documentos do carro e da sua casa
  • Dados da sua conta do banco
  • Dados de contas bancárias para as quais você transfere dinheiro
    regularmente
  • Configurações de servidores de email
  • Cópias de contratos
  • Números de RG, CPF, Passaporte

Por que ter esse tipo de informação guardada num aplicativo?
Primeiramente, é uma cópia de segurança. Se você precisa do seu número
de passaporte com urgência mas não consegue encontrá-lo, tem um acesso
fácil – inclusive, se ele for extraviado, você pode passar todos os
detalhes à polícia. Se seu documento do carro for perdido, você tem à
mão uma cópia digitalizada com o Renavam, número do chassi etc.

Em segundo lugar, é uma conveniência. Com alguns cliques você copia seu
número do cartão de crédito e faz uma compra, sem precisar abrir a
carteira.

1Password é extremamente útil.

3 versões

O 1Password 4 para Mac possui três versões que funcionam de maneira
complementar:

  • a extensão para browser (que a propósito funciona em todos os
    navegadores modernos)
  • o app completo
  • um app que fica na barra de menu, chamado de 1Password Mini

A versão Mini é uma novidade da versão 4 que funciona como uma interface
rápida ao programa. Com o atalho ⌘-⌥-\, você ativa uma versão
virtualmente idêntica ao do browser:

1p-mini-login

De fato, isso merece uma ênfase. Antes da versão 4, com um atalho
parecido (⌘-\) no browser, você ativava a extensão. Agora,
pressionando o mesmo atalho, você ativa o 1Password Mini, que, como
falei, tem funcionalidade idêntica. Em resumo: não sei por que a
extensão ainda está ali. O atalho continua válido, certamente para não
causar estranheza em usuários antigos.

(Sim, eu comecei essa resenha com uma funcionalidade inútil, mas achei
que era a melhor maneira de explicar a ideia do 1Password. Achei que, na
introdução a um app, eu dizer que posso completar o login de um site no
Safari com um app na barra de menu poderia soar mais confuso que já é).

Enfim, vamos firmar: com um atalho (repito, o atalho geral é ⌘⌥-\ ) é
possível acessar o 1Password Mini, e partir dali fazer operações rápidas.
Por exemplo, navegando com as setas do teclado pelo menu de logins e
dando Return em um dos logins salvos, você vai ser levado ao seu
browser padrão no site do login, já com o formulário preenchido. Ou,
dando Return no seu número de cartão de crédito, ele é copiado para o
clipboard, e pode ser inserido em algum documento que você esteja
preenchendo.

No fim, a versão menos usada por mim é o app completo. O princípio é o
mesmo: você desbloqueia o app com a sua senha mestre e navega na sua
base de dados. Por que usar essa versão e não a Mini? Penso em quatro
cenários especiais.

Primeiramente, usamos essa versão para cadastrar muitas informações de
uma só vez. Por exemplo, na primeira vez que usei o app, preenchi meus
dados pessoais, números de cartão de crédito, documentos etc. Eu me dei
a esse trabalho grande inicialmente para poder usufruir das informações
quando necessárias depois. A versão Mini é boa para navegar e copiar
algum dado, mas não é muito prática para inserir informação.

1p-categories

Outro uso é para editar o que o 1Password chama de notas seguras, que
podem guardar textos e arquivos de forma criptografada. Por exemplo, eu
tenho uma nota com o uma versão digital do documento do com carro, para
referência. Tenho outra com os dados para transferência bancária para
minha corretora de valores na Bolsa. É uma forma de você guardar
livremente alguma informação de forma mais segura que simplesmente um
arquivo no seu computador.

Criando nota segura no 1Password

Um terceiro uso para o app completo é uma auditoria de segurança. O
1Password indica senhas duplicadas, ou fracas demais, ou muito antigas,
como uma sugestão de você modificá-las. Um pequeno detalhe bastante
interessante.

Por último, o app permite a você definir favoritos entre os seus itens,
para eles ficarem de mais fácil acesso. Por exemplo, você pode marcar um
dos seus cartões de crédito, os dois ou três sites que você mais
utiliza, e alguma nota que você precisa consultar com frequência.

Segurança

E se alguém se apoderar do computador, consegue ler esses dados? Se ele
adivinhar a sua senha do login do Mac, e a sua senha do 1Password, sim,
mas a probabiliade disso acontecer é muito baixa – sem contar que é
assim que você acessa seus dados.

A base de dados do 1Password fica de fato armazenada no disco, mas ela é
criptografada (detalhes podem ser encontrados no site), significando
que o acesso ao que está armazenado dentro desse arquivo é bastante
difícil. Eu não tenho conhecimento para avaliar a qualidade da
tecnologia usada, mas aqui vai uma reflexão: o negócio da Agile Bits, a
companhia por trás do produto, é vender aplicativos que protegem dados.
Pense no dano gerado por uma denúncia de que a segurança é fraca; você
acha que investir em tecnologias modernas de criptografia não é uma
prioridade da companhia?

Mesmo assim, é interessante cada pessoa fazer uma avaliação sobre que
tipo de informação colocar, e acho que sempre é possível achar um
balanço entre segurança e conveniência. Por exemplo, você pode armazenar
o número do cartão de crédito, mas memorizar a data de vencimento e o
código de segurança, o que permite uma pequena camada de segurança. Pode
armazenar os dados das contas bancárias mas não as senhas.

Naturalmente, se você tem muito dinheiro na sua conta, ou se está em
posse de algum documento bastante sigiloso, talvez esse tipo de
informação não devesse estar de forma alguma digitalizada.

Outras plataformas

Essa é uma resenha do app para OS X, mas existem versões para iOS,
Android e Windows.

A sua base de dados pode ser sincronizada entre todas as versões por
Dropbox, iCloud (para OS X e iOS) e por WiFi. As considerações de
segurança são as mesmas: se alguém tiver acesso a sua senha do Dropbox,
ainda assim ele vai precisar da sua senha mestre. Ainda assim, faça uma
análise para decidir o que vai para a nuvem. Hackers existem.

A sincronização por Dropbox ainda tem uma funcionalidade interessante.
Se você estiver num computador onde não há o 1Password instalado, pode
fazer login no site do Dropbox, navegar até a pasta no aplicativo e
abrir um arquivo html, que é uma versão web, de funcionalidade reduzida
do aplicativo completo. Bom para consultar dados; essa versão (chamada
de 1Password Anywhere) não permite inserir nenhum dado. É apenas uma
maneira de visualizar dados num computador estranho.

A propósito: é bom ter a sua senha do Dropbox anotada em algum outro
lugar (físico, de preferência) para melhor usufruir disso. Se está num
computador sem 1Password, como acessaria a sua conta em primeiro lugar?
Também gosto de manter uma segunda cópia de senha de serviços mais
básicos como minhas contas de email e do iTunes.

Comentários finais

1Password 4 para Mac é um app essencial para mim. Como falei, todas as
minhas informações sensíveis (com algumas exceções de segurança) estão
lá, seja como uma cópia segura seja como uma mera conveniência.

Porém, 1Password é um app premium, ao preço de $50. Eu comprei em uma
promoção por metade desse valor, mas pela quantidade de tempo salvo nas
senhas o preço total já valeria.

Se você está disposto a equipar o seu Mac com apps excelentes, não se
estresse: dentro do seu orçamento, separe um valor mensal para guardar e
comprar apps. Quando juntar o suficiente, compre o 1Password.

Esse conselho é ainda mais válido com o OS X Mavericks, a nova versão do
sistema operacional dos computadores Apple. Essa versão (e o iOS 7)
possui embutida no sistema o iCloud Keychain, que permite a você salvar
e sincronizar senhas, e ainda possui um gerador de senhas simples.
Também funciona com números de cartão de crédito.

Eu não testei propriamente o iCloud Keychain, então recomendo ao leitor
que faça uma pesquisa aprofundada, mas acredito que possa ser uma boa
maneira de começar a usar senhas mais seguras. Repare porém que isso não
subsitui os outros recursos, como as notas seguras e as licenças de
software.

Para usuários de outros sistemas, nos meus tempos de Windows e Linux eu
usava o LastPass, que é muito bom (e também funciona no OS X).
Novamente, ele também não tem uma funcionalidade mais completa.

O mais importate é ser um usuário mais seguro. Evite senhas óbvias,
aprenda um pouco sobre criptografia para guardar seus documentos, tenha
cuidado ao dar o número de cartão de crédito a algum site. A tecnologia
é útil e só precisa de algum cuidado.

Sobre resenhas de apps

O leitor já deve ter lido duas resenhas de apps que já fiz: sobre o
Day One, um aplicativo para se manter um diário, e o YNAB, um
gerenciador de finanças com uma metodologia excelente por trás. Eu
escrevi ambas como um teste, e estou disposto a escrever mais, mas antes
deixe-me esclarecer por que faço isso.

Eu acredito muito na utilidade da tecnologia. Acredito também na
importância de se fazer pesquisa pura, como matemática, física avançada.
Porém, produtos que estão no mercado deve ajudar as pessoas de maneira
concreta.

Não vou negar que tenho um interesse particular por software. Acho um
feito incrível da inteligência humana que um grupo de programadores crie
um conjunto de instruções e, pronto, temos algo que obedece a nossos
comandos. Eu não sou programador profissional, mas sempre trabalhei um
pouco com isso, na época de faculdade, no estágio e agora no mestrado, e
quero realmente estudar mais a fundo. Exige uma capacidade muito grande
de se criar um modelo de uma ideia e implementar.

Essa febre por aplicativos pode demandar bastante dinheiro. Muitos
programas bons são baratos, mas eu realmente tenho de me controlar para
não gastar demais. É muito fácil ouvir falar de um app muito cool e ir
correndo lá comprar. Quando você faz isso com uma certa regularidade, e
levando em conta o fato de temos de pagar em dólar na nossa economia em
queda, o extrato do cartão de crédito pode se acumular.

Assim, quando eu compro um aplicativo, eu tenho extrair o máximo de
proveito. Tenho avaliar em como ele está ajudando em alguma tarefa real.
O que ele tem que me atrai? Em como ele é útil?

Eu descobri que uma boa maneira de assegurar para mim que um app
realmente é importante é escrever uma resenha. Uma nota pessoal sobre
como estou usando o programa. E, periodicamente, vou publicar algumas
aqui.

Repito: eu escreve essas resenhas de apps para mim, como um lembrete
pessoal do dinheiro gasto, e publico por achar que pode ser útil para
alguém.

É preciso deixar claro que eu sou usuário de produtos Apple, e minhas
resenhas vão se concentrar no OS X e no iOS. Também, ao contrário do que
fiz com a resenhas anteriores, vou escrever resenhas separadas para apps
que tenhas versões nos dois sistemas – mais ainda, uma resenha de um app
para iPhone vai ser diferente da resenha de um app para iPad. Acredito
que o uso de um app difere totalmente dependendo do dispositivo sendo
usado.

O grande autor de resenhas de apps do ecossistema Apple é Federico
Viticci do MacStories. Eu leio e adoro as suas resenhas, embore ele
seja bastante detalhado e longo. David Sparks e Shawn Blanc são
também ótimos blogueiros quando o assunto é divulgar apps. Recomendo
também a rede Appstorm.

Todos esses autores, porém, escrevem em inglês, e muitas resenhas não se
concentram nos casos de uso (pelo menos é minha impressão, esses autores
escrevem bem mas geralmente focam nos detalhes). Isso é extremamente
importante para mim, leitores: eu não quero divulgar um aplicativo
porque acho que ele é legal ou porque é bonito. Eu pesquiso muito antes
de comprar um (lendo principalmente os autores acima) e penso bastante
antes de comprar. Quando o faço, e quando a compra vale a pena, penso de
que forma esse programa pode ajudar outras pessoas.

Ou seja, minhas resenhas só vão ser publicadas depois de muito tempo de
uso, e com foco na utilidade. É do ponto de vista de um usuário.

Um autor em português que segue essa linha (e que serve de inspiração
para mim) é o Augusto Campos do BR-Mac. Se você é usuário brasileiro
de OS X, deveria segui-lo.

E, claro, vou continuar com outros tipos de textos. Lembrem-se de que
este é um blog sobre tecnologia, ciência e produtividade, de maneira
geral, e não um repositório de resenhas.

YNAB: você precisa de um orçamento

Faz algum tempo que me interesso pelo assunto de finanças pessoas e,
claro, procuro usar a tecnologia para me ajudar nesse assunto. Mas
percebi que existe algo errado com a grande maioria das aplicações sobre
o tema. E é um erro de concepção.

Digamos que você tenha R$ 1000 na sua conta bancária. O jeito que a
maioria dos softwares trabalha é simplesmente usar esse valor como
disponível. E percebo que muitas pessoas pensam assim. Se tenho R$1000,
posso comprar amanhã uma geladeira de R$800, certo? Ainda me sobram
R$200. E então, no fim do mês, quando o aluguel de R$600 chega, você
está em problemas.

Esse é o problema de mentalidade. O seu saldo da conta corrente tem na
verdade pouca relação com quanto você tem. O seu “saldo” real na verdade
tem muitos fatores: quanto você tem no banco, quanto você tem em
dinheiro vivo, quantas dívidas você tem, quais pagamentos você vai ter
de fazer no mês. E um software que me ajude a gerenciar finanças deve
ser o inteligente para me dizer: “olhe, você tem R$1000 na conta e
R$200 na carteira, mas você tem de pagar o aluguel de R$600 no fim do
mês, gasta mais ou menos R$300 com alimentação e R200 de transporte,
então só pode gastar R$100 com o resto!”. Percebam a matemática. Não
basta saber quanto eu tenho em uma conta, é preciso atualizar meus
créditos e débitos em tempo real.

Há alguns meses, conheci um aplicativo assim, e chama-se You Need a
Budget
, ou YNAB, e é um software que alterou completamente minha
maneira de gerenciar finanças.

Um software de método

Por trás desse app existe um método de quatro regras:

  1. Dê a cada centavo uma tarefa. Defina orçamentos para aluguel,
    gasolina, comida, roupas, jantares, cinema, poupança. Você deve
    distribuir toda sua renda.
  2. Guarde para dias chuvosos. A cada mês, guarde um pouco para gastos
    imprevisíveis como manutenção do carro ou da casa ou gastos maiores
    como viagens, Natal etc
  3. Adapte-se. Se num mês você gastou mais que o esperado em gasolina,
    diminua seu orçamento em outras áreas. Comprometa-se a sair menos
    para jantar ou comprar menos roupas – mas registre essa decisão.
  4. Viva dos ganhos do mês anterior. Se estamos em outubro, você deve
    estar vivendo do que ganhou em agosto; da mesma forma, a sua renda
    para novembro já deveria estar garantida.

Se você tem grande habiliade com planilhas como Excel ou Numbers, a
rigor poderia até implementar essas regras nesse tipo de software. Mas a
companhia por trás do método criou programas para Mac e Windows (com
aplicativos auxiliares para iOS e Android) que implementam isso da
maneira mais rigorosa.

Como funciona? Primeiramente, quando você inicia, cadastra uma conta:

Cadastro de contas no YNAB

Cadastro de contas no YNAB

O YNAB diferencia entre “contas” e “orçamento”. Quando você cria uma
conta, o valor que você tem nela inicialmente fica “disponível para
orçamento”.

Orçamentos no YNAB

Orçamentos no YNAB

Perceba que já delimitei algumas categorias bem básicas. Você pode
adicionar quantas contas quiser. Talvez você tenha mais de uma conta
corrente. Também deve adicionar uma conta de “Carteira” para seu
dinheiro vivo, uma conta de cartão de crédito para cada cartão que você
tem.

Para nosso exemplo, adicionei uma conta “Carteira” com R\$ 200 de
crédito inicial.

Depois de cadastar suas contas, é hora de delimitar orçamentos para suas
categorias. Isso é a regra número 1.

Orçamentos com categorias

Orçamentos com categorias

Aí você começa a ver o que acontece. Nosso saldo total nas duas contas é
de R$1200, mas só temos R$200 disponíveis. Isso porque sabemos que
vamos ter gastos no futuro, então aqueles R$ 1200 não têm muito valor!

Vamos agora complicar as coisas, adicione uma conta de cartão de crédito
com um débito inicial.

Cartão de crédito

Cartão de crédito

Você agora já tem um gasto programado, e não tem nenhum valor reservado
para aquilo, por isso o YNAB exibe o valor em vermelho, como um alerta.

Para cadastrar uma transação, escolha uma conta e clique em Add a new
transaction
:

Transação

Transação

O seu orçamento agora fica atualizado (note a coluna do meio).

Orçamento após Transação

Orçamento após Transação

Porém, veja que isso não afeta o seu valor disponível para orçamento,
porque você já tinha separado um montante para aluguel. Porém, se você
gasta mais que o planejado em uma categoria, o YNAB exibe o valor em
vermelho e debita a diferença no valor disponível, que pode ser até
negativo. Nesse caso, você separou mais dinheiro que o disponível nas
suas contas, e precisa então reservar menos para algumas categorias
(isso é a regra 3).

Não quero aqui ensinar o leitor a usar o software, mas espero que tenham
percebido o valor dessa aplicação. O software serve a você, monitorando
muitas variáveis e impedindo que você gaste mais do que o disponível. No
site do app existem muitos vídeos e informação, incluindo como
implementar a regra 4. Quero apenas mostrar como esse app é diferente e
como ele ajuda a ter uma mentalidade mais racional com dinheiro. O
grande truque é esse, quanto você tem no banco é diferente de quanto
você pode efetivamente gastar.

Postos avançados no seu smartphone

YNAB é para ser operado no seu desktop. Inserir contas e definir
orçamentos são tarefas que só podem ser executadas no seu computador. O
pessoal que faz o app deve ter pensado que um usuário de YNAB usaria seu
smartphone para duas coisas principais:

  1. Consultar o orçamento disponível para alguma área (“queria comprar
    esse livro, será que separei algum dinheiro para comprar livros
    nesse mês?”)
  2. Registrar gastos

De fato, esse deve ser o padrão de uso de muita gente. Eu entendo essa
mentalide; ainda assim, gosto de ter apps completas no iPhone. A versão
do YNAB para smartphones é grátis e sincroniza por Dropbox com seu
orçamento criado no computador. Ou seja, não é uma versão do YNAB, é um
app auxiliar, um posto avançado no seu smartphone.

YNAB no iPhone

YNAB no iPhone

O que falta

Uma licença de usuário do YNAB custa $60 por usuário (pode ser usado em
quantos computadores a pessoa quiser) e, francamente, já vale para mim
muito mais que isso. É um dos meus apps preferidos, é extremamente
útil, bem projetado e tem tido impacto muito positivo nas minhas
finanças. Um exemplo prático: em abril, eu me dei conta de que em julho
teria de pagar os impostos do meu carro. Eu consultei no Detran os
valores devidos e quando deveria pagar cada cota. Defini então
orçamentos mensais para cada gasto; como o valor total foi diluído por
meses, não teve tanto impacto no meu orçamento normal e, quando chegou a
data, eu já estava com os valores todos “separados” (o dinheiro
continuava no banco, mas eu havia separado virtualmente com ajuda do
YNAB). É bem diferente de chegar julho e eu pensar “caramba, tenho de
pagar uma fortuna em IPVA!”.

O app tem mais alguns detalhes que não mencionei. O leitor atento deve
ter percebido que podemos cadastrar contas dentro e fora do
orçamento. As contas fora do orçamento são aquelas cujas transações não
afetam o orçamento. Eu uso essas contas para investimentos. YNAB é
inteligente para perceber que transferências entre contas dentro do
orçamento não são gastos; você sacar algum dinheiro da sua conta
corrente não é um débito e não afeta sua capacidade de gastar. Porém,
quando você transfere para alguma conta fora do orçamento (como uma
caderneta de poupança), isso é um gasto, e precisa ser alocado a alguma
categoria. A ideia é que, quando você separa esse dinheiro,
compromete-se a não gastá-lo.

Na hora de cadastrar transações, é possível cadastrar os credores, e o
software lembra os já usados. Isso, combinado com o recurso de gerar
relatórios, permite a você gerar dados muito interessantes: em quais
lojas você gasta mais, por exemplo. Com relatórios, é possível também
saber quais são as categorias mais críticas, em quais meses do ano a
situação é mais apertada etc.

De tanto que eu gosto, gostaria de ver alguns melhoramentos. Por
exemplo, na parte de investimentos, gostaria de ver algo mais avançado,
como a possibilidade de inserir taxas de rendimento. Gostaria de ver
mais automação, como atalhos de teclado. Mas são apenas detalhes. YNAB é
ótimo.

FaceTime e o que realmente importa

Recentemente minha irmã fez aniversário. Normalmente, eu daria um beijo
nela pela manhã e jantaria com ela e nossos pais pela noite. Acontece
que esse ano não é normal, e ela está estudando na França, e eu não
posso fazer o que normalmente faria.

Eu tentei usar o Skype, mas não deu certo. Então resolvi testar esse
app, FaceTime, para fazer chamadas de áudio e vídeo pela internet. E o
detalhe: é um app nativo da Apple, e tem também para OS X, o sistema
operacional da Apple e que eu uso.

Então foi assim: eu, sentado na minha mesa, confortavelmente, usando um
app que veio com o meu computador, e ela, pegando um trem para ir para a
aula, com o iPhone dela, com 3G padrão europeu. Não foi preciso instalar
nada, nem configurar, nem adicionar nenhum contato. Eu já tinha o número
dela no meu iPhone, os contatos são sincronizados pelo iCloud com meu
computador, e só precisei buscar pelo nome dela. E nós conversamos (com
vídeo) enquanto ela tomava o trem. E eu pude dar os parabéns a ela.

Vejam, quando falo de tecnologia neste blog, é sobre isso que quero
falar. Quando as pessoas me vêem com um MacBook, um iPhone e um iPad,
fazem piadas, me chamam de Apple-boy ou Mac-fag, dizem que eu sou
riquinho filhinho de papai (porque claro, no Brasil chamar alguém de
rico é ofensa). Eu não sei exatamente o que essas pessoas tem a ver com
isso, mas foi esse conjunto de ferramentas que eu pude dar parabéns à
minha irmã, no aniversário dela, não gastando nada a não ser um pouco
dos dados de pacote de 3G dela. Usar produtos Apple tem seu preço, mas
tem suas vantagens. A integração entre os produtos é fantástica. Ao
contrário do que a maioria das pessoas pensam, eu não uso a tríade
iPhone-iPad-Mac para parecer cool. Eu tento ser produtivo ao máximo
com esses gadgets.

Poderia ser feito de outra forma? Claro que sim. Se eu tivesse um
computador rodando Linux (como eu já tive durante muito tempo) e minha
irmã tivesse um Android, ou poderia no mínimo comprar créditos em VoIP
(mais baratos que telefone normal) e telefonar para ela. Ou por Skype,
ou por Google Hangout, o que seja. Não estou dizendo para você comprar
um iPhone. Estou dizendo que para você abraçar a tecnologia como
resolvedora de problemas.

A cor do meu telefone? É um detalhe. As animações do OS X? Detalhes. Os
ícones 2D do iOS 7? Detalhes. Eu poder conversar por vídeo com minha
irmã no aniversário dela usando apps já instalados? O que realmente
importa.

Learning To Love Photo Management

Eu não gosto de tirar fotos, embora goste de ter recordações, mas eu
absolutamente detesto organizar fotografias. O iPhone simplificou e ao
mesmo complicou isso: eu não preciso mais de uma câmera digital, mas ao
mesmo tempo como diabos eu tiro as fotos dali? E se eu passar para o meu
computador, como posso mostrá-las para alguém quando não estou com ele
por perto?

Bradley Chambers lançou esse livro chamado Learning To Love Photo
Management
 que trata dessas questões. Eu ainda estou lendo, mas
baseado numa leitura rápida já deu de ver que valeu a pena. Chambers
criou um método de organização e compartilhamento usando o mínimo de
ferramentas.

Esse livro também representa uma categoria que acho muito interessante:
livros práticos, curtos, cheios de informações valiosas, distribuídos
facilmente pelo iBooks e baratos.

Begin

Ben Brooks:

The bookkeeper at my company used to (she is now retired) have this
routine — it was something like this:

  • Sit down at her desk with coffee in hand.
  • Grab a stack of recycled paper bits that are about 2/3 the size of
    a full page of paper — all unlined — held together with a binder
    clip.
  • With her half-chewed Bic in hand she would then proceed to write
    down her todos for the day.

Quando você mergulha no mundo da produtividade, é fácil se enrolar no
mar de apps que prometem fazer suas tarefas por você. Brooks ajudou a
produzir um app que tenta simplificar ao máximo o gerenciamento de
pendências – ou você seleciona algo para fazer hoje, ou deixa para
amanhã.

Eu não estou interessado em testar mais um app, mas sempre gosto
quando alguém diz que é a tecnologia que deve nos servir, e não o
contrário.

Por que o Rdio é a melhor maneira de escutar músicas

Estou aqui, escrevendo no meu diário, fazendo um completo
descarregamento das ideias na minha cabeça, e estou escutando o
Rdio. Especificamente, escutando a rádio personalizada do Tulio
Jarocki
 (que escrevia um blog muito bom e parece que infelizmente
parou). Muita música boa, de muitos artistas que eu não conheço, e tudo
que fiz para descobrir essa gente foi procurar meus amigos e apertar um
“play”. Não tive de procurar nada. Eu simplesmente já seguia o Tulio no
Twitter, puxei os contatos no Rdio e estou escutando várias rádios. E
estou pensando no quanto adoro esse serviço.

Eu cresci em meio ao Napster, e em meio à cultura de que, se um arquivo
.mp3 está na rede, qual o problema em escutá-lo? Não fui eu que
coloquei-o lá! E, além disso, se todo mundo está fazendo isso, por que
eu vou pagar por um CD? Otário é a gíria que eu ouvia quando
adolescente, aparentemente em desuso.

Vamos ser diretos: esse tipo de pensamento é pirataria da mais pura e eu
me envergonho de ter passado por isso. Eu não faço mais isso, e recuso a
ajudar pessoas quando eles me pedem para “baixar o CD da novela”. Eu
compro minha música, e, se eu não tenho dinheiro, eu espero até ter.
Complicado, não? Eu li as biografias de gente como Eric Clapton e Paul
McCartney e eles tinham essa mania, de trabalhar ou pedir dinheiro para
os pais para conseguir comprar os discos. E bem, eles são Clapton e
McCartney.

Eu comprei alguns álbuns e singles na iTunes Store e, se querem saber,
acho barato. O mais caro que já paguei por uma única música foi 2
dólares, ou 5 reais. Um lanche assado (geralmente queimado) nas
lanchonetes da UFSC custa 3. Dois dólares, incluindo o trabalho de
produção da música, a propriedade intelectual do artista e os custo de
download é bem justo, na minha opinião. E eles são exceção. A grande
maioria custa um dólar.

Ultimamente, no entanto, tenho consumido música de uma forma diferente.
Eu não compro mais a música em si, mas o direito de escutá-la. Com o
Rdio, você paga uma taxa e tem acesso a todo o catálogo. O problema é
que, quando se deixa de pagar, você não fica com nenhuma música.
Lembre-se você não comprou nada.

Esse tipo de pensamento provoca revolta em algumas pessoas, pois parece
roubo. Como pude pagar tanto tempo e agora não ganho nada? É preciso
ajustar essa mentalidade. Nós estávamos pagando pelo serviço de
escutar músicas. É como pagar academia: você pode pagar por dez anos e
mesmo assim não vai sair de lá com uma esteira, quando deixar de ser
cliente.

O Rdio se adequa a pessoas que, como eu, tem gosto muito variávies. Em
um mês só ouço Paul McCartney e Queen, no outro só escuto pop brasileiro
tipo Skank e Capital Inicial. No seguinte escuto um samba de raiz, no
outro vicio no último álbum de John Mayer. O Rdio me permite essa
alternância, sem ter de comprar todos esses álbuns. Muitas daqueles
singles que comprei na iTunes e dos CDS que ganhei quando adolescente
estão parados, sem ser ouvidos. Ter a posse deles não tem muita
utilidade prática, para mim.

E, como falei, temos o aspecto social, e o Rdio, na minha opinião faz
isso da maneira certa. Sendo um serviço pago, eles não te forçam a
compartilhar o que você está ouvindo a toda hora (deixando-me livre para
escutar Kid Abelha sem vergonha); mas é fácil, se você quiser. E a
integração com o Twitter (e Facebook) significa que eu, se quiser, posso
escutar o que meus amigos estão escutando. Sem ninguém forçar.

Deixei de pagar e usar o Netflix há algum tempo por achar que o catálogo
deixa a desejar. O Rdio, ao contrário, está sempre com o catálogo
atualizado (apesar de não haver nenhum disco dos Beatles, AC/DC, Led
Zeppelin etc, provavelmente por serem de direitos autorais mais
complicados) e o serviço está cada vez melhor.

Você pode escutar as músicas por streaming no seu navegador e com
programas para OS X e Windows, e pode sincronizar com seu smartphone e
escutar em modo offline. Experimente (e me siga, se quiser).