Arquivo mensal: janeiro 2014

Os podcasts que acompanho e por quê

Há algum tempo, publiquei aqui a lista de alguns blogs que acompanho
(digo alguns porque vivo acrescentando novos e deixando de acompanhar
uns). Vou agora fazer o mesmo com podcasts.

Foi só em 2013 que passei a escutar podcasts, depois de muito ouvir
falar no assunto. Antes disso, eu tinha dois problemas com a ideia: eu
não entendia muito bem o propósito, e não sabia como poderia aquirir o
hábito de escutar. Essa segunda parte eu peguei fácil: eu escuto
podcasts a cada trajeto de carro, no ônibus para a universidade,
caminhando. Para fazer exercícios, eu ainda prefiro música, mas de
resto, se estou me deslocando para alguns lugar, provavelmente estou
escutando algum podcast no iPhone.

Se algum leitor não está familiarizado com isso, podcasts são programas
de áudio, geralmente sobre um tema específico, lançados com uma certa
periodicidade. Pense num programa de rádio, mas transmitido pela
internet e que pode ser guardado pelos ouvintes para ouvir quando
quiser.

Episódios de podcasts são arquivos de áudio (geralmente em mp3), então
pode ser ouvidos em qualquer dispositivo, mas smartphones geralmente tem
programas dedicados a isso, que acompanham novos episódios, tem opções
de compartilhamento, e exibem o que se chama de notas do show, quando
as informações do show são resumidos em (em texto), geralmente com liks
para mais informação.
;bt
Quanto ao primeiro problema que mencionei, de compreender essa mídia,
finalmente posso dizer que agora entendo porque eles são atrativos. O
formato tradicional é um grupo de pessoas (geralmente de 2 a 4)
conversando sobre um tema, embora existam alguns shows individuais; é
essa conversa (ou monólogo) que faz com que os podcasts sejam
agradáveis de ouvir. A linguagem escrita, que eu amo, têm inúmeras
qualidades, mas é mais artificial, com certeza. Ouvir alguém falar sobre
o assunto soa mais natural — é uma versão apenas em áudio de uma
palestra, ou de um talk-show.

Em decorrência disso, podcasts podem se aprofundar no tempo sem que isso
prejudique a nossa relação com o programa. Ler um artigo por uma hora
cansa, mesmo que seja em intervalos, mas escutar 30 min de podcast no
trajeto de ida a algum lugar e mais 30 minutos na volta é agradável.

E, claro, podcasts não demandam nossa atenção como a leitura. Eu não
andaria a pé lendo alguma coisa; com o fone de ouvido, eu posso ouvir
algum episódio, presto atenção por onde ando, e, num volume razoável,
ainda escuto o necessário da rua.

A lista

Esses são os podcasts que acompanho:

  • Developing Perspective – um podcast sobre desenvolvimento de
    aplicativos para OS X e iOS. Acompanho porque, além de aprender um
    pouquinho sobre o tema, o apresentador David Smith é o criador
    do serviço que uso para blogs e podcasts, Feed Wrangler (mais
    sobre isso num post). É uma maneira de acompanhar o desenvolvimento
    desse serviço que uso muito.
  • Mac Power Users – o melhor podcast sobre tecnologia Apple.
    David Sparks e Katie Floyd discuyem um assunto específico
    ligado a Macs, iPhones e iPads: email, backup, gerenciamento de
    fotos. Às vezes trazem pessoas para ensinar algumas coisas e para
    mostrar como elas usam os seus dispositivos. Sparks é autor do
    Macsparky, um dos blogs que acompanho.
  • Palavra Chave – Fellipe Salgado, psicólogo, escolhe um
    assunto da cultura pop e o analisa sob a ótica da psicologia (e até
    já comentei um episódio). Pena que o Fellipe já me disse que
    anda sem tempo para fazer mais, pois é sempre bom para mim, como
    engenheiro, aprender coisas novas assim e diferentes da minha área.
  • Systematic – Atualmente, o meu podcast preferido. Brett
    Tersptra
    traz um convidado a cada semana, discutindo tecnologia e
    criatividade, fugindo dos podcasts usuais ligados à Apple (já
    discutiu nutrição, dramaturgia, linguística entre outros assuntos).
    Brett também tem um blog muito bom.
  • Technical Difficulties – um podcast de tecnologia de Gabe
    Weatherhead
    e Erik Hess, com foco na solução de problemas.
    Os assuntos são sempre muito práticos, como por exemplo “como montar
    uma rede Wi-Fi” ou “a melhor maneira de fazer video-conferência”;
    bem de acordo com a minha filosofia, portanto. Frequentemente trazem
    convidados que têm mais experiência no tema da semana. As notas de
    show são incrivelmente detalhadas e servem como referência para o
    problema em questão. Gabe publica o Macdrifter, outro blog que
    sigo
    .
  • iPhone Hoje – Um outro podcast de Alexandre Costa sobre
    Apple. Anda pouco atualizado, e supostamente o seu sucessor é o
    iTechHoje.
  • iTechHoje – já foi o meu podcast favorito, mas anda com
    alguns problemas. Alexandre Costa, Vladimir Campos e Otávio
    Cordeiro
    conversam sobre um tema Apple (mais ou menos como a
    versão brasileira do Mac Power Users, mas não tão aprofundado). Os
    apresentadores são bons (e engraçados), e por isso que ainda
    acompanho, mas venho notado uma falta de cuidado na pauta (as
    conversas estão livres demais, sem tema definido), e uma frequência
    irregular (o que até entendo, já que os apresentadores não ganham
    nada com o show). Espero sinceramente que o podcast volte à ativa e
    que as pautas sejam mais bem produzidas. Vale dizer que Alexandre
    está com outros podcasts bons (alguns dos quais acompanho e já citei
    nessa lista) e Vladimir, embaixador de viagens do Evernote,
    produz o excelente Diário de um Elefante, que não acompanho mais
    por não usar mais o Evernote

Como usual, se o leitor quiser indicar algum podcast bom, fique à
vontade! Quero sempre descobrir conteúdo bom.

Resenha: Como Evitar Preocupações e Começar a Viver

Quando as pessoas me viam lendo Como
Evitar Preocupações e Começar a Viver
, de Dale Carnegie (autor de
Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas), logo brincavam: “começou
a ler livros de auto-ajuda, Fábio?”. Pessoalmente, não tenho nada contra
livros de auto-ajuda, e não vejo nada de errado nas pessoas buscarem
conforto pessoal nos livros. Mas auto-ajuda é muito simplificado para
descrever um livro como esse; está mais para um guia prático
de comportamento.

Quando resenhei o outro livro de Carnegie, ressaltei:

Como Fazer Amigos … não é um tratado teórico sobre relacionamentos.
O autor não tem formação em psicologia ou filosofia. É um livro
prático, de alguém que sempre trabalhou com pessoas (principalmente na
parte de vendas) e começou a observar o que dava certo e o que não
dava. Ministrou cursos então sobre a arte de lidar com pessoas,
coletou histórias de participantes e as reuniu em um livro. É um
tratado empírico, por assim dizer.

O mesmo vale aqui. Carnegie, sendo muito observador do comportamento
humano, observou que o tema da preocupação afeta muitas pessoas, e
então se dispôs a pesquisar sobre o tema. O que causa a preocupação?
Como deixar de se preocupar?

Todos experimentamos preocupações e ansiedade, desde mundanas até
profundas. Estamos trabalhando, a chuva está chegando e pensamos se
deixamos a janela aberta; ou estamos de férias, preparando-nos para
voltar à rotina, quando somos tomados por uma depressão causado pelo
nossos desgosto com nosso trabalho ou faculdade. Como suportar isso?

Detectando as principais mensagens do livro

O livro segue uma divisão com a qual eu não concordo, baseada em
“Princípios”, “Fatos”, “Técnicas”, “Maneiras”. Essa divisão acaba sendo
mais confusa do que pedagógica. Por exemplo, a Parte III é sobre “como
acabar com o hábito da preocupação”, e a Parte IV é “como cultivar uma
atitude mental de felicidade”. Esses assuntos, para mim, estão
relacionados; cultivando a felicidade mental você pode deixar de se
preocupar. A obra poderia ter menos subdivisões.

Mesmo assim, é possível, à medida que lemos o livro, detectar a sua
mensagem principal.

Por exemplo, a técnica fundamental de análise de preocupações é tomar
decisões
. No caso da janela aberta, qual são as opções? Podemos sair do
trabalho, e ir fechar a janela, gerando discussões com o chefe; ou
podemos aceitar que a janela está aberta e planejar que, quando
chegarmos em casa, vamos tomar uma meia hora para secar o chão. Você
precisa tomar uma decisão. Você está preocupado com alguma coisa? O
que pode ser feito? Qual o pior cenário, e como ele pode ser resolvido?
Ficar sentado, olhando para o computador, pensando no chão molhado não
resolve nada. Uma vez tomada uma decisão, sua cabeça está livre para
continuar trabalhando.

Outro capítulo ótimo é sobre nossa relação com o passado. Quantas vezes
não nos preocupamos com coisas que já dizemos, como se isso adiantasse
de alguma coisa. Como o autor diz, “não tente serrar serragem”; não
gaste energia pensando no passado. Se você disse algo desagradável a
alguém, já está dito; você pensar nisso não fará a outra pessoa
esquecer. Tome a decisão de ignorar isso ou pedir desculpas, e siga em
frente.

Carnegie dedica um trecho à fé, com o argumento de que você não precisa
ser cristão, ou judeu, ou muçulmano, praticante. Quando você acredita em
um sentido por trás de tudo, qualquer que seja, você percebe que não
vale a pena se preocupar, pois tudo tem um próposito. O autor cita uma
frase do teólogo John Baillie:

O que torna um homem cristão não é nem a sua aceitação intelectual de
certas ideias, nem a sua conformidade com uma determinada regra, mas a
posse de um certo Espírito, e a sua participação numa certa Vida.

Cita também o filósofo Francis Bacon:

Um pouco de filosofia inclina o espírito humano ao ateísmo; mas uma
profunda filosofia conduz a mente humana à religião.

Estaria mentindo se dissesse que esse capítulo não me fez pensar muito.

Mas o meu capítulo preferido de longe é o destinado à ingratidão. Muitas
vezes a causa de nossa ansiedade é a ingratidão de outras pessoas. O seu
ponto é o seguinte:

É natural que as pessoas se esqueçam de ser gratas; assim sendo, se
andarmos à espera de gratidão, estaremos, fatalmente, destinados a
sofrer uma porção de aborrecimentos.

No meu círculo de pessoas próximos, vejo muitos estressados (e o
estresse é um tema recorrente do livro) por causa da ingratidão. Bem,
adivinhe: pessoas não costumam agradecer. Conheço uma mulher que tem uma
irmã de piores condições financeiras, em virtude de más escolhas no
passado; essa mulher não queria que a filha da irmã tivesse a mesma
sorte e pagou uma escola particular para ela, na esperança de que ela
entrasse na faculdade. Essa menina hoje é engenheira formada por uma
universidade federal, mas a mãe e a tia brigaram e ela nunca disse um
“obrigado”. A mulher, naturalmente, se ressente até hoje, dizendo coisas
do tipo “tudo que eu fiz por essa menina”. Carnegie está certo: pessoas
que reconhecem esse tipo de ajuda são raras. Esqueça. Dê pela alegria
de dar
. Pense que com, alta probabiliade, a outra pessoa não vai
agradecer. Evite aborrecimentos como esse e comece a viver, como diz o
título.

A Parte VI é dedicada à fadiga, como descansar mais, sob o argumento de
que muito de nossa ansiedade é causada pelo desgaste físico, mas os
capítulos não trazem nada de relevante. A Parte VII, última, traz um
compêndio de histórias pessoais, e serve como apanhado geral.

No geral, Como Evitar Preocupações é um livro muito extenso com poucos
pontos interessantes — mas profundos. É bom você ler, mas saiba que é
preciso sempre filtrar os pontos que interessam. O que é bom para
agradar a pessoas diferentes; para mim, o que teve impacto foram os
capítulos sobre religião e ingratidão, enquanto que para o leitor pode
ter outro sentido.