Arquivo mensal: fevereiro 2019

Quando vale a pena gastar conscientemente mais em um serviço?

Quando ele não tem valor para você.

Valor é uma dessas expressões que de tão repetidas, em toda parte, perdem um pouco o sentido. No submundo da gestão, fala-se muito em definição de valor, sem precisamente explicar o que é (em termos simples, pelo menos). Para mim, valor é simplesmente o que importa.

 Neste último final de semana, minha esposa e eu estivemos envolvidos em um acidente de carro. Nada grave, ninguém se machucou, mas o nosso carro estragou um pouco. E aí vem aquela sequência de processos: ir atrás de seguro, fazer orçamentos, tirar tempo de outras coisas para lidar com essa emergência. Como o estrago foi mais que um simples amassado, fui primeiramente na Concessionária fazer um orçamento. Quando veio o valor, muito maior que o esperado, na hora resolvi pagar de modo particular e resolver isso. Por quê?

Porque o carro não tem valor para mim. É só um objeto, que precisa ser arrumado. Apesar de ser Engenheiro Mecânico, eu não me interesso por carros, não gosto de dirigir, e encaro tudo relacionado a isso como mera utilidade.

Eu poderia fazer diferente. Poderia rodar toda a cidade atrás de mais oficinas, poderia voltar para casa com aquele orçamento e verificar como pagar através do seguro. Poderia otimizar minuciosamente o custo.

Mas o que se passou na minha cabeça naquele minuto depois que o vendedor entregou-me o orçamento foi o seguinte raciocínio: minha vida é bem boa. Eu e minha esposa temos um estilo de vida saudável. Vamos a pé para nossos trabalhos. Eu amo cozinhar, e preparo refeições quase todo dia para que tenhamos uma alimentação boa sem precisar pedir comida ou ir a restaurantes. Como lazer, vamos à praia ou a algum show ocasionalmente. Recebemos amigos e nos encontramos com nossa família. Minha vida já está otimizada em muitos aspectos; para esse problema em questão, do carro necessitando de conserto, já que eu não dou valor a ele, e já que graças a Deus temos reservas muito maiores que o valor do conserto, eu vou abrir mão da otimização e optar pela conveniência. Vou deixar o carro aqui, agora, e vê-lo arrumado ao fim da semana.

E esse é mais um capítulo do meu ano da intencionalidade. Uma decisão baseada não em apreensões e ansiedades, mas com reflexão, ponderando o que é importante para mim.

O leitor acha que fiz errado?

Um podcast sobre vida de artista… que fala do que já tratamos aqui

Novamente, numa dessas coincidências da vida, o Nerdcast 660 tratou da vida e rotina de artistas gráficos, e muito do que é falado em Roube como um artista foi discutido: usar a raiva e a frustração como combustível criativo; copiar o trabalho dos outros até criar o seu estilo; ter um trabalho “chato” até poder viver da sua “arte”.

Se você gostou da minha resenha e se interessa por esses assuntos, vale a pena conferir!

E esse próprio post é uma prática de criatividade: eu mesmo fiquei impressionado com a minha capacidade de conexão entre os livros do Austin Kleon e Jovem Nerd!

Bullet Journal mostrando minhas entradas e páginas no caderno

Minha prática de manter um caderno/diário/journal

Na metade de 2018, eu troquei de carro e, pela maneira como essa heurísticas cognitivas funcionam, todo carro que passava na rua era do mesmo modelo que o meu — ou era assim que parecia.

Similarmente, desde que escrevi que 2019 seria o meu ano da reflexão e da intencionalidade, tudo que leio ou consumo de maneira geral parece apontar para isso, em especial para um aspecto crucial desse propósito: manter um caderno ou diário. Depois de muito acompanhar o trabalho do Austin Kleon e ler os seus livros mais de uma vez, resolvi ler Roube como um Artista mais atentamente, e a sua principal recomendação está lá: mantenha um “arquivo de roubos”, capturando toda ideia interessante com que você se depara. Aí a Thaís publicou uma resenha entusiasmada de O Método Bullet Journal, e quando eu fui ler, o choque: o Bullet Journal não é para publicar resenhar floridas no Instagram, mas para facilitar que você reflita sobre sua vida. Motivado especialmente por esses livros, comecei no final do ano passado a manter um Bullet Journal mais atentamente, depois de alguns anos de maneira bem “irregular”, escrevendo mais listas pontuais de tarefas ou resumos de livros/artigos. Agora, quase não se passa um dia em que não registre o que aconteceu no meu dia e expressando, mesmo de forma resumida, minhas emoções.

Cadernos modelo Neon da marca Tilibra
Meninos não vestem rosa… mas podem ter caderno rosa?

A legenda da foto acima não é mera ironia. Desde que comecei meu tratamento contra depressão e ansiedade, uma coisa já ficou clara na terapia: como homem numa família rígida, eu nunca aprendi a lidar com minhas emoções. Por isso, o exercício de dizer para o papel como determinado evento fez eu me sentir tem valor inestimável. Qualquer colega meu de trabalho pode atestar que eu ainda tenho problemas em modular a maneira como me expresso em relação a algo que me desagrada, mas acreditem — seria bem pior sem esses artifícios terapêuticos.

Usar um diário para desabafar não é novidade; mas como falei, estou rodeado de referências a esses benefícios. Austin Kleon resumiu bem: “é um ótimo lugar para ter má ideias”. Cal Newport recomenda escrever cartas para seu futuro eu (mas, como eu, também acredita que devemos escrever para seu eu presente). Greg McKweon diz que, ao usar um journal (diário, em inglês), você se torna o jornalista da sua vida e sabe onde discernir o essencial.

Mas o meu Bullet Journal não é apenas uma ferramenta psicológica. Ainda estou aprendendo a fazer um planejamento do mês, visualizando todos os principais eventos e tarefas numa página:

Registro Mensal do Bullet Journal, mostrando minha agenda e metas para o mês
Todo dia, eu mantenho o Registro Diário, registrando minhas tarefas, tento fazer meu planejamento a la Cal Newport, e ainda registro algo pelo que sou grato no dia de hoje:

Quando leio no Kindle ou escuto um áudio-livro, eu anoto no meu Bullet Journal as principais ideias que aprendi:

Enfim, esse é o meu começo da prática de manter um Bullet Journal, algo que tem sido de muita ajuda no meu dia a dia. Eu já escrevi antes sobre manter um diário, mas fazê-lo de maneira analógica tem um outro poder muito maior de calma e reflexão.

Quanto a ferramentas, eu adoto esses cadernos Neon da Tilibra. E tenho muitas canetas espalhadas pela minha casa, minha mochila e minha mesa no laboratório, de maneira que não consigo recomendar apenas uma marca.

Como o leitor deve perceber, eu estou numa fase obsessiva sobre cadernos, Bullet Journals, diários e criatividade, por isso vou adorar ler qualquer comentários nesse sentido!

Resenhe: Roube como um artista

O objetivo principal de Austin Kleon em Roube como um artista é dar dicas de como ter mais ideias (boas). Os seus principais argumentos são baseados na sua experiência como escritor e no contato que ele tem com outros artistas, seja ao vivo ou por meio de obras diversas.

O ponto central do livro é o imperativo presente no título: para ter mais ideias, é preciso estar exposto a elas, capturá-las, e então produzir algo novo. Kleon cita diversos músicos, pintores e escritores que usam dessa analogia do roubo, da cópia modificada. Para isso, é bom ter algumas ferramentas, como um bom diário, um caderno onde você possa anotar coisas que lhe chamaram a atenção, ou qualquer forma de manter um registro. Se você for escultor, tire fotos e mantenha um álbum com suas obras preferidas. Para um caso mais “cotidiano” de um engenheiro de simulação, guarde artigos interessantes no Evernote, por exemplo.

O “roubo”, nesse contexto, se diferencia de um plágio por abraçar as influências, dando crédito a elas e melhorando. Não é difícil perceber que J.K. Rowling usou de muitas fontes sobre fantasia e mitologia, mas adapatou a um mundo de bruxos bons e em um universo infanto-juvenil. Quem escuta Oasis não demora a notar semelhanças com os Beatles, mas como se as suas músicas fossem adaptadas para os anos 90.

Cerque-se do que roubas. Abrace suas influências. Aprofunde-se no seu autor favorito. Não tente criar o seu jeito; deixe ele crescer organicamente, à medida que você se torna mais consciente das coisas que você lê/escuta/ouve/estuda. E não tenha medo de não ser original:

“Tudo que precisa ser dito já foi dito. Mas, já que ninguém estava ouvindo, é preciso dizer outra vez.” – André Gide, escritor francês

Com base nesse ciclo “Expôr-se, capturar, adaptar”, Kleon sugere mais algumas dicas básicas:

  • Trabalhe mais com meios analógicos. Nesses tempos digitais, esquecemos de estimular o tato e as sensações diferentes que temos quando lidamos com o mundo fora do computador. Vale a pena ter um ambiente livre de telas para simplesmente rabiscar ideias em papel (até usando o seu caderno acima), ler um livro, recortar figuras ou fotos e montar um mural etc. No mesmo sentido, é importante ter hobbies diferente do seu trabalho, para estimular o seu cérebro.
  • Saia mais de casa. Isso vale tanto para coisas modestas como ir trabalhar num café; quanto para sonhos de vida como ir morar fora do país ou se mudar de cidade. Essa mudança de ambientes e de conforto pode ativar novas ideias que você nunca teria percebido.
  • Use a vida diária como estímulo criativo. Escreva sobre um filme que lhe comoveu; reclame no seu diário sobre algo com que você ficou indignado; cozinhe uma refeição como uma versão melhorada do que você comeu de ruim.

Pessoalmente, entendo que, ao ser mais criativo, você produz trabalho de mais qualidade, impacto e significado — qualquer trabalho. Assim, fico feliz em recomendar a leitura desse livro, mesmo com alguns poucos defeitos; o que mais me frustra é a falta de referências a estudos que provem os argumentos dele (mas também talvez seja a minha mente de pesquisador) — talvez eu deva roubar as ideias de Kleon e adicionar rigor científico, não acham?.

Meta 1 de 2019: o corpo que eu quero

Dizem por aí nas internetes que uma maneira de ajudar você a alcançar uma meta é torná-la pública, como uma “pressão saudável” para que as pessoas lhe cobrem. Então aqui vai a minha declaração pública da minha primeira meta para 2019: alcançar e manter o corpo que eu quero.

O que é o corpo que eu quero? É aquela imagem do Fábio que, ao se olhar no espelho, não fique incomodado com a barriga saliente. É um corpo que tem a proporção certa de massa magra de tal maneira que as pessoas parem de lhe chamar de “muito magro” (pois nem sempre vêem a gordura abdominal mas sempre reparam na falta de músculos). É o corpo que me deixe energizado para a vida, enfim.

Eu falo de metas anuais e não simplesmente de resoluções de ano-novo porque eu foco muito em ações, passos práticos para perseguir esse objetivo, sem ficar apenas no reino das vontades e sonhos. E, para mim, há dois elementos essenciais para ajudar a alcançar uma meta:

1. Monitorando minha meta

A melhor motivação a me concentrar nesse objetivo é tê-lo em mente o tempo todo. Ele está anotado no meu Bullet Journal, e é revisado mensalmente. Ou seja, a cada término de mês eu vejo essa anotação, lembro de que quero perseguir esse objetivo, e então planejo os próximos passos, definindo projetos que quero completar.

Esses projetos, por sua vez, são revisados semanalmente também, e se transformam em compromissos e próximas ações diárias. Ou seja, a cada vez que eu olho minha lista de tarefas ou meu calendário, geralmente eu tenho um indicativo de algo a trabalhar para essa meta.

2. Implementando minha meta no meu dia a dia

Como falei, metas do tipo “eu gostaria de …” não significam nada se não foram postas em práticas.

Calendário de Academia

Ir para a academia obviamente está no meu calendário, como o leitor pode ver acima, juntamente com aulas adicionais. Aliás, Testar rotinas de aulas adicionais na Garra (minha academia) é um projeto, dentro do meu esquema de gerenciar projetos no Trello (ligeiramente modificado — novo post em breve!). Como eu precisamente defini essa meta nesse ano, eu procuro ter sempre projetos ativos nas áreas de exercícios, culinárias, saúde, para que eu possa avançar nos meus objetivos:

Listas de projetos Fitness no Trello

Como exemplo de planejar projetos:

Exemplo de projeto Fitness no Trello

Perceba o leitor que nada fica “no ar”. Eu defino projetos, crio eventos no meu calendário, transfiro tarefas para o meu Todoist — em resumo, tudo faz parte do meu sistema de produtividade diário.

E o leitor, quais são suas metas para esse ano? E como vocês monitoram esses objetivos?