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Praticando a procrastinação produtiva

Hoje de manhã, eu postei duas versões da minha lista de tarefas: uma que eu deveria fazer e que está de acordo com meu foco para a semana e para o planejamento semanal, e uma que eu gostaria de fazer:

Eu já falei aqui do meu eterno conflito entre foco e exploração e como tenho “perdido tempo” fazendo algo produtivo. Acontece que isso é algo trabalhado pelo meu ídolo Austin Kleon em Roube como um Artista: a procrastinação produtiva: você deixa de trabalhar na sua lista de tarefas não para ver vídeos do YouTube, mas para trabalhar no que você realmente quer trabalhar, seguindo a sua intuição.

No fim das contas, eu segui a lista da direita na foto acima. Em vez de montar cronogramas no Excel, eu fui estudar um dos livros mais complexos e maravilhosos da Engenharia, o Advanced Engineering Thermodynamics do Bejan – e apanhei um pouco, mas terminei a tarde com mais ideias de aulas e com maior entendimento desse assunto fundamental. Também fui levar meu filho no médico, e, em vez de voltar para casa e trabalhar em algo útil como estudar um outro livro que quero usar nas minhas aulas, levei-o no parquinho e fiquei ruminando ideias sobre um livro-texto que eu quero escrever.

Novamente: eu deveria ter montado cronogramas no Excel?

Antes de terminar a semana amanhã, dá de fazer algo divertido e ao mesmo tempo útil?

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Minha jornada em aprender R (ou: o conflito entre foco e exploração)

Eu me sinto em um conflito intelectual enorme entre dois aspectos de trabalho, simbolizados por duas grandes influências minhas: Cal Newport (foco e prioridade é tudo que importa) e Austin Kleon (como deve se expor ao máximo de influências e roubar delas para fazer a sua arte).

Exceto que este conflito não existe. Cal Newport lê no mínimo 5 livros por mês, sobre assuntos variados, e Austin Kleon fala da importância de desligar suas notificações e ter uma boa estação de trabalho onde se concentrar. O trabalho consiste em ciclos de se aprofundar e explorar.

O que me leva a um objetivo vago na minha vida profissional, que é aprender a linguagem de programação R, uma ferramenta bastante focada em estatística e ciência de dados.

Eu não consigo me lembrar como comecei a me interessar por isso, mas se fosse apostar, diria que foi quando Dr. Drang linkou algum post de Kieran Healy, um professor de Sociologia da Duke University que posta sobre como criar gráficos muito interessantes e ricos usando R . Isso deve fazer uns 5 anos, por volta de 2017.

Em 2019, quando comecei a utilizar bastante os conceitos de ciência de dados e quis aprender mais, comprei os livros da foto acima, mas nunca mergulhei de fato.

Nesse ano de 2022, decidi que era de mergulhar nisso. Mas aí está o problema: como vou priorizar isso dentro do meu problema de foco? Eu não preciso estudar R, e não vou ter proveito imediato.

Porém , foi numa tarde onde tirei uns 90 minutos para começar a ler o livro R for Data Science que me deparei com um exemplo do livro sobre dados experimentais de motores – uma biblioteca de R tem uma tabela já pronta. Por que essa minha empolgação? Porque eu ministro duas disciplinas sobre motores, e já consigo pensar em muitas maneiras de explorar esses dados na sala de aula. Sem essa perda de tempo brincando de estudar, eu talvez nunca teria chegado nesse exemplo.

Brincando com RStudio

Brincando em mais algumas sessões de trabalho, o resultado é saber produzir um gráfico como esse:

Aqui nós temos dados de alguns motores catalogados pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA entre 1999 e 2008. Há uma tendência geral de queda da eficiência: motores maiores consomem mais combustível. Mas! Há outros fatores em jogo: a linha de tendência mais inferior mostra apenas veículos de tração nas 4 rodas, que são consistentemente menos eficientes que veículos de tração em 2 rodas (o leitor sabia disso?). Analisando por classes, vemos que na faixa de cilindradas maiores há exemplos de carros que são mais eficientes que outros: 2seaters, ou carros esportivos de 2 lugares. Esse veículos usam motores potentes, mas consomem menos que um SUV de mesmo tamanho, porque são mais leves, com menos perdas no sistema de transmissão; eu acredito também que o sistema de exaustão desses veículos esportivos faça diferença, com conversores catalíticos de parede metálica, mais fina, que têm menos perdas de potências (à custa de mais emissões).

Essa discussão de um parágrafo acima é muito útil para ser levada para a sala de aula. Eu perdi tempo estudando R?

Agora estou nessa situação; tirando algumas sessões de trabalho a cada mês para avançar na leitura desses livros, encaixando no meu planejamento semanal. Tenho sonhado em finalmente escrever apostilas de notas de aulas usando bookdown, de maneira que o código para resolver exercícios seja parte do texto, e divulgar essas notas de aula para o Brasil todo. O ecossistema de R põe muita ênfase na publicação e compartilhamento de dados – algo que não vejo em Python, por exemplo, daí o meu interesse em uma ferramenta nova (já que tenho usado Python para meus projetos científicos há mais de 1o anos).

Como a leitora faz para balancear entre o foco e a exploração? O leitor consegue achar tempo no meio da semana para simplesmente explorar algum assunto e “ver no que vai dar”?

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Resumo do mês

Resumo de Fevereiro 2022: Mostrando meu trabalho

O quanto ando lendo Austin Kleon? Tanto que minha esposa disse que eu deveria fazer um detox na Quaresma que se inicia nessa semana?

O meu mês de fevereiro de 2022 pode ser resumido pela combinação do livro de Kleon Mostre seu trabalho (que até já resenhei) com O caminho do artista de Julia Cameron. Este foi o mês eu que eu me empenhei em tratar melhor o meu trabalho de professor e pesquisador como uma arte como qualquer outra, exigindo a técnica de transformar conceitos complexos em processáveis por quem não tem muita experiência.

Este também é um ano de concursos para professor, ano de ler e escrever, e por isso eu lancei dois projetos nesse mês:

  1. Tornar público o meu Zettelkasten, o meu conjunto de notas variadas que vou tomando enquanto escrevo
  2. O meu novo site acadêmico, que vai comportar textos com muita matemática e programação, mostrando exemplos de aulas e de pesquisas – coisas que acho que não cabem aqui.

Ambos os projetos acima estão em inglês e são bastante técnicos. Este blog FabioFortkamp.com vai continuar sendo atualizado, em português, com textos mais reflexivos, sobre a natureza do trabalho acadêmico, meus aprendizados, minhas ferramentas. Desde o final de janeiro, por exemplo, tenho falado sobre apps que tenho usado para estudar, como Todoist e iA Writer.

Lembrando que tudo é um experimento. O caminho do artista me ensinou a arriscar mais, explorar mais. Eu agora tenho 3 sites, pode parecer excessivo – mas era o que eu queria fazer nesse momento, então eu fiz. Eu já gasto bastante dinheiro com obrigações, com o super-abusado clichês dos boletos, então por que não posso investir um pouco em projetos mais pessoais?

Tudo isso foi acontecendo enquanto tomo mais conta de mim; passei a monitorar melhor meu tempo, cuidar das minhas rotinas básicas, estudar e dar aulas regularmente. Criei uma página no meu BuJo para registrar quando meditei, orei, corri, estudei, pratiquei piano e o quando trabalhei em coisas importantes e profundas:

O que o leitor acha desses novos projetos? E que tipo de texto o leitor quer ver aqui?

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Minhas newsletters preferidas

Hoje é sexta-feira, e uma das minhas coisas preferidas nesse dia é conferir a newsletter semanal do Austin Kleon. Newsletter são uma maneira de deixar a caixa de entrada mais divertida, então se você se interessa por escrita, criatividade, música, e cultura em geral, recomendo fortemente assinar.

Kleon recentemente migrou para o serviço Substack, com o qual eu mesmo tenho sonhado em criar uma newsletter dedicada à Engenharia (o que acham?). Esse serviço também duas colunas que eu adoro: Ted Gioia, que me ensina muito sobre a história da música e me faz conhecer muitos artistas interessantes, e Rob Walker, que ensina sobre prestar atenção – uma habilidade que faz falta, quando você perde. Esse semestre letivo pode ser resumido nisso, atenção – no quanto estou sendo mais intencional e reflexivo na hora de preparar aulas e trabalhos, e no quanto registro tudo no meu caderno.

E outra newsletter altamente recomendada é da Kourosh Dini – também sobre criatividade, produtividade, mas com toques de saúde mental (Dini é psiquiatra).

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A experiência de ler o mesmo livro em Kindle e em formato físico

Era só uma viagem de volta de Florianópolis para Joinville. Quando o bebê no banco de trás começou a reclamar de fome, reduzi até entrar uma destas paradas de beira de estrada – uma relativamente famosa, mas ainda assim uma parada de beira de estrada. Depois do café com pão de queijo, a caminho do caixa, eu vejo um monte de livros expostos, entre eles não um livro qualquer de ficção popular, mas um dos meus livros favoritos: Roube como um Artista, de Austin Kleon.

Principalmente pelo aparente absurdo de encontrar um livro sobre criatividade em um restaurante de BR, não resisti e comprei. O fato de eu comprar um livro por impulso não deve surpreender a ninguém, exceto talvez pelo fato de que eu já tenho esse livro, já li e reli inúmeras vezes, já resenhei aqui e já escrevi sobre muitas lições inspiradas pelo livro.

Ler o livro físico enquanto tomo café da manhã, no entanto, tem sido uma experiência diferente. Eu me engajo mais com o livro, presto mais atenção nas suas ideias, e ajo mais em cima dos seus conselhos. A leitora percebeu que tenho postado todos os dias de novembro? Pois é, o compartilhamento frequente de ideias é tema de um dos capítulos, e, devo dizer, um dos meus prazeres diários e resumir o que se passa na minha cabeça em um post por dia.

A minha relação com meus cadernos também mudou. Enquanto estudo, eu procuro não apenas sintetizar as ideias com minhas palavras, mas agora busco também copiar alguns parágrafos ou frases exatamente como escrito, para tentar imitar um pouco do estilo de escrever.

O livro digital logicamente tem suas vantagens. Esperando o dentista, eu posso ler um livro no celular em vez de perder tempo no Instagram, mas eu dificilmente levaria um livro de papel por aí. No Kindle (o dispositivo e nos apps) eu posso marcar passagens e escrever notas, e então exportar as anotações. Posso pesquisar qualquer palavra. Mas não aprendo tanto quanto no livro físico.

Como alguém que anda estudando projetos de sistemas térmicos, eu sei que dificilmente existem ótimos globais; se livros físicos ou digitais fossem claramente melhor que a outra versão, não haveria ampla disponibilidade dos dois formatos. E por isso eu aproveito tudo: alguns livros no Kindle, outros na minha biblioteca física, e alguns de todas as formas possíveis.

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Notas do autor

Anunciando meu canal no YouTube

Eu costumo correr escutando podcasts, geralmente o Deep Questions do Cal Newport. Em um dos episódios que escutei recentemente, ele fala de como teve de aprender com criticismo que inevitavelmente vem com um trabalho público (e não quero dizer governamental aqui). Se você quer divulgar suas ideias amplamente, o autor adverte, você precisa estar preparado para lidar com uma legião crescente de haters. Para alguém que já teve que lidar com depressão ativada principalmente por confronto com outros e criticismo, esse assunto é muito importante para mim, e assim parece absurdo o título desse post.

Sim, deixando o meu lado fã de Austin Kleon falar mais alto, eu finalmente criei um canal do YouTube para divulgar o meu trabalho como professor, pesquisador e nerd em geral.

Por que isso? Como eu gosto de listas de três itens, aqui vão 3 parágrafos super informativos:

Primeiro, eu quero treinar minhas habilidades de produzir e publicar conteúdo em vídeos, uma habilidade que sempre é útil para tornar qualquer tipo de comunicação mais atraente. No período de recesso entre semestres, eu até investi em um curso de Screenflow. Mas não se enganem: nessa altura do campeonato, a edição dos vídeos é bem básica.

Segundo, quero divulgar o meu trabalho de professor, tentar construir uma audiência, e levar um pouco de conhecimento de Engenharia Mecânica a todos.

Terceiro, e bastante conectado com os outros, quero melhorar como “apresentador de ideias”. Colocar video-aulas no canal me força a pensar na qualidade e forma de apresentação, bem como me ajuda a coletar feedback de pessoas de fora do meu curso.

O foco inicial é em colocar vídeos didáticos, mas o YouTube não é um Ambiente Virtual de Aprendizagem, e sim um site de hospedagem de vídeos. O meu trabalho real como professor envolve mais que isso: contato com estudantes, espaço para dúvidas, avaliações, exercícios, textos; isso continua sendo feito nas plataformas institucionais da universidade onde leciono. E, não custa dizer, eu tenho autorização do meu chefe para publicar esses vídeos.

Enfim, fica aqui o pedido padrão: compartilhem, e se inscrevam no canal.

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Preste atenção no seu trabalho!

Eu tenho uma característica de personalidade que é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição: eu penso demais em trabalho.

Isso já atrapalhou muito minha vida, é tema de discussão de terapia, mas já aceitei que está aqui na minha cabeça para ficar. Acho que com o tempo estou melhor em me desligar quando estou com minha família, ou quando vou correr, ou quando mergulho em algum tema de que gosto. Mas digo que essa faceta tem lados bons.

Eu caminho com meu filho todo santo dia em que não chove. Eu me esforço muito ativamente para conversar com ele, apontando as flores, os cachorros, os pássaros. Muitas vezes desabafo, explico em voz alta um problema para movimentar meu cérebro, ciente de que ele adora ouvir a minha voz (lembro uma vez em que consegui fazer ele dormir apenas contando uma história, um feito raríssimo para um bebê que só dorme embalado). Faço planos com ele, paro para tirar fotos.

Entretanto, frequentemente me pego apenas divagando, nós dois em silêncio. É nesses instantes também que penso em trabalho, o que dá resultados. Há algumas semanas, nós estávamos em Curitiba, e eu passeando com ele. De repente, num momento de silêncio, eu vejo uma loja de “turbinas para caminhões” – o acessório que faz um motor ser classificado como turbo. O que isso tem de mais? Eu ministro uma disciplina sobre motores turbo.

Alguns dias depois, fomos para Florianópolis, mas na volta para Joinville aconteceu a mesma coisa: divagando enquanto dirigia, notei uma outra loja de turbinas.

Resultado: ao preparar as aulas desse assunto, eu pesquisei as duas lojas, o que me levou a baixar vários catálogos de turbinas para mostrar a meus alunos como consultá-los.

Eu talvez já deveria ter tido essa ideia de arquivar catálogos, mas foi o estímulo visual, o ato de prestar atenção no meu trabalho que me fez ter melhores ideias.

Às vezes o que você precisa é prestar atenção no que você presta atenção.

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Como eu preparo provas para faculdade

Nota: esse texto está sendo publicado após a realização e correção dos exames mencionados aqui, sem nenhum prejuízo à lisura do processo. Nenhum aluno (nem nenhuma pessoa, aliás) teve acesso a este texto ou às fotos mostradas aqui, nem a nenhuma informação relevante para a realização dos exames.

Em outubro de 2020, a universidade em que trabalho está realizando os exames finais do primeiro semestre letivo desse ano, com o desafio adicional de tudo ser totalmente não-presencial. Penso que esta é uma excelente oportunidade para eu refletir como eu preparo provas e compartilhar neste blog o meu processo.

Papel e caneta para começar

Minha vida nerd dá voltas. Quando eu comecei a mergulhar no mundo Apple, em 2012, queria fazer tudo digitalmente, e cheguei ao extremo de tomar notas para uma disciplina enquanto fazia mestrado exclusivamente “escrevendo” em um iPad 2.

Agora, mais velho e menos infectado por hypes, eu sei que a melhor forma de escrever é em papel e caneta.

Começar a preparar uma prova é um processo analógico. No máximo, um iPad (agora o iPad Air 3ª geração, um presente para mim mesmo para finalizar esse semestre) para consultar PDFs e músicas:

Começando os trabalhos de preparar uma prova

Como exemplo, eu estava preparando uma prova da disciplina de Transferência de Calor e Massa I, do curso de Engenharia Mecânica. Então o grosso da prova é calcular propriedades e correlações empíricas:

Gosto de resolver as provas em papel, com caneta e calculadora, para simular precisamente como os alunos resolveriam

Esse processo leva de uma a duas horas. Vou escrevendo e resolvendo questões, tentando simular ao máximo como meu alunos resolveriam a prova. Esse gabarito naturalmente é usado para a correção das provas.

Digitando em LaTeX

Para disponibilizar um arquivo que será distribuído aos alunos (e que seria impresso se o semestre fosse presencial), eu uso LaTeX, sobre o qual já escrevi extensamente.

Como editor de LaTeX, eu ainda uso Emacs. Para automatizar o processo, eu tenho um template que insere um modelo básico de prova (e que chamo de LaTeX Problem Set porque uso para listas de exercícios também) com um comando do menu, assim que crio um novo arquivo LaTeX:

Tendo como resultado:

Sim, é 2020 e eu ainda estou usando Emacs

Se o leitor quiser usar esse modelo, aqui está:

\documentclass[english,brazil,shortlabels,article]{techreport}
%% see https://github.com/fabiofortkamp/techreport
%% I honestly cannot remember where I got this from
\newenvironment{problem}[2][Problem]{\begin{trivlist}
\item[\hskip \labelsep {\bfseries #1}\hskip \labelsep {\bfseries #2.}]}{\end{trivlist}}
\usepackage{siunitx}
\usepackage{enumitem}
\usepackage{pdfpages}
\sisetup{
output-decimal-marker = {,},
per-mode = symbol, }
%% see https://github.com/fabiofortkamp/engsymbols
\usepackage{engsymbols}
\begin{document}
\pretextual
\titulo{Final Exam}
\autor{Prof. Fábio Pinto Fortkamp}
{\ABNTEXchapterfont\large University ...}
\par
{\ABNTEXchapterfont\large Departament of ...}
\par
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\LARGE\imprimirtitulo}
\par
\vspace{\baselineskip}
\ABNTEXchapterfont\large\imprimirautor
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\textual
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Basic Instructions:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\begin{itemize}
\item Be explicit in every calculation
\item ...
\end{itemize}
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Problems:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
Some introductory text.
\begin{problem}{1 (2,0 points)}
Calculate something.
\end{problem}
\end{document}

O bom desse template é que ele tem espaço para instruções básicas e já defini um ambiente para criar questões, com uma formatação adequada.

Após revisão, o PDF está pronto para ser publicado no Moodle.

De onde as ideias vem

Tudo isto é ótimo, mas esse processo eficiente só funciona se, ao sentar para rascunhar a prova, eu já tiver a ideia na cabeça.

O meu segredo principal é usar as caminhadas matinais com meu bebê para falar em voz alta algumas ideias. Ele se tranquiliza com o som da minha voz, e (provavelmente) reclama menos que a minha esposa se fosse ela a ouvinte das minhas ideias de prova. Na foto acima, eu sentei para escrever logo depois de chegar de uma caminhada.

Algo que, ao final do meu primeiro semestre, já se tornou meu estilo é mesclar questões numéricas (essenciais num curso de Engenharia), com “pausas estratégicas” para os alunos pensarem um pouco na teoria:

Já faz parte do meu estilo colocar algumas questões teóricas no meio da prova para fazer uma pausa de cálculas

Além disso, trata-se da pergunta geral sobre criatividade. Não há resposta senão as básicas: ao longo desse semestre, eu fui roubando ideias dos livros que estudei para preparar aulas; eu observei quais os tópicos que mais geram discussões (e que portanto tendem a ser mais importantes) entre os alunos; eu fiquei subconscientemente pensando em que questões colocar, a cada vez que tomava banho ou lavava a louça; e eu arrisquei, sem ter 100% de certeza de que é a melhor prova que eu poderia preparar. Eu preparei a prova, e cronometrei o meu tempo para ter certeza de que os alunos também vão conseguir fazer (sendo naturalmente mais lentos que eu), e tenho confiança em mim e conheço meus alunos para perceber que é uma prova justa e mediana.

Uma das maiores vantagens de ser professor universitário: sempre há um próximo semestre para melhorar.

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Trabalhar 3 horas seguidas ou 1 hora por 3 dias?

Se faz tempo que não aparece um texto aqui, é porque tenho estado ocupado como nunca estive. Em meados de fevereiro, assumi um cargo de Professor Substituto na Udesc de Joinville; e, além das três disciplinas para qual fui contratado, ofereceram-me mais duas (e eu aceitei). Se o leitor está com preguiça de contar, isso me faz responsável por 5 disciplinas diferentes.

Aceitei esse desafio imenso para mergulhar na experiência de ensinar (tomando um tempo longe da pesquisa) e para complementar minha renda, dando mais segurança para que eu e minha esposa possamos criar o João Pedro. Mas mesmo minha juventude, energia e vontade de trabalhar não torna a rotina menos cansativa.

Para um inexperiente como eu, foi difícil pegar o ritmo de preparar aulas. Não escondo que, muitas vezes, estava de tarde preparando as aulas da noite, para na manhã seguinte acordar cansado (após dar aulas até 22:20) e finalizar as aulas da tarde. Para dar conta, trabalhei bastante em todos os finais de semana desde que comecei. O que tem me ajudado nesse processo é muita meditação, apoio da minha família, e o simples fato desse trabalho de preparar e dar aulas ser cansativo mas extremamente prazeroso.

Minha rotina de trabalho basicamente consistia em trabalhar por horas seguidas (com alguns intervalos para atender o bebê) num mesmo assunto, pois a tarefa em questão precisa ser terminada até a hora de eu entrar na sala de aula. Funcionou, mas me desgastou bastante.

Hoje, após pegar o ritmo e ter algumas aulas adiantadas, estou me re-estabelecendo na rotina que eu gosto de cultivar: várias sessões de trabalho de menor duração, de assuntos variados. Uma hora em uma disciplina, uma pausa, uma hora em outra.

Há quem diga que isso é subótimo, e eu reconheço que mergulhar num assunto por 3 horas seguida nos faz atingir níveis de concentração surpreendente, como diz um de meus ídolos. Porém, aceito que prefiro trocar esse nível de concentração pelos efeitos de interação entre as sessões. Se trabalho na disciplina 1 por um tempo, e no resto do dia faço outras coisas, ao continuar o trabalho na disciplina 1 no dia seguinte vou estar contaminado (no bom sentido) com as ideias que tive fazendo as outras coisas. Talvez na disciplina 2 eu selecionei alguns exercícios que acho que vão encerrar bem a aula, então ao voltar a preparar aula da disciplina 1 eu procuro exercícios semelhantes para dar esse fechamento; mas a própria ideia de fechar a aula com problemas numéricos só veio quando eu reconectei meu cérebro ao trocar de assunto.

Assim, para mim, prefiro trabalhar picado, mas eu só sei disso por ter experimentado — e eu aproveito os efeitos de trabalho profundo ao pausar entre uma sessão de outra para realmente descansar o cérebro, e não perder tempo e concentração no celular.

A minha esposa vai ficar orgulhosa: depois de tanto debater isso com ela, agora estou usandoneste espaço para discutir se gosto mais do metodismo de Cal Newport ou da criatividade mais livre de Austin Kleon.

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Quando usar notebooks ou scripts para analisar dados?

Um de meus tópicos favoritos recentemente em podcasts e blogs é a discussão sobre usar notebooks ou scripts em contexto de análise de dados e computação numérica.

Se você mal chegou neste texto e não está entendendo nada, vamos por partes. Tudo que vou falar aqui se aplica ao meu contexto de computação numérica: usar computadores para resolver equações e modelos matemáticos e analisar e plotar os dados resultantes, usando gráficos e ferramentas estatísticas. Nesse tipo de ambiente, é comum usar esses dois tipos de ferramentas, conforme vou ilustrar.

Neste texto vou usar exemplos em Python, mas ambas as ferramentas podem ser usadas com várias linguagens de programação.

Nos notebooks Jupyter, eu escrevo códigos usando um ambiente interativo no navegador, com todos os recursos visuais que isso me permite.

Um exemplo de código Python, gráfico e notas em um notebook Jupyter, segundo meu uso

Um “caderno” em Jupyter é divido em células independentes, que podem conter código, imagens, ou texto. Quando uma célula de código é executada, ela pode gerar um resultado que é impresso na tela, na forma de um gráfico ou de mensagens de texto (ambos os usos aparecem na imagem acima). Além disso, a execução de uma célula depende de células que foram executadas antes dela, onde podem ter sido definidas variáveis e funções – mas isso não precisa seguir a ordem “de cima para baixo” de um caderno Jupyter, o que pode gerar cenários confusos. Por exemplo, suponha que eu executa todas as células nessa ordem vertical (até a última célula embaixo), e depois queira voltar e arrumar aquele gráfico mostrado ali; agora, a célula do gráfico vai ser influenciada por código que “teoricamente” foi escrito depois dela, já que os últimos blocos já foram executados. Já vamos falar sobre soluções para isso.

A outra abordagem é escrever um programa na forma de script, que é executado como uma unidade única. Embora alguns editores atuais até permitam isso, em geral não existe o conceito de células; as linhas de código em um script em Python vão sendo executadas individualmente de cima para baixo até o fim.

Um script de Python no Visual Studio Code sendo editado (parte de cima) e executado (parte de baixo)

Então, voltando à pergunta: quando uso um tipo e quando uso outro?

Em geral, começo minhas ideias de análise em um notebook, considerando que é para isso que ele foi criado. Notebooks no seu estágio inicial são caóticos; vou criando células, volto para trás, edito, testo novas ideias. À medida que descubro a melhor maneira de implementar alguma análise, começo então a documentar e organizar o caderno – aliás, a possibilidade de ter texto formatado junto com código é uma das principais vantagens de Jupyter. Quando ele fica “maduro”, ele serve como um relatório interativo, que pode ser constantemente atualizado.

Uso scripts para trabalhos mais pesados: já testei alguma ideia como um notebook, agora quero executar esse procedimento diversas vezes com diferentes condições. Usar um bom editor como o Visual Studio Code me permite usar bons atalhos e funções para escrever código mais rapidamente. Quando o script fica maduro, ele pode ser incorporado a alguma biblioteca e testado.

Os leitores já devem saber que sou um grande entusiasta de explorar melhor minha criatividade, mesmo em um trabalho científico. Faço sempre um esforço sobre-humano para não me deixar cair rotina de reuniões e preenchimento de relatórios de bolsa. Usar essas diferentes ferramentas de programação (e falar sobre elas) me permite brincar, conhecer a minha forma preferida de programar, descobrir novas maneiras de desenvolver meus projetos.

É como diz Austin Kleon: as ferramentas importam e as ferramentas não importam.