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Métodos de entrada no meu computador

Este texto é uma continuação do post sobre como ministro aulas
Por métodos de entrada, quero falar de todas as formas pelas quais interajo com o computador.

Sobre o computador em si

Minha máquina principal, e sobre a qual vou falar aqui neste texto, é um MacBook Pro 2017 13’’, comprado quando eu morei na Europa em 2017. Eu adoro esse computador: é leve, potente, não deu problema até agora, roda macOS (um sistema operacional simplesmente fantástico).

Sobre os embutidos no computador em si

Eu gosto do teclado embutido do MacBook Pro. Ele é confortável de digitar, não faz muito barulho (o que é ótimo quando esse mesmo computador mora na mesma casa de um bebê — embora eu esteja louco para experimentar um bom teclado mecânico e avaliar como é a experiência) e nunca deu problema, apesar de sua má fama.

O trackpad embutido também é ótimo. Ele responde bem, permite um fácil deslizamento, é enorme sem comprometer o peso do laptop, e é uma ótima plataforma para os vários gestos permitidos pelo macOS (como deslizar com quatro dedos para trocar de app em modo Tela Cheia). Esses gestos podem até ser personalizados, e novos gestos podem ser criados. Quando estou “no modo laptop”, i.e. sem monitor externo, nunca pego um mouse para usar o laptop.

Meu teclado externo de preferência

Quando estou usando o laptop em modo “Desktop”, sentado numa mesa em frente a um monitor externo, o teclado que uso é o Logitech MK 220. Minha escolha por esse foi simples: eu gosto da Logitech, e queria um bom custo-benefício.

Foi uma escolha acertada: é confortável de digitar, tem várias media keys que permitem controlar brilho, volume, reprodução de música, silencioso.

Usando este teclado, minha velocidade média de digitação é de 57 palavras por minuto, bem na média, portanto. Claramente, tenho algo a melhorar.

Também uso vários atalhos de teclado no próprio macOS que eu mesmo criei, geralmente para abrir apps (e.g. Cmd+Shift+Ctrl+Option+L abre a janela do BusyCal para que eu possa rapidamente criar um evento — e tenha em mente que eu remapeei a tecla Ctrl do lado esquerdo para a combinação Cmd+Shift+Ctrl+Option; quer saber mais sobre isso? Deixe nos comentários!

Também uso extensivamente o Alfred e diversos workflows para abrir programas, procurar arquivos, navegar pelo meu histórico de copiar e colar, invocar meus Bunches

Meu mouse de preferência

Uma extravagância que cometi nessa quarentena foi um Mouse Trackball Logitech Mx Ergo. Eu acho que ouvi falar de trackballs em algum episódio de Cortex, provavelmente nesse, e, intrigado, comprei um.

A grande vantagem de um trackball é que você não precisa mover o braço para mover o ponteiro, e usa apenas o polegar para mover a bola — e, ainda por cima, o mouse é ergonônico, elevado:

Duas fotos lado a lado, mostrando o mesmo mouse em duas posições: horizontal e levemente inclinada
As duas posições do Logitech MX Ergo

Um mouse poderoso desse ainda vem com vários botões que podem ser personalizados com o app da Logitech. Sinceramente, ainda não me acostumei a usar esse poder. Apenas sentar confortável e ergonomicamente, com o mouse numa posição fixa, já vale.

Magic Trackpad (externo)

Uma das minhas coisas favoritas da Apple é que eles fabricam exatamente isso: um trackpad externo, para usar todos os gestos de que falei acima mesmo com o computador montado a um monitor, sem que eu interaja olhando para o laptop.

O fluxo de trabalho de trabalhar num app usando o teclado, e erguendo levemente o braço para a esquerda para alcançar o trackpad (muitas vezes enquanto minha mão direita continua usando o teclado) para rolar páginas é sensacional.

Mesa digitalizadora

Essa tem sido uma ferramenta essencial para dar aulas. A One by Wacom é uma forma de efetivamente desenhar na tela do computador, e tem sido muito usada.

Ainda estou me acostumando com esse método, essa mesa é a mais simples da Wacom, e minha letra ainda é feia. Mas, como o site acima propagandeia, seu uso abriu novas formas de interagir com o computador.

Conclusões

E chego ao fim desse texto com essa mensagem: eu gastei tempo documentando tudo isso para mostrar que, mais que gadgets, essas ferramentas são ferramentas de criatividade. A mesa digitalizadora mudou a minha concepção de aulas remotas, permitindo-me rabiscar livremente em cima de documentos e apresentações. O bom teclado e o bom mouse me fazem querer sentar e trabalhar para preparar boas aulas.

Volto sempre ao que Austin Kleon diz: as ferramentas importam e as ferramentas não importam.

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Como ministro aulas remotamente

Meu estilo de ministrar e gravar aulas remotamente é basicamente narrar em cima de slides e documentos e, quando as aulas são síncronas (eu e meus alunos ao mesmo tempo em uma vídeo-conferência), promover e moderar discussões sobre o assunto. Geralmente, disponibilizo vídeos e textos adicionais de outras fontes da internet.

Vamos aos detalhes então:

Apps

Keynote

Para cada disciplina, sigo um estilo visual no Keynote. Nos slides, coloco as informações chave e muitas imagens e gráficos; evito texto já que vou falar “ao vivo” para os alunos ou gravar uma narração.

Uma grande ajuda para preparar bons slides é o Presentations Field Guide, de David Sparks. É bom para reforçar alguns pontos, como usar os alinhamentos automáticos, ajustar a transparência de figuras para evitar um fundo branco, apps auxiliares para gravar vídeos e editar imagens, entre outros.

Estou desenvolvendo um sistema de criar slides automaticamente. A ideia surgiu nesse episódio do Automators, que me levou a esse AppleScript. O fluxo é:

  1. À medida que vou estudando o conteúdo de uma aula, vou desenvolvendo um mapa mental no MindNode;
  2. Quando estou satisfeito, exporto para OmniOutliner — primeiro exporto um OPML, que abro no OmniOutliner e em seguido salvo no seu formato padrão, para poder ter acesso a todos os seus recursos;
  3. Rearranjo o outline com base na regra do script: um tópico por slide;
  4. Quando estou satisfeito, invoco o programa, que pede o tema do Keynote e se o formato dos slides é panorâmico ou padrão;
  5. Então edito a apresentação até chegar no formato final.

PDFpenPro

Ultimamente, tenho usado o PDFpenPro para 2 coisas:

  1. Editar slides prontos que o meu orientador muito gentilmente me cedeu — acrescento textos, rearranjo figuras, etc.;
  2. Também uso as funções de escrita livre para gravar enquanto resolvo exercícios.

Screenflow

Para gravar a tela do meu computador e criar vídeos, uso o Screenflow. É caro como toda ferramenta profissional, mas fácil de usar ao mesmo tempo em que é acessível. Encarei também como um investimento, pois sempre quis aprender a fazer screencasts e aprender mais sobre produção de áudio e vídeo. Como todo nerd, comecei esse aprendizado com uma ferramenta superdimensionada.

Alguns recursos interessantes que de fato ajudam:

  • Filtrar o ruído de fundo;
  • Equalização automática do nível de volume, evitando um som inaudível ou estourado de tão alto:
Volume de som conforme gravado…
… e depois de equalizar os volumes
  • Atalhos de teclado fáceis e uma interface intuitiva para cortar pedaços de vídeo, como quando eu parei de falar, ou quando repito os “éééééé”:
Cortando um pedaço de silêncio muito grande
  • Poder aumentar o tamanho do mouse, ou mesmo eliminar de um trecho:
Aumentando o tamanho do ponteiro em 70%
  • Poder facilmente colocar textos explicativos durante a edição, se percebo que falei algo que não ficou claro:
Corrigindo uma pequena basteira que falei
  • Congelar o vídeo em um freeze frame para estimular os alunos a pensarem um pouco sem eles terem de pausar o vídeo — após alguns segundos, a narração e imagens continuam.

Seguindo recomendações que vi em praticamente todo lugar (mas essa página do MIT é um bom guia geral para começar a se preparar para dar aulas online), tento manter vídeos de no máximo 20 minutos. Dizem que o ideal mesmo seria 5-6 minutos, mas isso aumenta o número de vezes que tenho de parar e começar a gravar, e não sei o quão ótimo isso seria.

BBB

Big Blue Button é uma ferramenta open source de video-conferência. A Udesc usa em conjunto com o LMS Moodle (LMS = Learning Management System, sistema de gerenciamento de aprendizado); há muitos desenvolvedores na universidade mais que qualificados a gerenciarem os servidores, sem ter que pagar por um serviço comercial (que, na escala de uma universidade, certamente custaria muito caro).

Por que é interessante? O recurso matador para mim é poder fazer upload de um PDF e anotar em cima dele, como escrevendo um quadro (do que, aliás, sinto muita falta nesses tempos de aulas remotas). Há um chat integrado então posso ir acompanhando as dúvidas.

Nas últimas semanas do semestre letivo de 2020-1, parei de usar o Screenflow e tenho usado o BBB para gravar aulas também, entrando numa “sala” vazia e gravando. A qualidade não fica tão boa, mas não preciso me preocupar com editar, exportar, fazer upload. E posso anotar livremente em cima dos slides; depois que passei a usar o BBB exclusivamente, um aluno chegou a me mandar um email dizendo que a qualidade das aulas melhorou muito.

Um adendo sobre o fluxo de gravação de vídeos

O lado ruim de usar o BBB é que não tenho cópias dos vídeos. Nesse semestre tive de preparar muitas aulas rapidamente, então não sei se gostaria de reaproveitar essas gravações de qualquer jeito, e o semestre 2020-2 (a começar em novembro/2020) vai ser dedicado a melhorar os “primeiros rascunhos” de aulas. Com isso quero gravar vídeos mais definitivos, que possa reusar nos próximos semestres (eu estou nessa profissão para ficar).

O que me leva a pensar em como fazer upload efetivo. No meu mestrado cheguei a me aventurar na edição de vídeos, mas isso já faz 6 anos e esqueci tudo que aprendi naquela época. Assim, ter de aprender rapidamente a gravar e editar vídeos em tão pouco tempo foi levemente insano.

Para de fato disponibilizar os vídeos para os alunos, estava usando o método burro, que era criar páginas dedicadas no Moodle e fazendo upload manual dos vídeos ou usando a integração do Moodle com o OneDrive, que é meu serviço de nuvem — por nenhum motivo em particular a não ser vir com uma assinatura do Office e é usado como compartilhamento de pastas de fotos com minha esposa. A Udesc também fornece Office e tenho inclusive de melhor organizar essa separação entre arquivos pessoais e arquivos de aula.

Esse método é “burro” porque é bastante lento — de fazer upload e para os alunos assistirem, além de sobrecarregar o servidor. No semestre que vem, vou usar o YouTube ou a Microsoft Stream, que é a ferramenta institucionalizada de vídeos da Udesc.

Equipamentos

MacBook Pro 2017

Meu computador exclusivo para dar aulas é um MacBook Pro (13-inch, 2017, Two Thunderbolt 3 ports). Considero seu desempenho excelente para os usos dos softwares que listei acima.

Uso a webcam embutida para aparecer para meus alunos; é boa o suficiente, embora eu quero montar um setup com uma webcam melhor, até para poder usar um monitor externo para efetivamente dar aulas enquanto a tela do laptop fica como apoio (atualmente tenho de ficar alternando entre o Chrome com o BBB e algum material que esteja consultando, como exercícios).

Fones de ouvido

O headset que uso como ferramenta de áudio é o Kotion each G200 (veja foto de capa deste post). Acho ele meio pesado, mas nunca fico muitas horas com ele.

Eu queria um headset mediano, e aparentemente esse mercado é dominado pelo segmento gamer. Eu não amo o seu visual chamativo (mas, para ser sincero, também não odeio).

A qualidade do áudio é decente para um professor que está dando aulas pela primeira vez. E ele se conecta à interface de audio do laptop, então não preciso me preocupar com interfaces externas. Eu até comprei um microfone condensador para me aventurar, mas não considerei o quando a interface é realmente necessária (ele veio com uma mini placa de áudio USB que não adianta de nada). Um projeto para o futuro.

Métodos de entrada

Aguarde; amanhã haverá um post apenas sobre meu teclado, mouse e outros acessórios.

Ambientes

Por último, um comentário sobre o processo de gravação. Quando vou gravar um vídeo ou dar aula síncrona, enquanto estava numa casa maior em Florianópolis, eu usava um quarto cheio de almofadas e travesseiros para abafar o eco. Na minha casa atual em Joinville, não tenho um quarto extra disponível (e, como minha esposa pode facilmente atestar, minha voz alta tem o risco de acordar o bebê — um pecado capital para pais).

Assim, tenho gravado aulas na minha sala na Udesc. Não é perfeita, tem bastante eco e a iluminação não está nada arrumada…

Mas foi assim que eu consegui terminar o meu primeiro semestre como professor.

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Repensando tempo perdido com Fitbit Charge 2

Eu sou daquela geração de millenials que sabe que o mundo ainda não é 100% digital, e que não acha um absurdo quando um lugar não aceita cartão de débito ou crédito. Um exemplo é minha terapeuta; sempre que tenho uma consulta, tenho de ir até um caixa eletrônico sacar a quantia a ser paga pela sessão.

“Que atraso de vida! Por que você não faz transferência pelo app do banco ou usa um desses Picpay da vida?”, perguntaria um dos meus primos mais novos.

Porque caminhar até o caixa eletrônico para mim não é mais uma perda de tempo, mas parte essencial da minha rotina, graças a esse aparelho mágico:

Fitbit Charge 2

O Fitbit Charge 2 foi um presente que me dei quando estive em Darmstadt, e tem sido um incrível acessório para me tornar mais ativo. Esse pequeno relógio não chega a ser um smartwatch, e na verdade era exatamente isso que queria; além de ser um terço do preço de um Apple Watch ou similar, eu não quero nada que fique me notificando de nada — o Charge 2 até pode notificar de mensagens (tradicionais, via SMS) ou chamadas, mas eu logo desabilitei isso. O que eu queria era um dispositivo que me permitisse facilmente (1) contar os passos e (2) medir os batimentos cardíacos, e (3) que me mostrasse isso de maneira clara.

Eu já não era uma pessoa sedentária, e usar o Charge 2 não me fez emagrecer; a grande mudança foi me fazer valorizar as pequenas caminhadas, para sempre tentar cumprir a meta de 10 000 passos por dia. Ou me fazer sempre pegar a escada, para cumprir a meta de subir 10 andares por dia. Ou não negligenciar a musculação ou a corrida, para ter um calendário recheado de exercícios.

Agora (mais do que nunca) eu faço questão de inserir pequenas caminhadas no meio dia, muitas vezes aproveitando para fazer alguma pequena volta, como o exemplo do caixa eletrônico no início do post. O Charge 2 também me notifica para levantar periodicamente, e é a desculpa perfeita para me alongar um pouco ou buscar uma água.

Por último, tenho usado muito a função de monitoramento do sono; uso o relógio (ajustado de maneira bem folgada) durante a noite, e ele me acordo com uma leve vibração, o que é muito mais agradável do que um som repentino dos despertadores tradicionais. Como um bônus, o relógio traça um histórico dos meus batimentos durante o sono e consigo ver como foi minha noite.

Infelizmente, esse dispositivo não está disponível no Brasil, mas existem similares. Se a leitora tem condições financeiras, ou se o leitor é afortunado e está querendo algo para a lista de Natal que pode melhorar a saúde em 2019, recomendo!

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Como um padre usa a tecnologia

Eu não uso mais os produtos da Apple, mas esse episódio do podcast Mac Power Users com o Padre Gabriel Mosher é fantástico. Como alguém que se interessa profundamente pela intersecção da religião com outros aspectos da vida, fico muito fascinado pelo pragmatismo do Father Gabriel: não se trata de “pecado” ou de um “luxo excessivo”, e sim de usar a tecnologia para se fazer o trabalho da melhor maneira possível. Se esse trabalho é preparar homilias e administrar uma paróquia, coisas que fazem a diferença na vida de muitas pessoas, é mais importante ainda ser eficiente e eficaz.

Mesmo se você não se interessa nada por Apple, vale a pena ouvir o episódio só pela definição de que ser padre é como “ser um pai solteiro que administra quatro empresas ao mesmo tempo”.

Padre Gabriel também apareceu nesse episódio do Systematic, igualmente interessante. E falando em podcasts, preciso atualizar a minha lista de podcasts favoritos. Em breve.

(E depois de se recuperarem do choque de ver dois posts em dois dias seguidos aqui, após um hiato de dois meses, podem voltar à sua vida normal).

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Como eu configuro meu teclado

No meu outro blog, acompanhe minha insanidade enquanto eu desabilito a tecla de Caps Lock e transformo o Enter numa outra tecla Ctrl.

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Por que tenho o meu próprio endereço de email

Eu tenho 26 anos. Sou (do fim) da década de 80, do ano da nossa constituição, antes da queda da União Soviética.

Sou também de uma das últimas gerações que nasceram antes da internet e dos computadores onipresentes. Tenho muitos primos mais novos e eles não vivenciaram muitas experiências interessantes. Lembro muito bem do dia em que meu pai chegou em casa com uma novidade, um telefone que mostrava o número de quem estava ligando, e eu achava que aquilo só poderia ser mágica. O primeiro computador que tivemos em casa não entrava no Windows automaticamente; era preciso digitar C:\win na linha de comando. O Windows 95 foi outra mágica.

Meu contato com a internet é mais recente ainda, totalizando alguns poucos anos no total. Mesmo assim, já vi tecnologias, programas e sites irem e virem. Eu usava muito um buscador chamado Cadê?, que sumiu. Usei o Yahoo, que depois perdeu relevância para o Google. Também tive contato com algumas redes sociais; ouvi muito falar do MySpace, embora não tenha chegado a usar. Depois, veio o Orkut, com comunidades e depoimentos. Depois todo mundo migrou para o Facebook, que já está decaindo (só não vê quem não quer), com sua propaganda excessiva. O Twitter para mim é muito mais interessante mas está sumindo também.

Meu primeiro email era do nosso antigo provedor de internet (que acho que nem existe mais). Depois tive um no Hotmail (na época em que ele era extremamente popular), e outro no Gmail (o “email que todo mundo tem” de agora). O Uol foi bastante popular por um tempo também.

Da mesma maneira que eu já vi serviços subirem e descerem, não existe nada que garanta que os de agora não vão sumir. Há alguns anos, todo mundo achava que o MSN duraria para sempre. Por isso, não podemos nos deixar enganar: o grande serviço popular que você usa vai sumir, ou no mínimo ficar estagnado. Vai surgir outro serviço e você vai querer ser cool e migrar, junto com seus amigos (você já quis ir para o Facebook só porque estava todo mundo lá). E aí vai precisar de outro endereço de email.


Na minha resenha do livro Platform, escrevi:

Platform: Get noticed in a noisy world foi o livro que me motivou a lançar FabioFortkamp.com.

Não foi só na decisão de criar esse blog. Platform me fez pensar muito na minha presença online. Que imagem eu quero passar? E como organizar todas as minhas atividades?

Na base, tudo começa com o domínio. FabioFortkamp.com é o meu domínio, o meu endereço na internet. Se alguém quiser saber o que esse cara chamado Fábio Pinto Fortkamp pensa, ou o que ele faz, pode começar por esse site. Ou pode procurar por @fabiofortkamp no Twitter, ou por fabiofortkamp no Github, se você for nerd como eu. Como Marco Arment escreveu num texto muito inspirador para mim, você precisa tomar posse da sua identidade.

O fato do domínio ser meu nome é um mero detalhe. Qualquer que seja a marca (o tal branding), o importante é controlá-lo.

E é por isso que o meu email principal usa o meu domínio: fabio arroba fabiofortkamp ponto com. E é por isso que, em 2014, eu pago por um serviço de email.

Veja você, ter um domínio próprio custa US$ 13 — por ano. Como falei, esse domínio é meu. Se eu estiver insatisfeito com a empresa que administra esse domínio, ou se ela deixar de existir, posso trocar de empresa e levar esse endereço (como na portabilidade de telefones).

Para o serviço de email propriamente dito, eu uso o excelente Fastmail (link afiliado; se você assinar o serviço por esse link, eu vou ganhar uma pequena comissão, mas você não vai pagar nada a mais. Caso não se sinta confortável com isso, aqui vai um link padrão) — por sugestão do próprio Arment. Por US$ 40 anuais, eu tenho um serviço de email excelente, controlado pelo dinheiro dos usuários e não por publicidade. Isso me custa, já com o dólar alto e com IOF, cerca de R$ 9 por mês. Menos que um almoço a quilo, nessa economia de hoje. Essa pequena quantia, junto com o custo do domínio (que já é baixo e me permite ter outras coisas, como este blog), de certa forma me protege um pouco contra as oscilações da internet. Se o Fastmail acabar, como o domínio é meu, posso facilmente mudar de provedor de email, mantendo o mesmo endereço. Se é que email vai existir ainda, quem sabe meus netos vão poder mandar emails para mim por esse endereço.


Eu tenho outros problemas com o Gmail (uso-o como exemplo porque era o que eu usava e acredito que seja o mais popular). O meu lado engenheiro gosta de padrões, e o Gmail não é um serviço padronizado de email. Configurar um aplicativo de email qualquer, que não seja feito especialmente para o Gmail, é um trabalho monstruoso. No ano passado, problemas entre o Mail.app do OS X e o Gmail renderam discussões e mais discussões. Simplesmente, o Gmail não segue à risca o IMAP, o padrão dos emails. Tem muitas tecnologias inovadoras, como a busca fantástica, o sistema de tags, mas ainda assim não é padronizado. Ele praticamente força você a usar o site e os apps do Google.

A padronização também facilita a migração, no caso de problemas. Caso eu queira ou precise mudar de provedor de email, basta apontar o domínio para o novo serviço e sincronizar as pastas de caixa de entrada, arquivo e quaisquer outras.

Há também o lado da privacidade, mas isso sinceramente é um detalhe. Eu continuo achando assustador o Gmail me mostrar anúncios baseado no texto do email, mas enfim, é assim que as coisas são. Por outro lado, ao usar um serviço próprio de email, pagando por ele como você pagaria pelo Netflix ou Spotify, você se protege em pelo menos mais um local.


Como falei, eu uso o Fastmail, mas honestamente meu objetivo é fazer os leitores pensarem um pouco mais na importância de identidade digital e de quem sabe considerarem terem seu domínio (numa nota adicional, também pode ser divertido ver a cara das pessoas quando você diz o seu email com um endereço personalizado assim). Ainda estou apredendo a usar os recuros do Fastmail; por enquanto, posso dizer que a proteção de spam e os filtros diversos funcionam muito bem. O podcast Technical Difficulties fez uma excelente cobertura. Mas com certeza existem outros serviços excelentes.

E não custa repetir: para mim, o email está longe de morrer.

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Ebooks

No último episódio do Posdemfio, Bia Kunze e Glauco Damas discutiram o mercado de ebooks. Como leitor assíduo (de livros físicos e alguns poucos eletrônicos) há muito tempo, gostaria de dar minha opinião sobre o assunto.

Antes, por favor, escute o episódio. Aproveite e assine o podcast de uma vez porque ele é ótimo.

Ferramentas

Um pouco de contexto primeiro. Eu não tenho nenhum leitor eletrônico dedicado. Penso em comprar um Kindle, mas é para depois. O dispositivo que uso para ler livros digitais é um iPad 2; nele tenho o app do Kindle, leio alguns livros no formato do iBooks e alguns PDFs. Assim, minha discussão se baseia nesse conjunto de ferramentas.

Fetiche

O primeiro ponto que muitas pessoas discutem é sobre o tal “fetiche” por livros de papel, o cheiro de livro novo, o toque das páginas. Isso não se aplica a mim; quanto à questão da sensação física de se ler um livro, não tenho nenhum interesse no aspecto de sentir o papel em minhas mãos; acho que a principal diferença para mim é o conforto de ler.

Eu gosto muito de ler na cama, e a iluminação do iPad, mesmo no nível de brilho mais baixo, incomoda bastante (e eu sempre tive problemas de sono). Porém, como falei, não tenho um e-reader, e dizem que as telas desses gadgets é muito melhor, mas custo a acreditar que seria tão confortável quanto o papel — no máximo, muito melhor que o iPad (embora a tela Retina faça diferença). Tive pouco contato com Kindles de outras pessoas, então não posso falar se a tal tela que “foi feita para ler” não causa absolutamente nenhum cansaço.

Outra coisa ainda impossível de se fazer num ebook é segurar uma página enquanto se olha outra, para recuperar um conceito ou uma figura. Mas isso pode ser detalhista da minha parte.

Formatação

O segundo grande ponto em relação a livros eletrônicos é quanto à formatação.

Os livros de programação que comprei no formato Kindle são praticamente inutilizáveis, com muitos códigos mal formatados, alinhamento que dificulta a leitura do código, além de figuras mal posicionadas. Livros de programação geralmente utilizam fontes diferentes para texto e para o código, tarefa que, creio, o formato Kindle (eu sei, o formato do arquivo tem outro nome, mas vou me referir como Kindle por simplicidade) não facilita. Para piorar, com muitas figuras, as diagramações ficam muito esquisitas.

Hoje acredito que, para livros técnicos, com elementos estáticos (já vou falar disso), o único formato aceitável é PDF.

Para livros que se constituem de muito texto, porém, os livros em Kindle e ePub que li são bons — permitem ajustar por exemplo o tamanho da fonte e a cor da página (para não ficar aquele branco brilhante). Alguns livros que resenhei depois de ler no app Kindle do iPad e ter ficado satisfeito com a leitura são Platform e The Information Diet.

Recursos

É aqui que os ebooks brilham.

Pegue um livro de David Sparks (como o ótimo Paperless, o maior autor de ebooks interativos do mundo, ou de Vladimir Campos com o ótimo Planejando Viagens no Evernote, a maior expoente do gênero aqui no Brasil.

(Aos dois: vocês são meus ídolos.)

Eles sabem aproveitar as vantagens que a mídia digital proporciona. Seus livros tem muitos vídeos, fotos que os leitores podem ampliar e visualizar de muitas formas, links para sites e outros aplicativos, e são extremamente bem formatados. Nesse caso, com esses elementos dinâmicos, têm uma clara vantagem sobre PDF (ver seção anterior).

E o que falar da habilidade de poder procurar quaisquer expressões em um livro eletrônico? É o único momento em que às vezes me dá raiva de usar um livro de papel (principalmente quando índice de assuntos é mal feito, para os livros mais técnicos).

Autopublicação

Por último, vamos falar do tema principal do podcast que mencionei, a autopublicação, onde os autores publicam seus livros sem necessidade de editora.

Sempre dei sorte com livros autopublicados. Além dos livros dos autores que mencionei na outra seção, posso citar os livros do Kourosh Dini sobre Omnifocus. Porém, sinceramente, eu tenho algumas reservas em relação à autopublicação. Ao contrário de alguns setores, que talvez só se aproveitam de um monopólio, eu considero as editoras grandes participantes no mercado de livros, que prestam um serviço muito bom aos leitores. Por exemplo, eu posso ter quase 100% de certeza que um livro da O’Reilly vai ser bom, porque passou pelo processo de edição, foi revisado, com a parte técnica muito bem analisada. A editora nesse caso não se atravessa no caso do autor, ela faz um pouco do trabalho com uma equipe especializada.

Coisa semelhante ocorre com livros de ficção. É claro que muitas pessoas podem ter a capacidade de escrever, dar para algumas pessoas revisarem, e publicar, e o livro vai ser ótimo. Mas acho que isso funciona melhor para autores experientes. Eu sempre sonho em escrever e publicar livros, mas não sei se teria coragem de autopublicar meu eventual primeiro romance.

Conclusões

Na minha opinião, ebooks têm um futuro bom, mas acho que vai demorar para eles serem uma “revolução”. Ainda estamos na fase de um mercado fragmentado, com leitores de uma empresa incompatíveis com as obras de outras lojas (e sem motivação para fazer um leitor universal). O preço também conta; o Kindle, o mais famoso (e que permite acessar o catálogo gigantesco da Amazon), é mais caro que o a maioria das pessoas gasta em livros por ano (mas não vamos entrar no mérito de se o brasileiro lê pouco ou não).

Esses detalhes tendem a ser menos relevante com o tempo; a competição tende as grandes lojas de livros a terem catálogo equivalente, com o adicional de diminuir o preço dos aparelhos. Como bônus, a qualidade tende a aumentar (tanto do hardware quanto do software) e muitas reclamações que eu fiz aqui tendem a desaparecer.

Ainda precisamos aproveitar mais o e do que o book. Eu faço muitas anotações enquanto leio; no app do Kindle ou do iBooks, mesmo para livros mais simples, ainda não sei um jeito fácil de exportar todas as minhas notas num único arquivo, coisa que muito me ajudaria para organizar minhas notas e formatar minhas resenhas.

Para os livros mais técnicos, quem sabe um dia vamos poder digitar um código em um livro de programação e vê-lo ser executado. Ou visualizar um gráfico quando alguma função matemática é mencionada em um livro de engenharia, talvez com a ajuda do Wolfram Alpha. Convém sonhar.

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Resenhas de livros

Resenha: Conecte-se ao que importa

Um dos meus textos favoritos publicados em FabioFortkamp.com é Você não precisa de uma tela Retina, onde falei que nem todo mundo precisa do melhor smartphone do mercado; precisamos usar a tecnologia para resolver nossos problemas da melhor maneira, e detalhes como a qualidade ultra-refinada da tela ou a velocidade do processador muitas vezes são supérfluos.

Não é um dos textos mais populares desse site, mas tê-lo escrito teve um impacto grande sobre a minha maneira de pensar. Quando sai alguma notícia sobre algum gadget ou app novo, eu ainda não consigo evitar ficar bem animado, mas sempre paro e me pergunto que utilidade teria aquilo na minha vida. O que conseguiria fazer de bom com essa nova tecnologia? Tirando a infame parte cool da novidade, para que serve?

Essa minha visão utilitária de engenheiro não significa que menosprezo áreas abstratas como Física e Matemática — pelo contrário, admiro-as profundamente! A nossa busca por conhecimento é que nos faz humanos, em parte. Porém, quando somos usuários da tecnologia, precisamos pensar sim na utilidade de coisas nas quais gastamos nosso dinheiro e nosso tempo.

Um livro que expressa muito bem essa minha filosofia, de usar os recursos tecnológicos para um fim maior, é Conecte-se ao que importa, do jornalista Pedro Burgos, e se você concorda ao menos em parte comigo, deve lê-lo.


Burgos era editor do Gizmodo Brasil mas se cansou de escrever sobre GHz, como ele mesmo diz. Conecte-se … é uma reunião das suas ideias sobre tecnologia como um meio, sobre o quanto a nossa permanente conexão (seja à internet, seja simplesmente à tela do celular) está afetando a nossa ligação com o mundo real, e sobre como precisamos curar esse nosso vício.

Não é difícil atestar que estamos sim viciados. Num exemplo matador, o autor exemplifica que nossa definição de um lugar distante e remoto é “onde não pega sinal de celular”, ou seja, onde nem existe mais civilização. E quando isso se torna um fator para não querermos ir mais viajar, ficar com pessoas que nos fazem bem, pelo simples medo de ficar desconectado, isso é um problema.

Existe uma analogia muito interessante com carros no livro. No começo, o carro era uma invenção revolucionária, que agilizou muito o transporte de pessoas. Hoje, porém, usamos o carro para ir na padaria da esquina, usamos o carro como transporte individual para tudo, e achamos estranho quando alguém usa o ônibus — pior, sentimos pena. O resultado nos afeta, com cada vez mais acidentes e congestionamentos. O que estamos fazendo, então? Propondo uma volta à bicicleta, ao rodízio de carros, ao incentivo ao transporte público — ou seja, ao uso mais esporádico do carro — em busca de um equilíbrio. No futuro, vamos ter de fazer isso com a internet.

Ao longo do livro, então, Burgos analisa diversos aspectos da nossa relação com tecnologia, expõe problemas e mostra como pode-se pensar numa solução. Num dos meus exemplos preferidos, o autor conta que encontrou um amigo para contar sobre sua viagem, mas percebeu que o outro estava desinteressado, pois já tinha visto todas as fotos no Facebook e lido tudo no blog. As redes sociais talvez estejam eliminando o fator “quais são as novidades?” de uma conversa.

Existem vários outros pontos que me chamaram realmente a atenção. Os aplicativos de navegação, por exemplo, são fantásticos, e, repito, resolvem um problema real. Mas a febre do social é tão grande que queremos socializar até mesmo quando estamos dirigindo, usando o Waze (que pertence ao Google) para informar onde há blitz e para nos comunicar com outros motoristas, porque claro que isso é sensato. Ou o paradoxo em que chegamos em relação a internet: temos acesso a todo tipo de opinião, mas o Google e o Facebook fazem um esforço enorme para personalizar a nossa internet, exibindo-nos apenas o que interessa. Ou sobre a nossa aversão ao tédio, onde puxamos nosso smartphone a cada vez que ficamos sem fazer nada, e isso pode estar tirando nossa capacidade de pensar.


O último capítulo, “O Preço do Gratuito”, deveria ser impresso à parte e todos os brasileiros deveriam ler. É 2014, o Netflix custa menos de R$ 20 por mês, um filme numa locadora custa R$ 5, e ainda tem gente baixando filme por torrents — pior, achando que isso é um direito, já que está lá na internet mesmo, e que isso não é roubar já que não diminui a quantidade de filmes disponíveis, e que pelo menos você não está dando dinheiro para o camelô da esquina.

Não se iluda. Se você baixa um filme, você está roubando uma obra. Produzir um filme é um trabalho, assim como o seu emprego, e as pessoas são pagas pelo dinheiro gerado — bilheteria, marketing, vendas e locação de DVDs, streaming. Você não tem direito de assistir a um filme se não quiser pagar, como não tem direito de comer num restaurante se não quiser pagar. Ninguém lhe obriga a fazer nenhuma dessas duas coisas, mas se fizer, deve pagar.

Como o autor diz, os jornais dão muito espaço às histórias de sucesso do “compartilhamento de cultura” e ignora os que dizem que perderam muito dinheiro. Leia e reflita, e pense que é o seu emprego que poderia ser “compartilhado” por aí.


No fim, Conecte-se ao que importa é um livro que provoca uma reflexão profunda. O quanto que a tecnologia nos ajuda? O iPad, que pode ser usado para ler e falar com pessoas distantes, pode ser um terminal de YouTube permamente. A internet 3G, móvel, pode ao mesmo tempo lhe liberar da mesa de trabalho (já que você não precisa mais estar no escritório para ver seus emails) ou o ligar continuamente a ela (quando em jantares com a família você recebe notificações de assuntos supostamente “urgentes”).

Escolha um problema, e procure uma solução por meio da tecnologia, que lhe permita voltar rapidamente ao que gosta.

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O aspecto fundamental do email

Vladimir Campos escreveu um artigo interessante sobre o tal “futuro do email”:

Mas preciso confessar, é cada vez maior o número de contatos comerciais que recebo via mensagem interna do Facebook, WhatsApp, Hangouts, Skype etc. São tantos, que tenho certeza que logo ultrapassaram o tradicional e-mail. Afirmo isso mesmo considerando algo tão sério quanto a negociação de um contrato. A propósito, já negociei sim com um cliente, do início ao fim, via Facebook. Só no momento do envio do Doc com as cláusulas contratuais usamos o e-mail.

Já vi muitas discussões desse tipo, mas muitas perdem um aspecto fundamental do email, para mim: a universalidade.

Eu tenho pessoas muito próximas de mim que não têm smartphone, ou não sabem usá-lo, ou se recusam a instalar quaisquer aplicativos; para essas pessoas, WhatsApp não é uma possibilidade de comunicação. Outras não têm Facebook ou, como eu, não querem mais usá-lo. Outros não ouviram nem falar em Hangouts. Algumas gostam mesmo de falar pelo telefone.

O email, porém, é universal. Todas as pessoas que eu conheco têm email e acessam com certa regularidade; elas estão dispostas a pagar por um computador, uma ferramenta de trabalho e onde checam os emails, mas não podem se dar ao luxo de ter um iPhone (que, embora possa ser bem útil, ainda não pode ser usada para trabalho por muitos), ou Galaxy. Você pode ter email de graça (em troca de anúncios), ou, se for um paranoico com privacidade como eu, pagar por um serviço privado. Todos os grandes provedores fornecem uma plataforma na web geralmente boa, mas também é possível configurar email em programas de desktop ou mesmo nos smartphones, para os que têm. O email é antigo, bem documentado, padronizado, conhecido; a minha prima que “nasceu na era digital” e a minha tia que teve o primeiro computador aos 40 sabem usá-lo. Também é confiável; já cansei de mandar mensagems por SMS, WhatsApp ou Facebook que nunca chegaram ao destinatário, coisa que acontece muito raramente com email.

Eu concordo que, para comunicação individual, certas tecnologias são melhores. Não vou mandar um email para minha mãe cada vez que quiser falar com ela. Porém, para atingir um grande número de pessoas simultaneamente, eu ainda preciso dele.

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Note to Selfie

John Dickerson:

When you pause to write about something—even if it’s for Twitter or
Facebook—you are engaging with it.

Já se tornou um clichê tão grande criticar as pessoas que tiram fotos e
tuítam sobre tudo que quando alguém apresenta um ponto de vista
diferente a reação imediata é de surpresa.

Nessa belo texto, Dickerson argumenta que o fato de você registrar um
momento mostra que ele significa algo tão importante para você que você
está dedicando um tempo para registrá-lo e compartilhá-lo com outras
pessoas.

É um ponto de vista interessante. O meu problema não é com a frequência
com que as pessoas compartilham é com a qualidade do quê se
compartilha. Se alguém vai em um restaurante e publica que a comida é
maravilhosa, isso é uma utilidade pública. Se publica uma foto de si e
do seu cônjuge num jantar maravilhoso, com uma legenda do tipo “10 anos
de casado”, isso faz com que eu, como humano, me sinta tocado.
Realmente, como disse Dickerson, essas pessoas deram um sentido maior ao
evento em questão ao parar e registrar seus sentimentos.

Por outro lado, se alguém simplesmente faz um check-in do restautante no
Foursquare que automaticamente aparece no Twitter, essa pessoa só quer
se mostrar. E tem gente que só usa as redes sociais para isto.

Eu sigo muitas pessoas que são desconhecidas para mim, e elas geralmente
publicam coisas muito interessante, mas também trivialidades que não me
interessam. Não me importa — são pessoas reais que estão por trás
dali, e ninguém é interessante 24 horas por dia.

Meu problema é com tuítes do tipo “Oie”, “Bom dia”, “Que fome”. Dezenas
de fotos seguidas do cachorro. Xingamentos do time adversário que fez
gol. Isso não acrescenta absolutamente nada.

Não se trata de compartilhar mais ou menos, e sim de compartilhar
melhor.