Categorias
Artigos

Como ministro aulas remotamente

Meu estilo de ministrar e gravar aulas remotamente é basicamente narrar em cima de slides e documentos e, quando as aulas são síncronas (eu e meus alunos ao mesmo tempo em uma vídeo-conferência), promover e moderar discussões sobre o assunto. Geralmente, disponibilizo vídeos e textos adicionais de outras fontes da internet.

Vamos aos detalhes então:

Apps

Keynote

Para cada disciplina, sigo um estilo visual no Keynote. Nos slides, coloco as informações chave e muitas imagens e gráficos; evito texto já que vou falar “ao vivo” para os alunos ou gravar uma narração.

Uma grande ajuda para preparar bons slides é o Presentations Field Guide, de David Sparks. É bom para reforçar alguns pontos, como usar os alinhamentos automáticos, ajustar a transparência de figuras para evitar um fundo branco, apps auxiliares para gravar vídeos e editar imagens, entre outros.

Estou desenvolvendo um sistema de criar slides automaticamente. A ideia surgiu nesse episódio do Automators, que me levou a esse AppleScript. O fluxo é:

  1. À medida que vou estudando o conteúdo de uma aula, vou desenvolvendo um mapa mental no MindNode;
  2. Quando estou satisfeito, exporto para OmniOutliner — primeiro exporto um OPML, que abro no OmniOutliner e em seguido salvo no seu formato padrão, para poder ter acesso a todos os seus recursos;
  3. Rearranjo o outline com base na regra do script: um tópico por slide;
  4. Quando estou satisfeito, invoco o programa, que pede o tema do Keynote e se o formato dos slides é panorâmico ou padrão;
  5. Então edito a apresentação até chegar no formato final.

PDFpenPro

Ultimamente, tenho usado o PDFpenPro para 2 coisas:

  1. Editar slides prontos que o meu orientador muito gentilmente me cedeu — acrescento textos, rearranjo figuras, etc.;
  2. Também uso as funções de escrita livre para gravar enquanto resolvo exercícios.

Screenflow

Para gravar a tela do meu computador e criar vídeos, uso o Screenflow. É caro como toda ferramenta profissional, mas fácil de usar ao mesmo tempo em que é acessível. Encarei também como um investimento, pois sempre quis aprender a fazer screencasts e aprender mais sobre produção de áudio e vídeo. Como todo nerd, comecei esse aprendizado com uma ferramenta superdimensionada.

Alguns recursos interessantes que de fato ajudam:

  • Filtrar o ruído de fundo;
  • Equalização automática do nível de volume, evitando um som inaudível ou estourado de tão alto:
Volume de som conforme gravado…
… e depois de equalizar os volumes
  • Atalhos de teclado fáceis e uma interface intuitiva para cortar pedaços de vídeo, como quando eu parei de falar, ou quando repito os “éééééé”:
Cortando um pedaço de silêncio muito grande
  • Poder aumentar o tamanho do mouse, ou mesmo eliminar de um trecho:
Aumentando o tamanho do ponteiro em 70%
  • Poder facilmente colocar textos explicativos durante a edição, se percebo que falei algo que não ficou claro:
Corrigindo uma pequena basteira que falei
  • Congelar o vídeo em um freeze frame para estimular os alunos a pensarem um pouco sem eles terem de pausar o vídeo — após alguns segundos, a narração e imagens continuam.

Seguindo recomendações que vi em praticamente todo lugar (mas essa página do MIT é um bom guia geral para começar a se preparar para dar aulas online), tento manter vídeos de no máximo 20 minutos. Dizem que o ideal mesmo seria 5-6 minutos, mas isso aumenta o número de vezes que tenho de parar e começar a gravar, e não sei o quão ótimo isso seria.

BBB

Big Blue Button é uma ferramenta open source de video-conferência. A Udesc usa em conjunto com o LMS Moodle (LMS = Learning Management System, sistema de gerenciamento de aprendizado); há muitos desenvolvedores na universidade mais que qualificados a gerenciarem os servidores, sem ter que pagar por um serviço comercial (que, na escala de uma universidade, certamente custaria muito caro).

Por que é interessante? O recurso matador para mim é poder fazer upload de um PDF e anotar em cima dele, como escrevendo um quadro (do que, aliás, sinto muita falta nesses tempos de aulas remotas). Há um chat integrado então posso ir acompanhando as dúvidas.

Nas últimas semanas do semestre letivo de 2020-1, parei de usar o Screenflow e tenho usado o BBB para gravar aulas também, entrando numa “sala” vazia e gravando. A qualidade não fica tão boa, mas não preciso me preocupar com editar, exportar, fazer upload. E posso anotar livremente em cima dos slides; depois que passei a usar o BBB exclusivamente, um aluno chegou a me mandar um email dizendo que a qualidade das aulas melhorou muito.

Um adendo sobre o fluxo de gravação de vídeos

O lado ruim de usar o BBB é que não tenho cópias dos vídeos. Nesse semestre tive de preparar muitas aulas rapidamente, então não sei se gostaria de reaproveitar essas gravações de qualquer jeito, e o semestre 2020-2 (a começar em novembro/2020) vai ser dedicado a melhorar os “primeiros rascunhos” de aulas. Com isso quero gravar vídeos mais definitivos, que possa reusar nos próximos semestres (eu estou nessa profissão para ficar).

O que me leva a pensar em como fazer upload efetivo. No meu mestrado cheguei a me aventurar na edição de vídeos, mas isso já faz 6 anos e esqueci tudo que aprendi naquela época. Assim, ter de aprender rapidamente a gravar e editar vídeos em tão pouco tempo foi levemente insano.

Para de fato disponibilizar os vídeos para os alunos, estava usando o método burro, que era criar páginas dedicadas no Moodle e fazendo upload manual dos vídeos ou usando a integração do Moodle com o OneDrive, que é meu serviço de nuvem — por nenhum motivo em particular a não ser vir com uma assinatura do Office e é usado como compartilhamento de pastas de fotos com minha esposa. A Udesc também fornece Office e tenho inclusive de melhor organizar essa separação entre arquivos pessoais e arquivos de aula.

Esse método é “burro” porque é bastante lento — de fazer upload e para os alunos assistirem, além de sobrecarregar o servidor. No semestre que vem, vou usar o YouTube ou a Microsoft Stream, que é a ferramenta institucionalizada de vídeos da Udesc.

Equipamentos

MacBook Pro 2017

Meu computador exclusivo para dar aulas é um MacBook Pro (13-inch, 2017, Two Thunderbolt 3 ports). Considero seu desempenho excelente para os usos dos softwares que listei acima.

Uso a webcam embutida para aparecer para meus alunos; é boa o suficiente, embora eu quero montar um setup com uma webcam melhor, até para poder usar um monitor externo para efetivamente dar aulas enquanto a tela do laptop fica como apoio (atualmente tenho de ficar alternando entre o Chrome com o BBB e algum material que esteja consultando, como exercícios).

Fones de ouvido

O headset que uso como ferramenta de áudio é o Kotion each G200 (veja foto de capa deste post). Acho ele meio pesado, mas nunca fico muitas horas com ele.

Eu queria um headset mediano, e aparentemente esse mercado é dominado pelo segmento gamer. Eu não amo o seu visual chamativo (mas, para ser sincero, também não odeio).

A qualidade do áudio é decente para um professor que está dando aulas pela primeira vez. E ele se conecta à interface de audio do laptop, então não preciso me preocupar com interfaces externas. Eu até comprei um microfone condensador para me aventurar, mas não considerei o quando a interface é realmente necessária (ele veio com uma mini placa de áudio USB que não adianta de nada). Um projeto para o futuro.

Métodos de entrada

Aguarde; amanhã haverá um post apenas sobre meu teclado, mouse e outros acessórios.

Ambientes

Por último, um comentário sobre o processo de gravação. Quando vou gravar um vídeo ou dar aula síncrona, enquanto estava numa casa maior em Florianópolis, eu usava um quarto cheio de almofadas e travesseiros para abafar o eco. Na minha casa atual em Joinville, não tenho um quarto extra disponível (e, como minha esposa pode facilmente atestar, minha voz alta tem o risco de acordar o bebê — um pecado capital para pais).

Assim, tenho gravado aulas na minha sala na Udesc. Não é perfeita, tem bastante eco e a iluminação não está nada arrumada…

Mas foi assim que eu consegui terminar o meu primeiro semestre como professor.

Por Fábio Fortkamp

Pai do João Pedro, Marido da Maria Elisa, Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Estado de Santa Catarina, católico devoto, nerd

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.