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Como eu me preparo antes de entrar em uma sala de aula

Lembro quando entrei numa sala de aula para dar aulas pela primeira vez. Não estava vazio, como a foto da capa deste post, mas o pensamento mais aterrorizante era o que vou falar para essa gente?

Hoje em dia esse sentimento não sumiu, mas está atenuado pela prática e pelas minhas rotinas de preparação para aulas. Como já falei aqui, eu me dedico bastante a preparar bem minhas aulas, mas mesmo assim descobri que ter um pequeno ritual antes de entrar numa sala de aula, mesmo virtual, ajuda bastante a conter a ansiedade.

Para implementar isso, além de colocar os horários de aula no meu calendário, eu dedico tempo para um pré- e um pós-aula:

Assim, se a aula começa 09:20, às 09:00 eu já estou me ambientando: abrindo o Moodle, revisando notas de aula, separando água e chá. Às 09:20 eu já estou completamente pronto – ainda que isso não garanta que minhas aulas sejam sempre boas.

Para quem interessar, aqui está minha rotina que consulto antes e depois das aulas. Ainda estou no processo de sedimentar esses hábitos; algo que pretendo melhorar nesse semestre é tomar um tempo após as aulas para refletir um pouco sobre o que deu certo e o que deu errado.

Sim, isso toma bastante tempo a mais, mas uma constante em minha vida profissional é que fazer as coisas com pressa geralmente toma mais tempo pelo retrabalho envolvido. Eu estou numa fase de aprender a preparar essas disciplinas, aceito em paz que preciso trabalhar bastante (inclusive aos finais de semana) e, a não ser em caso de emergências, quero fazer as coisas com a minha calma habitual.

O leitor tem algum ritual de preparação no trabalho? Para os que têm reuniões regulares, posso imaginar isso sendo muito útil, principalmente para esfriar a cabeça após. Deixem nos comentários!

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O poder de ser viciado em produtividade e organização

Um pequeno exemplo da vida real: meu pai está coordenando a pintura do meu antigo apartamento. Ele me manda uma mensagem perguntando a cor da tinta da porta.

Eu não lembro, mas meu sistema lembra.

O que eu preciso de fato lembrar é que essa informação está no Evernote. Então eu abro o app e procuro apenas por “tin”:

“Tinta pintura portas” parece ser a nota certa. E abrindo:

Sim, as portas eram verdes

Em 5 minutos o assunto estava resolvido. São momentos assim que minha mania de sempre ler sobre apps e métodos de produtividade parece que vale a pena.

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Meu maior segredo de produtividade: filas de projetos

Eu não sou a pessoa mais produtiva do mundo, mas consigo completar coisas. Em 2020, eu me mudei de cidade (algumas vezes, na realidade, e para diferentes casas em uma mesma cidade) e comecei um novo emprego, preparando 5 disciplinas enquanto crio um filho bebê. Nada mal.

O meu segredo: eu não tenho fazer tudo, mas pouco de cada vez, sempre avançando num projeto e partindo para o próximo. A maior base do meu sistema são filas de projetos.

Como funcionam filas de projetos

É simples: eu gerencio meus projetos na forma de cartões no Trello, e tenho duas listas com projetos que devem ser atacados em sequência:

A grande questão: eu não estou preparando todas essas aulas ao mesmo tempo; num dado dia de trabalho, só estou focado nas atividades que tem a etiqueta verde, seguindo dois canais de atenção. Já falei sobre esse conceito aqui, que vem dos livros do Kourosh Dini (este post explica bem também). Geralmente, de manhã me dedico ao “Canal 1”, e de tarde ao “Canal 2”.

Como acesso as tarefas? No Todoist, tenho etiquetas para esses canais:

Quando decido que vou trabalhar em um projeto, consulto essas etiquetas:

Ao final de uma sessão do trabalho, ao fechar o dia, ou na Revisão Semanal, eu vou adicionando tarefas no Todoist a partir do cartão do Trello, sempre mantendo-o atualizado para completar o que precisa ser feito para concluir um dado de projeto.

Quando um projeto é concluído, os cartões do Trello são arquivados, os próximos da fila se tornam ativas, as tarefas são copiadas para o Todoist com a etiqueta apropriada, e assim as coisas vão se realizando. No exemplo acima do Trello, eu preparo a aula de Transferência de Calor, que ocorre às terças, e depois, só quando esse projeto é concluído eu preparo a aula de Refrigeração, que ocorre às quartas.

Nada espetacular ou revolucionário, mas funciona.

O leitor acha que faz sentido?

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Montando bibliografia de disciplinas com leitura inspecional

No dia 16 de outubro desse ano, eu concluí uma meta muito importante: finalizar um semestre – o meu primeiro semestre – como professor universitário. Foi uma jornada cansativa e incrível, que me ensinou muito, e que agora dá espaço ao meu segundo semestre como professor.

Apesar de todo o meu esforço, a primeira versão das minhas aulas foram medianas, o que é natural. Recebi alguns elogios, pelos quais sou muito grato, mas sei que há muito espaço para melhorar. Nesses dias antes do semestre de fato começar, fiz uma grande reflexão sobre os pontos mais críticos, que precisam de mais atenção na segunda versão das aulas.

A primeira conclusão a que cheguei é que o planejamento mais global das disciplinas precisa melhorar. No semestre passado, planejei os programas e fui criando as aulas, mas muitas vezes cheguei na hora de montar a aula de fato e me vi sem material de apoio, e sem tempo para pesquisar. Assim, dediquei-me a implementar um planejamento mais detalhado, testando o Notion para organizar e acessar melhor notas de aula. Para preencher essas tabelas de aulas, o próximo passo foi rever a bibliografia das disciplinas. Principalmente para as aulas que eu senti que ficaram piores, eu já quero deixar separado desde o início do semestre material para montar aulas mais completas.

Leitura inspecional

A ferramenta que usei para isso foi a Leitura Inspecional, o processo de “folhear” sistematicamente o livro, prestando atenção no que realmente importa: a estrutura, objetivos, os capítulos que parecem ser mais importante. Em 2015 (!), eu fiz uma série aqui no blog sobre esse processo; como dá para ver, Como Ler Livros me influencia profundamente há bastante tempo.


Como professor substituto, sem compromissos com pesquisa e extensão, eu dou aula sobre temas muito diversos, mas muitos dos quais eu já exploro há anos na minha carreira acadêmica. Assim, eu fiz uma pesquisa no site da Biblioteca da Udesc por livros que eu achava que poderiam contribuir, e alguns que fui pesquisando por palavras chaves, como “turbinas” ou “thermal design”. O leitor pode ver a coleção de candidatos na capa deste post.

Por uma semana, eu selecionava dois livros por dia, colocava um fone de ouvido e folheava atentamente o livro, marcando as páginas de maior interesse.

De Stoecker W. J., “Design of Thermal Systems”, McGraw-Hill, 1980
De Bejan et al., “Thermal Design and Optimization”, New York: John Wiley & Sons, 1996
De Bejan A., “Advanced Engineering Thermodynamics”, New York: John Wiley & Sons, 1988.

Próximos passos

Feito isso, eu já tenho uma noção bem boa de que livros vou poder usar no próximo semestre. Vou agora processar essas notas em post-it, montando listas de bibliografias no Notion e criando lembretes para estudar analiticamente os trechos marcados quando for hora de preparar de fato as aulas.

Se o leitor por acaso tem indicações de livros nas áreas de Refrigeração, Motores de Combustão Interna, Geração de Vapor, Transferência de Calor, Sistemas Térmicos em geral, eu estou sempre interessado.

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A Curva da Libertação

Há muitos meses, tenho me dedicado a estudar os Salmos mais profundamente, com o auxílio de Salmos para a Vida, de Inácio Larrañaga. Além de apontar diversos Salmos sobre diferentes temas, o autor traz ideias religiosas que provocam muita reflexão.

Há um capítulo sobre o exercício do Abandono: a oração em que nos entregamos totalmente a Deus. “Eu já fiz a minha parte; agora é Contigo”. Esse exercício revela um fato: os momentos de maior presença de Deus são os momentos de maior desespero; Deus aparece no seu máximo poder quando nós estamos no nosso mínimo poder.

Como engenheiro, não posso deixar de exprimir isso numa curva simples mas significativa:

Incontáveis vezes já passei por isso. Quando fiz as Oficinas de Oração e Vida pela primeira vez, os exercícios de Abandono foram o que me ajudaram a superar a morte da minha avó. Foi só percebendo que não havia nada que eu pudesse fazer que eu entrei na parte descendente dessa curva.

Não é escapismo, é fazer o que se pode fazer, e então parar. Um exemplo recente e pessoal: estou com um problema de cadastro das disciplinas que ministro para o semestre que vem, e pode ser que eu não pegue essa turma. Isso implica em redução de salário, o que sem dúvida é ruim. O que posso fazer? Já falei com meu Chefe, com o pessoal de suporte aos sistemas acadêmicos, já conferi o cadastro que eu mesmo fiz. Agora não tenho mais nada a fazer, a não ser esperar e ver como vai ser resolvido. Se ficar com a discipina, ótimo; se não, vou dar um jeito, sem necessidade de desespero.

Um fato: esse estado de espírito para o Abandono é vacilante, e não podemos nos angustiar com isso. Ora temos medo, ora confiamos totalmente em Deus. Aceitemos em paz.

Principalmente para os mais ansiosos como eu, é muito comum que a angústia entre numa curva ascendente. É possível antecipar o pico e começar a se sentir melhor com um exercício de oração. Se o leitor está se sentindo muito ansioso com algo, experimente esse exercício: pegue um caderno, respire fundo, faça o sinal-da-cruz, e escreva uma carta para Deus sobre tudo que está acontecendo na sua vida. Conte dos seus problemas, revise o que você já fez, e peça ajuda.

Depois venha contar aqui o quão bem você dormiu.

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Aprendendo Notion para planejar semestres de aula

Uma das tarefas mais difíceis do meu trabalho de professor é planejar o semestre: preencher cada uma das horas do curso com algum tipo de conteúdo — de preferência, que avance o aprendizado dos alunos.

Quando as aulas do primeiro semestre de 2020 foram retomadas pós-interrupção pandêmica, eu apressadamente criei uma tabela básica no Notion, que listava os temas em cada dia:

Agora, antes de começar um semestre novo, quero realmente aprender a usar o Notion de maneira mais efetiva.

Por que Notion?

Eu nem lembro quando ouvi falar pela primeira vez desse aplicativo que promete ser tudo. O que é fácil notar é a quantidade de conteúdo criado exclusivamente sobre ele: era citado em podcasts e blogs, enchia a minha lista de vídeos recomendados no YouTube… Quando algo tem tanto hype assim, os meus instintos nerds não conseguem seguir a lógica de ser mais racional e me dizem que é hora de testá-lo de uma vez-

Thomas Frank e Ali Abdaal têm ambos vídeos excelentes sobre como usam Notion para planejar os seus respectivos canais, o que me convenceu de que este app é perfeito para isso: planejar um projeto ambicioso e criativo. A recente notícia de que o Notion agora é grátis para uso pessoal foi o incentivo final.

Eis o objetivo que eu me coloquei: eu quero algo que me permita criar uma lista de aulas para cada disciplina, com notas de aula para cada aula, e que me permita visualizar na forma de calendário.

Alguns recursos para ajudar a começar

Eu segui todas as instruções e tutoriais que aparecem quando você cria uma conta, e isso foi o bastante para criar o calendário mostrado anteriormente, mas queria mergulhar de maneira mais profunda para melhorar a partir do próximo semestre.

Eis os pontos principais:

  • Eu quero não apenas um calendário de aulas, mas uma visualização de lista que me permita visualizar cada aula dentro do contexto da disciplina, e.g. “Aula 1: Introdução”, “Aula 2: Lei de Fourier”;
  • Eu quero que cada “aula” conforme vista na tabela contenha notas que eu possa consultar durante as aulas, links para materiais relevantes que vou citar e disponibilizar, slides usados, exercícios

Para re-começar basicamente do zero, esse vídeo do Keep Productive é um bom primeiro passo.

Montando as páginas no Notion

O Notion funciona na base de tabelas, que são propriamente bancos de dados. Após alguma experimentação, eu criei uma tabela com os seguintes campos:

  • ID: a sequência daquela aula na disciplina; por exemplo, uma disciplina que tenha aula 1x por semana, durante as 18 semanas do semestre, vai ter aulas numeradas de 1 a 18;
  • Nome: o título daquela aula (e.g. “Ciclo Padrão de Compressão a Vapor”)
  • Status: uma propriedade do tipo “Escolha” que indica em que estágio está a preparação da aula: “A fazer”, “Notas no papel”, “Slides prontos”, “Ministrada”
  • Disciplina, identificada pelo código para ficar mais curto
  • Tipo: se a aula vai ser síncrona, ou é uma prova, ou uma apresentação de trabalho etc

O trabalho duro foi rever as aulas que dei nesse semestre, refletir sobre o que quero mudar para o próximo, e de fato preencher a tabela:

E isto que ainda está faltando as aulas de uma disciplina, que não tenho certeza que vou ministrar ainda

Facilitando a visualização

Para filtrar por disciplina, é fácil definir um filtro pela propriedade relevante:

Não vou negar: é bem divertido brincar com o Notion, até o momento eu que eu realmente vou ter de preparar cada aula dessa

Notas de aula

A outra função que quero aplicar no Notion é uma versão pelo menos rudimentar de notas de aula para consultar durante a aula.

O Notion vem com templates prontos, inclusive sobre educação. Para montar a tabela, eu comecei adaptando o template Lessons Plans para a tabela, e traduzindo o template de nota Lesson Plan (no singular) para usar para cada aula. Assim, clicando em cada linha da tabela de aulas, eu posso começar a rascunhar ideias para as aulas, usando os prompts do template:

Traduzido do template “Lesson Plan” embutido no Notion

Próximos passos

O semestre 2020-1 foi uma confusão em termos de notas: as primeiras aulas estão em notas rascunhadas que eu usava para escrever no quadro negro; algumas disciplinas já tinham alguns slides; e depois das aulas remotas, todas as aulas foram dadas completamente em slides.

Tudo indica que o semestre 2020-2 vai começar de forma remota também. Agora, o trabalho a ser feito é consolidar todas essas notas espalhadas nessa tabela central (que eu criei aliás para isso), preparar slides de apoio, e começar um novo capítulo da minha carreira de professor.

E o leitor, usa o Notion nos seus projetos?

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Como eu preparo provas para faculdade

Nota: esse texto está sendo publicado após a realização e correção dos exames mencionados aqui, sem nenhum prejuízo à lisura do processo. Nenhum aluno (nem nenhuma pessoa, aliás) teve acesso a este texto ou às fotos mostradas aqui, nem a nenhuma informação relevante para a realização dos exames.

Em outubro de 2020, a universidade em que trabalho está realizando os exames finais do primeiro semestre letivo desse ano, com o desafio adicional de tudo ser totalmente não-presencial. Penso que esta é uma excelente oportunidade para eu refletir como eu preparo provas e compartilhar neste blog o meu processo.

Papel e caneta para começar

Minha vida nerd dá voltas. Quando eu comecei a mergulhar no mundo Apple, em 2012, queria fazer tudo digitalmente, e cheguei ao extremo de tomar notas para uma disciplina enquanto fazia mestrado exclusivamente “escrevendo” em um iPad 2.

Agora, mais velho e menos infectado por hypes, eu sei que a melhor forma de escrever é em papel e caneta.

Começar a preparar uma prova é um processo analógico. No máximo, um iPad (agora o iPad Air 3ª geração, um presente para mim mesmo para finalizar esse semestre) para consultar PDFs e músicas:

Começando os trabalhos de preparar uma prova

Como exemplo, eu estava preparando uma prova da disciplina de Transferência de Calor e Massa I, do curso de Engenharia Mecânica. Então o grosso da prova é calcular propriedades e correlações empíricas:

Gosto de resolver as provas em papel, com caneta e calculadora, para simular precisamente como os alunos resolveriam

Esse processo leva de uma a duas horas. Vou escrevendo e resolvendo questões, tentando simular ao máximo como meu alunos resolveriam a prova. Esse gabarito naturalmente é usado para a correção das provas.

Digitando em LaTeX

Para disponibilizar um arquivo que será distribuído aos alunos (e que seria impresso se o semestre fosse presencial), eu uso LaTeX, sobre o qual já escrevi extensamente.

Como editor de LaTeX, eu ainda uso Emacs. Para automatizar o processo, eu tenho um template que insere um modelo básico de prova (e que chamo de LaTeX Problem Set porque uso para listas de exercícios também) com um comando do menu, assim que crio um novo arquivo LaTeX:

Tendo como resultado:

Sim, é 2020 e eu ainda estou usando Emacs

Se o leitor quiser usar esse modelo, aqui está:

\documentclass[english,brazil,shortlabels,article]{techreport}
%% see https://github.com/fabiofortkamp/techreport
%% I honestly cannot remember where I got this from
\newenvironment{problem}[2][Problem]{\begin{trivlist}
\item[\hskip \labelsep {\bfseries #1}\hskip \labelsep {\bfseries #2.}]}{\end{trivlist}}
\usepackage{siunitx}
\usepackage{enumitem}
\usepackage{pdfpages}
\sisetup{
output-decimal-marker = {,},
per-mode = symbol, }
%% see https://github.com/fabiofortkamp/engsymbols
\usepackage{engsymbols}
\begin{document}
\pretextual
\titulo{Final Exam}
\autor{Prof. Fábio Pinto Fortkamp}
{\ABNTEXchapterfont\large University ...}
\par
{\ABNTEXchapterfont\large Departament of ...}
\par
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\LARGE\imprimirtitulo}
\par
\vspace{\baselineskip}
\ABNTEXchapterfont\large\imprimirautor
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\textual
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Basic Instructions:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
\begin{itemize}
\item Be explicit in every calculation
\item ...
\end{itemize}
\begin{center}
\vspace{\baselineskip}
{\ABNTEXchapterfont\large\bfseries Problems:}
\par
\vspace{\baselineskip}
\end{center}
Some introductory text.
\begin{problem}{1 (2,0 points)}
Calculate something.
\end{problem}
\end{document}

O bom desse template é que ele tem espaço para instruções básicas e já defini um ambiente para criar questões, com uma formatação adequada.

Após revisão, o PDF está pronto para ser publicado no Moodle.

De onde as ideias vem

Tudo isto é ótimo, mas esse processo eficiente só funciona se, ao sentar para rascunhar a prova, eu já tiver a ideia na cabeça.

O meu segredo principal é usar as caminhadas matinais com meu bebê para falar em voz alta algumas ideias. Ele se tranquiliza com o som da minha voz, e (provavelmente) reclama menos que a minha esposa se fosse ela a ouvinte das minhas ideias de prova. Na foto acima, eu sentei para escrever logo depois de chegar de uma caminhada.

Algo que, ao final do meu primeiro semestre, já se tornou meu estilo é mesclar questões numéricas (essenciais num curso de Engenharia), com “pausas estratégicas” para os alunos pensarem um pouco na teoria:

Já faz parte do meu estilo colocar algumas questões teóricas no meio da prova para fazer uma pausa de cálculas

Além disso, trata-se da pergunta geral sobre criatividade. Não há resposta senão as básicas: ao longo desse semestre, eu fui roubando ideias dos livros que estudei para preparar aulas; eu observei quais os tópicos que mais geram discussões (e que portanto tendem a ser mais importantes) entre os alunos; eu fiquei subconscientemente pensando em que questões colocar, a cada vez que tomava banho ou lavava a louça; e eu arrisquei, sem ter 100% de certeza de que é a melhor prova que eu poderia preparar. Eu preparei a prova, e cronometrei o meu tempo para ter certeza de que os alunos também vão conseguir fazer (sendo naturalmente mais lentos que eu), e tenho confiança em mim e conheço meus alunos para perceber que é uma prova justa e mediana.

Uma das maiores vantagens de ser professor universitário: sempre há um próximo semestre para melhorar.

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Métodos de entrada no meu computador

Este texto é uma continuação do post sobre como ministro aulas
Por métodos de entrada, quero falar de todas as formas pelas quais interajo com o computador.

Sobre o computador em si

Minha máquina principal, e sobre a qual vou falar aqui neste texto, é um MacBook Pro 2017 13’’, comprado quando eu morei na Europa em 2017. Eu adoro esse computador: é leve, potente, não deu problema até agora, roda macOS (um sistema operacional simplesmente fantástico).

Sobre os embutidos no computador em si

Eu gosto do teclado embutido do MacBook Pro. Ele é confortável de digitar, não faz muito barulho (o que é ótimo quando esse mesmo computador mora na mesma casa de um bebê — embora eu esteja louco para experimentar um bom teclado mecânico e avaliar como é a experiência) e nunca deu problema, apesar de sua má fama.

O trackpad embutido também é ótimo. Ele responde bem, permite um fácil deslizamento, é enorme sem comprometer o peso do laptop, e é uma ótima plataforma para os vários gestos permitidos pelo macOS (como deslizar com quatro dedos para trocar de app em modo Tela Cheia). Esses gestos podem até ser personalizados, e novos gestos podem ser criados. Quando estou “no modo laptop”, i.e. sem monitor externo, nunca pego um mouse para usar o laptop.

Meu teclado externo de preferência

Quando estou usando o laptop em modo “Desktop”, sentado numa mesa em frente a um monitor externo, o teclado que uso é o Logitech MK 220. Minha escolha por esse foi simples: eu gosto da Logitech, e queria um bom custo-benefício.

Foi uma escolha acertada: é confortável de digitar, tem várias media keys que permitem controlar brilho, volume, reprodução de música, silencioso.

Usando este teclado, minha velocidade média de digitação é de 57 palavras por minuto, bem na média, portanto. Claramente, tenho algo a melhorar.

Também uso vários atalhos de teclado no próprio macOS que eu mesmo criei, geralmente para abrir apps (e.g. Cmd+Shift+Ctrl+Option+L abre a janela do BusyCal para que eu possa rapidamente criar um evento — e tenha em mente que eu remapeei a tecla Ctrl do lado esquerdo para a combinação Cmd+Shift+Ctrl+Option; quer saber mais sobre isso? Deixe nos comentários!

Também uso extensivamente o Alfred e diversos workflows para abrir programas, procurar arquivos, navegar pelo meu histórico de copiar e colar, invocar meus Bunches

Meu mouse de preferência

Uma extravagância que cometi nessa quarentena foi um Mouse Trackball Logitech Mx Ergo. Eu acho que ouvi falar de trackballs em algum episódio de Cortex, provavelmente nesse, e, intrigado, comprei um.

A grande vantagem de um trackball é que você não precisa mover o braço para mover o ponteiro, e usa apenas o polegar para mover a bola — e, ainda por cima, o mouse é ergonônico, elevado:

Duas fotos lado a lado, mostrando o mesmo mouse em duas posições: horizontal e levemente inclinada
As duas posições do Logitech MX Ergo

Um mouse poderoso desse ainda vem com vários botões que podem ser personalizados com o app da Logitech. Sinceramente, ainda não me acostumei a usar esse poder. Apenas sentar confortável e ergonomicamente, com o mouse numa posição fixa, já vale.

Magic Trackpad (externo)

Uma das minhas coisas favoritas da Apple é que eles fabricam exatamente isso: um trackpad externo, para usar todos os gestos de que falei acima mesmo com o computador montado a um monitor, sem que eu interaja olhando para o laptop.

O fluxo de trabalho de trabalhar num app usando o teclado, e erguendo levemente o braço para a esquerda para alcançar o trackpad (muitas vezes enquanto minha mão direita continua usando o teclado) para rolar páginas é sensacional.

Mesa digitalizadora

Essa tem sido uma ferramenta essencial para dar aulas. A One by Wacom é uma forma de efetivamente desenhar na tela do computador, e tem sido muito usada.

Ainda estou me acostumando com esse método, essa mesa é a mais simples da Wacom, e minha letra ainda é feia. Mas, como o site acima propagandeia, seu uso abriu novas formas de interagir com o computador.

Conclusões

E chego ao fim desse texto com essa mensagem: eu gastei tempo documentando tudo isso para mostrar que, mais que gadgets, essas ferramentas são ferramentas de criatividade. A mesa digitalizadora mudou a minha concepção de aulas remotas, permitindo-me rabiscar livremente em cima de documentos e apresentações. O bom teclado e o bom mouse me fazem querer sentar e trabalhar para preparar boas aulas.

Volto sempre ao que Austin Kleon diz: as ferramentas importam e as ferramentas não importam.

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Como ministro aulas remotamente

Meu estilo de ministrar e gravar aulas remotamente é basicamente narrar em cima de slides e documentos e, quando as aulas são síncronas (eu e meus alunos ao mesmo tempo em uma vídeo-conferência), promover e moderar discussões sobre o assunto. Geralmente, disponibilizo vídeos e textos adicionais de outras fontes da internet.

Vamos aos detalhes então:

Apps

Keynote

Para cada disciplina, sigo um estilo visual no Keynote. Nos slides, coloco as informações chave e muitas imagens e gráficos; evito texto já que vou falar “ao vivo” para os alunos ou gravar uma narração.

Uma grande ajuda para preparar bons slides é o Presentations Field Guide, de David Sparks. É bom para reforçar alguns pontos, como usar os alinhamentos automáticos, ajustar a transparência de figuras para evitar um fundo branco, apps auxiliares para gravar vídeos e editar imagens, entre outros.

Estou desenvolvendo um sistema de criar slides automaticamente. A ideia surgiu nesse episódio do Automators, que me levou a esse AppleScript. O fluxo é:

  1. À medida que vou estudando o conteúdo de uma aula, vou desenvolvendo um mapa mental no MindNode;
  2. Quando estou satisfeito, exporto para OmniOutliner — primeiro exporto um OPML, que abro no OmniOutliner e em seguido salvo no seu formato padrão, para poder ter acesso a todos os seus recursos;
  3. Rearranjo o outline com base na regra do script: um tópico por slide;
  4. Quando estou satisfeito, invoco o programa, que pede o tema do Keynote e se o formato dos slides é panorâmico ou padrão;
  5. Então edito a apresentação até chegar no formato final.

PDFpenPro

Ultimamente, tenho usado o PDFpenPro para 2 coisas:

  1. Editar slides prontos que o meu orientador muito gentilmente me cedeu — acrescento textos, rearranjo figuras, etc.;
  2. Também uso as funções de escrita livre para gravar enquanto resolvo exercícios.

Screenflow

Para gravar a tela do meu computador e criar vídeos, uso o Screenflow. É caro como toda ferramenta profissional, mas fácil de usar ao mesmo tempo em que é acessível. Encarei também como um investimento, pois sempre quis aprender a fazer screencasts e aprender mais sobre produção de áudio e vídeo. Como todo nerd, comecei esse aprendizado com uma ferramenta superdimensionada.

Alguns recursos interessantes que de fato ajudam:

  • Filtrar o ruído de fundo;
  • Equalização automática do nível de volume, evitando um som inaudível ou estourado de tão alto:
Volume de som conforme gravado…
… e depois de equalizar os volumes
  • Atalhos de teclado fáceis e uma interface intuitiva para cortar pedaços de vídeo, como quando eu parei de falar, ou quando repito os “éééééé”:
Cortando um pedaço de silêncio muito grande
  • Poder aumentar o tamanho do mouse, ou mesmo eliminar de um trecho:
Aumentando o tamanho do ponteiro em 70%
  • Poder facilmente colocar textos explicativos durante a edição, se percebo que falei algo que não ficou claro:
Corrigindo uma pequena basteira que falei
  • Congelar o vídeo em um freeze frame para estimular os alunos a pensarem um pouco sem eles terem de pausar o vídeo — após alguns segundos, a narração e imagens continuam.

Seguindo recomendações que vi em praticamente todo lugar (mas essa página do MIT é um bom guia geral para começar a se preparar para dar aulas online), tento manter vídeos de no máximo 20 minutos. Dizem que o ideal mesmo seria 5-6 minutos, mas isso aumenta o número de vezes que tenho de parar e começar a gravar, e não sei o quão ótimo isso seria.

BBB

Big Blue Button é uma ferramenta open source de video-conferência. A Udesc usa em conjunto com o LMS Moodle (LMS = Learning Management System, sistema de gerenciamento de aprendizado); há muitos desenvolvedores na universidade mais que qualificados a gerenciarem os servidores, sem ter que pagar por um serviço comercial (que, na escala de uma universidade, certamente custaria muito caro).

Por que é interessante? O recurso matador para mim é poder fazer upload de um PDF e anotar em cima dele, como escrevendo um quadro (do que, aliás, sinto muita falta nesses tempos de aulas remotas). Há um chat integrado então posso ir acompanhando as dúvidas.

Nas últimas semanas do semestre letivo de 2020-1, parei de usar o Screenflow e tenho usado o BBB para gravar aulas também, entrando numa “sala” vazia e gravando. A qualidade não fica tão boa, mas não preciso me preocupar com editar, exportar, fazer upload. E posso anotar livremente em cima dos slides; depois que passei a usar o BBB exclusivamente, um aluno chegou a me mandar um email dizendo que a qualidade das aulas melhorou muito.

Um adendo sobre o fluxo de gravação de vídeos

O lado ruim de usar o BBB é que não tenho cópias dos vídeos. Nesse semestre tive de preparar muitas aulas rapidamente, então não sei se gostaria de reaproveitar essas gravações de qualquer jeito, e o semestre 2020-2 (a começar em novembro/2020) vai ser dedicado a melhorar os “primeiros rascunhos” de aulas. Com isso quero gravar vídeos mais definitivos, que possa reusar nos próximos semestres (eu estou nessa profissão para ficar).

O que me leva a pensar em como fazer upload efetivo. No meu mestrado cheguei a me aventurar na edição de vídeos, mas isso já faz 6 anos e esqueci tudo que aprendi naquela época. Assim, ter de aprender rapidamente a gravar e editar vídeos em tão pouco tempo foi levemente insano.

Para de fato disponibilizar os vídeos para os alunos, estava usando o método burro, que era criar páginas dedicadas no Moodle e fazendo upload manual dos vídeos ou usando a integração do Moodle com o OneDrive, que é meu serviço de nuvem — por nenhum motivo em particular a não ser vir com uma assinatura do Office e é usado como compartilhamento de pastas de fotos com minha esposa. A Udesc também fornece Office e tenho inclusive de melhor organizar essa separação entre arquivos pessoais e arquivos de aula.

Esse método é “burro” porque é bastante lento — de fazer upload e para os alunos assistirem, além de sobrecarregar o servidor. No semestre que vem, vou usar o YouTube ou a Microsoft Stream, que é a ferramenta institucionalizada de vídeos da Udesc.

Equipamentos

MacBook Pro 2017

Meu computador exclusivo para dar aulas é um MacBook Pro (13-inch, 2017, Two Thunderbolt 3 ports). Considero seu desempenho excelente para os usos dos softwares que listei acima.

Uso a webcam embutida para aparecer para meus alunos; é boa o suficiente, embora eu quero montar um setup com uma webcam melhor, até para poder usar um monitor externo para efetivamente dar aulas enquanto a tela do laptop fica como apoio (atualmente tenho de ficar alternando entre o Chrome com o BBB e algum material que esteja consultando, como exercícios).

Fones de ouvido

O headset que uso como ferramenta de áudio é o Kotion each G200 (veja foto de capa deste post). Acho ele meio pesado, mas nunca fico muitas horas com ele.

Eu queria um headset mediano, e aparentemente esse mercado é dominado pelo segmento gamer. Eu não amo o seu visual chamativo (mas, para ser sincero, também não odeio).

A qualidade do áudio é decente para um professor que está dando aulas pela primeira vez. E ele se conecta à interface de audio do laptop, então não preciso me preocupar com interfaces externas. Eu até comprei um microfone condensador para me aventurar, mas não considerei o quando a interface é realmente necessária (ele veio com uma mini placa de áudio USB que não adianta de nada). Um projeto para o futuro.

Métodos de entrada

Aguarde; amanhã haverá um post apenas sobre meu teclado, mouse e outros acessórios.

Ambientes

Por último, um comentário sobre o processo de gravação. Quando vou gravar um vídeo ou dar aula síncrona, enquanto estava numa casa maior em Florianópolis, eu usava um quarto cheio de almofadas e travesseiros para abafar o eco. Na minha casa atual em Joinville, não tenho um quarto extra disponível (e, como minha esposa pode facilmente atestar, minha voz alta tem o risco de acordar o bebê — um pecado capital para pais).

Assim, tenho gravado aulas na minha sala na Udesc. Não é perfeita, tem bastante eco e a iluminação não está nada arrumada…

Mas foi assim que eu consegui terminar o meu primeiro semestre como professor.

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Como tenho lidado com essa quarentena

Ficar isolado em casa não é fácil. Aliás, deixe-me reformular. Eu sou incrivelmente privilegiado por estar com minha família, protegido, conseguindo trabalhar e ganhar meu salário. Além do mais, eu adoro trabalhar em casa. De fato, passei grande parte de meu doutorado brigando por esse direito. As ideias de Cal Newport deixaram marcas em mim: eu trabalho melhor completamente isolado e concentrado numa tarefa. Odeio reuniões. Valorizo mais conversas por email, onde tenho tempo de pensar no assunto, do que encontros de corredor. Estar trabalhando em casa nessa quarentena, sempre em contato com minha esposa e meu filho, não é um problema.

Mas esse senso de incerteza, de que algo está errado, da insegurança de como vai ser quando acabar, de se vou pegar a doença quando vou ao supermercado, se alguém da minha família vai ficar doente — isso não é fácil, especialmente para aqueles que, como eu, sofrem com ansiedade e têm experiência com depressão. Como falei, a calma de ficar em casa é boa, mas não há variedade, corridas na rua, passeios com meu filho, restaurantes com minha esposa. E, claro: sinto falta de estar numa sala de aula, com os alunos tirando dúvidas, escrevendo em giz.

Estamos nos aproximando de completar um mês dessa situação, e em muitos lugares isto está longe de acabar. Aqui está o me ajuda a tornar esse momento mais leve, e espero que ajude outras pessoas. Essa dicotomia entre gostar de ficar em casa mas saber que as coisas não estão bem (e o que fazer em relação a isso) foi bem tratada em um Nerdcast recente.

Meditação

Se pudesse elencar um ato que tem me ajudado, é a meditação, o que tenho feito com o Headspace. Desde o nascimento do meu filho João, eu andava meio relapso nessa prática, dedicando-me apenas em alguns dias esporádicos. Nessa quarentena, porém, eu não falhei nenhum dia.

Meditar não é um ato religioso; é apenas parar e respirar. Embora digam que a meditação verdadeira deva ser completamente silenciosa, eu gosto de ter o guia do Headspace me sugerindo diferentes pontos no que me focar; gosto de explorar os diferentes temas; e a voz do Andy simplesmente me relaxa. O Headspace é um serviço pago, e eu trato como um gasto de saúde mental; mas se você está interessado, eles liberaram muitas sessões de graça. Baixe o app e se permite experimentar.

Oração

Eu acabei de falar que não trato a meditação como uma forma de orar, porque isso para mim é uma atividade em separado. Eu medito ao longo do dia, geralmente quando quero me acalmar, e durante apenas 10 minutos. Na oração, as Oficinas de Oração e Vida me ensinaram a praticar a Sagrada Meia Hora, 30 minutos dedicados à leitura da Bíblia e ao diálogo com Deus.

Pronto para orar bem aconhegado

Eu confesso que, desde o nascimento do João, em muitos dias não consigo achar 30 minutos de calma pois, quando ele vai dormir, eu mal mantenho os meus olhos abertos de tanto cansaço. Mesmo assim, sempre fiz um esforço de todo dia pelo menos fechar os olhos e fazer uma oração silenciosa, geralmente agradecendo a Deus. Nessa quarentena, consegui voltar a dedicar mais tempo, com uma rotina mais estável, e posso me sentar no sofá e me abrir. Como bem identificado por Frei Ignácio Larrañaga em Salmos para a Vida, eu alterno entre diferentes modos de orar: às vezes me comunico diretamente com Jesus, tentando seguir Seu exemplo humano; às vezes me dirijo ao Pai, pedindo ajuda e me aninhando eu Seus braços; e muitas vezes apenas contemplo a Sua Figura, sem falar nada.

O app Liturgia Diária da Canção Nova tem sido de grande ajuda nesse período. O app me mostra a Liturgia do dia e ainda traz uma homilia e um texto sobre o santo do dia. Muitas vezes eu apenas consulto as leituras no app mas leio de fato na minha Bíblia, mas ocasionalmente, quando estou cansado demais num dia corrido, eu leio no próprio app e medito um pouco.

Há um efeito colateral de medir a passagem do tempo, que anda bastante bagunçada, através do calendário litúrgico.

A meditação é o mínimo necessário para minha mente não se agitar muito. É na oração, porém, que eu realmente me consolo.

Exercícios

Já que não há mais caminhadas e passeios, meu corpo precisa liberar energia de outra forma. Tenho feito exercícios de manhã para me ajudar a acordar e me energizar um pouco.

Minha escolha de app de exercícios é o Seven, que propõe circuitos de sete minutos de exercícios sem equipamentos. Não se deixe enganar pelo tempo, pois o ritmo é intenso. Eu sempre faço dois circuitos, o que me dá 15 minutos de suor para começar o dia.

Eu tenho seguido um treino do Seven personalizado, que alterna as partes do corpo a focar em três sessões por semana. Nos outros dias, às vezes uso o “Move Mode” do Headspace, que tem exercícios estilo Yoga para alongar e relaxar (embora tenha treinos aeróbicos também), e muitas vezes faço treinos de abdominais e flexões apenas para fazer alguma coisa.

Meu filho adora ver o papai pulando na cozinha

Outra forma de variedade nos exercícios é ter alguns dias para simplesmente fazer abdominais e flexões, e uso dois apps da Adidas que não estão mais disponíveis na App Store.

Quanto ao espaço para praticar tudo isso, eu simplesmente coloco um tapete de ioga e um rolo na minha cozinha, quando ninguém está mais aqui. Não é o ideal nem a minha forma preferida de praticar exercícios, mas esse não é o tempo para se preocupar com perfeição.

Falta de espaço para me exercitar não pode ser desculpa

Leitura

Eu tenho lido muito nessa querentena e, depois de muito tempo pregar a superioridade de livros em papel, a paternidade me ensinou a ser mais pragmático e ler livros no Kindle, muitas vezes no celular ou no meu Kindle Paperwhite, em pequenos intervalos ao longo do tempo. Acho que não sou o único a ver meus hábitos mudarem.

Eu estou numa febre de livros de fantasia e históricos — e acho que isso tem a ver com fugir do tempo presente. A leitura é o meu momento de relaxar, e parei de me exigir tanto.

Foco

Nos momentos em que quero trabalhar de fato e desenvolver minhas aulas, uso o app Forest, que me força gentilmente a focar em uma tarefa e não tocar no meu telefone. Sendo sincero, para mim funciona como uma maneira lúdica de alternar entre momentos profissionais e pessoais (quando vou ficar um pouco com meu filho, arrumar algo da casa etc).

No Forest, você configura um tempo e escolhe uma árvore para plantar; se sair do app antes do tempo configurado, a árvore morre. Nada revolucionário, apenas uma maneira agradável de delimitar momentos de trabalho profundo.

Fazer o que eu gosto

Em geral, o mais importante tem sido tratar o momento com leveza. A Thais Godinho tem sido muito sensível em salientar muito isso em seus posts, e você deveria acompanhá-la, se gosta do que eu escrevo. Esse período não é fácil, mas vai passar. Acho que o mais importante é aproveitar as coisas boas, e faço questão de sempre registrar isso no meu diário: a oportunidade de almoçar todo dia com minha esposa, assinar o Globoplay só para assistir Modern Family, continuar cozinhando ouvindo podcasts.

Pode ser que falte um pouco de diversidade na minha fila de podcasts.

Coisas materiais podem ter parado, mas a vida continua.

Eu fazendo o que gosto. Em dias que não são a Sexta-Feira Santa o chá geralmente dá lugar à cerveja