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Simplifique sua vida: prioridades

Esse é mais um texto da série “Simplifique sua vida”, na qual eu
narro minha jornada para eliminar o máximo possível de complicações,
seguindo as ideias do Simple Living Manifesto de Leo Babauta
.

No primeiro texto da série, eu escrevi que, apesar de ter poucos
compromissos e responsabilidade, eu sinto como a minha vida fosse muito
complicada, o que é um reflexo da maneira errada como conduzimos nossa
vida. Ao menor descuido nosso, o excesso de coisas materiais, tarefas e
informação nos dominam.

Simplificar é eliminar o excesso. É simples: temos uma quantidade finita
de horas por dia e anos de vida. Moramos em casas e apartamentos
finitos. Ganhamos um salário finito (embora alguns jurem que seu salário
seja infinitesimal. Piada de engenheiro). Não podemos ter tudo nem fazer
tudo. Temos que ter prioridades, e esse é o primeiro item do
manifesto.

Certo, você quer eliminar excessos. Quer ter mais tempo para fazer o que
gosta. Então, precisa identificar o supérfluo.

Eu sei que essa etapa parece aquilo que acontece quando você começa a
estudar algum idioma. Você quer logo aprender o equivalente do verbo to
be
e o professor insiste em lhe perguntar por que você quer estudar
aquilo. Como se você já soubesse!

Acredite em mim, sempre achei isso chato, mas nesse caso é necessário.
Vamos começar com um exemplo prático hipotético.

Suponha que você tenha alguns hobbies, digamos fotografia, música, e
corridas. Você se sente estressado porque não consegue dividir o tempo
entre seu trabalho, seus relacionamentos e essas atividades. Aí você
senta, pensa na vida, e descobre que seus relacionamentos são
importantes porque vocês fica rodeado de pessoas boas e que lhe amam.
Seu trabalho é importante, e quanto mais você se dedicar a produzir algo
de qualidade (o que não significa trabalhar mais horas), mais você será
valorizado financeiramente. As corridas que você faz são importantes
porque é o seu momento de desestresse, de superação, e está fazendo
muito bem para sua saúde. A fotografia é importante porque sempre lhe
dizem que você tem um olhar bom, tira retratos excelentes, e você
percebe que adora ler revistas, blogs e livros especializados. E a
música é importante porque… porque… E aí você percebe que ganhou uma
guitarra quando adolescente, você nunca conseguiu avançar nos estudos,
mas como ela está ali, no seu quarto, olhando para você, você se sente
mal por nunca tocar. De repente, você percebe que a música foi um hobby,
mas já passou. Você não arranja tempo para treinar porque você sente que
não vai adiantar, e percebe que quer voltar a tocar mais por obrigação
que por vontade, e que é melhor se dedicar a outras coisas.

Quando você admite para si que não se importa em largar a música, você
se sente libertado. Em vez de ficar com o pensamento de que precisa
treinar, você senta e lê aquele livro novo de fotografia que você
comprou. Em vez de sair e comprar cordas novas, já que você acha que tem
a obrigação, você sai para correr. Sem culpa.

Não quero discutir a minha lista de prioridades por achar que isso é
algo bem pessoal, mas posso dizer que essa parte da música é verdade
para mim. Sem pensar explicitamente nisso, eu percebi que, por mais que
tocar violão seja legal, não é uma prioridade para mim. Eu prefiro sair
com minha namorada, ou com meus amigos, ou ir em uma festa de família
que ficar treinando. Prefiro escrever que ficar aprendendo uma nova
música.

Também percebi, por exemplo, que ler livros é uma absoluta prioridade
para mim, enquanto que ficar vendo TV indefinidamente não é. E isso está
me ajudando a romper o hábito de ligar a televisão à noite,
substituindo-o por um livro (especialmente ficção, que anda meio
negligenciada por mim).

Em ação

Aqui está o que você precisa fazer: sente-se com um caderno ou com algum
app no seu dispositivo de escolha (eu usei o Day One, já que ele é
meu repositório de textos pessoais como esse), e faça uma lista das 5
coisas mais importantes na sua vida.

Não tente mentir para si mesmo. Identifique o que lhe faz feliz ou
acrescenta algo.

Importante: isso não é uma lista de sonhos. O seu trabalho, mesmo que
não seja a maior fonte de felicidade, provavelmente é importante, já que
ele lhe permite fazer tudo o mais. Aliás, se ao fazer esse exercício
você descobrir que não consegue listar aquela atividade na qual você a
passa a maior parte do seu dia entre as cinco coisas mais importantes,
talvez seja hora de procurar alternativas.

Se você eliminar o supérfluo, o que fica?

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Afinal, mestrado é trabalho ou estudo?

Boa pergunta, pequeno padawan.

É trabalho?

Vamos começar com a visão mais controversa e a que os estudantes de
mestrado mais adoram, a de que “fazer mestrado” é trabalhar. Quando
estamos saindo de casa para ir à universidade, dizemos “estou indo
trabalhar”, por exemplo. E assumimos nosso pior humor quando alguém diz
o clássico “cansado de quê, se você não trabalha?”.

Não é de todo absurdo considerar o mestrado uma forma de emprego.
Algumas das minhas atividades do mestrado são:

  • Contactar fornecedores, pedindo orçamentos de equipamentos
  • Escrever relatórios
  • Desenvolver programas de computador
  • Prestar contas a órgãos competentes
  • Projetar bancadas
  • Monitorar testes

Se alguém viesse me dizer suas responsabilidades num emprego tal
seriam essas, eu acharia bem normal.

Mas se é trabalho, então:

  • Por que não temos direiros trabalhistas básicos como férias e décimo
    terceiro?
  • Por que, se no contrato de bolsa não é estipulado nenhum horário,
    não podemos ter remuneração extra (ninguém pode, por exemplo,
    receber a bolsa para “trabalhar” no mestrado durante o dia e ter um
    emprego não relacionado à área de formação à noite – se tem salário,
    não pode receber bolsa)
  • Por que não existe qualquer resquício de gerência de recursos
    humanos nos grupos de pesquisa?
  • Por que alguns colegas se recusam a trabalhar e nada pode ser feito
    a respeito disso?
  • Por que os órgãos de fomento deixam claro que estão fazendo um favor
    em pagar a bolsa?

Ah, então é estudo!

Eu particularmente concordo com essa linha de pensamento. Para todos os
efeitos legais, eu estou desempregado. Tenho um diploma de engenheiro,
quero ter um outro diploma, então eu me dedico a desenvolver um projeto
de esquisa; o governo e as fundações, em troca, pagam-me uma bolsa
justamente para que eu não precise de um emprego. Somos completamente
isentos de imposto de renda e, em contrapartida, completamente isentos
de direitos.

Ah, também pagamos meia-entrada no cinema e no ônibus.

Mas, se fazer mestrado é estudar, então:

  • Por que a maioria dos programas de educação do governo só contemplam
    alunos de graduação? Pós-graduação não é educação?
  • Por que de vez em quando recebo emails dizendo “os alunos são
    obrigados…” – o que é isso, é uma empresa?
  • Por que tem gente que fica fiscalizando meus horários? Eu tenho
    prazos definidos pelo meu orientador, e tenho que cumprir as tarefas
    entre eles, mas a maneira como eu distribuo meu tempo não é da conta
    de ninguém. Se eu quiser voltar para casa um dia no meio da tarde,
    eu deveria ter total liberdade, desde que eu entregue os resultados
    no tempo certo. Se eu quiser tirar um dia para ir à praia, eu
    deveria ter total liberdade, desde que eu entregue os resultados no
    tempo certo.

Ninguém sabe o que é

Fazer mestrado tem as suas facilidades e os seus problemas, e não quero
fazer desse texto um desabado. Quero apenas chamar a atenção para essa
indefinição que angustia a minha cabeça e, acho, a de muitos colegas.
Percebi que pós-graduação é um tema olhado com muita desconfiança no
Brasil.

Não se trata de dinheiro, já que uma bolsa de mestrado é maior que o
salário de muitos amigos meus. Não se trata de respeito, já que
felizmente estou rodeado de pessoas que me apoiam. É uma questão de
escolha. Quando saem da faculdade, uns vão estudar para concursos,
outros vão procurar emprego, outros vão viajar e pensar na vida, e
outros vão continuar estudando. Vamos parar com essa diferenciação?

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Resenhas de livros

Resenha: Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas

Era uma vez dois amigos, o João e o José. O João era popular, querido e
carinhoso. Todos gostavam dele, e por um motivo: ele sabia tratar as
pessoas. Era educado sempre, era um bom conversador, elogiava
constantemente.

O José era o contrário. Reclamava de todos, arranjava brigas e não
escapava de uma boa discussão. Não por acaso, ninguém queria ficar por
perto.

Havia também o Fábio, que achava que era parecido com o João mas na
verdade era mais como o José.

Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, é para os
Fábios que querem ser menos José e mais João.

Essa obra é um clássico — a primeira edição é de 1936. O estilo do texto
e algumas histórias apresentadas pelo autor deixam claro a idade do
livro, mas isso não significa a sua irrevelância. Mesmo com a nova
realidade de hoje, onde a tecnologia guia muitas formas de comunicação,
ainda precisamos lidar com pessoas no cotidiano – e precisamos fazê-lo
com tato.

Como Fazer Amigos … não é um tratado teórico sobre relacionamentos. O
autor não tem formação em psicologia ou filosofia. É um livro prático,
de alguém que sempre trabalhou com pessoas (principalmente na parte de
vendas) e começou a observar o que dava certo e o que não dava.
Ministrou cursos então sobre a arte de lidar com pessoas, coletou
histórias de participantes e as reuniu em um livro. É um tratado
empírico, por assim dizer.

À medida que eu lia, sentia-me constantemente surpreendido pela
quantidade de verdades óbvias que eu ignorava. Coisas como “não critique
e não julgue” — quem sou eu para achar que eu sou melhor que outras
pessoas (o primeiro capítulo, sobre esse tema, é um verdadeiro soco na
cara)? Ou então “você não pode ganhar uma discussão”; se você é aquela
pessoa que adora corrigir erros de português e provar que as outras
pessoas estão erradas, então você nunca terá muitos amigos. O segredo
fundamental de ser um João e não um José é nunca dizer: “você está
enganado”.

Outro ponto interessantíssimo é como ter uma conversa: muitas pessoas
simplesmente conversam sobre o que está acontecendo na sua vida,
atraindo sempre a conversa para si. Como diz o autor, é claro que você
se interessa pelos assuntos que dizem respeito a você, mas, para fazer
amigos, é preciso se interessar pelos outros. Quando alguém conta alguma
coisa, o José sempre diz “ah é? Isso me lembra uma história minha” e o
João provoca: “é mesmo? Conte-me mais.”

O leitor desse texto já deve ter percebido qual o segredo de fazer
amigos e influenciar pessoas: o outro. Se quiser ter sucesso ao lidar
com pessoas, precisa se interessar genuinamente pelas outras pessoas.
Precisa saber quais assuntos lhes interessam, precisa elogiar
constantemente, precisa parar de dizer que os outros estão errados,
precisa sorrir sempre, precisa deixar as outras pessoas falarem e se
sentirem importantes.

O livro tem alguns defeitos, como a taxonomia desnecessária (alguns
capítulos são técnicas, outros são princípios) mas não se engane.
Como Fazer Amigos… é maravilhoso.

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Vamos construir uma Web diferente? | Vladimir Campos

Vladimir Campos:

No App.Net (ADN) as regras são outras e bem diferentes. A partir do
momento que a rede não é 100% gratuita, a receita não vem de
publicidade. Isso garante que as coisas são muito mais claras. É preto
no branco! Tudo que eu publico por lá, você que me segue, verá.
Simples assim!

Além disso a rede foca na criatividade do desenvolvedor. Você não
encontrará por lá um mundo construído como no Facebook, Google+ e
Twitter. Quem constrói a rede são os desenvolvedores. Eles criam
blocos como numa construção feita com Legos que tomam como base algo
sistematizado pela equipe do ADN. Todos esses blocos estão em um
diretório de aplicativos
. Com um mesmo log-in e senha você tem
acesso qualquer um deles.

Vladimir Campos já se tornou meu escritor favorito de tecnologia e esse
post é uma das melhores leituras da semana. Estamos nos acostumando a
usar a Web de graça e em troca receber uma enxurrada de anúncios. Dito
de outro forma, em 2013, estamos dizendo “amém” a um modelo de negócios
praticado há meio século pelos canais de TV.

É difícil, mas acho sim que podemos construir uma Web melhor. A minha
conta do Instagram, por exemplo, já foi deletada, por cansar de ver
fotos das meninas me mostrando o esmalte da semana e dos meninos
mostrando a cerveja do dia. Que valor tem isso? A minha conta no
Facebook já está pronta para o fim,  e a o do Twitter não deve aguentar
muito. Está ficando muito cansativo filtrar a quantidade de porcaria que
existe nessas redes.

Eu já tinha testado o App.net, desisti, e depois desse texto,
voltei. Agora estou explorando, com calma, as possibilidades. Ainda
é cedo para eu chegar a alguma conclusão. Assim, enquanto espera, vá ler
o texto do Vladimir.

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Learning To Love Photo Management

Eu não gosto de tirar fotos, embora goste de ter recordações, mas eu
absolutamente detesto organizar fotografias. O iPhone simplificou e ao
mesmo complicou isso: eu não preciso mais de uma câmera digital, mas ao
mesmo tempo como diabos eu tiro as fotos dali? E se eu passar para o meu
computador, como posso mostrá-las para alguém quando não estou com ele
por perto?

Bradley Chambers lançou esse livro chamado Learning To Love Photo
Management
 que trata dessas questões. Eu ainda estou lendo, mas
baseado numa leitura rápida já deu de ver que valeu a pena. Chambers
criou um método de organização e compartilhamento usando o mínimo de
ferramentas.

Esse livro também representa uma categoria que acho muito interessante:
livros práticos, curtos, cheios de informações valiosas, distribuídos
facilmente pelo iBooks e baratos.

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Begin

Ben Brooks:

The bookkeeper at my company used to (she is now retired) have this
routine — it was something like this:

  • Sit down at her desk with coffee in hand.
  • Grab a stack of recycled paper bits that are about 2/3 the size of
    a full page of paper — all unlined — held together with a binder
    clip.
  • With her half-chewed Bic in hand she would then proceed to write
    down her todos for the day.

Quando você mergulha no mundo da produtividade, é fácil se enrolar no
mar de apps que prometem fazer suas tarefas por você. Brooks ajudou a
produzir um app que tenta simplificar ao máximo o gerenciamento de
pendências – ou você seleciona algo para fazer hoje, ou deixa para
amanhã.

Eu não estou interessado em testar mais um app, mas sempre gosto
quando alguém diz que é a tecnologia que deve nos servir, e não o
contrário.

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Por que o Rdio é a melhor maneira de escutar músicas

Estou aqui, escrevendo no meu diário, fazendo um completo
descarregamento das ideias na minha cabeça, e estou escutando o
Rdio. Especificamente, escutando a rádio personalizada do Tulio
Jarocki
 (que escrevia um blog muito bom e parece que infelizmente
parou). Muita música boa, de muitos artistas que eu não conheço, e tudo
que fiz para descobrir essa gente foi procurar meus amigos e apertar um
“play”. Não tive de procurar nada. Eu simplesmente já seguia o Tulio no
Twitter, puxei os contatos no Rdio e estou escutando várias rádios. E
estou pensando no quanto adoro esse serviço.

Eu cresci em meio ao Napster, e em meio à cultura de que, se um arquivo
.mp3 está na rede, qual o problema em escutá-lo? Não fui eu que
coloquei-o lá! E, além disso, se todo mundo está fazendo isso, por que
eu vou pagar por um CD? Otário é a gíria que eu ouvia quando
adolescente, aparentemente em desuso.

Vamos ser diretos: esse tipo de pensamento é pirataria da mais pura e eu
me envergonho de ter passado por isso. Eu não faço mais isso, e recuso a
ajudar pessoas quando eles me pedem para “baixar o CD da novela”. Eu
compro minha música, e, se eu não tenho dinheiro, eu espero até ter.
Complicado, não? Eu li as biografias de gente como Eric Clapton e Paul
McCartney e eles tinham essa mania, de trabalhar ou pedir dinheiro para
os pais para conseguir comprar os discos. E bem, eles são Clapton e
McCartney.

Eu comprei alguns álbuns e singles na iTunes Store e, se querem saber,
acho barato. O mais caro que já paguei por uma única música foi 2
dólares, ou 5 reais. Um lanche assado (geralmente queimado) nas
lanchonetes da UFSC custa 3. Dois dólares, incluindo o trabalho de
produção da música, a propriedade intelectual do artista e os custo de
download é bem justo, na minha opinião. E eles são exceção. A grande
maioria custa um dólar.

Ultimamente, no entanto, tenho consumido música de uma forma diferente.
Eu não compro mais a música em si, mas o direito de escutá-la. Com o
Rdio, você paga uma taxa e tem acesso a todo o catálogo. O problema é
que, quando se deixa de pagar, você não fica com nenhuma música.
Lembre-se você não comprou nada.

Esse tipo de pensamento provoca revolta em algumas pessoas, pois parece
roubo. Como pude pagar tanto tempo e agora não ganho nada? É preciso
ajustar essa mentalidade. Nós estávamos pagando pelo serviço de
escutar músicas. É como pagar academia: você pode pagar por dez anos e
mesmo assim não vai sair de lá com uma esteira, quando deixar de ser
cliente.

O Rdio se adequa a pessoas que, como eu, tem gosto muito variávies. Em
um mês só ouço Paul McCartney e Queen, no outro só escuto pop brasileiro
tipo Skank e Capital Inicial. No seguinte escuto um samba de raiz, no
outro vicio no último álbum de John Mayer. O Rdio me permite essa
alternância, sem ter de comprar todos esses álbuns. Muitas daqueles
singles que comprei na iTunes e dos CDS que ganhei quando adolescente
estão parados, sem ser ouvidos. Ter a posse deles não tem muita
utilidade prática, para mim.

E, como falei, temos o aspecto social, e o Rdio, na minha opinião faz
isso da maneira certa. Sendo um serviço pago, eles não te forçam a
compartilhar o que você está ouvindo a toda hora (deixando-me livre para
escutar Kid Abelha sem vergonha); mas é fácil, se você quiser. E a
integração com o Twitter (e Facebook) significa que eu, se quiser, posso
escutar o que meus amigos estão escutando. Sem ninguém forçar.

Deixei de pagar e usar o Netflix há algum tempo por achar que o catálogo
deixa a desejar. O Rdio, ao contrário, está sempre com o catálogo
atualizado (apesar de não haver nenhum disco dos Beatles, AC/DC, Led
Zeppelin etc, provavelmente por serem de direitos autorais mais
complicados) e o serviço está cada vez melhor.

Você pode escutar as músicas por streaming no seu navegador e com
programas para OS X e Windows, e pode sincronizar com seu smartphone e
escutar em modo offline. Experimente (e me siga, se quiser).

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Notas do autor

Corrigindo um erro em FabioFortkamp.com

No último mês, quando chegou minha conta do cartão, tive uma pequena
surpresa. Com a alta do dólar, muitos serviços que eu usava, incluindo o
que sustentava este blog, estão pesando cada vez mais no orçamento. Ao
mesmo tempo, dei-me conta de que estava perdendo muito da motivação e
inspitação para escrever. Esses dois fatos me fizeram refletir sobre o
estado de FabioFortkamp.com. Está valendo a pena gastar dinheiro em
algo que não acho tempo para aproveitar?

Agora, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que cometi um
erro. Saí de uma plataforma (Squarespace), por me sentir incomodado
com falta de recursos, e resolvi adotar a máxima flexibilidade, usando o
Jekyll em um servidor. Teoricamente, seria muito simples, como
falei: o blog é uma pasta sincronizada entre o computador e o servidor.
Na prática, problemas aparecem. Misteriosamente, o site gerado no meu
computador e no servidor não coincidem. Instalar o Dropbox no servidor
pode ser um trabalho imenso. Tive de ficar procurando documentações de
muitas bibliotecas para consertar erros  na geração do site. Na pressa
de fazer a migração o mais rápido possível, não testei o novo sistema de
maneira suficiente, e os problemas estavam me tomando muito tempo. De
repente, eu não queria mais escrever porque queria resolver um erro, e
depois mais outro…

FabioFortkamp.com estava se tornando algo muito complexo. É hora de
consertar esse erro.

WordPress

FabioFortkamp.com agora está hospedado no WordPress.com. Não é a
plataforma mais poderosa, nem a mais simples, nem a mais flexível, mas é
a que permite o mínimo de fricção possível na hora de escrever. Existem
muitos apps que se integram, muita documentação, muitas maneiras de
publicar.

O que eu estou perdendo é um pouco de portabiliade (meus posts não são
mais apenas arquivos no computador), mas estou abrindo mão disso em prol
de recursos melhores. Não existe um sistema de blogs perfeito.

O resultado o leitor já pode conferir: depois de cada post existem
muitas opções de compartilhamento e um campo de comentários; na barra ao
lado existem também recursos para facilitar a navegação e opções para o
leitor assinar este blog por RSS e por email. E tudo isso é automático.
Novamente, eu perco um pouco do controle sobre a aparência e o
posicionamento destes elementos, mas estou bastante satisfeito com a
configuração atual.

Não quero ter de carregar todos os meus textos antigos um por um para o
novo site, e estou pesquisando alternativas de fazer de maneira mais
automática. Enquanto isso, o arquivo está incompleto, e espero que o
leitor me compreenda.

Temas

FabioFortkamp.com agora também está explicitamente marcado como um
blog sobre tecnologia, produtividade e ciência. Já publiquei diversos
textos sobre esses assuntos, então não deveria haver muitas surpresas.
Essa identificação é para melhor informar novos leitores sobre o
propósito do site e para me guiar na produção de novos textos. Um blog
sobre tudo é um blog sobre nada.

Deixe-me ser claro: este não é um blog de notícias e rumores. Embora eu
possa comentar  algum acontecimento, estou me lixando para o preço do
novo iPhone, o fato do Android agora ter nome de chocolate ou a compra
da Nokia pela Microsoft. Minha grande paixão intelectual é a combinação
de ciência e tecnologia (não por acaso, sou engenheiro mecânico cursando
mestrado), com foco na resolução de problemas e na interpretação do
mundo
. Acho que podemos sempre procurar trabalhar melhor (e não
mais) para fazermos diferença no mundo e para termos tempo para
estarmos com pessoas que amamos. E que, sempre que não entendemos algo,
saímos perdendo.

FabioFortkamp.com, assim, é um espaço de discussão desses assuntos.
Quero escrever minha opinião sobre o nosso uso da tecnologia. Quero
recomendar livros sobre ciência. Quero indicar textos interessantes que
encontro na internet. Quero mostrar aplicativos que me ajudaram a fazer
alguma tarefa. Quero experimentar como podemos melhorar nosso cotidiano
e relatar essas experiências. Quero poder desenvolver minhas ideias e
compartilhar com vocês (e esse processo é o principal benefício de se
manter um blog).

Propagandas

Como mencionei no início, o mercado de tecnologia está sujeito à cotação
do dólar, e, por mais que este blog seja um excelente hobby, quero
manter o orçamento sob controle.

O WordPress.com permite a você criar um blog absolutamente de graça e
pagar por recursos adicionais. Um que, para mim, é absolutamente
essencial, é ter meu domínio próprio. Outro que é importante é a
eliminação de anúncios no blog, mas isto é mais caro. Assim, sinto
informar que o leitor pode ter de ver algum anúncio em meio aos textos.
Isso é para me dar mais foco para escrever e manter o blog mais simples
possível. Aos poucos, conforme o blog for crescendo (agora numa
plataforma mais profissional e com um propósito mais claro), eu posso ir
adicionando recursos, entre eles o fim dos anúncios. Espero sinceramente
que o leitor entenda. O que não quero é daqui a tempo cogitar cancelar o
blog por estar muito caro.

A seguir

O foco agora vai ser em migrar os textos antigos e produzir novos, com
resenhas de aplicativos e algumas reflexões sobre nossos hábitos. Não
quero me comprometer com uma agenda específica, por agora, mas pretendo
escrever pelo menos uma vez por semana.

E, mais uma vez, obrigado por ler FabioFortkamp.com.

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Resenhas de livros

Resenha: Subliminar

Há algum tempo, resenhei aqui O Poder do Hábito, um livro que
tenta mostrar como hábitos, ações automáticas que não envolvem nosso
pensamento, regem nossa vida. O livro é bom, mas eu reclamei da falta de
explicações científicas. O Poder do Hábito não é um livro que discute
o inconsciente, preocupando-se apenas em mostrar histórias.

Mas existe um livro científico sobre o inconsciente, e esse é
Subliminar, de Leonard Mlodinow.

Mlodinow também dá exemplos, mas eles são apenas argumentos em favor de
ideias científicas. Aprendemos, por exemplo, que pessoas praticamente
cegas são capazes de detectar emoções nos rostos das pessoas; a evolução
nos treinou a usar o máximo poder cognitivo para processar rostos de
outros humanos, uma habilidade imprecindível numa espécie social.
Aprendemos também que, para poupar energia, o cérebro “fabrica” imagens
e lembranças; com o rápido movimento dos olhos produzindo imagens
borradas, restam lacunas que o cérebro tem de preencher. Fato semelhante
acontece com a memória, que não é, segundo pesquisas recentes, um
arquivo de computador intacto dentro de nossa cabeça. Memórias podem ser
plantadas, e vítimas de estupro podem reconhecer o algoz errado. Nem
tudo de que nos lembramos aconteceu.

A premissa do livro é clara: o inconsciente nos domina. Grande parte das
nossas ações não são controladas por nós. Mlodinow, um cientista por
formação, faz questão de provar cada ponto, e exibir seus argumentos com
claridade. Além disso, o fato do autor ter formação em Física, uma área
estrangeira ao tema do livro, nos faz pensar que estamos aprendendo
neurobiologia com ele.

(Mlodinow ter sido colaborador no roteiro de MacGyver também
não é ruim.)

O livro tem duas partes; na primeira, mais curta, o autor discute a
alternância de ações conscientes e inconscientes (e como, afinal, se dá
essa troca). A colaboração entre mecanismos é que governa nossa
complicada atividade cerebral.

A segunda parte tem foco no aspecto social: como vivemos em sociedade de
maneira subliminar. Um dos exemplos sensacionais envolve uma pesquisa de
Harvard onde um grupo de mulheres asiáticas fez um teste de matemática,
depois de responder um questionário. Um grupo respondeu perguntas sobre
sua origem, enfatizando o fato de serem asiáticas (e portanto “boas em
matemática”), outro respondeu perguntas sobre temas femininos (e
mulheres, segundo o estereótipo, são “ruins em matemáticas”), e um
terceiro grupo, de controle, respondeu perguntas neutras. Surpresa: as
mulheres que foram induzidas a se ver como asiáticas foram melhores que
o grupo de controle, que foi melhor que o grupo que se indentificou
apenas como “mulheres”. Conclusão: mulheres que vivem numa sociedade que
diz que ciências exatas é coisa de homem inconscientemente são afetadas
pelo preconceito.

Subliminar é muito bem escrito, tem muitas histórias interessantes (e
com referências) e faz você pensar. Você deve ler.

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Artigos

Simplifique sua vida: Introdução

Eu tenho uma vida razoavelmente simples. Moro com minha família, faço
mestrado em engenharia, tenho uma vida social razoável, dirijo um carro
simples (embora não goste de dirigir), gosto de ler e de manter este
blog. Não tenho emprego, não preciso sustentar uma casa, tenho poucos
compromissos e quase nenhuma responsabilidade.

Ainda assim, eu me sinto como se minha vida fosse complicada. Meu quarto
frequentemente está bagunçado. Muitas vezes tenho dificuldades de
gerenciar minhas tarefas no mestrado. Quando quero encontrar uma
informação (mesmo algo banal como o nome de um livro que vi e quero
comprar agora), nem sempre sei onde procurar. Perco muito tempo nas
redes sociais. Parece que minha lista de textos no meu leitor RSS não
termina nunca. Compro presentes em cima da hora. Quando tenho algum
compromisso, chego mais atrasado do que gostaria. Demoro muito tempo
entre acordar e sair de casa, pela manhã. De noite, quando sinto que
poderia fazer algo de bom (como escrever algo para este blog), parece
que o tempo voa. Não me sinto informado sobre o Brasil e o mundo.

É claro que muito disso é minha falta de organização, mas meu ponto aqui
é outro. Viver é complicado (e de novo, eu enfatizo que sei que minha
vida é muito menos complicada que a da maioria das pessoas). O excesso
de informação e de coisas para fazer, mesmo as mais mundanas, nos
sobrecarrega e nos tira tempo para fazer o que de fato gostamos ou
precisamos fazer. Por que perco tempo no Twitter e no Facebook em vez de
escrever? Por que, quando estou com minha namorada, fico preocupado com
meu mestrado? Por que fico passivamente lendo textos de blogs em vez de
avançar na minha lista de livros? Por que “não sei onde está aquele
documento” é mais frequente que “claro, está aqui comigo”? Por que
sempre tenho de procurar a mesma informação, em vez de ter um sistema
que organize isso de maneira eficiente? Por que os dias parece que não
rendem?

A matemática é simples: os dias duram 24 horas, em média. Para você ter
tempo de fazer o que quer, precisa eliminar tarefas. De maneira
semelhante, a nossa atenção, a nossa força de vontade, a nossa
concentração são recursos limitados. Para nos concentrarmos naquilo
que interessa, precisamos livrar a nossa cabeça de coisas supérfluas.

Precisamos simplificar nossa vida.

Minimalismo

Não consigo me lembrar de como cheguei ao Zen Habits, o blog sobre
simplicidade e minimalismo. Leo Babauta escreve bem e sobre coisas
relevantes: como simplificar, como ter tempo para as coisas que
importam, como cultivar hábitos bons. Falei há pouco de ter cuidado com
blogs, mas esse vale a pena.

Leo não é um grande teórico. É alguém que tinha seu emprego, sua
família, seus compromissos, e percebeu que sua vida não andava nos
trilhos: acima do peso, fumante, com dívidas, insatisfeito no emprego.
Resolveu mudar, simplificando sua vida ao máximo, e documentar o
processo em um blog. Leo não tenta nos ensinar de maneira autoritária:
ele relata suas experiências e nos propõe uma reflexão. O seu tom casual
com uma escrita simples e correta chamam a atenção.

O blog todo é cheio de textos muitos bons. Tem um, porém que é
imbatível: Simple Living Manifesto, um manifesto de 72 ideias para
simplificar sua vida. À medida que eu lia as ideias, percebi que podia
simplificar muito da minha vida. E percebi que essa lista não é mágica,
é apenas uma seleção de itens que tendem a nos tirar a atenção.

Resolvi tentar, e usar FabioFortkamp.com como canal de relatos.

Anunciando a primeira série de FabioFortkamp.com

A série Simplifique sua vida trará meu relato das tentativas de
simplificar a minha vida, baseado no manifesto de Babauta. Não vou
pegar os itens um a um e copiar aqui. Em vez disso, vou pegar as ideias
principais de Leo, agrupá-las segundo o meu raciocínio, contar a minha
implementação e relatar minhas experiências.

Recomendo ao leitor que leia o texto original (ou a versão
simplificada
, produzida pelo autor depois de críticas a uma lista
“minimalista” de 72 itens).

Aproveita para enfatizar que meus próximos textos não serão apenas sobre
isso. Gosto de tratar de temas variados neste blog.

Vamos simplificar.