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Vídeos de piano do YouTube para trabalhar

Se é que é possível, vou juntar nesse post dois grandes interesses meus: piano e produtividade.

Para mim, escutar música é uma excelente estratégia de ensinar meu cérebro a entrar no modo de trabalho profundo. Os leitores talvez não saibam, mas eu tenho estudado teclado e piano desde o final do ano passado, para ter algo para na verdade escapar do trabalho, mas aí há uma retroalimentação: enquanto me concentro, tenho adorado conhecer mais pianistas e obras de piano. Colocar vídeos no YouTube, além de me permitir escutar a música, permite-me visualizar também estes artistas tocando, e nos intervalos do meu trabalho consigo ficar assustado com a velocidade das mãos e sonhando quando eu vou conseguir tocar assim.

Eu sou muito fã no Kourosh Dini, não só como escritor, mas como músico: todo sábado, ele faz um concerto virtual de piano e sintetizadores que são sempre ótimos:

E depois da sua morte, eu comecei a conhecer mais da obra de Nelson Freire; aqui estão dois concertos parecidos mas separados por 35 anos de diferenças:

Como um bônus de produtividade, cada vídeo desses tem uma duração ótima para uma sessão de trabalho realmente profundo.

Aceito mais indicações de pianistas para escutar enquanto trabalho!

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Como eu corrijo trabalhos no iPad

Hoje de manhã, eu postei a minha lista de tarefas no LinkedIn:

Nesse mês de novembro, meu foco está em corrigir a primeira rodada de avaliações, enquanto preparo a segunda. Isso significa que há dias como hoje, onde eu tenho 11 trabalhos a corrigir. Podia ser pior.

Nesse tempo de aulas remotas, não há entrega de relatórios de papel, apenas documentos em PDF via Moodle. Após a entrega dos trabalhos, eu faço o download de todas as submissões e organizo-as adequadamente em uma pasta no OneDrive, meu sistema de sincronização de arquivos. Eu então contabilizo quantos trabalhos há a corrigir e qual o prazo eu tenho; minha universidade exige que as notas sejam disponibilizadas em até 10 dias úteis ou 48 horas antes da próxima avaliação, o que vier primeiro – ambos os critérios são bem razoáveis. Eu então faço a conta de quantos trabalhos há para corrigir em cada dia, conforme mostrado acima.

Para garantir o máximo de uniformidade, eu monto uma planilha de avaliação para cada trabalho:

O segredo está em ser bem granular na quantidade de critérios para evitar injustiças

Esta planilha é disponibilizada para os alunos durante a confecção do trabalho e está salva na mesma pasta onde guardei as submissões dos alunos. Há então uma nerdice pesada: eu uso um script que adiciona a planilha acima ao final de cada documento em PDF na mesma pasta:

#!/bin/bash

FILES=*.pdf
MODEL="Planilha de avaliação T4 ST1GEE1.pdf"

for f in $FILES
do
    if [ "$f" != "$MODEL" ]; 
    then
        NEWFILE="Avaliação_$f"
        echo "Processing file $f into $NEWFILE";
        pdfunite "$f" "$MODEL" "$NEWFILE"
    fi
done

Ao executar esse script na pasta dos trabalhos, eu tenho então uma lista de trabalhos, onde a última página é uma planilha para eu ir preenchendo conforme leio:

Ao longo dia de trabalho, vou lendo os trabalhos na ordem, e vou fazendo anotações ao longo do documento e na planilha ao final:

Eu sou muito chato quando estudantes não denotam unidades, por mais óbvias que sejam

Eu faço anotações no app Documents da Readdle com o meu Apple Pencil 1a geração, e uso a cor verde para ser menos agressivo (dica que tirei do Presentations Field Guide).

Ao terminar todas as correções, faço o upload dos documentos modificados no Moodle de volta.

Como eu falei ontem: não é divertido, mas tento ser o mais justo possível.

Professores: como vocês lidam com essa tarefa?

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Santificar o trabalho

Eu sou cristão. Também sou pai, marido, professor, pesquisador, filho, irmão, nerd, tecladista, amigo, neto, sobrinho, tio, primo, corredor. Eu sou o Fábio, tudo isso ao mesmo tempo. Não há como compartimentalizar isso em blocos distintos ao longo do dia.

Hoje é Domingo. Na Missa, pedi perdão pelas vezes que não fui um bom pai ou marido. Também orei para que o Senhor me ilumine nessa semana que se inicia, cheia de trabalhos a corrigir, aulas a revisar, trechos de livros a estudar, listas de exercícios a preparar.

Não é meu papel evangelizar nas minhas aulas, mas é meu papel praticar o evangelho santificando meu trabalho. Deus me fez com muitos defeitos, os quais aceito em paz: sou explosivo, tímido, reajo mal a criticismo, sou muitas vezes inflexível. Mas também tenho certeza que o Senhor me deu muitas graças, incluindo a do trabalho: considero-me modernamente inteligente e acho que tenho um talento natural para estudar e ensinar Engenharia.

São Paulo escreveu:

Não ouso falar senão daquilo que Cristo realizou por meu intermédio[.]

Rm 14, 18

A minha preparação para as aulas é uma forma de honrar esse dom, e de agradecer por ter um emprego durante a pandemia, um verdadeiro privilégio. Atender os meus alunos com toda a minha atenção, para mim, é uma forma de ajudar os outros. Ser o mais justo na correção de avaliações é uma forma de praticar a justiça de que Jesus tanto fala. Escutar os alunos quando eles pedem para negociar a data de entrega de alguma tarefa, mesmo que isso atrapalhe um pouco o meu planejamento, é uma forma de amor ao próximo, de “morrer aos meus interesses”.

A caridade não é apenas depositar um dinheiro ou distribuir comida; isto é o básico que todos deveriam fazer. Nessa semana, você pode ir além e fazer algo no seu trabalho que lhe ajude a chegar na santidade, apenas pelo ato em si, sem se preocupar com recompensa?

de ajudar os outros?

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A experiência de ler o mesmo livro em Kindle e em formato físico

Era só uma viagem de volta de Florianópolis para Joinville. Quando o bebê no banco de trás começou a reclamar de fome, reduzi até entrar uma destas paradas de beira de estrada – uma relativamente famosa, mas ainda assim uma parada de beira de estrada. Depois do café com pão de queijo, a caminho do caixa, eu vejo um monte de livros expostos, entre eles não um livro qualquer de ficção popular, mas um dos meus livros favoritos: Roube como um Artista, de Austin Kleon.

Principalmente pelo aparente absurdo de encontrar um livro sobre criatividade em um restaurante de BR, não resisti e comprei. O fato de eu comprar um livro por impulso não deve surpreender a ninguém, exceto talvez pelo fato de que eu já tenho esse livro, já li e reli inúmeras vezes, já resenhei aqui e já escrevi sobre muitas lições inspiradas pelo livro.

Ler o livro físico enquanto tomo café da manhã, no entanto, tem sido uma experiência diferente. Eu me engajo mais com o livro, presto mais atenção nas suas ideias, e ajo mais em cima dos seus conselhos. A leitora percebeu que tenho postado todos os dias de novembro? Pois é, o compartilhamento frequente de ideias é tema de um dos capítulos, e, devo dizer, um dos meus prazeres diários e resumir o que se passa na minha cabeça em um post por dia.

A minha relação com meus cadernos também mudou. Enquanto estudo, eu procuro não apenas sintetizar as ideias com minhas palavras, mas agora busco também copiar alguns parágrafos ou frases exatamente como escrito, para tentar imitar um pouco do estilo de escrever.

O livro digital logicamente tem suas vantagens. Esperando o dentista, eu posso ler um livro no celular em vez de perder tempo no Instagram, mas eu dificilmente levaria um livro de papel por aí. No Kindle (o dispositivo e nos apps) eu posso marcar passagens e escrever notas, e então exportar as anotações. Posso pesquisar qualquer palavra. Mas não aprendo tanto quanto no livro físico.

Como alguém que anda estudando projetos de sistemas térmicos, eu sei que dificilmente existem ótimos globais; se livros físicos ou digitais fossem claramente melhor que a outra versão, não haveria ampla disponibilidade dos dois formatos. E por isso eu aproveito tudo: alguns livros no Kindle, outros na minha biblioteca física, e alguns de todas as formas possíveis.

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Como preparo listas de exercícios

Ontem eu escrevi sobre como tenho continuamente melhorar no que eu faço. Uma parte essencial de ser um bom professor é dar boas oportunidades para os alunos praticarem o que aprendem na aula; em Engenharia, isso significa Listas de Exercícios.

Final de semana, estou quase lá

Na semana passada, ao revisar a quantidade enorme de trabalhos a corrigir e listas de exercícios a desenvolver, além da recorrência semanal de preparar aulas, eu decidi que a maneira mais efetiva de dar conta é simplesmente fazer um pouco a cada dia. Acima, o Todoist me lembra das pequenas tarefas a cumprir hoje: um capítulo a estudar, exercícios a preparar, uma aula a revisar. Este esquema deve se repetir todo dia deste mês, que está bem mais cheio que o normal, então só me resta respirar fundo e viver um dia cheio após o outro, sem abandonar as brincadeiras com meu filho, os filmes com minha esposa, as corridas, a meditação, a corrida (a prática musical de teclado tem sim ficado de lado).

Quando eu de fato vou trabalhar em cada lista, eu abro os livros da Bibliografia indicada e vou selecionando os exercícios que me chamam a atenção e que estão de acordo com os objetivos de cada curso. Muitas vezes eu modifico os enunciados para encorajar análises mais interessantes.

Para de fato escrever as listas, eu uso LaTeX, e um esquema que acho que tem sido efetivo é adicionar as respostas diretamente no arquivo, para os alunos verificarem os seus desenvolvimentos. Eu adoraria providenciar um Manual de Soluções completo para cada lista, mas as tarefas diárias acima não me permitem abraçar a responsabilidade adicional de digitar todas as soluções. Eu salvo as resoluções, tiradas dos manuais oficiais ou mesmo criadas por mim, para o caso dos alunos virem tirar dúvidas de algum item.

Este tem sido um grande melhoramento em relação ao semestre passado, quando eu admito que faltaram oportunidades para praticar. Essa rotina diária de estar envolvido com exercícios e trabalhos me faz ficar mais conectado com a rotina de estudo dos alunos e com a própria preparação de aulas.

Professores que lêem este blog, ou mesmo alunos meus: alguma sugestão de como melhorar esse processo?

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Como tento melhorar no que eu faço

Eu estudo.

Ultimamente, o assunto que não sai da minha cabeça é Projeto de Sistemas Térmicos. Eu ministro muitas disciplinas que seguem o esquema de similares porém diferentes: a teoria é muito parecida, as equações governantes são as mesmas, as aplicações são similares. Motores de combustão interna e usinas termelétricas são exemplos de máquinas térmicas; máquinas térmicas seguem ciclos que, se revertidos, geram refrigeradores; e o projeto de refrigeradores é muito dependente de trocadores de calor.

É por isso que ultimamente, tenho me dedicado a livros que abordam esses assuntos como um todo, e não como disciplinas em separados, na tentativa de trazer detalhes mais práticos para os alunos e apontar situações reais, de projetos de engenharia. Os assuntos que vemos em sala de aula não são maluquices teóricas de sala de aula! O projeto de motores, tubulações, condicionadores de ar, processos industriais – tudo isso se baseia nos princípios vistos nas minhas disciplinas.

Foto de livros de projetos de sistemas térmicos

Eu noto grande dificuldade dos meus alunos em combinar assuntos de cursos diferentes; muitos me acompanham ao longo de vários semestres, e, em uma disciplina avançada, não parecem lembrar dos conceitos preliminares vistos em semestres anteriores. Isto é natural, já que eles estão em começo de carreira. Mas, se eu enxergo uma dificuldade de ensino, eu quero me aprimorar para me tornar tão bom que os outros não podem me ignorar.

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A Segunda Lei da Termodinâmica não é um acessório

Hoje eu dei uma aula de Refrigeração para a qual eu me preparei com muito mais intensidade que outras deste semestre, principalmente porque é um assunto que vem crescentemente me envolvendo: a Segunda Lei da Termodinâmica.

Tentativa de explicação para leigos em um parágrafo: a Primeira Lei diz que a energia total de um sistema se conserva, através de transformações de calor (dependente de temperaturas) ou de trabalho (forças). Você pode aumentar a energia sensível da sua mão colocando próxima do fogo ou esfregando-as uma na outra. A Segunda Lei estabelece limites: você pode transformar a potência gasta ao esfregar as mãos em calor, mas não pode esquentar (ou mesmo esfriar) as suas mãos e esperar que elas se movam espontaneamente como consequência. Existe uma assimetria na energia.

Adrian Bejan diz que existe na engenharia uma “tradição focada em solução de problemas” que tende a ignorar a Segunda Lei em favor apenas da Primeira Lei da Termodinâmica, que é o que permite de fato calcular trocas de calor e potência (e, em último grau, gastos de energia elétrica ou de combustível). Porém, a Segunda Lei, com seus limites, suas desigualdades, é o que diz como melhorar um sistema; ela estabelece até que ponto podemos mudar as quantidades de calor e trabalho. Um motor de combustão interna que absorva toda a energia do combustível e gere trabalho nas rodas, sem soltar nada na descarga, é possível pela Primeira Lei, já que a energia se conserva, mas não pela Segunda Lei, que estabelece que a conversão de calor em trabalho não pode ser perfeita.

Nos seus Elementos de Máquinas Térmicas, Zulcy de Souza chama a atenção de que foi a crise do petróleo da década de 1970 que chamou mais a atenção da Engenharia para esses conceitos de Segunda Lei, pois é ela que ilumina o caminho para maiores eficiências.

Como professor de Engenharia Mecânica, eu estou fazendo a minha parte. A Segunda Lei é parte integral do estudo de energia; entretanto, exige maior capacidade de análise de engenharia, e mais criatividade na identificação de estratégias para usar melhor a energia.

Você, aluno meu ou não, está disposto a estudar mais que os outros para mergulhar nesse assunto? Você, engenheira experiente ou iniciante, está preparada para melhorar o uso de energia no mundo?

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Termodinâmica baseada em evidências

Ao discutir conceitos de Termodinâmica com meus alunos, às vezes tenho a impressão de que é fácil se perder em conceitos abstratos que parecem pertencer apenas a livros-texto, como “disponibilidade”, “irreversibilidade”, “idealidade”, ou o pior de todos, “entropia”.

Estou numa vibe (ainda se usa isso?) de estudar projetos de sistemas térmicos (mais sobre isso em post futuro), e o excelente Thermal Design and Optimization de Bejan e colaboradores tem alguns lembretes de que a Termodinâmica é baseada em evidências, fatos comprovados repetidamente por experimentos.

Traduções livres minhas:

Métodos baseados em experimentos estão disponíveis para avaliar a transferência de energia por calor.

Bejan, A.; Tsatsaronis, G.; Moran, M. Thermal design and optimization. [sl]: John Wiley & Sons, 1996.

e

Da experiência se acha que ciclos de potência são caracterizados dualmente por uma adição de energia por transferência de calor e uma rejeição de energia por transferência de calor.

Bejan, A.; Tsatsaronis, G.; Moran, M. Thermal design and optimization. [sl]: John Wiley & Sons, 1996.

e

A experiência com ciclos de potência mostra que a eficiência térmica é invariavelmente menor que 100%.

Bejan, A.; Tsatsaronis, G.; Moran, M. Thermal design and optimization. [sl]: John Wiley & Sons, 1996.

Finalmente:

A base para a Segunda Lei da Termodinâmica, como para todas as outras leis físicas, é a evidência experimental.

Bejan, A.; Tsatsaronis, G.; Moran, M. Thermal design and optimization. [sl]: John Wiley & Sons, 1996.
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Revisão de Outubro de 2021 e Planejamento de Novembro 2021

Outubro foi um mês diferente dos normais.

Ao mesmo tempo em foi um mês onde andei devagar, trabalhando muito menos horas que os meses anteriores. cumpri quase todas as minhas metas: revisei aulas que precisavam ser melhoradas, preparei trabalhos, resolvi pendências financeiras. Talvez o que Cal Newport fale sobre o conceito de Slow Productivity, uma produtividade mais centrada em resultados lentos mas significativos, faça mais sentido do que eu imaginava inicialmente.

O que deu certo

Pensando na minha rotina de preparar aulas, eu percebo o como estabeleci o hábito de melhorar, nem que seja 1%, a qualidade de cada aula. Estou disponibilizando mais oportunidades dos alunos praticarem, estou quebrando as aulas mais pesadas em encontros com menos conteúdo para explorar conceitos em maior profundidade, e estou refletindo mais após cada aula para ver onde ainda é possível melhorar.

Apesar de nunca ter trabalhado em uma indústria, eu participei de vários projetos e parcerias com várias empresas, e tento sempre trazer essa experiência para a sala de aula. Quando eu sai da graduação e entrei no mestrado, começando a fazer projetos por conta própria, percebi o quanto me faltava uma habilidade básica de engenharia: consultar catálogos. Como escolher equipamentos para uma determinada aplicação? Como extrair dados de um catálogo para usar nos modelos vistos em sala de aula? Pensando nessa minha deficiência, neste início de semestre eu tentei enfatizar bastante a consulta a datasheets, e confesso que têm sido excelente para mim, ser um pouco menos acadêmico e mais engenheiro.

Fora da esfera profissional, dediquei-me muito à prática do teclado (musical, para deixar claro) – hoje o meu grande escape contra o estresse. Já estou no curso Teclado Iniciante 3 da MusicDot; eu sou um tecladista em recuperação, já que eu tocava quando criança. Tenho abraçado também o guilty pleasure de ver filmes de super-heróis, do Liga da Justiça de Zack Snyder a Coringa e Doutor Estranho, e comecei a aventura de rever todos os filmes do MCU na ordem cronológica de acontecimentos (e não de lançamento), começando com Capitão América: O Primeiro Vingador.

E, a melhor parte de tudo, este estado de relaxamento melhorou muito a minha relação com minha esposa e meu filho.

O que não deu certo

Aparentemente eu estou enfrentando uma Resistência perene em escrever um paper que ainda deve ser publicado a partir da minha tese. Em outubro, eu gostaria de ter finalizado a Revisão Bibliográfica, e isso ficou pela metade.

Há fatores externos, com certeza: não é fácil encaixar uma atividade de pesquisa como essa, que requer horas de concentração, em uma semana com 17 horas-aula, cuidados com um bebê, e meu próprio lazer e auto-cuidado. Mas há internos: a minha simples empolgação em mergulhar cada vez mais nos assuntos das minhas aulas, e a ansiedade em voltar a uma tese finalizada há mais de dois anos, sem saber muito bem por onde retomar os trabalhos.

Aceito essas dificuldades em paz. Esse projeto não ficou parado, e isso vai ter de bastar por enquanto. Nesse ano, o grupo de pesquisa do qual fiz parte já publicou um importante trabalho, e fomos premiados por outro, então minha carreira de pesquisa não está estagnada.

Planejamento do próximo mês

Esse mês vai ser dedicado à atividade menos divertida de ser professor: corrigir avaliações (desafio: ache um professor que diga que adora corrigir provas e trabalhos). É chato, porém necessário, e procuro ser o mais justo possível, errando para o lado de dar notas altas demais, por vezes.

Além disso, selecionei algumas aulas que gostaria de melhorar em diversas disciplinas, e já separei materiais a estudar.

A parte boa desse ritual é que eu olho o calendário e imediatamente já vejo o quão ocupado vou estar, então nem vou me preocupar com o paper acima. O que as pessoas não sabem sobre o mundo acadêmico: o recesso entre semestres não é (sempre) sinômino de férias, mas de tempo disponível para perseguir outros objetivos profissionais que não o docente.

E o leitor, que planos têm para novembro?

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Tirando férias em um período sem férias

A minha esposa espalha por aí que eu sou uma pessoa estressada (brincando apenas em parte, como infelizmente tenho de admitir), mas até ela há de concordar que esse mês de outubro têm sido transformador.

Não é difícil saber o que ajuda a conter o estresse, e eu sigo todas as receitas conhecidas: meditação, oração, terapia, prática de exercícios – e, ultimamente, uma menos conhecida: “mini-férias”. Esse conceito foi aparentemente popularizado por Tim Ferriss, em que ele propõe parar de viver um ciclo de períodos longos de trabalho com períodos médios de férias, e aumentar a frequência desse ciclo: trabalhar algumas semanas, viajar outras, voltar a trabalhar, viajar mais um pouco (esse vídeo explica bem). Variações dessa ideia: a Thais Godinho recomenda fazer do dia a dia suas férias, e a Laura Vanderkam recomenda planejar mini-aventuras fora da rotina para tornar a vida mais memorável.

Nessa primeira quinzena de outubro, eu e minha família aproveitamos essa ideia de mini-férias na praia. O prefixo é necessário: apesar de alguns dias sem aulas devido a uma semana de palestras na minha universidade, eu não estava de férias de fato. Porém, mesmo nos dias onde havia aulas e outros compromissos eu tirei o pé do acelerador.

Fazia tempo que eu não me sentia tão genuinamente feliz, relaxado.

Eis o que eu experimentei nessas semanas:

  • Muitas corridas na praia
  • Café com minha irmã
  • Sorvete com um grande amigo meu dos tempos de escola
  • Ir num Sebo (!) e comprar livros por R$ 15
  • Tomar açaí em um dos meus locais favoritos de Florianópolis
  • Aniversário do meu avô (93 anos!)
  • Visita ao meu compadre, onde o meu filho se diverte muito brincando com o filho dele

Seguindo outra recomendação da Laura Vanderkam, de refletir mais e usar o celular menos, eu escrevi muito no meu caderno. Tenho tentado registrar tudo: minhas impressões, minhas meditações da Bíblia, o que fiz, meus sentimentos. E minhas tarefas, o que foi essencial para realmente aproveitar esse período.

Não é fácil para uma pessoa ansiosa conseguir relaxar de fato, e eu só consegui fazer isso sabendo que tudo estava em ordem: preparei com cuidado as aulas necessárias, atendi alunos, respondi emails. Aproveitei os cafés da manhã não para re-assistir The Big Bang Theory, mas para estudar artigos para uma revisão bibliográfica que estou preparando. Após voltar de cada passeio, dediquei meia hora a revisar algum assunto para a aula do dia seguinte.

Eu sei que esse período foi finito, então tentei aproveitar ao máximo. Logo mais vou voltar à minha rotina normal – mas que já é preenchida de mini-férias, de qualquer jeito. Eu ministro 5 disciplinas de Engenharia e estou tentando voltar a fazer pesquisa, mas não abro mão de passeios matinais com meu filho e almoços em família. O LinkedIn me mostra vários colegas de faculdade com muito mais realizações profissionais que eu – mas eles não tem um bebê que grita “papai” e abre um sorriso quando os vê. E é para o meu filho que eu quero ser melhor e menos estressado.