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Por que deixei meu emprego de professor

Vou fazer um anúncio quase 2 meses atrasado: eu deixei o meu emprego anterior de Professor Substituto em uma universidade estadual, e voltei à minha universidade (e cidade) de origem para trabalhar como pesquisador em um novo projeto.

Os anúncios são vários, mas a base é uma só: eu me sentia sem futuro.

Eu amei ser professor, fui muito feliz no meu ambiente de trabalho, e acho que tenho talento. Não pretendo abandonar o ensino, e um de meus projetos para 2023 é justamente reavivar meu canal de aulas no YouTube, modernizando os vídeos e criando verdadeiramente os meus cursos de Engenharia Mecânica. Mas a vida de professor substituto não é fácil: eu tinha uma caga horária de 17 horas-aula semanais, com 5 disciplinas por semestres, o que exigia mudar o assunto na minha cabeça várias vezes por dia, corrigir dezenas de provas e trabalhos por mês, e estar sempre revisando e preparando aulas.

O sinal de alerta veio quando percebi que, nas aulas, estava falando de tudo no passado: eu estudei, quando eu participei de tal projeto… eu comecei a me sentir perigosamente fora da Engenharia Mecânica como ela está ocorrendo agora. Em outras palavras: como todo bom professor, eu queria praticar e pesquisar em paralelo com o ensino – mas eu só ganhava por hora dentro de uma sala de aula.

Eu também comecei a me sentir desolado com a vida de concursos acadêmicos. Participei de alguns, não fui aprovado em nenhum, nem de perto. Sinceramente, comecei a questionar se era isso mesmo que queria, se estava disposto a caminhar nessa jornada de virar professor efetivo (ainda não tenho essa resposta). O que estava claro é que não era atuando a semana inteira como professor substituto que eu ia conseguir mudar isso.

Eu comecei a planejar a possibilidade de participar de algum projeto de pesquisa, ou mesmo de procurar um emprego de engenheiro, e a sorte me lançou as duas coisas ao mesmo tempo: um anúncio de vaga CLT, de Engenheiro, mas em um ambiente de pesquisa, com meus antigos colegas, com o meu orientador de sempre. Apliquei, e consegui.

Não sei o que é do futuro; minha prioridade agora é fazer um bom trabalho neste projeto e honrar a oportunidade dada. Estou trabalhando muito para me atualizar na Engenharia – que era o que eu queria. Estou feliz e animado com os próximos passos.

E você, leitor, teve alguma grande mudança de emprego e vida nesse ano? Quer promover essa mudança? Comente aqui embaixo!

Por Fábio Fortkamp

Pai do João Pedro, Marido da Maria Elisa, Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Estado de Santa Catarina, católico devoto, nerd

3 respostas em “Por que deixei meu emprego de professor”

Oi, Fábio:
Achei muito legal o seu relato, pois concordo com as correções de rumo que a vida merece, sendo eu a prova viva disso.
Sou (também) engenheiro mecânico, mas nunca exerci, pois assim que concluí, decidi fazer direito, sendo desde então advogado.
Em paralelo às minhas formações, desde o período de minha primeira graduação, fui fiscal estadual atuando com ICMS, tendo pedido exoneração um ano após a posse por não ver os horizontes esperados por mim, sendo à época sendo chamado de “louco” por conhecidos por tal atitude. Afinal, tinha estabilidade, um salário relativamente bom etc.
Mas Deus esperava algo melhor para mim: um ano após meu pedido de exoneração, candidatei-me e fui aprovado num concurso para o mesmo cargo, no entanto em outro Estado, cujo salário era quase três vezes maior do que o anterior. Permaneci lá por dez anos e, após concluir o curso de direito, pedi outra vez exoneração (“louco reincidente!”) para me dedicar à advocacia, onde milito há mais de vinte anos, estando/sendo muito feliz.
Portanto, parabéns pela sua atitude de realinhar-se profissionalmente, e que isso lhe devolva o “brilho nos olhos” necessário para termos a grande alegria de fazermos o que nos dá prazer.

Muito legal a sua história, Ivan, obrigado por compartilhar. Se me permite perguntar, o que o levou a escolher Engenharia Mecânica, se você já estava aparentemente trabalhando como fiscal (estou preparando alguns posts sobre a escolha de engenharia mecânica, por isso a pergunta)?

Oi, Fábio:
A minha atração pela engenharia mecânica começou anteriormente, o que me levou a fazer o vestibular para tal curso. No entanto, no decorrer do exercício da função de fiscal, vi que isso também me apetecia, o que me fez optar por essa segunda opção.
Mas sempre fui fascinado desde criança por motores (como muitos que escolhem a engenharia mecânica). Mas o que me atraía não eram propriamente motores de automóveis, mas sim motores diesel, de caminhões, de locomotivas, enfim, de grande máquinas. Na minha adolescência, no inícios dos anos oitenta, as paredes de meu quarto eram cobertas de pôsteres de modelos Scania, Volvo, Mercedes, FNM etc, que eu reconhecia na rua pelo ronco dos motores.
A paixão foi refreada pelos rumos que a vida me deu, mas em 2014 decidi montar uma pequena transportadora, tendo tido três veículos (um Volvo 540 rodotrem graneleiro, um Scania 380 carreta baú e um Scania bitruck 310 câmara fria). No entanto, a estagnação econômica que o país adentrou me fez vendê-los em 2018.
Foi-se o negócio, continuou a paixão.
O que a conclusão do curso engenharia deixou como legado para as demais ocupações que vim a exercer foi sem dúvida a visão cartesiana com a qual encaro as situações jurídicas com as quais me deparo cotidianamente.

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