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O conselho que eu daria para meu eu adolescente (que surpreende até a mim)

O WordPress.com está me sugerindo escrever com a seguinte pergunta hoje:

Que conselho você daria para seu eu adolescente?

Depois de pensar durante a manhã toda, a minha resposta é supreendente até para mim:

Vá fazer um curso técnico.

Veja: o Fábio de 16 anos era um poço sem fundo de timidez. Sim, eu era nerd. Sim, eu só queria estudar e tirar todas as notas 10 (na maior parte do tempo eu conseguia). Sim, eu demorei tempo demais para beijar uma menina pela primeira vez.

Por que então eu não dou um conselho mais direto, do tipo “aproveite a vida”, “vá festar mais”, “perca a timidez” etc? Por que eu estou falando de conselhos, e não de substituição de personalidades. Eu era uma criança tímida, fui um adolescente tímido, e sou um adulto tímido. Ainda hoje, sinto-me bastante desconfortável em ambientes cheio de pessoas desconhecidas. Se eu viajasse no tempo, não há nada no mundo que mudasse esse que é simplesmente o meu jeito de ser.

Eu que eu poderia ter feito, e daí o meu conselho, era expandir um pouco mais meus horizontes. Sair da frente dos livros e dos computadores e ir para coisas mais práticas. Conhecer outros (e outras) jovens que não meus amigos de escola (que sempre me aceitaram do jeito que sou, diga-se).

Se eu tivesse feito um curso técnico, eu seria um adulto mais capaz de consertar as coisas, e seria um engenheiro muito melhor que sou, com mais visão do mundo real fora da academia. Aliás, esse conselho eu dou especialmente para os adolescentes que estão pensando em cursar Engenharia (qualquer uma). História real: um amigo meu acabou de tomar posse como professor de Engenharia Mecânica em uma excelente universidade, com um treinamento que teoricamente terminou no seu Doutorado mas que começou (adivinha) na Escola Técnica (onde ele já havia sido professor, inclusive).

Agora é tarde, e tenho que pesquisar no YouTube como consertar vazamentos na descarga. Mas se você é leitor ou leitora deste blog e é jovem, não perca tempo: vá usar mais as mãos para fazer coisas práticas no mundo real.

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Por que uso o PyCharm ou: uma história sobre complicar para simplificar

O que vou falar aqui não combina muito com o Ano de Simplificar, mas vale a pena ser dito: às vezes, complicar torna a vida mais simples.

O meu trabalho envolve programar muito em Python, como vários outros pesquisadores do mundo. O editor da moda é o Visual Studio Code, que tem um visual mais minimalista e de fato é muito bom.

O problema é que apenas o editor não é suficiente para meu trabalho: eu preciso de um terminal de linha de comando e de ferramentas de controle de versão. O VS Code têm tudo isso, mas aí a sua simplicidade começa a sumir… E é aí que eu resolvi abraçar a complexidade e usar um editor mais profissional, PyCharm.

PyCharm não é um programa simples ou fácil de usar: há inúmeros painéis, menus, caixas de diálogo, atalhos. Mas agora, tudo que eu preciso está em um só programa – e aos poucos, estou aprendendo a navegar nessa complexidade e me tornando mais produtivo e eficiente no meu trabalho.

E no seu trabalho? Que passo adicional em relação à complexidade a leitora pode adotar que vai tornar a vida mais simples, na verdade? Que software/metodologia/ferramenta o leitor está com medo de abraçar pela complexidade, mas que vai facilitar a vida?

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Dica para desestressar: abrace um prazer sem culpa

Um amigo meu disse uma pérola há alguns dias: “você sabe que está conversando com um millenial quando o tópico da conversa é o endereço do seu terapeuta”.

Saúde mental é importante. Os comentários mais frequentes neste blog são de pessoas que estão desmotivadas com a graduação ou pós-graduação, e não é à toa: a vida acadêmica é difícil.

Aqui vai uma dica: abrace o seu guilty pleasure: aquilo que você não deveria gostar, mas gosta.

Austin Kleon fala que não existem guilty pleasures, mas o seu foco é nisso como fonte de criatividade. Minha dica para essa retomada de trabalho pós-carnaval é: coloque esses “prazeres proibidos” na sua rotina como forma de desestressar – e pare de se sentir culpado.

O meu guilty pleasure? Hoje, enquanto minha esposa estava na rua com a crianças, cozinhei as refeições deste resto de semana assistindo Chicago Fire.

Não me arrependo de nada.

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2023: O Ano de Simplificar

O meu tema para 2023 é O Ano de Simplificar.

Desde que publiquei minha revisão de 2022, mais coisas aconteceram que tornaram aquele ano mais horrível que já era, incluindo brigas políticas com familiares. Política é obviamente um assunto emocional, mas eu não estava mesmo brigando por causa do Bolsonaro – e sim por causa da raiva acumulada dentro de mim contra tudo de ruim que aconteceu em 2022.

Com um novo filho, eu não posso ser uma pessoa com raiva, e a prioridade máxima na minha vida é reduzir os níveis de estresse. Para isso, preciso simplificar minha vida. Em 2022, eu me mudei de cidade e de emprego; tentei criar rotinas (e.g. tocar teclado e ir para a academia) que não vingaram; almejei ler mais livros que conseguia; e nossos gastos saíram do controle. Houve um excesso de coisas que precisa ser cortado.

Neste ano, vou curtir o novo emprego, moradia, configuração familiar, e reduzir a vida ao essencial. Preciso de todos os serviços de streaming? Preciso de tantas assinaturas de apps? Posso vender meu teclado e parar de me preocupar com isso? Posso parar de me preocupar com ir à academia e focar em correr na praça perto de casa? Posso chegar em casa e só montar um quebra-cabeça com meu filho mais velho? Ou, se ele estiver brincando sozinho, sentar e ler um livro, sem metas de números?

E este blog? Ele é essencial para mim? É essencial para minhas leitoras e meus leitores?

Vamos descobrir ao longo desse ano. Por isso, um pedido para começar o ano: se você gosta do que lê aqui, se vê valor, não deixe de comentar aqui embaixo e indicar este blog para alguém. Isso vai me ajudar a direcionar os trabalhos aqui neste ano.

Por um 2023 melhor, mais simples, para todos nós.

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Revisão do meu Ano de Ler e Escrever

O meu tema para 2022 foi Ler e Escrever.

Vou ser sincero: este não foi um dos meus anos favoritos. A mudança de emprego e de cidade adicionou muito estresse na minha vida, do qual ainda não consegui me recuperar. Pelo menos há um novo integrante na família para alegrar as coisas.

A minha prioridade era ler livros, e eu li 34 livros neste ano; nada mal, mas muito abaixo da minha meta de 60 (5 por mês), um número ambicioso inspirado por Cal Newport. Se ele, com 3 filhos e 2 empregos, consegue ler tanto, por que eu não consigo? É sinal de que não priorizei tanto assim. Voltando ao parágrafo anterior: o estresse me fez querer ver mais séries e ler menos livros, o que em teoria é OK; mas eu chego ao final do ano me sentindo não OK com isso. Em 2023, eu quero intensificar ainda mais o hábito de leitura, e baseado nesse ano, já aprendi que isso significa me importar menos em “ler livros físicos” e mais adotar o pragmatismo do Kindle. A leitora pode conferir algumas das minhas resenhas de livros aqui.

Leitura para mim inclui estudo, e nesse ano eu foquei em alguns concursos, todos sem sucesso. Isso me fez refletir também: é isso que quero para minha carreira? Continuar estudando e fazer concursos? Apesar do resultado ter sido um fracasso, o método é um sucesso: reforçar um tema para o ano me ajudou a justamente prestar atenção. Eu priorizei estudar como parte do meu Ano de Ler e Escrever, percebi que não deu certo, mas eu não deixei de seguir o tema. Eu li muitos livros-texto e escrevi muitas notas; missão cumprida.

Por último, o grande resultado da parte de escrita, e a que mais deu certo, foi a minha páginas de notas de aulas, que evoluiu para um segundo blog, em inglês e muito mais técnico que esse aqui, e eu encerro o meu Ano de Ler e Escrever me fazendo esta pergunta: meus blogs estão dando certo? Vale a pena continuar em 2023?

Amanhã vamos saber o meu grande tema para o próximo ano…

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Antônio

A maior notícia do ano, para mim, aconteceu quase no final: há alguns dias, o João Pedro ganhou um irmão, Antônio.

Não é novidade para ninguém que lê este blog que ser católico é parte da minha identidade. Assim, na hora de escolher algo importante como o nome dos meus filhos, não consigo deixar de me voltar para os grandes personagens bíblicos e santos que passaram por este mundo, em busca de inspiração. Que eu saiba, não existe nenhum personagem chamado Antônio na Bíblia, mas houve um grande homem que carregou esse nome.

A escolha deste nome está muito ligada à nossa situação de vida durante grande parte da gravidez do Antônio. Recentemente, eu e minha família nos mudamos para Florianópolis, mas a experiência de esperar o Antônio vai estar sempre muito ligada à nossa antiga cidade, Joinville. Eu amei morar lá, e amei fazer parte da Paróquia Santo Antônio. Indo nas festas do padroeiro, aprendi que Santo Antônio de Pádua, muito além do reducionista “santo casamenteiro”, era um grande professor – justamente a minha profissão durante boa parte da gestação do pequeno Antônio.

E assim, o pequeno Antônio chega para nos lembrar dessa importante fase da nossa vida, e para iluminar o nosso final de ano. E eu começo 2023 aprendendo a ser “pai de dois” – com todos os prazeres e dificuldades que isso traz.

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Por que deixei meu emprego de professor

Vou fazer um anúncio quase 2 meses atrasado: eu deixei o meu emprego anterior de Professor Substituto em uma universidade estadual, e voltei à minha universidade (e cidade) de origem para trabalhar como pesquisador em um novo projeto.

Os anúncios são vários, mas a base é uma só: eu me sentia sem futuro.

Eu amei ser professor, fui muito feliz no meu ambiente de trabalho, e acho que tenho talento. Não pretendo abandonar o ensino, e um de meus projetos para 2023 é justamente reavivar meu canal de aulas no YouTube, modernizando os vídeos e criando verdadeiramente os meus cursos de Engenharia Mecânica. Mas a vida de professor substituto não é fácil: eu tinha uma caga horária de 17 horas-aula semanais, com 5 disciplinas por semestres, o que exigia mudar o assunto na minha cabeça várias vezes por dia, corrigir dezenas de provas e trabalhos por mês, e estar sempre revisando e preparando aulas.

O sinal de alerta veio quando percebi que, nas aulas, estava falando de tudo no passado: eu estudei, quando eu participei de tal projeto… eu comecei a me sentir perigosamente fora da Engenharia Mecânica como ela está ocorrendo agora. Em outras palavras: como todo bom professor, eu queria praticar e pesquisar em paralelo com o ensino – mas eu só ganhava por hora dentro de uma sala de aula.

Eu também comecei a me sentir desolado com a vida de concursos acadêmicos. Participei de alguns, não fui aprovado em nenhum, nem de perto. Sinceramente, comecei a questionar se era isso mesmo que queria, se estava disposto a caminhar nessa jornada de virar professor efetivo (ainda não tenho essa resposta). O que estava claro é que não era atuando a semana inteira como professor substituto que eu ia conseguir mudar isso.

Eu comecei a planejar a possibilidade de participar de algum projeto de pesquisa, ou mesmo de procurar um emprego de engenheiro, e a sorte me lançou as duas coisas ao mesmo tempo: um anúncio de vaga CLT, de Engenheiro, mas em um ambiente de pesquisa, com meus antigos colegas, com o meu orientador de sempre. Apliquei, e consegui.

Não sei o que é do futuro; minha prioridade agora é fazer um bom trabalho neste projeto e honrar a oportunidade dada. Estou trabalhando muito para me atualizar na Engenharia – que era o que eu queria. Estou feliz e animado com os próximos passos.

E você, leitor, teve alguma grande mudança de emprego e vida nesse ano? Quer promover essa mudança? Comente aqui embaixo!

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Adora e confia

Para encerrar essa semana que acabou, sem planejamento, sendo dedicada a reviver este blog e centrada na Oração como tema produtivo, capaz de re-energizar um dia ruim, aqui está uma das minhas orações favoritas.

Se neste final de semana a leitora estiver em um momento meio para baixo, apenas sente e leia em volta alta, pausadamente:

Adora e confia

Não te inquietes com as dificuldades da vida
Pelos seus altos e baixo, pelas suas decepções,
Pelos seus imprevistos mais ou menos sombrios.
Queira tu o que Deus quer.

Pouco importa que te consideres um frustrado
Se Deus te considera plenamente realizado, a Seu gosto.
Perde-te confiando cegamente neste Deus que te quer para si,
E que chegará até ti, ainda que jamais O vejas.

Pensa que estás nas Suas mãos,
Tanto mais fortemente acolhido,
Quanto mais caído e triste te encontres.

Vive feliz. Suplico-te.
Vive em paz. Que nada te altere.
Que nada seja capaz de te tirar a tua paz.
Nem a fadiga psíquica, nem as tuas falhas morais.
Faz com que brote, e conserva sempre no teu rosto,
Um doce sorriso, reflexo daquele que o Senhor continuamente te dirige.

E no fundo da tua alma coloca, antes de mais nada,
Como fonte de alegria e critério de verdade,
Tudo aquilo que te encha da paz de Deus.

Recorda: tudo o que reprima e inquiete, é falso.
Asseguro-te que assim é, em nome das leis da vida e das promessas de Deus.
Por isso, quando te sentires desanimado, triste,
adora e confia...


Pe. Teilhard de Chardin, SJ
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Ó homem, não descanses

Continuando o espírito do post de ontem, segue um poema, que é também uma oração, atribuída a Gandhi e que é ensinada nas Oficinas de Oração e Vida. Espero que isso dê energia para essa quinta-feira pós-feriado, quando o cansaço deve bater:

Ó homem, não descanses

Que estejas cansado ou não, ó homem,
Não descanses, não te detenhas em
Tua luta solitária,
Segue adiante, não descanses.

Caminharás por trilhas confusas e complicadas
E apenas salvarás algumas vidas tristes.
Ó homem!, não percas a fé, não descanses.

Tua própria vida se esgotará e se desvanecerá,
E haverá perigos crescentes pelo caminho.
Ó homem!, suporta tudo isso, não descanses.

Salta por cima das dificuldades, ainda que
Sejam mais altas que as montanhas,
E ainda que mais além só haja campos
Áridos e secos.
O mundo escurecerá e tu derramarás
Luz sobre ele e de dissiparão as trevas.
Ó homem!, ainda que perigue tua vida,
Não descanses.

Busca descanso para os demais.
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Forçando-me a seguir objetivos com Todoist

Eu falei recentemente que nesse mês eu tenho tentado ser mais intencional com meus objetivos para tentar vencer o estresse. Quero ter noção clara de que estou avançando no que quero avançar.

Em junho, eu me coloquei três objetivos:

  1. Submeter um paper que estava pendente da minha tese e vem sendo trabalhado há mais de um ano – para manter pelo menos a taxa de artigo publicado por ano (é muito pouco, mas é o mínimo, e vem sendo cumprido desde a minha defesa)
  2. Finalizar uma seção de um curso de Machine Learning da Udemy que tenho feito – porque esse é o assunto que mais me anima intelectualmente, e onde eu acho que pode estar a minha próxima fronteira de pesquisa (não são muitos engenheiros mecânicos falando disso)
  3. Finalizar os estudos e documentos para um Concurso para Professor Efetivo

E isso é além das minhas atividades rotineiras de professor (preparar aulas, corrigir trabalhos, planejar atividades, atender alunos etc).

Para me forçar a seguir esses objetivos, nada como as boas e velhas tarefas recorrentes no Todoist:

Não estranham a mistura de inglês com português

Eu tenho uma tarefa de aula para fazer – e isso é inadiável. Mas eu preciso escrever e pesquisar materiais para o Projeto Acadêmico para o Concurso, e preciso assistir um vídeo do curso. Mas eu “preciso” mesmo fazer essas duas coisas? Não – se eu não fizer, o mundo não vai acabar, e por isso elas não deveriam estar na minha lista de tarefas de hoje segundo o GTD, pois há o risco de eu me sobrecarregar.

Eu sei que não se deve fazer, mas eu prefiro me forçar, estimular-me a encarar essas tarefas prioritárias, e constantemente refletir – se não der tempo, paciência; eu marco as tarefas de aulas com as etiquetas de cada aula para saber o que é crítico.

Resultado? No dia 8 desse mês já cumpri dois dos objetivos acima, e posso me concentrar no concurso, sabendo que já avancei em objetivos de curto e médio prazo. Agora é evitar de querer colocar mais e mais objetivos no meu Todoist…