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100 coisas que fizeram meu ano de 2020

Totalmente roubado do Austin Kleon, aqui vai uma revisão do meu ano de 2020.

  1. Dormir durante a passagens de 2019 para 2020 para cuidar do João Pedro durante a madrugada, e estar totalmente OK com isso.
  2. Cuidar do João Pedro durante a primeira hora do dia, enquanto minha esposa se recupera das horas amamentando de madrugada.
  3. Reunir todos os sete (!) bisnetos de meu avô no início desse ano para uma surpresa para ele e uma foto coletiva
  4. Realizar o meu sonho de virar professor
  5. Às pressas, achar um ótimo apartamento em Joinville…
  6. … mas, para ter mais espaço, voltar para Florianópolis no inverno, quando as aulas paralisaram…
  7. … para finalmente retornar às nossa nova cidade, e achar uma outra casa ótima, espaçosa – um lar.
  8. Fazer da quarentena devido à pandemia de Covid-19 uma coisa boa por estar com minha esposa e vendo cada etapa do crescimentos do João.
  9. Falando na quarentena: usar essa oportunidade para desenvolver um fluxo de trabalho para preparar aulas online: criar mapas mentais rodeado de livros, exportar para outlines, e automaticamente criar apresentações no Keynote
  10. Relacionado ao acima: estudar muito AppleScript para automatizar minhas tarefas
  11. Tantos romances históricos: O Último Reino, O Filho da Luz, Os Pilares da Terra, Mundo Sem Fim, O Crepúsculo e a Aurora
  12. Romances de fantasia/distópicos/ficção científica: Os Testamentos, Fogo & Sangue – Volume 1, O Fim da Infância, Frankenstein
  13. Falando em livros: para economizar, reler livros que já estavam no meu Kindle e não se importar com isso – aliás, de fato curtir e lembrar desses livros
  14. Falando no Kindle: largar um pouco o meu discurso de “é melhor ler no papel para absorver mais informações”, ler livros no Kindle por ser mais prático, e não se importar com isso
  15. Finalmente criar o hábito de fazer exercícios em casa (diariamente!) com Seven, Headspace, Asana Rebel, apps de flexões e abdominais, e um tapete de ioga…
  16. … e depois abandonar esse hábito por vários meses, entendendo que não era a prioridade no momento…
  17. … mas então, aos poucos e sem ansiedade, tentar re-estabelecer o hábito de caminhar todo dia, para em breve voltar a correr
  18. Meditar e orar quase todo dia. Headspace. App Liturgia Diária da Canção Nova. Salmos para a vida.
  19. Ver o João Pedro crescer, dia após dia, mês após mês, e comemorar o seu 1 ano de vida.
  20. Mesmo sendo recém pai e começando a carreira de professor com 5 diaciplonas, publicar 2 novos artigos em periódicos indexados
  21. Completar um semestre letivo como professor, assegurando para mim mesmo que eu consigo fazer esse trabalho
  22. Podcasts: Mac Power Users, Nerdcast, Cortex, Back to Work (depois de anos sem escutar!), Automators, Deep Questions, Numberphile
  23. Assinar Globoplay só para assistir Modern Family desde o começo
  24. Aproveitar a deixa acima para assistir The Big Bang Theory no Globoplay, e assinar Amazon Prime para ver Two and a Half Men.
  25. Também no Prime Video: terminar de assistir a saga Skywalker
  26. Passar um tempo na casa de praia da minha família e assistir uma quantidade não saudável de Law & Order: SVU e Chicago One na TV a cabo
  27. Montar um home office respeitável, depois de alguns meses sem um espaço em casa dedicado ao trabalho (efeitos da paternidade)
  28. Minha rotina de tomar chás enquanto trabalho
  29. Estabelecer uma rotina de preparar comida para a semana, e não gastar mais tanto tempo cozinhando durante a semana…
  30. … mas comemorar os 6 meses do João Pedro fazendo um dos meus bolos favoritos – o que na verdade serviu de desculpa para passar horas na cozinha, fazendo um bolo (depois de anos), para comer algo por prazer, e não apenas para meal prep
  31. Gadgets: Mouse Trackball MX Ergo, One by Wacom, Magic Keyboard com teclado numérico da Apple, AirPods
  32. Música: Titãs Trio Acústico EP, Not Our First Goat Rodeo, Ludovico Eunadi, Kourosh Dini, Chilly Gonzales, Roger Eno, Robert Fripp, Brian Eno
  33. Música II: curtir Mundo Bita com meu filho
  34. Música III: playlists do Deezer para trabalhar: Deep Focus, Deep Concentration, Epic Soundtracks
  35. Música IV: redescobrir Emmerson Nogueira, Renato Vargas e discos estilo “O Som do Barzinho”
  36. Música V: canais do YouTube do Nando Reis, Samuel Rosa, Capital Inicial mostrando como funciona a mente de um compositor
  37. Outros canais do YouTube: Numberphile, CGP Grey, Ali Abdaal, MusicDot, Thomas Frank, Jovem Nerd, Matt Ragland, Geography Now, Matt D’Avela
  38. Newsletters: Austin Kleon, The Art of Noticing, The Weekly Review
  39. Dois textos sobre ser melhor: 68 Ensinamentos Não Solicitados, Como ser perfeito
  40. Apps novos que fazem parte do meu fluxo de trabalho: Bear (para recuperar o prazer de tomar notas), Notion (praticamente apenas para organizar as diversas aulas a serem preparadas num dia), Screenflow (para gravar e editar vídeo-aulas), Focused Work (para controlar o tempo)
  41. Confiar no Todoist solidamente para gerenciar tantas tarefas…
  42. …e ter o Busycal como apoio de calendário…
  43. …e Trello para organizar projetos
  44. Comprar polpa de açaí e leite em pó e parar de gastar comendo isso fora (não contem para minhas antigas nutricionistas)
  45. Poucas, mas ótimas, corridas na praia
  46. Por sugestão de Rob Walker, notar a passagem do tempo nessa quarentena; retratos de um mundo antes e depois do isolamento. Como o calendário litúrgico me ajuda a saber “que dia é hoje”.
  47. Tambem por sugestão de Rob Walker, notar os sons da quarentena. Já perceberam a quantidade de sons diferentes de passarinhos?
  48. Finalmente ler (na verdade, ouvir) Sapiens
  49. Outros Audiobooks: The Bible: A Biography, The Periodic Table, The Obstacle is the Way
  50. Aprender tanto em tão pouco tempo sobre o Moodle.
  51. Rotineiramente cumprimentar meus alunos nos corredores da Udesc.
  52. Consumir quantidades absurdas de pasta de amendoim (é o que me deu energia para tudo isso).
  53. Aprender a ser ineficiente
  54. Finalmente aprender a fazer screencasts
  55. Voltar a fazer terapia (e aceitar e entender o quão importante é isso para mim)
  56. Receber e-mail de um aluno dizendo que minhas aulas o fizeram querer trabalhar com Refrigeração
  57. Poke do Hai Poke. Crepes do Cine Café. Bolinho de Costela da Costelaria da Serra de Rancho Queimado
  58. Finalmente, depois de quase dez anos de formado, aprender realmente sobre engenharia de motores de carros (o Fábio recém formado jamais imaginaria que daria aula sobre motores turbo)
  59. Passeios quase diários com o João nas ruas do Balneário Daniela
  60. Largar de Senhor dos Aneis e ler livros que me cativam: Deuses Americanos, Belas Maldições, O Médico e o Monstro, 20000 Léguas Submarinas, O Grande Gatsby
  61. Finalmente comprar um iPad e um Apple Pencil e usá-lo para corrigir trabalhos e ler artigos de maneira eficiente e prazerosa
  62. Cada vez mais, escrever no meu diário para aprender a pensar melhor
  63. Equipar a minha sala na Udesc do jeito que eu quero
  64. Em outubro, fazer mais um destralhamento digital. Deletar Instagram, YouTube, Wikipedia, IMDB do celular. Reaprender a priorizar as coisas.
  65. Passear e brincar com meu filho praticamente todo dia, sem celular, sem TV, apenas eu, ele, e seus brinquedos
  66. Poder contar com a melhor esposa do mundo como minha parceira nesse ano louco, minha âncora contra ansiedade, minha companhia amorosa não importa o que aconteça
  67. Ver o modo como minha família (de todas as direções!) ama e cuida do João Pedro
  68. Estudar o método PARA e o Second Brain
  69. Guacamole toda semana
  70. Aprender a usar máscara como nova peça obrigatória, aceitar isso, e perceber que as da Adidas são as melhores
  71. Filmes vistos esse ano: Democracia em Vertigem, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Batman vs Superman, A Chegada, História de um Casamento, Mulher-Maravilha
  72. Cuca da minha sogra
  73. Cucas de Joinville
  74. Widgets do iOS 14: Todoist, Fotos, Fantastical, Focused Work, Pocket Casts
  75. Ser convidado pelos alunos para orientarem seus TCCs, e aceitar que minha carga horária e minha condição de professor substituto não deixa
  76. Livros didáticos: todos do Çengel, Brunetti, Heywood, Incropera, Refrigeração e Ar-condicionado do Stoecker, Geração de Vapor do Edson Bazzo
  77. Acompanhar as eleições nos EUA e as desgraças do nosso governo enquanto re-assisto todas as temporadas de House of Cards e ver tudo ficar mais claro
  78. Ver o meu espaço de armazenamento no meu celular ser tomado por fotos do João Pedro
  79. Um único livro de não-ficção lido nesse ano: Crianças Dinamarquesas
  80. Passar um Natal diferente em um pesque-e-pague, em família, e ver a reação do meu filho ao encontrar cachorros, galinhas, ovelhas, cavalos
  81. No evento acima, ajudar meu sobrinho a ter uma primeira experiência dirigindo um carro
  82. Finalmente dirigir até Cascavel, cidade natal da minha esposa, em uma estrada belíssima
  83. Voltar a ir às Missa, na minha nova paróquia, e conhecer um pouco mais dos Salesianos de Dom Bosco
  84. Assistir The Crown com minha esposa
  85. Montar uma Coroa do Advento (não relacionada com a coroa acima) e acendar as velas todo domingo
  86. Concluir o Ano do Novo, cheio de experiências novas (é só ver essa lista)
  87. Planejar o tema de 2021: O Ano da Diversão
  88. Aprender a dirigir em Joinville sem uso do GPS
  89. Fazer compras on-line para tudo, e parar de gastar tanto tempo em supermercado (independente da pandemia)
  90. Tomar café lendo a Folha de São Paulo, com assinatura grátis para professores (embora eu saiba que acordar com as notícias não é uma boa ideia)
  91. Escolher padrinhos para o meu filho, e chamá-los de “meu compadre” e “minha comadre”
  92. Conseguir postar 20 textos no blog
  93. Experimentar Apple Arcade e testar dois jogos no final de ano: Oceanhorn 2 e Outlanders
  94. Aprender a comer melhor com meu filho: frutas, arroz e feijão, peixe
  95. Meu café da manhã preferido: Panqueca de aveia com pasta de amendoim e geleia de fruta
  96. Blogs: Austin Kleon, MacSparky, MacStories
  97. Passar alguns dias com meu filho dormindo no mesmo quarto que eu e aproveitar as músicas de ninar para eu pegar no sono
  98. Passar os últimos dias do ano em Cascavel, com minha família estendida
  99. Descobrir novos lugares para correr: Avenida Brasil em Cascavel, ADE e minha rua em Joinville
  100. Ver meu filho descobrir escadas e cachorros

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2021: O Ano da Diversão

O meu tema para 2021 é o Ano da Diversão.

Em 2020, eu fiz bastante coisa. Quando paro para pensar que criei um filho no seu primeiro ano ao mesmo tempo em que ministrei 17 créditos semanais em um curso de Engenharia Mecânica, praticamente apenas trabalhando de casa, eu me sinto levemente insano. Deu certo, eu consegui, mas eu preciso de um pouco de equilíbrio.

À medida que vou finalizando mais um semestre acadêmico, as aulas que tenho de preparar estão ficando mais redondas; meu orientador muito sabiamente me deu a dica de que são necessários três semestres para você realmente montar uma disciplina. Nesse ano, eu não preciso mais partir de uma velocidade inicial nula, mas refinar o que já fiz.

Meu filho também está crescendo, eu estou ficando mais habilidoso em conciliar paternidade com outras coisas. Eu não me iludo: vai demorar décadas até meu filho se tornar independente, mas o sono dele está se tornando mais estável, ele se movimenta pela casa sozinho, e, mais importante, estou brincando mais com ele e vigiando menos, o que quero reforçar mais nesse ano.

No que quero me divertir? O primeiro ponto é esse blog. Eu genuinamente gosto de escrever, e meus momentos de trabalho mais feliz são quando eu consigo separar um tempo para mostrar meu trabalho. Quero publicar mais nesse ano, e voltar a fazer desse blog uma parte importante da minha vida, como foi quando comecei.

Tenho alguns sonhos mais ousados também, como voltar a tocar violão, principalmente quando estiver com meu filho. Quero comprar um, voltar a estudar, e incentivar a musicalidade do meu menino – e a minha. Gostaria de poder jogar mais também, como forma de extravasar um pouco. Fazer coisas que não são relacionadas ao trabalho é uma questão de saúde mental.

Em 2020, eu tive poucos finais de semana de descanso, e está na hora de mudar isso. Eu já vinha pensando nisso, e Rob Walker sugeriu na sua última newsletter, em explorar mais a minha região. Quero fazer pequenos passeios em família, sempre de máscara e mantendo distanciamento social.

Onde vou arranjar tempo para isso? Da mesma forma como faço todas as outras coisas na minha vida atual: arranjando alguns minutos aqui e ali. Eu achava que não tinha tempo para exercícios, mas voltei a correr regularmemte. Eu achava que não conseguiria dar conta de 5 disciplinas, mas recebi até elogios pelas minhas aulas.

O Ano da Diversão não é um período de férias de 365 dias. Eu vou manter meus compromissos com meus alunos, criar meu filho, amar minha esposa, manter minha casa. Mas, a cada passo que tomar: vou me perguntar: é possível fazer isso de maneira divertida?

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Revisão do meu tema de 2020: O Ano do Novo

O meu tema para 2020 foi O Ano do Novo.

Nesse último dia do ano, parei para refletir e me assustei com a quantidade de coisas novas que passaram pela minha vida.

Eu aprendi a ser pai, e não há nem o que selecionar para falar do que foi novo porque tudo foi. Eu não sabia nada, e agora sei um pouquinho mais que nada. Não escondo de ninguém: a parte mais difícil foi lidar com o sono altamente irregular. Estou no processo de aceitar isso, ao mesmo tempo em que o sono do meu filho vai se estabilizando.

Eu e minha família fomos morar em uma nova cidade: Joinville. Em janeiro, peguei o carro e fui até lá, visitei meia dúzia de apartamentos, e escolhi um que parecia adequado. Mas meu cérebro estava acostumado a avaliar espaços e situações para um casal, e agora havia uma criança junto. Quando ele começou a crescer, e quando a pandemia estourou, a falta de espaço ficou evidente; não sabíamos nem se era seguro pegar o elevador para ir passear.

Mudamo-nos para a casa de praia da família, em Florianópolis, que fica vazia no inverno. E que experiência foi, morar na praia por um pouco mais de estação! Passear com ele todo dia pelas ruas vazias (e sem ter de compartilhar elevador) foi um dos pontos altos do ano. Viramos frequentadores conhecidos das lojas do bairro e, pela primeira vez na vida, eu morei em uma casa.

Na primavera, voltamos para Joinville, mas a experiência na praia me arruinou: eu queria ir para uma casa. Assim, mudamo-nos de novo e alugamos um casa. O ano de 2020 foi quando eu me tornei “dono de casa”, com todas as rotinas de manutenção mas com todo o espaço disponível.

Desde então, aprendemos de fato a morar em Joinville. Eu conheci novos lugares para correr; conhecemos novos restaurantes; já até consigo dirigir sem GPS para a maioria dos lugares.

Em 2020 também comecei um novo emprego, aprendendo a preparar aulas e em seguido re-aprendendo, desta vez online. Experimentei várias ferramentas novas: Moodle, BBB, Screenflow. Passei a usar o tão-falado Notion. Comprei livros novos, gadgets novos, montei o meu escritório.

O sistema de temas funciona. Minha vida em 2020 foi muito diferente de 2019. A cada decisão, eu tinha o tema em mente, o que levava a querer arriscar e experimentar.

Amanhã, eu vou contar para vocês o meu tema de 2021.

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Resenhas de livros

Frankenstein, ou como conhecimento superficial não conta

Frankenstein, ou O Prometeu Moderno, de Mary Shelley, foi o último livro de ficção que li em 2020, e um exemplo de como conhecimento superficial não é bem conhecimento.

O que eu achava que conhecia sobre a obra, baseado em apenas ouvir dizer: um cientista maluco cria um monstro chamado Frankenstein com parafusos na cabeça, grita IT’S ALIVE, e a criatura sai quebrando tudo.

Sobre o que o livro realmente é: o impacto de decisões erradas. Frankenstein é o estudante de filosofia natural (e não a criatura) que se vê no meio de uma briga de ego de dois professores, que resulta numa descoberta “mágica” (melhor dizendo, alquímica) sobre a origem da vida. Ele faz um experimento, fica horrorizado, e tem de lidar com o que acontece depois. É ele quem fica louco de arrependimento.

O ato da criação em si consome muito pouco tempo do livro, o que me leva a questionar a classificação de Frankenstein como “horror” ou “ficção científica”. Para mim, é um drama, cheio de reflexões sobre o sofrimento do protagonista, com toques de fantasia.

O que mais eu não sabia? Que esse é um livro suíço. A geografia da Suíça, com seus lagos, planícies e Alpes são parte importante da relação entre criador e criatura.

E, surpresa, o monstro não tem parafusos na cabeça. Ou pelo menos Mary Shelley não queria nos dar essa imagem vívida. Aliás, ambíguo é um adjetivo apropriado para descrever esse livro.

Por dentro das coisas

Donald Knuth tem uma frase que adoro, difícil de traduzir, mas que basicamente significa que o trabalho dele é conhecer os detalhes profundos de poucas coisas, e não uma visão geral de tudo.

Por uma questão de personalidade, eu também sou assim. Dê-me um livro e um fone de ouvido e me largue por horas e consigo ser feliz. Porém, na minha carreira, diversas vezes sofri pressão para abandonar essa abordagem em favor de um conhecimento mais raso porém mais amplo. Os resultados sempre foram ruins.

Conhecimento superficial não é conhecimento. Nunca há tempo para saber tudo que há para saber, e há que se tomar cuidado para não perder tempo demais pesquisando e de menos fazendo. Porém, acredito que geralmente é possível se organizar e realmente aprender alguma coisa, estudando-a efetivamente, tomando notas. Querer realizar uma tarefa com base em um vídeo rápido do YouTube vai exigir retrabalho depois para cobrir os detalhes que ficaram para trás. Mais valia a pena ter se dedicado a estudar com mais afinco antes.

Esse texto é para lembrar desse lema pessoal: Fábio, você é uma pessoa que gosta de estar on bottom of things. Ler o livro Frankenstein (que, sinceramente, é chato de ler) dá um conhecimento muito superior a ler todos os resumos e artigos na Wikipedia ou ver todas as adaptações.

Próximo passo: ler Drácula e ver o quanto eu realmente sei sobre vampiros

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Como eu me preparo antes de entrar em uma sala de aula

Lembro quando entrei numa sala de aula para dar aulas pela primeira vez. Não estava vazio, como a foto da capa deste post, mas o pensamento mais aterrorizante era o que vou falar para essa gente?

Hoje em dia esse sentimento não sumiu, mas está atenuado pela prática e pelas minhas rotinas de preparação para aulas. Como já falei aqui, eu me dedico bastante a preparar bem minhas aulas, mas mesmo assim descobri que ter um pequeno ritual antes de entrar numa sala de aula, mesmo virtual, ajuda bastante a conter a ansiedade.

Para implementar isso, além de colocar os horários de aula no meu calendário, eu dedico tempo para um pré- e um pós-aula:

Assim, se a aula começa 09:20, às 09:00 eu já estou me ambientando: abrindo o Moodle, revisando notas de aula, separando água e chá. Às 09:20 eu já estou completamente pronto – ainda que isso não garanta que minhas aulas sejam sempre boas.

Para quem interessar, aqui está minha rotina que consulto antes e depois das aulas. Ainda estou no processo de sedimentar esses hábitos; algo que pretendo melhorar nesse semestre é tomar um tempo após as aulas para refletir um pouco sobre o que deu certo e o que deu errado.

Sim, isso toma bastante tempo a mais, mas uma constante em minha vida profissional é que fazer as coisas com pressa geralmente toma mais tempo pelo retrabalho envolvido. Eu estou numa fase de aprender a preparar essas disciplinas, aceito em paz que preciso trabalhar bastante (inclusive aos finais de semana) e, a não ser em caso de emergências, quero fazer as coisas com a minha calma habitual.

O leitor tem algum ritual de preparação no trabalho? Para os que têm reuniões regulares, posso imaginar isso sendo muito útil, principalmente para esfriar a cabeça após. Deixem nos comentários!

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O poder de ser viciado em produtividade e organização

Um pequeno exemplo da vida real: meu pai está coordenando a pintura do meu antigo apartamento. Ele me manda uma mensagem perguntando a cor da tinta da porta.

Eu não lembro, mas meu sistema lembra.

O que eu preciso de fato lembrar é que essa informação está no Evernote. Então eu abro o app e procuro apenas por “tin”:

“Tinta pintura portas” parece ser a nota certa. E abrindo:

Sim, as portas eram verdes

Em 5 minutos o assunto estava resolvido. São momentos assim que minha mania de sempre ler sobre apps e métodos de produtividade parece que vale a pena.

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Meu maior segredo de produtividade: filas de projetos

Eu não sou a pessoa mais produtiva do mundo, mas consigo completar coisas. Em 2020, eu me mudei de cidade (algumas vezes, na realidade, e para diferentes casas em uma mesma cidade) e comecei um novo emprego, preparando 5 disciplinas enquanto crio um filho bebê. Nada mal.

O meu segredo: eu não tenho fazer tudo, mas pouco de cada vez, sempre avançando num projeto e partindo para o próximo. A maior base do meu sistema são filas de projetos.

Como funcionam filas de projetos

É simples: eu gerencio meus projetos na forma de cartões no Trello, e tenho duas listas com projetos que devem ser atacados em sequência:

A grande questão: eu não estou preparando todas essas aulas ao mesmo tempo; num dado dia de trabalho, só estou focado nas atividades que tem a etiqueta verde, seguindo dois canais de atenção. Já falei sobre esse conceito aqui, que vem dos livros do Kourosh Dini (este post explica bem também). Geralmente, de manhã me dedico ao “Canal 1”, e de tarde ao “Canal 2”.

Como acesso as tarefas? No Todoist, tenho etiquetas para esses canais:

Quando decido que vou trabalhar em um projeto, consulto essas etiquetas:

Ao final de uma sessão do trabalho, ao fechar o dia, ou na Revisão Semanal, eu vou adicionando tarefas no Todoist a partir do cartão do Trello, sempre mantendo-o atualizado para completar o que precisa ser feito para concluir um dado de projeto.

Quando um projeto é concluído, os cartões do Trello são arquivados, os próximos da fila se tornam ativas, as tarefas são copiadas para o Todoist com a etiqueta apropriada, e assim as coisas vão se realizando. No exemplo acima do Trello, eu preparo a aula de Transferência de Calor, que ocorre às terças, e depois, só quando esse projeto é concluído eu preparo a aula de Refrigeração, que ocorre às quartas.

Nada espetacular ou revolucionário, mas funciona.

O leitor acha que faz sentido?

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Montando bibliografia de disciplinas com leitura inspecional

No dia 16 de outubro desse ano, eu concluí uma meta muito importante: finalizar um semestre – o meu primeiro semestre – como professor universitário. Foi uma jornada cansativa e incrível, que me ensinou muito, e que agora dá espaço ao meu segundo semestre como professor.

Apesar de todo o meu esforço, a primeira versão das minhas aulas foram medianas, o que é natural. Recebi alguns elogios, pelos quais sou muito grato, mas sei que há muito espaço para melhorar. Nesses dias antes do semestre de fato começar, fiz uma grande reflexão sobre os pontos mais críticos, que precisam de mais atenção na segunda versão das aulas.

A primeira conclusão a que cheguei é que o planejamento mais global das disciplinas precisa melhorar. No semestre passado, planejei os programas e fui criando as aulas, mas muitas vezes cheguei na hora de montar a aula de fato e me vi sem material de apoio, e sem tempo para pesquisar. Assim, dediquei-me a implementar um planejamento mais detalhado, testando o Notion para organizar e acessar melhor notas de aula. Para preencher essas tabelas de aulas, o próximo passo foi rever a bibliografia das disciplinas. Principalmente para as aulas que eu senti que ficaram piores, eu já quero deixar separado desde o início do semestre material para montar aulas mais completas.

Leitura inspecional

A ferramenta que usei para isso foi a Leitura Inspecional, o processo de “folhear” sistematicamente o livro, prestando atenção no que realmente importa: a estrutura, objetivos, os capítulos que parecem ser mais importante. Em 2015 (!), eu fiz uma série aqui no blog sobre esse processo; como dá para ver, Como Ler Livros me influencia profundamente há bastante tempo.


Como professor substituto, sem compromissos com pesquisa e extensão, eu dou aula sobre temas muito diversos, mas muitos dos quais eu já exploro há anos na minha carreira acadêmica. Assim, eu fiz uma pesquisa no site da Biblioteca da Udesc por livros que eu achava que poderiam contribuir, e alguns que fui pesquisando por palavras chaves, como “turbinas” ou “thermal design”. O leitor pode ver a coleção de candidatos na capa deste post.

Por uma semana, eu selecionava dois livros por dia, colocava um fone de ouvido e folheava atentamente o livro, marcando as páginas de maior interesse.

De Stoecker W. J., “Design of Thermal Systems”, McGraw-Hill, 1980
De Bejan et al., “Thermal Design and Optimization”, New York: John Wiley & Sons, 1996
De Bejan A., “Advanced Engineering Thermodynamics”, New York: John Wiley & Sons, 1988.

Próximos passos

Feito isso, eu já tenho uma noção bem boa de que livros vou poder usar no próximo semestre. Vou agora processar essas notas em post-it, montando listas de bibliografias no Notion e criando lembretes para estudar analiticamente os trechos marcados quando for hora de preparar de fato as aulas.

Se o leitor por acaso tem indicações de livros nas áreas de Refrigeração, Motores de Combustão Interna, Geração de Vapor, Transferência de Calor, Sistemas Térmicos em geral, eu estou sempre interessado.

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A Curva da Libertação

Há muitos meses, tenho me dedicado a estudar os Salmos mais profundamente, com o auxílio de Salmos para a Vida, de Inácio Larrañaga. Além de apontar diversos Salmos sobre diferentes temas, o autor traz ideias religiosas que provocam muita reflexão.

Há um capítulo sobre o exercício do Abandono: a oração em que nos entregamos totalmente a Deus. “Eu já fiz a minha parte; agora é Contigo”. Esse exercício revela um fato: os momentos de maior presença de Deus são os momentos de maior desespero; Deus aparece no seu máximo poder quando nós estamos no nosso mínimo poder.

Como engenheiro, não posso deixar de exprimir isso numa curva simples mas significativa:

Incontáveis vezes já passei por isso. Quando fiz as Oficinas de Oração e Vida pela primeira vez, os exercícios de Abandono foram o que me ajudaram a superar a morte da minha avó. Foi só percebendo que não havia nada que eu pudesse fazer que eu entrei na parte descendente dessa curva.

Não é escapismo, é fazer o que se pode fazer, e então parar. Um exemplo recente e pessoal: estou com um problema de cadastro das disciplinas que ministro para o semestre que vem, e pode ser que eu não pegue essa turma. Isso implica em redução de salário, o que sem dúvida é ruim. O que posso fazer? Já falei com meu Chefe, com o pessoal de suporte aos sistemas acadêmicos, já conferi o cadastro que eu mesmo fiz. Agora não tenho mais nada a fazer, a não ser esperar e ver como vai ser resolvido. Se ficar com a discipina, ótimo; se não, vou dar um jeito, sem necessidade de desespero.

Um fato: esse estado de espírito para o Abandono é vacilante, e não podemos nos angustiar com isso. Ora temos medo, ora confiamos totalmente em Deus. Aceitemos em paz.

Principalmente para os mais ansiosos como eu, é muito comum que a angústia entre numa curva ascendente. É possível antecipar o pico e começar a se sentir melhor com um exercício de oração. Se o leitor está se sentindo muito ansioso com algo, experimente esse exercício: pegue um caderno, respire fundo, faça o sinal-da-cruz, e escreva uma carta para Deus sobre tudo que está acontecendo na sua vida. Conte dos seus problemas, revise o que você já fez, e peça ajuda.

Depois venha contar aqui o quão bem você dormiu.

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Aprendendo Notion para planejar semestres de aula

Uma das tarefas mais difíceis do meu trabalho de professor é planejar o semestre: preencher cada uma das horas do curso com algum tipo de conteúdo — de preferência, que avance o aprendizado dos alunos.

Quando as aulas do primeiro semestre de 2020 foram retomadas pós-interrupção pandêmica, eu apressadamente criei uma tabela básica no Notion, que listava os temas em cada dia:

Agora, antes de começar um semestre novo, quero realmente aprender a usar o Notion de maneira mais efetiva.

Por que Notion?

Eu nem lembro quando ouvi falar pela primeira vez desse aplicativo que promete ser tudo. O que é fácil notar é a quantidade de conteúdo criado exclusivamente sobre ele: era citado em podcasts e blogs, enchia a minha lista de vídeos recomendados no YouTube… Quando algo tem tanto hype assim, os meus instintos nerds não conseguem seguir a lógica de ser mais racional e me dizem que é hora de testá-lo de uma vez-

Thomas Frank e Ali Abdaal têm ambos vídeos excelentes sobre como usam Notion para planejar os seus respectivos canais, o que me convenceu de que este app é perfeito para isso: planejar um projeto ambicioso e criativo. A recente notícia de que o Notion agora é grátis para uso pessoal foi o incentivo final.

Eis o objetivo que eu me coloquei: eu quero algo que me permita criar uma lista de aulas para cada disciplina, com notas de aula para cada aula, e que me permita visualizar na forma de calendário.

Alguns recursos para ajudar a começar

Eu segui todas as instruções e tutoriais que aparecem quando você cria uma conta, e isso foi o bastante para criar o calendário mostrado anteriormente, mas queria mergulhar de maneira mais profunda para melhorar a partir do próximo semestre.

Eis os pontos principais:

  • Eu quero não apenas um calendário de aulas, mas uma visualização de lista que me permita visualizar cada aula dentro do contexto da disciplina, e.g. “Aula 1: Introdução”, “Aula 2: Lei de Fourier”;
  • Eu quero que cada “aula” conforme vista na tabela contenha notas que eu possa consultar durante as aulas, links para materiais relevantes que vou citar e disponibilizar, slides usados, exercícios

Para re-começar basicamente do zero, esse vídeo do Keep Productive é um bom primeiro passo.

Montando as páginas no Notion

O Notion funciona na base de tabelas, que são propriamente bancos de dados. Após alguma experimentação, eu criei uma tabela com os seguintes campos:

  • ID: a sequência daquela aula na disciplina; por exemplo, uma disciplina que tenha aula 1x por semana, durante as 18 semanas do semestre, vai ter aulas numeradas de 1 a 18;
  • Nome: o título daquela aula (e.g. “Ciclo Padrão de Compressão a Vapor”)
  • Status: uma propriedade do tipo “Escolha” que indica em que estágio está a preparação da aula: “A fazer”, “Notas no papel”, “Slides prontos”, “Ministrada”
  • Disciplina, identificada pelo código para ficar mais curto
  • Tipo: se a aula vai ser síncrona, ou é uma prova, ou uma apresentação de trabalho etc

O trabalho duro foi rever as aulas que dei nesse semestre, refletir sobre o que quero mudar para o próximo, e de fato preencher a tabela:

E isto que ainda está faltando as aulas de uma disciplina, que não tenho certeza que vou ministrar ainda

Facilitando a visualização

Para filtrar por disciplina, é fácil definir um filtro pela propriedade relevante:

Não vou negar: é bem divertido brincar com o Notion, até o momento eu que eu realmente vou ter de preparar cada aula dessa

Notas de aula

A outra função que quero aplicar no Notion é uma versão pelo menos rudimentar de notas de aula para consultar durante a aula.

O Notion vem com templates prontos, inclusive sobre educação. Para montar a tabela, eu comecei adaptando o template Lessons Plans para a tabela, e traduzindo o template de nota Lesson Plan (no singular) para usar para cada aula. Assim, clicando em cada linha da tabela de aulas, eu posso começar a rascunhar ideias para as aulas, usando os prompts do template:

Traduzido do template “Lesson Plan” embutido no Notion

Próximos passos

O semestre 2020-1 foi uma confusão em termos de notas: as primeiras aulas estão em notas rascunhadas que eu usava para escrever no quadro negro; algumas disciplinas já tinham alguns slides; e depois das aulas remotas, todas as aulas foram dadas completamente em slides.

Tudo indica que o semestre 2020-2 vai começar de forma remota também. Agora, o trabalho a ser feito é consolidar todas essas notas espalhadas nessa tabela central (que eu criei aliás para isso), preparar slides de apoio, e começar um novo capítulo da minha carreira de professor.

E o leitor, usa o Notion nos seus projetos?