Essa é a pergunta de um milhão. Na verdade, a pergunta cuja resposta não tem preço.
Lidar com depressão não é fácil, mas pode ser feito. Essa doença, principalmente se associada a transtornos de ansiedade, efetivamente ataca o seu cérebro e faz você enxergar o mundo de maneira distorcida, como se tudo fosse dar errado. O Fábio que está tratado é o Fábio verdadeiro, completamente diferente do Fábio de uns meses atrás, que não conseguia responder positivamente à pergunta: “você é feliz?”.
Nas minhas últimas sessões com minha terapeuta, temos nos dedicado a elucidar o porquê da minha felicidade e, claro, como perpetuá-la.
Eis um vislumbre de resposta: eu sou feliz porque eu vivo a minha vida como eu quero, nos meus termos, e não a vida que os outros querem que eu viva.
Como qualquer usuário do Instagram, com meus pontos fracos e defeitos, também sinto um resquício de inveja quando vejo posts de viagens, restaurantes e gadgets recentes. Mas então o Fábio mais maduro assume o comando e vê as coisas de uma perspectiva mais palpável.
Apesar de ganhar muito menos que meus colegas de faculdade, eu passo os dias estudando, escrevendo e programando, três atividades que me dão muito prazer. Eu moro em um ótimo apartamento, de onde eu e minha esposa vamos a pé para nossos respectivos empregos, rodeado da natureza, presente de Deus. Em vez de perder tempo no trânsito todo dia, eu tenho o privilégio de trabalhar muitos dias em casa, quando preparo o almoço que eu e minha esposa comemos juntos, durante o intervalo de almoço dela (sim, o emprego dela é perto assim).
Se eu tenho de ir até o centro da cidade, eu posso, conscientemente, ir de ônibus e ler algo interessante, em vez de tomar o meu carro confortável e economizar uma meia hora ao custo de ficar num ciclo de acelera-freia-anda-para. O “normal” no mundo em que fui criado é sempre dirigir, a qualquer distância que seja, mas voltamos ao tema central: essa é a minha vida. Eu odeio dirigir, e eu não sou errado por causa disso.
Para horrar dos meus pais, nós quase não saímos para jantar, ou para ir ao cinema ou a um bar, e nunca pedimos comida com a exceção da pizza muito ocasional. Essa é a nossa realidade, mas adivinhem — essa é a nossa vida, e não a dos meus pais. Eu amo cozinhar, e nós não nos importamos em comer a maioria das refeições em casa se é para manter essa vida descrita acima.
Eu reconheço que minha vida é muito mais simples e ao mesmo tempo muito mais privilegiada que muitos dos leitores. Talvez a leitora tenha um emprego desagradável mas necessário para sustentar o filho. Mesmo assim, eu argumento que é possível começar a tomar o controle da vida e ser mais feliz, nem que seja aos poucos. Você trabalha tanto para comprar coisas para o filho — mas são coisas de que ele realmente precisa, ou que sua família/amigos dizem que ele precisa?
Pare e pense: do que você precisa para ser feliz?











