Vou dar uma caminhada

Todos os dias, uma vez de manhã e uma vez pela tarde, eu dou uma caminhada de 15 minutos pela UFSC.

Esse é um dos hábitos mais fundamentais do meu dia de trabalho, de tal maneira que quando está chovendo e eu não consigo caminhar, eu começo a me sentir mal, como se algo estivesse errado — como se tivesse faltado água em casa e eu não pudesse tomar banho, e eu fico me sentindo sujo o dia inteiro.

Por que eu faço isso?

Não lembro como começou, mas provavelmente foi aos poucos. Em um certo dia, eu estava trabalhando em algo intelectualmente intenso, como programação, ou leitura de algum artigo, ou escrita da minha dissertação. Depois de duas horas fazendo isso, a cabeça começa a ferver, o olho fica cansado, você não consegue nem raciocinar direito. Estava um dia bonito, então pensei, “vou dar uma caminhada”. Coisa simples: pôr o fone de ouvido, uma música boa, respirar ar puro, ir até a biblioteca e voltar. Senti-me relaxado, e depois voltei ao trabalho com foco renovado.

No dia seguinte, retomei a tarefa cansativa, e resolvi repetir a experiência. No outro dia também. Depois de um tempo, vira uma rotina: depois de duas ou três horas de trabalho intenso, eu saio para minha caminhada.

Aos poucos, eu comecei a perceber mais benefícios diretos. Para começar, é uma maneira de ficar em pé, e estamos morrendo de tanto ficar sentados. Como diz o Dr. Drauzio Varella:

Se o corpo humano fosse projetado para os usos de hoje, para que pernas tão compridas e braços tão longos? Se é só para ir de um assento a outro, elas poderiam ter metade do comprimento. Se os braços servem apenas para alcançar o teclado do computador, para que antebraços? Seríamos anões de membros atrofiados, mas com um traseiro enorme, acolchoado, para nos dar conforto nas cadeiras.

Essas pausas para uma caminhada também ajuda a marcar a transição entre uma atividade e outra: eu leio, caminho, e depois escrevo. É um sinal para o cérebro que eu mudando de contexto.


E o tempo perdido? Por acaso eu não tenho prazos?

Esse tipo de crítica parte do pressuposto que, se eu não estivesse caminhando, eu estaria trabalhando com foco total, o que não é verdade. Depois de horas pondo o cérebro pra funcionar, eu preciso de um descanso, preciso relaxar. Se eu não estivesse caminhando, eu estaria olhando para a tela do computador, sem ter ideia do que escrever a seguir, de tão exausto. Ou estaria no YouTube, ou no Twitter. Certamente não poderia continuar a trabalhar no mesmo ritmo.

A nossa concentração é finita. Todo mundo adora ver filmes, mas um filme de três horas não é mais cansativo que um de uma hora e meia? Se você ler o seu livro favorito por cinco horas, no final da tarde vai estar tendo dificuldades até de focalizar na leitura.

Todos precisamos de pausa. É por isso que dormimos.

Vejo muitas pessoas atacando isso com aquela espiada no Facebook “ocasional” que dura meia hora. Eu tento fazer isso de maneira estruturada. Há algums anos, descobri a técnica Pomodoro, que estipula isso: alterne períodos de descanso e foco. Ponha um despertador e diga “na próximo meia hora vou me engajar nessa dissertação e em nada mais”. Quando o despertador tocar, levante, tome uma água, deixe o seu cérebro absorver o que você acabou de escrever. Repita. De vez em quando, faça uma pausa mais longa. É aí que faço minhas caminhadas.

Se você tem dificuldades de concentração, experimente isso. Concentre-se o máximo que puder e, quando não consiguir mais, pare, dê uma volta. Caminhe. Quando sentir que isso está funcionando, leia o livro grátis da técnica e melhore o seu dia de trabalho.

Certamente melhorou o meu.

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Um comentário sobre “Vou dar uma caminhada

  1. Muito bacana o artigo. Tenho andando muito preocupado por passar muito tempo sentado, já que trabalho assim. Mas agora vejo que sempre é possível minimizar esses efeitos negativos de ficar tanto tempo sentado, com práticas simples como levantar de tempos em tempos e quando possível, caminhar.

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