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10 fatos sobre a Primeira e a Segunda Lei da Termodinâmica

  1. A Primeira Lei define uma grandeza chamada energia (capacidade de fazer as coisas); a Segunda Lei define a entropia (medida da desordem natural das coisas);
  2. A Primeira Lei não é mais antiga, e nem necessariamente mais velha, que a Segunda; ambas foram sendo construídas simultaneamente [1];
  3. A Primeira Lei diz que não há diferenças entre calor (energia transferida devido a diferenças de temperatura) e trabalho (movimento de forças); a Segunda Lei diz que há: calor contribui para a entropia, trabalho não;
  4. A Primeira Lei é uma igualdade entre trabalho, calor e energia; a Segunda Lei é uma desigualdade [1], que impõe limites sobre a eficiência de motores e processos. Por melhor que seja, um motor nunca pode ter eficiência de 100%; isso é um fato da Segunda Lei;
  5. Eficiência de Primeira Lei: quanto de potência é gerada para um dado consumo de combustível; eficiência de Segunda Lei: o quanto a Eficiência de Primeira Lei está perto do seu máximo;
  6. A Primeira Lei fornece fatos sobre energias e temperaturas; a Segunda Lei dá oportunidades de melhorias;
  7. Ambas as Leis são comprovadas experimentalmente e não podem ser deduzidas a partir de outras leis;
  8. Primeira Lei no cotidiano: O que você come (calor) – o que você gasta (trabalho) = o que você engorda (energia)
  9. Segunda Lei no Cotidiano: se você jogar suas camisetas na gaveta, elas não cair organizadas; é preciso trabalho para isso;
  10. Nenhuma análise de Engenharia está completa sem a aplicação das duas Leis.

[1]: Bejan, A. (1988). Advanced Engineering Thermodynamics. New York: John Wiley & Sons.

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Meu setup no Todoist: tarefas que podem ser feitas apenas com um iPhone

O que fazer nos 20 minutos até a aula começar?

Quando eu não tinha filho e trabalhava fora de casa, parecia que eu tinha todo o tempo do mundo. Agora, o maior segredo de produtividade que eu posso dar para recém-pais é ficar realmente bom em aproveitar pequenos espaços de tempo. Pode ser bastante difícil achar blocos de tempo de 2 horas para trabalho profundo.

Assim, eu tenho widgets do Todoist no meu iPhone que me mostram exatamente isso: coisas que eu posso fazer apenas com um iPhone, aproveitando uma janela aqui e outra ali:

No meu Todoist, eu tenho um “projeto” (na verdade uma lista) de Communications, onde eu ponho tarefas de mandar mensagens, emails e ligações. Tenho uma lista para tarefas do próprio iPhone, como explorar algum app. Tenho uma lista de Brainstorming, que posso fazer no iPhone pois tenho o MindNode instalado. Tenho uma lista de Reading, onde marco os livros digitais com uma etiqueta @Kindle. Tenho listas que chamo de Any-Device, geralmente pesquisas em geral que podem ser feitas em qualquer dispositivo.

O widget no topo mostra um filtro iPhone, que puxa tarefas desses lugares:

O caracter de * significa “qualquer caracter”; eu uso emoji nos meus nomes de projetos, e para não precisar copiar os emojis para esse filtro eu simplesmente coloco um asterisco. Assim, o filtro vai incluir todos os projetos (simbolizados por #) que começam com “iPhone”, OU (simbolizado por |) que começam com “Comm”, e assim por diante

O widget de baixo na outra imagem é simplesmente o meu projeto de leitura, como um estímulo ao meu Ano de Ler e Escrever.

Esses widgets são também usados em filas de espera, e é o meu pequeno segredo de produtividade.

O que a leitora achou dessa dica?

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Estudando para concursos de professor com iA Writer

Como parte do meu ano de Ler e Escrever, eu ando escrevendo muito. Estou em preparação contínua para concursos de professor efetivo que devem ocorrer esse ano e, para quem não conhece as regras do jogo, concursos deste tipo envolvem diversas etapas, começando por uma prova escrita, onde dois pontos são sorteados e os candidatos devem escrever duas dissertações sobre os temas. Marco Mello obviamente dá uma boa visão geral de como funciona.

No último concurso que prestei, eu não passei na prova escrita, e acho que minha principal falha foi ter escrito textos genéricos demais, sem personalidade nenhuma. Para a próxima tentativa, eu estou decidido a escrever textos mais pessoais; um colega que já passou em um concurso deu a dica de ouro de escrever o seu livro-texto. Os meus livros-texto favoritos são aqueles que deixam passar claramente a voz do autor, como os livros do Frank White de Mecânica dos Fluidos ou de Termodinâmica do Adrian Bejan. Essa dica também é dada por (de novo) Marco Mello.

Para escrever coisas assim, eu preciso treinar. Assim, também em relação a concursos passados, eu não tenho apenas tomado notas, mas tenho escrito redações de treino. Essas não são necessariamente uma redação a decorar e depois reescrever de cabeça na hora da prova, mas uma maneira de já conhecer pelo menos uma maneira de contar uma história sobre o tema.

O app de notas que uso é Obsidian, que trabalha com uma pasta de arquivos no meu computador. Para poder usar os apps de iOS e iPadOS, minha pasta notes está no iCloud Drive. Eu tenho uma nota com uma lista dos tópicos conforme divulgado nos editais.

Os itens marcados acima são links para outras notas, onde eu já escrevi um rascunho sobre o tema. Mas como uma nota = um arquivo de texto em Markdown, e não um registro em um banco de dados, eu posso simplesmente abrir cada nota em outro editor. Neste ano, eu finalmente investi no iA Writer.

Na biblioteca do iA Writer, eu adicionei algumas subpastas da minha pasta principal de notas, onde estão os ensaios que estou escrevendo para praticar:

Por que pagar tanto e se importar tanto com um app? Porque ele facilita o foco; quando estou escrevendo livremente, eu vejo apenas o parágrafo que estou escrevendo:

Se eu fosse mais nerd do que já sou, eu poderia usar o recurso de análise sintática do app, que ressalta cada tipo de palavra (verbo, advérbio, adjetivos); se eu seguisse as ideias de Stephen King, eu então riscaria todos os advérbios, que geralmente não contribuem nada para a escrita:

Outro recurso essencial, para quem quer escrever textos de Engenharia, é poder formatar equações:

Eu tenho curtido muito o processo de escrever usando iA Writer, e recomendo fortemente a quem precisa ou quer treinar a habilidade de escrever.

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Meu setup no Todoist: lista de estudos

Na sua teoria de fluxo, Mihaly Csikszentmihalyi fala que um dos fatores que fazem as pessoas encontrarem prazer no seu trabalho (sem se tornar workaholic) é adicionar variedade: você nunca fica entediado, ao mesmo tempo em que não têm uma atividade âncora na qual pode ficar viciado e não querer/conseguir fazer mais nada.

Ontem, falei de como ordeno minhas tarefas no Todoist para colocar as mais antigas no topo da lista. Aqui está a minha lista de tópicos a estudar, tanto para me preparar para concursos quanto para reforçar assuntos que preciso passar aos alunos:

A prioridade hoje parece resolver exercícios de Mecânica dos Fluidos – e repare como eu coloco etiquetas de assuntos (com cores diferentes) para identificar qual é o tópico da vez, e também para garantir a variedade de que falei: há tarefas de ler, e tarefas de resolver exercícios; há tarefas de várias áreas diferentes, que referenciam livros diferentes. Todo dia, quanto sento para estudar, há um desafio novo. Como professor de 5 disciplinas diferentes, isso me ajuda a ver conexões entre os tópicos.

Após resolver os dois exercícios no topo da lista, e tentando ser o mais específico na hora de resolver, imaginando como explicaria isso para algum aluno, eu decidi que está na hora de passar para uma próxima seção; então adiciono uma nova tarefa nessa lista – mas, por causa da ordenação, a nova tarefa foi para a parte de baixo deste projeto:

Assim, na próxima vez em que for estudar, vou descansar a cabeça de Mecânica dos Fluidos e me dedicar um pouco à Transferência de Calor. Na vez seguinte, vou estudar Termodinâmica. Eu nunca estou entediado e nunca hiper-especializado em um assunto apenas; quando chegar a vez de fazer algum concurso, eu não vou estar muito adiantado em um tópico e completamente atrasado em outro.

Eu roubei essa ideia em partes dos ótimos textos da Thais Godinho sobre ciclos de estudos. Espero que isso ajude a leitora a encontrar mais motivação e prazer ao estudar.

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Meu setup no Todoist: tarefas a fazer em um iPad

Não é deja vu: eu já escrevi sobre trabalhar com um iPad, incluindo quais apps uso, que tipo de tarefas dá para fazer, quais acessórios carrego comigo. Mas naquele texto eu prometi uma continuação falando do meu setup no Todoist: como sei no que trabalhar no iPad? Com um ano de atraso, aqui vai.

Vou tentar documentar uma sessão típica de trabalho. Neste mês de janeiro, estou tentando avançar em projetos profissionais importantes, sem estresse, nas minhas férias. Para evitar sobrecarga, eu foco em dois grandes projetos por dia: de manhã, estudar tópicos variados para concursos (e também para sempre me aprimorar), e de tarde em papers a serem publicados. Hoje à tarde, então, eu abri meu Todoist e abri minha etiqueta de Channel2, que é como chamo os meus projetos vespertinos:

Eu ordeno as tarefas com as mais antigas no topo, para evitar apenas fazer o mais urgente e esquecer tarefas que criei lá atrás. Após notar que realmente não há nada urgente, eu percebo que é preciso ler um artigo, e que esta tarefa está categorizada a ser feita no meu iPad Air. Eu sigo totalmente o conselho da Thais Godinho de usar o recurso de “projetos” do Todoist como na verdade “listas” genéricas. Os meus projetos são gerenciados no Trello.

Então, mãos à obra:

Eu leio, com toda a atenção, enquanto uma música de foco do Headspace fica tocando. Após ler o bendito artigo, tomar notas, refletir, sublinhar algumas passagens, eu decido que minha leitura está completa. Essas notas, porém, precisam ser processadas, isto é, virar notas no meu Zettelkasten e referências no artigo que estou escrevendo. No Todoist, eu crio uma nova tarefa a ser feita outra hora, mas em outro contexto:

Mas, se eu tenho tempo sobrando, ainda estou disposto a trabalhar, o que mais é possível fazer no iPad? Para aproveitar o contexto em que estou, eu tenho um filtro no Todoist onde listo tudo que é possível fazer no iPad:

Deixem nos comentários se querem saber como funciona esse filtro

Ok, parece que é hora de ler mais um outro documento, então vamos lá:

Dessa maneira, se meu computador está desligado, ou se estou em outro lugar que não o meu escritório, sempre há algo significativo a fazer com a ferramenta que tenho em mãos.

Querem ver mais posts sobre Todoist?

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É certo trabalhar em metas nas férias de verão?

Em janeiro de 2022, eu estou, pela primeira vez na vida, em férias remuneradas. Mesmo assim, hoje, 17 de janeiro de 2022, eu sentei para trabalhar.

Eu não me sinto culpado por isso porque o verbo trabalhar acima está bastante vago. Eu não estou corrigindo provas nem preparando aulas, e me recuso a fazer isso enquanto minhas férias oficiais não terminarem. Mas há outros desenvolvimentos profissionais importantes que justamente agora, sem obrigações de 17 horas-aula por semana, podem ser avançados.

Eu estou trabalhando como Professor Substituto, mas quero me tornar efetivo um dia. Para isso, só há uma maneira: estudar assuntos que caem em concursos públicos para professor e melhorar meu currículo. Assim, hoje de manhã, sentei na minha mesa pela primeira vez no ano para algo realmente profissional: esbocei redações sobre temas de termodinâmica e reli alguns textos do assunto para aquecer o cérebro; de tarde, examinei alguns artigos a serem incluidos na revisão bibliográfico de um paper que estou escrevendo com meus orientadores de doutorado. Bônus: isso indiretamente ajuda o meu trabalho principal de professor e não vou estar enferrujado quando as aulas recomeçarem.

Se o meu tema de 2022 é Ler e Escrever (dois verbos que resumem bem o dia de hoje), o meu tema para o Verão 2021-2022 é O verão da história, e estou usando o termo dúbio em português: ao mesmo tempo que eu estou trabalhando mais nos meus objetivos de longo-prazo (especilamente me preparar para concursos) e refinando meus hábitos pessoais (exercícios, meditação, oração, piano) para, perdoem o clichê, escrever a minha própria história, eu tenho usado livros de história para relaxar e não pensar em nada sobre termodinâmica (no momento: um livro sobre Roma Antiga, um livro da série Harry Potter que estou relendo, um romance na Inglaterra invadida pelos vikings, um livro sobre justamente “escrever a sua história” – resenha de todos assim que acabar de lê-los).

E o leitor, consegue realmente aproveitar as férias, ou, assim como eu, não consegue sossegar?

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Livros lidos, Outono 2022

Veja a minha lista de livros lido na estação anterior

  1. O Caminho do Artista, Julia Cameron – muito mais religioso que o esperado, aborda como podemos usar a escrita diária de 3 páginas matinais para nos curar de angústias passadas, e propõe exercícios de escrita, como escrever uma carta de desculpas, ou relatar a sua infância (algo que me fez lembrar de Bird by Bird, que li no ano passado). Para alguém que gosta de escrever como eu, esse livro é sensacional e propõe muitas reflexões. Estou frustrado ou ansioso com algo? Pego meu caderno e derramo todas as preocupações no meu caderno – e encontro solução todas as vezes, apenas pelo ato de escrever.
  2. The Power of Story, Jim Loehr – o começo tem clichês demais e conteúdo de menos sobre construir a vida que você quer através de uma narrativa, do tipo “que história vão contar de você quando morrer”. Após os dois primeiros capítulos, esse livro começou a conversar com o livro acima e propôs vários temas para minhas páginas matinais onde eu pude refletir sobre diversas áreas da minha vida, e identificar problemas. Assim como o blog da Laura Vanderkam, ajudou-me a parar com a narrativa de “eu não tempo para me exercitar” e aceitar que sou eu que não dou um jeito de encaixar isso.
  3. O Espetacular Homem-Aranha – O Nascimento de Venom, David Michelinie & Todd McFarlane – estou, muito tardiamente, tentando entrar no mundo dos quadrinhos Marvel. Uma pergunta: todas as histórias do Homem-Aranha são narradas por ele mesmo (“agora vou lançar minhas teias nele”)?
  4. Homem Aranha: Carnificina Total, vários autores – outra graphic novel, mas esta muito mais no sentido de “aventuras por Nova York”, e menos sobre a relação de personagens
  5. Aprendizagem baseada em Projetos, William N. Bender – um dos piores livros de pedagogia que li, e um exemplo de “livro que poderia ser um post de blog”. Além disso, os exemplos onde o autor (americano, velho, branco) quer gamificar a escravidão me deixaram extremamente incomodado.
  6. Siga em frente, Austin Kleon – adivinhem quem é o autor? Tema do livro: rotinas, rotinas, rotinas, nos dias bons e nos ruins.
  7. A Mind at Play, Jimmy Soni & Rob Goodman – biografia de Claude Shannon, o pai do conceito de Informação como usamos hoje (como em “Tecnologias da Informação”, por exemplo). Acho que os autores romantizam demais a não-seriedade de Shannon; além disso, como professor que eu sou, sei que o exemplo de um professor do MIT que mal dá aulas e faz pesquisa, e está ali apenas para adicionar prestígio, é a exceção da exceção.
  8. Os Senhores do Norte, Bernard Cornwell – excelente romance histórico, e o primeiro desta série que me fez ficar com raiva genuína dos vilões, e também realmente alegre quando as coisas davam certo.
  9. Divergente, Veronica Roth – uma história jovem, jovem demais para mim, mas é entretenimento puro. No nosso mundo de 2022, fala-se muito em liberdade como a coisa mais importante do mundo; o que acontece quando isto explode, e um mundo surge onde o individualismo é declarado inimigo público, e você só pode fazer o que importa para a sua comunidade?
  10. Harry Potter e a Câmara Secreta, J. K. Rowling – outra história jovem demais para mim, mas ao contrário do livro acima, que foi novidade, esse vale pela nostalgia de reler. É um dos livros menos notáveis da série, de maneira que não tenho mais comentários.
  11. Your Money or Your Life, Vicki Robin & Joe Dominguez – não é à toa que é um dos melhores livros sobre finanças das internets. Para que serve mesmo o dinheiro? E quando você realmente ganha de salário, se tem de descontar por exemplo o tempo e a gasolina gasta nos deslocamentos?
  12. Os sussurros do caos rastejante, texto de Fábio Yabu com desenhos de vários artistas – a graphic novel do #NerdcastRPG, e um dos melhores livros que li nesse ano. Uma sucessão de histórias sobre família, loucura, religião, ciência.
  13. Flow: Living at the peak of your abilities, Mihaly Csikszentmihalyi – o único audiobook desta lista. Li pensando ler um livro sobre produtividade, descobri que é sobre felicidade.
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2022: O Ano de Ler e Escrever

O meu tema para 2022 é Ler e Escrever.

Esta escolha começou em dezembro de 2021, quando eu percebi que fechei o mês finalizando a leitura de 7 livros (nem todos iniciados em dezembro) e que isso me dá uma satisfação muito grande. Estruturar minha vida de maneira a priorizar o contato com livros é algo que ressoa (um termo importante no vídeo linkado acima) muito com minha personalidade, contribui para minha saúde mental e contribui positivamente para meu desenvolvimento pessoal e profissional.

Ter um tema significa priorizar essa ideia sobre outras. De férias na praia, assim que saio do quarto eu já trago meu livro (no momento O Cavaleiro da Morte, de Bernard Cornwell) e deixo o celular longe. Neste exato momento, em vez de assistir a alguma série, eu estou sentado escrevendo isto e organizando meus pensamentos para o ano que inicia.

Além do prazer pessoal, esse tema tem motivações profissionais: os grandes projetos que quero realizar em 2022 envolvem leitura e escrita de alguma forma. Concursos para professores envolvem estudar e escrever redações e propostas. Eu quero voltar a trabalhar mais com pesquisa, e tenho 2 artigos científicos engavetados que precisam sair neste ano. Para atualizar minhas aulas, eu preciso ler mais referências contemporâneas.

Assim, quando em dúvida do que fazer em 2022, eu vou ler e escrever.

E você?

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Revisão do meu Ano da Diversão

Há algumas horas, eu digitei o restante das notas pendentes dos trabalhos de 2021 dos meus alunos. Antes disso, eu estava na praia com meu filho. Hoje é o penúltimo dia do ano, e este dia, tal como este ano, foi um misto entrelaçado de trabalho e lazer. Do trabalho não há como escapar, e é justamente por isso, principalmente para alguém ansioso como eu, que é bem fácil esquecer de relaxar e de aproveitar a vida. Por isso, o meu tema do ano de 2021 foi diversão.

O Ano da Diversão para mim é simbolizado pelo piano. Em 2021, mesmo ministrando 5 disciplinas, mesmo tendo um filho e uma esposa, mesmo tendo uma casa para cuidar, eu voltei a tocar piano. Eu pratico o número de horas necessárias para me tornar bom? Certamente não, mas isso não importa para mim. Eu não quero ser bom, eu quero me divertir. Já renovei meu plano da MusicDot para 2022.

Outro ponto forte de 2021 foram os finais de semana. O longínquo Ano do Nosso Senhor de 2020, para mim, foi o Ano Sem Finais de Semana, tentando conciliar trabalho e paternidade. No começo deste ano atual, eu determinei que eu não trabalharia aos finais de semana. Não consegui eliminar totalmente o trabalho ocasional, mas também foi porque tive uma rotina mais leve durante a semana. Eu não me importo de estudar um pouco aos sábados, se isso me permite ir correr ou mesmo tocar teclado no meio de uma terça-feira. O mais importante para mim, e isso sim eu cumpri, foi priorizar minha família; eu nunca deixei de levar meu filho ao parquinho ou tomar um café com minha esposa para trabalhar; eu tentava encaixar na volta do passeio

O meu tema do ano estava anotado no meu Bullet Journal e no meu Evernote, e revisitado constantemente em busca de ideias. Eu preciso revisar uma aula difícil; é possível colocar uma música legal e me divertir enquanto faço isso? Eu ganhei um dinheiro inesperado no meio do ano; a compra de uma cafeteira vai tornar o meu escritório mais agradável, e minha vida mais prazerosa? Eu sei que deveria adiantar mais aulas e trabalhos dessa semana, mas o que eu realmente quero fazer nesta noite é pedir uma pizza e assistir La Casa de Papel com minha esposa – é possível?

Novamente: o trabalho nunca acaba e férias acontecem só uma vez por ano e dificilmente são de verdadeiro descanso integral. Minhas férias começam em janeiro, mas há um concurso para professor efetivo no meio de ano, então adivinhem quando tenho tempo para me preparar de fato? O meu Ano da Diversão me preparou para este desafio: a cada dia, eu vou brincar com meu filho, vou sentar com ele na rede e ler um livro, e vou estudar tomando um café espresso. Vou sair com ele de manhã e escrever artigos e projetos de tarde, enquanto toca uma boa música clássica (que eu adoro) em um dos meus presentes de Natal; vou então fazer uma pausa, descansar um pouco com minha família, e quando ele for dormir vou pegar os meus livros preferidos de Termodinâmica e devorar. Em algumas noites, vou ficar lendo; em outras, vou ver um filme com minha esposa. De qualquer maneira, vou tentar me divertir, e vou escolher alguns dias para de fato focar na diversão; eu moro em Joinville e não conheço nenhuma praia da região!


Um adendo para mostrar como minha mente funciona: no que eu escrevo estas palavras, minha ansiedade quer me classificar como preguiçoso e quer me empurrar a estudar e trabalhar cada vez mais. Por isso, fui perguntar a minha esposa se ela acha que eu me diverti mais neste ano; ao final de dois minutos embaraçosos, ela me respondeu: “talvez, mas com certeza você também trabalhou bastante, mais que 2020”.

Ser nerd e ter um sistema de temas para melhorar minha vida é muito importante.


Como foi o ano de 2021 de vocês?

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Como se lembrar de ideias importantes sem necessariamente decorar

Recentemente, minha esposa e eu conversámos sobre os problemas de um familiar e como ajudar essa pessoa e, à medida que ela falava, minha mente imediatamente se voltou a dois tópicos relacionados:

  1. As reflexões que minha terapeuta proporcionava sobre o impacto de amar e ser amado: se você só se dedica aos outros, sem nunca ter tido a oportunidade de se sentir cuidado(a), você está pronto(a) para ter problemas emocionais;
  2. As ideias das Oficinas de Oração e Vida e de Frei Ignácio Larrañaga sobre o “Deus da Ternura”, de como o caminho para encontrar Deus passa por “deixar-se amar” e abandonar os problemas nas mãos d’Ele

Por que e como minha mente fez esse caminho, juntando dois conceitos claramente similares mas de fontes diversas, e tentou aplicar a teoria a um problema prático?

Tenho refletido sobre esse episódio desde que li sobre o conceito de prática produtiva de Luc Beaudoin em Cognitive Productivity: você deveria treinar ativamente lembrar conceitos importantes, usando flashcards e “provas” que você aplica em si mesmo, mas não para fins acadêmicos e sim para resolver problemas do seu trabalho e da sua vida. O fluxo de trabalho ideal é: você lê, assisti ou ouve a algo valioso de onde pode extrair conhecimento; você toma e armazena notas sobre isso; e regularmente pratica lembrar deles.

Eu sou professor; eu não deveria adorar o conceito de “provas para a vida”? Por que, então, esse conceito não me atrai nenhum um pouco? Como eu consegui lembrar das ideias anteriores sem nunca ter “treinado produtivamente”?

Para mim, a chave está na reflexão – regular, diária, e escrita.

A própria prática de terapia e oração me ensinaram a meditar e refletir sobre assuntos variados. Quando meu filho está brincando na rua, e claramente está entretido observando os pássaros e quer ficar zanzando pelo nosso quintal sem minha interferência, eu aproveito para pensar. Quando tenho de dirigir 2 horas por uma estrada e minha família está dormindo, eu me pego murmurando ideias. Quando estou lavando louça, eu estou refletindo sobre algum tópico.

Frequentemente, ao sair de uma sessão de terapia, eu ia caminhando ou dirigindo até minha casa, pensando sobre o que tínhamos acabado de conversar; é nesses momentos que comecei a pensar sobre todas as pessoas que esquecem completamente o tempo para si, ficam emocionalmente carregadas, e depois descontam nos outros. Após ministrar uma sessão das Oficinas, minha cabeça começava a viajar pensando na visão errada de alguns de que “Deus é castigo”, de que Ele só está preocupado com o pecado e que se divertir é errado.

Além disso, todo dia eu rezo, todo dia eu leio a Bíblia, todo dia eu escrevo reflexões no meu diário.

Eu entendo que isso não é tão produtivo quanto a abordagem de Beaudoin, pois minha memória só surgiu depois de um trabalho diário por muitos anos. Mas não pareceu trabalho; eu simplesmente vivo e reflito sobre o que leio, ouço, converso, experimento.

Eu digo aos meus alunos no primeiro dia de aula: a chave do sucesso nas minhas disciplinas é tomar notas do que eu falo. O ato de escrever uma ideia, de alguma forma, sedimenta-a no seu cérebro. Na próxima aula, você pode revisar essas notas, re-escrever algum parágrafo que pode ser melhorado, complementar com algumas informações novas.

Eu concordo com o supra-citado livro de que não é tão simples dizer “estudantes não deveriam ter de memorizar”, já que o conhecimento vem da memória de alguma forma ou de outro, e algum grau de decoreba geralmente é necessário. Eu já escrevi sobre como eu estudei tanto para ministrar uma disciplina de Máquinas Térmicas que eu ainda me assusto com a quantidade de coisas de que eu consigo me lembrar sem precisar consultar livros – e eu nunca “me testei” em relação a esses conceitos. Só acho que usar Anki não é o melhor caminho.

A minha filosofia não é de hacks, mas do estudo (concentrado, para não tomar muito tempo), da profundidade, da mistura entre Cal Newport e Austin Kleon.

A leitora frequentemente precisa decorar informações? Como faz?