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Acostumando-se com o desconfortável

A minha namorada reclamou que a minha resenha de So Good They Can’t Ignore You ficou meio incompleta e sem muitos exemplos (“principalmente depois de você viver carregando esse livro para lá e para cá”, foi o que ela ficou com vergonha de dizer). Então vamos tentar corrigir esse problema

So Good pode parecer um livro estranho. “É óbvio que você deve ser bom no que você faz”, o leitor pensa. Não é difícil aceitar que pessoas de sucesso trabalharam duro e são boas no que faz. O que não é óbvio é a relação disso com a felicidade no trabalho, e como é isso é mais importante que “sonhos” ou “paixão”. Na minha curta carreira científica, conheço muitos professores e pesquisadores que tomo como exemplo (alguns são grandes amigos), e que percebo que são felizes no trabalho. Porém, embora eu nunca tenha perguntado, posso adivinhar que eles não diziam “Quero ser um especialista em Termodinâmica” quando perguntados o que queriam ser quando crescer; de fato, pouco importa como eles foram parar nessa profissão. Essas pessoas donas de careiras notáveis são felizes porque são admiradas pelos seus pares, possuem cargos em universidades de prestígio, perseguem os projetos que lhe interessam — e o que os fez chegar até ali não foi sorte, ou um amor incondicional pelas ciências, mas o fato de que eles são extremamente habilidosos.

A pergunta seguinte é: como, então, se tornar tão bom a esse ponto? E essa é a segunda ideia não-trivial de So Good: você precisa se acostumar a fazer coisas difíceis.

Como esse assunto me interessa, ainda pretendo pesquisar muito (e o próprio Newport traz referências), mas os conceitos giram em torno da prática deliberada. Para ficar em um exemplo mencionado no livro, você não fica bom em guitarra praticando a escala de Dó Maior 100 vezes por dia; você pode ser tornar o próximo Clapton se praticar cada vez mais rápido, ou mudar de escalas, ou tentar um riff que você nunca tentou. Como diz Matt Might, o conforto fomenta a fossilização técnica.

Falando na minha namorada, ela mencionou que estava tendo dificuldades em utilizar um novo modelo de planilhas do Excel. “Ótimo!”, foi o que respondi. A maneira mais efetiva de ficar tão bom que eles não possam ignorá-lo é buscar rotineiramente fazer coisas difíceis, esticando (um termo de Newport) o seu cérebro e as suas habilidades. Se aquele modelo de planilha, com novos procedimentos de cálculo, é difícil de usar, significa que poucas pessoas vão conseguir fazê-lo, e aquelas que conseguem vão se diferenciar.

Este, portanto é o conceito que eu mais estou tentando implementar e testar no meu dia-a-dia. Como parte do meu doutorado, eu preciso aprender a usar um programa de simulação, e vinha evitando com medo da dificuldade e da angústia da frustração. Depois de ler So Good, percebi o quanto isso é normal e que eu precisava combater esse sentimento. Comecei então a todo dia tentar fazer alguma coisa que seja, cumprindo um novo desafio a cada semana. Agora, não me sinto um expert no tal programa, mas já me mais satisfeito quando tenho de trabalhar com ele, e sinto que poder usar esse software de uma forma nova pode fazer diferença no meu doutorado. E já sei o próximo desafio que preciso cumprir, e estou animado para atacar mais esse problema.

Para ficar em um outro exemplo, uma das carreiras que admiro é Myke Hurley, fundador da rede de podcasts Relay FM. Não tenho dúvidas que um dos motivos do seu sucesso é a sua disposição de tentar coisas novas e difícies; quantas pessoas se arriscariam a dedicar um show a entrevistar nerds sobre o seu álbum favorito? Isto exigia um novo nível de produção de podcasts, mas isso não foi impedimento.

Sugiro então que o leitor faça essa pequena auto-avaliação. Que habilidade o leitor está ignorando mas que pode fazer diferença? O que o leitor pode aprender na sua profissão que ninguém mais quer aprender por causa das barreiras, e que vai tornar o leitor na maior autoridade no assunto?

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Resenhas de livros

Resenha: So Good They Can’t Ignore You

Além de ímãs, Termodinâmica, refrigeradores, regeneradores e todos esses maravilhosos assuntos que formam o tema do meu doutorado, carreira tem sido a minha maior obsessão intelectual.

Isto pode ser um sinal de maturidade. Quando fazia o mestrado, enxergava-o mais com uma extensão natural da minha graduação. Praticamente todas as pessoas com que conversei antes de iniciar o mestrado concordavam em um ponto: o tempo gasto em um mestrado é baixo se comparado aos benefícios que ele traz, o que se torna ainda mais verdade numa economia com menos contratações e onde uma qualificação maior faz a diferença. Você sai do mestrado aos vinte e poucos, tem uma formação a mais e experiência na condução de um grande projeto; depois do mestrado, ainda existem muitas opções de carreira disponíveis, para a maioria das áreas.

Quando refleti sobre fazer o doutorado, porém, percebi que isso se tratava de uma decisão de carreira muito significativa. Eu terminaria o meu doutorado com 30 anos e nenhuma experiência em indústria; fazê-lo então quase que representa um comprometimento com o mundo acadêmico (embora, naturalmente, existam casos de sucesso de doutores que foram para o mundo empresarial e industrial). Para ser bem sucedido como acadêmico (professor e/ou pesquisador de uma boa instituição de pesquisa ou universidade), fazer um bom doutorado é necessário (mas não suficiente), e vem seguido de muitos desagios. Como guiar a minha carreira, aumentando o meu sucesso e sendo feliz no processo? O que determina uma carreira bem sucedida?

So Good They Can’t Ignore You foi escrito por alguém em situação próxima a minha: um estudante terminando o seu doutorado e querendo saber o que ele deve fazer para encontrar uma carreira que ele ame — e talvez seja por essa proximidade que eu me identifico tanto. O autor, Cal Newport, agora é já um professor bem estabelecido, e esse nome não deve ser estranho a leitores de FabioFortkamp.com, tal o número de vezes que eu cito o seu ótimo blog, Study Hacks. O título (em tradução livre, Tão Bom Que Eles Não Possam Ignorá-lo), vem deste clipe de uma entrevista de Steve Martin:

Este livro prático (com muitas discussões baseadas na Economia e na Psicologia) defende a ideia de que uma carreira de sucesso, que você ame, não é contruída baseada no sonho de “ir fazer o que se ama”, mas na ideia de quando você se torna realmente bom no seu trabalho você aprender a amar o que faz. Reparar que esta é uma tese dividida em dois pontos centrais:

Primeiramente, ass coisas pelos quais nos declaramos apaixonados, como música, esportes, religião, artes etc não são carreiras fáceis a não ser que você seja absolutamente brilhante. Este, aliás, é um ponto sutil do livro; sim, existem casos de pessoas que eram apaixonadas por alguma coisa e ganham a vida fazendo isso, mas eles são mais raros do que se pensa e representam casos extremos. Se você é fanático pelos Beatles, por exemplo, dificilmente consegue contruir uma carreira em cima disso, a não ser que seja algo especial — ou você toca igualzinho ao George, ou descobriu um novo ponto sobre a biografia deles… Adicionalmente, ter de trabalhar em cima de uma paixão tão profunda talvez até faça você gostar menos desse assunto. Ou seja, a maneira de construir a carreira ideal não é indo atrás das suas paixões.

Mas qual é a maneira, então? Na realidade, é difícil ter muito controle sobre a carreira em vamos parar. Eu queria cursar Jornalismo até os meus dezessete anos; mudei de ideia às vésperas da inscrição no Vestibular e agora estou fazendo Doutorado na área de Refrigeração. Mesmo que você “caia de para-quedas” em uma carreira, Newport defende que é possível você desenvolver gosto pelo que faz, e o seu argumento é bastante microeconômico: nas suas entrevistas, o autor percebeu que os profissionais realmentes de sucesso que se declaram felizes profissionalmente (em áreas diversas como programação, investimentos, medicina, construção de pranchas se surfe e redação de programas de TV) têm em comum o controle sobre a sua carreira e impacto sobre os outros. Essas condições são difíceis de encontrar, então você precisa se diferenciar para ter acesso a elas. E a melhor maneira de se diferenciar é através da aplicação sistemática do trabalho árduo, deliberado, esticando as suas habilidades além de um nível confortável é o que tem mais chances de lhe fazer ter sucesso. Como Martin diz no vídeo acima, essa conclusão é óbvia e sem graça a tal ponto que as pessoas não querem ouvir, mas é mais importante que tentar ser um gênio, ou conhecer alguem famoso, ou conseguir muitos seguidores.

O ponto mais curioso em relação à livro é que ficam evidente que o autor é professor universitário. Todo o livro é escrito de forma muito didática, com “leis”, “regras”, “teorias”, que facilitam bastante o entendimento. Newport muitas vezes para, lembra do que já foi dito, revisa os conceitos — e não consegui esconder o sorriso e perceber que era um (bom) professor conversando comigo.

CGP Grey recomendou So Good… como uma das bases para o seu entendimento do que é uma vida de sucesso. Acho que a época em que estou é a ideal para pensar seriamente nessas questões, mas também acho que, independente da idade, se o leitor precisa refletir sobre a sua carreira, se está na dúvida sobre o que fazer, e se quer simplesmente ser mais feliz no trabalho, pode se beneficiar da leitura desse livro.

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Resultados que a organização traz

A Thais Godinho publicou um ótimo post sobre os resultados que a organização (e por consequência a produtividade e a gerência do tempo) trouxe a ela.

Lembrar do nosso último texto como foi um livro dela que me abriu mais a cabeça sobre essa abordagem “de cima para baixo” em relação à definição de tarefas: comece pensando naquilo que você quer alcançar ao fim da vida, pense em como isso pode ser alcançado daqui a 5 ou 10 anos, e quebre em pequenos projetos que você vai conduzindo ao longo de 1 ou 2 anos.

Perceba também no texto da Thais um outro tema que vamos abordar cada vez mais aqui (inspirando por algumas leituras que ando fazendo): a importância do trabalho duro. Se eu quero me diferenciar e conseguir coisas que os outros não conseguem (como fazer um bom doutorado, no tempo regulamentar, ter artigos publicados e entrar logo em uma boa universidade), preciso fazer coisas que os outros não fazem, ao trabalhar mais e melhor.

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Como eu gerencio meu tempo: meus princípios básicos

Muitas pessoas costumam dizer que eu sou uma pessoa organizada, principalmente em relação ao meu tempo e minhas tarefas. Embora eu ache que tenho muito a melhorar a ainda sinta que desperdiço muito tempo, vou deixar minha modéstia de lado e reconhecer que pelo menos sou mais organizado que algumas pessoas. Por motivos estranhos até para mim, também tenho um interesse pelo assunto da produtividade e organização, sobre como fazer mais e melhor; em função disso, estudo bastante o assunto, testo com minhas próprias rotinas (a flexibilidade da carreira acadêmica permite isso), e provavelmente vem daí a impressão das pessoas de que sou mais organizado que a média.

Como abomino gurus de produtividade cuja maior realização é escrever sobre produtividade, vamos às minhas qualificações. Defendi um mestrado em Engenharia Mecânica, com um pequeno atraso, admito, mas com um trabalho considerado abrangente (incluindo a construção de uma bancada experimental e concepção de um modelo numérico) e elogiado pela banca, trabalho esse que já resultou um artigo publicado em um periódico importante. No meu doutorado, defendi meu Exame de Qualificação com menos de um mês de atraso do prazo regulamentar (algo raro, acreditem), e os resultados desse exame já foram convertidos em dois artigos enviados a congressos e um atualmente em preparação para um periódico importante na área. Paralelamente a essa parte profissional, arrumo tempo na minha rotina para esudar Alemão (lingua pelo qual sou apaixonado), escrever de maneira irregular mas contínua para esse blog, fazer exercícios regulares três vezes na semana. Durante um ano morei sozinho, e atualmente moro com minha namorada, então embutidas no meu dia-a-dia estão as atividades de manter e limpar a casa, fazer compras, preparar refeições todo dia. Ao chegar ao fim desse parágrafo, até eu estou suspreso com a quantidade de coisas que encaixo na minha rotina.

Vou começar com este texto uma série em FabioFortkamp.com documentando como eu, afinal, gerencio meu tempo. Como acabei de falar, acho sim que tenho algo a acrescentar ao tópico e se puder ajudar pelo menos uma pessoa que se ache muito desorganizado, ficarei feliz. A principal inspiração para essa série veio de uma excelente palestra de Randy Pausch, e o meu objetivo é eu mesmo fazer uma auto-avaliação e buscar sempre melhorar. Escrever, para mim, é melhor forma de pensar e de planejar.

Um aviso óbvio: para reforçar, sou estudante de doutorado; tenho macro-prazos a cumprir, mas não tenho horário fixo, e isso se reflete no que vou escrever a seguir. Como já vou aprofundar, um problema não-trivial que autônomos enfrentam é decidir o que fazer dia após dia e como dedicar tempo a cada uma das atividades. Talvez o leitor assalariado consiga adapatar algumas das ideias à sua própria rotina.

É outra coisa: se o leitor está querendo aprender a se organizar, mas tem dúvidas se eu sou a melhor fonte, não tome esses textos como sagrados. Observe as pessoas de sucesso na sua área: o que elas fazem? Continuamente eu estou observado as pessoas que admiro (até mesmo foram da minha área imediata), testando algumas ideias e, como vamos falar algumas vezes, incorporar rotinas de revisão e de feedback na sua vida é uma das bases do bom gerenciamento de tempo.

Comer, dormir, suar

Antes de chegar ao básico de como organizo meu tempo e minhas tarefas, precisamos tratar do nível mais básico de tudo (algo que Pausch também aborda): dormir, comer e fazer exercícios.

Você sabe, só não quer admitir: dormir umas poucas horas por dia não é sustentável. Claro que isso varia de pessoa para pessoa. Idealmente, gostaria de dormir 8 horas por dia, mas já me conheço e sei que dormir 7 por dia é sustentável (no sentido de que consigo ficar a semana toda dormindo apenas isso). Consigo dormir talvez três noites seguidas com 6 horas de sono, mas nitidamente noto diferença na minha energia no quarto dia. Assim, não adianta eu planejar trabalhar até altas horas da noite, se sei que meu corpo não vai aguentar. Isso de cara limita o tempo disponível que tenho para trabalhar. Para uma discussão sobre a prática (talvez extrema) de colocar dormir no seu calendário, ouça este excelente episódio do podcast Cortex.

Posso trabalhar todas as horas em que estou acordado? Não, porque preciso comer, e para isso preciso preparar comida. Isso embute um detalhe muito sutil: se não quero viver de caixas de lasanha, preciso levar em conta que, em alguns momentos da semana, preciso abdicar de trabalhar e mesmo de me divertir para cozinhar. E mais: preciso levar em conta que, nas quartas-feiras, vou começar a trabalhar mais tarde que o normal porque vou na feira de manhã, e contribui muito na minha qualidade de vida ter salada e frutas sempre na geladeira; além disso, mesmo que trabalhe bastante na semana, não posso passar o final de semana assistindo Netflix porque preciso preparar refeições para deixar prontas — ajuda muito na rotina ter sempre feijão e carnes ensopadas básicas no congelador, por exemplo, para descongelar num dia e comer no outro. Principalmente agora que estou morando com minha namorada, que leva almoço todo dia, é extremamente importante manter a rotina de descongelar e preparar refeições.

E eu também preciso fazer exercícios. É simples: tempo para ir na academia não é tempo disperdiçado; se preciso de mais tempo para cumprir algum prazo, preciso tirar de outra atividade, mas não de me exercitar. Quando machuquei a perna e fiquei algumas semanas sem me exercitar, foi muito claro como a minha produtividade caiu. Se eu não tivesse o privilégio de ter horários flexíveis, eu teria de embutir esse exercício ao longo do dia: ir a pé ou de bicicleta todo dia, procurar exercícios para fazer em casa, usar só a escada.

Enfatizo: sem saúde, é impossível ser organizado porque não há vida a organizar.

A importância de rotinas

Se existe algo que diferencia os meus colegas que tem sucesso daqueles que claramente patinam, é o horário de trabalho. Sim, é ótimo ter horários flexíveis, poder tomar um tempo maior para ir almoçar com meu pai, ou poder usar uma manhã para ir recepcionar meu primo no aeroporto, mas essas são situações especiais. Via de regra, eu estou trabalhando de segunda a sexta, das 8:30 às 17:30, e assim o fazem doutorandos e mestrandos que são sérios. Claro, existem aqueles que rendem muito mais de noite, e o privilégio de se ter horários flexíveis é ótimo para aproveitar isso, mas acho que é preciso ter muito cuidado. Em primeiro lugar, vamos tirar o elefante da sala: orientadores não amam alunos que chegam no laboratório só à tarde, mesmo que eles fiquem até tarde da noite. Em segundo lugar, pensar “tenho todo o tempo do mundo para fazer isso!” geralmente é seguido por “então posso ficar jogando mais um pouco”. Em terceiro, trabalhar de madrugada pode ser inútil se você precisa interagir com outras pessoas, que não compartilham dos seus hábitos. Para mim, sim, é ótimo ser flexível, mas horário de trabalho é para trabalhar.

Num post futuro, vou detalhar como estruturo meu dia, tendo em vista este esquema de horários. Mas ter uma rotina básica é um dos pontos de partida em como gerencio meu tempo.

O que é significativo

Minha filosofia geral quando se trata de gerenciamento de tempo é que tento sempre gastar tempo em coisas significativas. Esse é um dos principais conceitos que tirei do maravilhoso Workflow Mastery, de Kourosh Dini, que prega que nossa vida é melhorada quanto atribuímos significado ao que fazemos. No momento que agimos como robôs, apenas cumprindo ordens e apertando parafusos como Chaplin em Tempos Modernos, perdemos grandes oportunidades de ser felizes e desenvolver bom trabalho.

Um exemplo: eu tenho uma tarefa regular (mais sobre isso em outro post) de estudar Alemão toda terça e quinta. O Alemão é a minha terceira língua, estudei durante toda a faculdade, morei na Alemanha, e recentemente voltei a estudar para passar em um exame de proficiência exigido pelo meu Programa de Pós-Graduação. Por questões financeiras e de tempo, parei de fazer aulas depois de cumprir o tal exame, mas não parei de estudar. Para mim, falar alemão é significativo, e eu me orgulho de poder fazê-lo de maneira razoável. Não é vital saber alemão para o meu doutorado, mas certamente ajuda (já encontrei artigos e livros interessantes escritos em alemão e fiquei feliz de poder lê-los), e o processo de aprender outra língua movimenta o meu cerébro de uma maneira saudavelmente diversa de resolver modelos matemáticos. Então, eu regularmente dedico meu tempo e minha atenção a ler notícias e textos nessa língua, e eu o faço conscientemente.

Um outro exemplo: pela primeira vez em minha carreira, estou tendo de orientar o trabalho de alguém, que está fazendo Iniciação Científica comigo. Fiquei surpreso com o quando complexo pode ser sincronizar o trabalho de duas pessoas. Por conta disso, para montar nossos cronogramas (e inseri-loas no cronograma da nossa equipe de pesquisa), estou fazendo esse curso on-line de Microsoft Project (o software que a nossa equipe usa). É perda de tempo estudar Project? Não, porque eu vejo significado nisso. Durante a minha graduação, cometi o erro de achar que tudo que seja ligado à gestão é perda de tempo, mas agora que tenho mais responsabilidades vejo que saber o básico de gerenciamento de projetos é uma habilidade muito interessante para um aprendiz de pesquisador. Aprendendo a usar o Project, eu acho que posso coordenar melhor as atividades com o meu IC, posso fazer um melhor trabalho, e espero que ele tenha uma experiência melhor. Significativo, portanto.

Um terceiro exemplo não ligado ao trabalho: em um tempo livre à noite ou no final de semana, é melhor eu voltar a trabalhar em um artigo ou assistir Gilmore Girls com minha namorada (sim, eu sou um namorado bom assim)? Por definição, passar tempo de qualidade com minha namorada é algo bastante significativo (se não fosse, por que duas pessoas namorariam?). Se tive uma semana boa, e essa é a primeira oportunidade em algum tempo que temos de passar um tempo juntos sem nenhuma outra tarefa a fazer, não é muito difícil escolher ver o filme. Mesmo sabendo que eu poderia estar avançando no meu doutorado, eu tomo uma decisão consciente de ver o filme, porque sei que a vida não é só trabalho.

O que é perder tempo, então, para mim? É gastar tempo com o que não é significativo. Perceba que isso leva a algumas conclusões não-intuitivas. Algo que não traz significado para mim são congestionamentos, que me irritam bastante. Para evitar isso, eu vou caminhando para a Universidade em vez de carro, mesmo que às vezes demore mais tempo; o tempo que passo caminhando, muitas vezes ouvindo um podcast bom e pegando um solzinho de manhã, é mais significativo. Outro hábito não significativo é ficar lendo artigos aleatório na Folha, ou procurar vídeos quaisquer no YouTube, apenas para passar o tempo. Pegar A Dança dos Dragões para ler, se quero apenas relaxar um pouco, é mais significativo.

Tomar decisões com base no conceito de significado pode ser bastante libertador. Eu fazia parte de um grupo que propunha melhoramentos para o nosso laboratório, mas no momento em que deixei de ver significado naquilo, pedi para sair. Sim, era até pouco tempo, mas eu quero manter o meu tempo desperdiçado tão próximo de zero quanto possível.

De cima para baixo: definindo metas

Um última detalhe dessa visão mais global de como gerencio meu tempo e minha atividades é hábito que aprendi com o livro Vida Organizada, da Thais Godinho: começar a sua organização de cima para baixo.

Acabamos de ver que uma maneira de minimizar o desperdício de tempo é procurar sempre gastar tempo que o que é significativo. Porém, pode ser difícil distinguir o que é significativo no meio da correria, especialmente se você não tem plano de nenhum tipo. Um exemplo tipicamente nerd ao meu estilo: aprender uma nova linguagem de programação é perda de tempo? Como não sou programador profissional, aprender uma nova linguagem pode ser um hobby bastante interessante (imagino que menos para quem só faz isso o dia inteiro), mas que demanda tempo e energia. Dado que meu tempo é finito, será que aprender alguma linguagem é desperdício? Não é, se aprender esta linguagem está alinhado com meus objetivos.

Há uns dois anos, li o livro da Thais e fiz o exercício sugerido de definir metas para “100 anos” (i.e. como me imagino minha vida no final dela), de 5 anos e de 2 anos. A grande mágica é a desconstrução de metas impossíveis em planos de dois anos, que permitem maior flexibilidade que as infames resoluções de ano-novo. Não me sinto confortável compatilhando todas as minhas metas, mas posso dar um exemplo: não é segredo para ninguém que me conhece que quero me aposentar daqui a muitos anos como um professor renomado na minha área. Se quero isso daqui a 100 anos, o que posso fazer no médio prazo? Em 5 anos, para cumprir essa meta, preciso já ter passado em algum concurso para alguma universidade de qualidade. O que é necessário a curto prazo então para isso? Em dois anos (o “curto prazo” sugerido pela Thais e que acho que funciona muito bem), a contar de quando fiz esse plano, não vou conseguir defender meu doutorado e passar em um concurso, mas posso começar passando no Exame de Qualificação (o que já fiz) e publicando pelo menos um artigo, já que esse é um requisito básico para a defesa da Tese e um aspecto importante das provas de concurso. Então, presto: quaisquer ações que se direcionem a passar na Qualificação e em publicar artigos é bastante significativo porque contribui para esse projeto de longo prazo. Por isso que, como mencionei acima, abandonei o grupo de trabalho que propunha melhoramentos para o laboratório.

Parece tolo, mas através dessa mentalidade as metas que defini no início de 2015 com prazo até o fim de 2016 estão quase todas cumpridas. E, para isso fazer sentido, eu preciso periodicamente revisar essa “lista” (eu uso um mapa mental) de metas e verificar se o que que estou fazendo no momento se alinha com essas metas.

Um exemplo de projeto que abandonei porque não condizia com minhas metas: estudar piano. Eu fiz aula de teclado e violão quando mais jovem, e ao longo do mestrado flertei com a possibilidade de fazer aulas novamente, dessa vez de piano. Mas eu me conheço e sei que nunca vou ter a disciplina de me tornar um músico excelente, e eu não me enxergo como um excelente pianista no final da vida. Por mais que certamente seja interessante, não está alinhado com meus objetivos de vida, e por isso abandonei. Isso não é um exemplo de que “metas” só se aplicam ao trabalho. Eu conscientemente quero melhorar minhas habilidades na cozinha e gostaria de ser lembrado por isso quando morrer, por isso tenho tentado receber mais amigos aqui em casa. Para mim, é significativo dedicar-me a isso.

Também quero ser conhecido como escritos, e é por isso que estou escrevendo posts como esse.

Sugestões de ações

Como falei na introdução, não me considero um expert em produtividade e estou apenas documentando as minhas práticas, para eu continuamente avaliar o que dá certo e o que dá errado. Mesmo assim, se você leu esse texto e pensou “preciso fazer essas coisas que o Fábio”, aqui está uma lista de tarefas que recomendo:

  1. Examine a sua rotina e veja se você está dedicando tempo à sua saúde. Se você não faz exercício por falta de tempo, onde pode melhorar? Que outra atividade está tomando um tempo precioso?
  2. Leia o livro Vida Organizada, especialmente os primeiros capítulos. Imagine sua vida daqui a 100 anos; o que você quer realizar? Agora, o que pode fazer em um médio prazo para ir lá? E num curto prazo? Agora veja a suas atividades diárias; elas vão lhe levar a essa sua visão de vida? Visto de outra forma, você perde tempo que o que não significativo?
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Duas dicas para lidar com a desmotivação durante a pós-graduação

Um leitor deixou um comentário em outro post, dizendo que está fazendo mestrado em uma área diferente da sua formação, está tendo problemas em trabalhar com seu orientador e que se encontra desmotivado de maneira geral. Comecei a respondê-lo, mas logo vi que um assunto dessa importância merecia um post público, para que outras pessoas possam visualizar também.

Acredito que não exista estudante de pós-graduação que não se sinta terrivelmente desmotivado em pelo menos algum instante. Eu mesmo passei por isso: no meio de meio mestrado, uma sequência de coisas começaram a dar errado (incluindo tubos de vidro explodindo, jogando água e cacos de vidro pelo laboratório todo), e comecei a esbravejar para meus amigos me internarem se eu resolvesse fazer doutorado, depois de passar por tudo isto. Bem, aqui estou no supra-citado doutorado há mais de um ano. A empolgação de terminar o seu trabalho, ver um documento científico com seu nome e o diploma com o título de Mestre mais do que compensam as dificuldades.

Porém, antes da alegria da conclusão, o desânimo é um problema real e mal abordado. Fazer mestrado ou doutorado é ingrato: você ganha pouco, trabalha muito, tem de enfrentar a burocracia da pesquisa brasileira e ainda tem de ouvir de todas as pessoas à sua volta a pergunta “mas você só estuda?”. Mas também é um privilégio: você (ao menos teoricamente) ganha dinheiro para estudar e se debruçar no que (também teoricamente) gosta, não têm um chefe para lhe dar ordens, tem todos os direitos de estudante, têm horários mais flexíveis. O segredo está em saber então aproveitar essas vantagens e adquirir hábitos que ajudem a passar por fases ruins. Tenho duas dicas principais.


Em primeiro lugar, com toda a discussão de pós-graduação ser trabalho ou não, ela certamente tem elementos de um trabalho “normal”. Quando você ingressa em um programa de pós-graduação, você carrega o nome do programa em tudo o que você faz: se você se atrasa para defender a sua dissertação ou tese, isso é reportado às agências de fomento e o seu programa perde pontos; quando você publica um artigo ou se apresenta em algum congresso, o nome da sua instituição é uma das primeiras coisas que aparece; quando você sai para trabalhar em algum lugar, você provavelmente será “o fulano que veio de tal universidade”, pelo menos para algumas pessoas. E se você ganha bolsa, isso pode estar atrelado aos esforços do seu orientador. Portanto, você não é um mero estudante, mas sim alguém que deve prestar contas de alguma forma, ainda mais se participa de algum grupo de pesquisa, fazendo com o próprio trabalho de outras pessoas dependa do seu.

Por esses motivos, tratar o ritmo de pós-graduação com profissionalismo é, na minha opinião, uma das coisas mais sensatas a se fazer, e isso envolve ter rotinas de trabalho. Sei que sou minoria, mas nunca em toda a minha jornada de mestrado ou doutorado virei noites no laboratório, assim como abomino a ideia de fazer do trabalho em fins de semanas um hábito (embora vésperas de prazos para artigos ou defesas sejam motivos aceitáveis, para mim). Algo que sempre me ajudou, mesmo nos piores momentos de desânimo, foi não abandonar o ritmo da vida cotidiana. Mesmo com tubos explodindo, eu ia correr quase toda manhã, ficava com minha namorada nos fins de semana, mantinha os horários das refeições e pelo menos aparecia para trabalhar todo dia, mesmo que seja para escrever um parágrafo de algum relatório.

Se você está desmotivado, a pior coisa que você pode fazer, na minha experiência, é seguir os extremos: ou se tornar a pessoa relapsa na qual ninguém confia, ou trabalhar demais para resolver os problemas rápido e ficar permanentemente cansado. A solução para o primeiro eu já falei: por pior que você se sinta, tente pelo menos, de segunda a sexta, sentar em alguma cadeira e fazer alguma coisa, qualquer coisa; uma vez vencida essa inércia inicial, você pode acabar entrando no ritmo. E a solução para o segundo problema teoricamente é fácil; durma o número de horas suficiente, alimente-se bem (nada de almoçar uma coxinha), exercite-se, e quando chegar em casa descanse, veja um filme, toque violão. Acredite: às vezes é tudo uma questão de energia.


A segunda dica se refere a aproveitar ao máximo as partes boas do seu mestrado ou doutorado. Você pode estar desmotivado com alguma coisa, mas certamente há outras nas quais você é bom e das quais você gosta. Já falei por aqui que o mestrado me ensinou que as pessoas que se destacam são aquelas que se especializam em algo paralelo à sua profissão, como engenheiros que são apaixonados por fotografia e se tornam admirados pelas imagens que eles produzem para seus trabalhos. O leitor que deixou o comentário que originou este post disse que estava tendo dificuldades em estudar o tópico (presumivelmente ao fazer a revisão da literatura). Caro leitor, deve haver algo de que você goste no seu trabalho (caso não haja nada, pode ser hora de procurar ajuda psicológica e conversar com seu orientador sobre possibilidades de mudar de projeto); aproveite ao máximo as suas horas nesse trabalho. Se ler artigos está chato, mas você gosta de desenhar, então produza os melhores desenhos possíveis. Se você tem de criar modelos numéricos, odeia programação mas gosta de escrever, pratique a escrita — talvez sobre o seu modelo numérico.

Como falei anteriormente, a primeira atitude é criar um sistema manter o profissionalismo, e pelo menos sentar para trabalhar. Ao começar o dia, resolva as suas prioridades primeiro, mas não deixe de fazer coisas das quais você gosta. Agora mesmo, são 16:30 da tarde e eu me dou o luxo de estar escrevendo este blog — mas só depois de ter passado mais de 4 horas trabalhando no Exame de Qualificação.


Essas são as duas principais dicas, baseados no que eu vivi e no que observo das pessoas à minha volta. Conheci algumas pessoas que adoravam reclamar da vida e se dizer arrependidas por fazer mestrado/doutorado, mas muitas delas achavam que a solução era dormir o dia inteiro para poder jogar videogame, ter horários caóticos e atrapalhar o trabalho dos outros (e essas pessoas não deixaram uma boa impressão). Por mais desmotivado que você esteja, você assumiu um compromisso (como falei anteriormente), e simplesmente não fazer nada não resolve a sua situação. Conheci também algumas pessoas que não estavam 100% felizes, mas que podiam ser encontradas todo dia no laboratório avançando no seu trabalho, motivando-se a terminar da maneira mais rápida para poder partir para outros projetos.

Um último caso, pode ser que você precise de ajuda mais especializada (recentemente conhecida minha teve séries crises nervosas e está precisando de atendimento psicológico). Considere também delimitar um período de férias (mas de no máximo uma semana), dedicada unicamente a fazer você refletir sobre a sua vida, ou no limite pedir trancamento para que você embarcar em outra jornada, pelo menos temporariamente. Mas, enfatizo novamente, faça alguma coisa.

Sei que fazer pós-graduação não é fácil. Espero que essas dicas possam trazer alguma luz a meus leitores que estejam passando por estes problemas.

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Walt Disney e o valor do nosso trabalho

Walt Disney:

Nós não fazemos filmes para ganhar dinheiro; ganhamos dinheiro para fazer mais filmes.

Um belo lembrete sobre o valor que damos para o nosso próprio trabalho.

(Retirado de Show your work!, de Austin Kleon (Workman Publishing Company, 2014)).

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Por que trabalhar em casa

Matt Gemmell escreveu um texto bastante interessante sobre o assunto cada vez mais discutido de “trabalhar em casa”, falando dos cuidados que se tem de ter, dicas para um melhor rendimento etc.

Eu não vou aqui fazer um texto semelhante porque enfim, ele disse muito bem o que penso. O meu objetivo é discutir por quê eu gosto de trabalhar em casa.

Vamos primeiro começar com a natureza do meu “trabalho”. Quem segue esse site deve saber, mas para os outros, no momento sou estudante de mestrado, agora em fase de conclusão. Minha tarefa primária é escrever a minha dissertação, o que envolve não apenas digitar mas todo o processo por trás — fazer figuras, rever artigos e livros para colocar a referência certa, consultar as normas para rever a formatação, ler e reler à procura de erros. Também estou criando programas de computador para fazer os cálculos de que preciso para reforçar as minhas conclusões.

Para a grande parte dessas atividades eu preciso apenas de um computador. Meu trabalho envolve uma parte experimental, de laboratório, mas isto felizmente já foi concluído. Eu também dependo de poucos pessoas, e não faço parte de nenhuma “equipe”, pelo menos não no sentido corporativo. Troco emails com meu orientador e com alguns colegas.

Meu ponto principal é que posso trabalhar em casa. Também poderia levar o meu computador para a universidade, ou usar o de lá. Vamos analisar por que prefiro a primeira opção.

  • Trabalhar em casa é economizar dinheiro. Primeiro, há o custo de ônibus ou da gasolina; depois, a alimentação. O restaurante universitário da UFSC não está funcionando (além da comida ser péssima), e os preços praticados pelos restaurantes da região são muito altos — apesar de serem muito mais baratos que em outras regiões. Estou cada vez mais convencido de que, a não ser que você tenha um bom vale-alimentação, comer fora virou atividade de luxo. Para piorar, o laboratório onde trabalho tem uma política de não permitir que as pessoas levem almoço — temos muito a aprender com a Europa em alguns aspectos.
  • Ficando em casa, eu não preciso pegar trânsito. Já se tornou rotina demorar uma hora e meia num trecho em que há dois anos demoraria 20 minutos. Já passei da idade de discutir política, e não vou aqui fazer um longo discurso sobre carros e transporte público. O trânsito é ruim; não precisar encarar isso todo dia é uma economia de tempo e um alívio mental.
  • Eu me considero uma pessoa bastante disciplinada. Eu não sofro tentanções em tirar uma soneca ou ver Friends só porque não tem ninguém olhando (por isso não vejo razão para seguir as dicas de Matt Gemmell e instalar programas que bloqueiam diversos sites). Se é para trabalhar, vamos trabalhar. Ainda mais porque meu trabalho só interessa a mim; se eu ficar deitado o dia todo, eu não vou ser demitido, mas vou perder o prazo e não ser aprovado.
  • Um ambiente de trabalho é um ambiente social, e como tal as pessoas querem socializar. Eu adoro conversar com meus colegas, e muitas vezes nessas conversas aprendo mais que lendo um livro. Entretanto, eu não tenho uma sala só para mim (nem gostaria de ter), e ao longo de um dia temos inúmeras distrações de pessoas entrando e saindo, mais o telefone tocando, mais aquele colega que quer fazer uma fofoca. Como uma pessoa naturalmente introvertida, poucas coisas matam mais a minha produtividade que essas pequenas distrações. Em casa geralmente há poucas pessoas, o que signifca menos distrações. E continuo tendo os fins de semana e WhatsApp para socializar.
  • Pequenas liberdades. Como falei, sou uma pessoa disciplinada, e consigo render trabalhando em casa. Isso me dá direito a certas liberdades; por exemplo, depois do almoço, posso querer ler uns capítulos de um livro que estou lendo. Eu sei que já rendi de manhã e que vou conseguir cumprimir minhas metas de tarde, então me dou esse luxo. Tiro uma hora e meia de almoço e não apenas uma hora.

Trabalhar em casa tem sido uma experiência ótima, e pretendo explorar ao máximo isso no meu futuro, sempre que possível.

Um último recado, porêm, para reforçar um ponto do Matt. Se você resolver experimentar ficar em casa, vista-se. Você está trabalhando, e você não trabalharia de pijamas e nem de bermuda de praia. Eu sou tão paranóico que às vezes entro no espírito e fico até de sapatos (para espanto da minha mãe), tamanho é o impacto psicológico.

E você leitor, trabalha em casa? Gostaria de poder fazer isso? Compartilhe nos comentários.