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Por que trabalhar em casa

Matt Gemmell escreveu um texto bastante interessante sobre o assunto cada vez mais discutido de “trabalhar em casa”, falando dos cuidados que se tem de ter, dicas para um melhor rendimento etc.

Eu não vou aqui fazer um texto semelhante porque enfim, ele disse muito bem o que penso. O meu objetivo é discutir por quê eu gosto de trabalhar em casa.

Vamos primeiro começar com a natureza do meu “trabalho”. Quem segue esse site deve saber, mas para os outros, no momento sou estudante de mestrado, agora em fase de conclusão. Minha tarefa primária é escrever a minha dissertação, o que envolve não apenas digitar mas todo o processo por trás — fazer figuras, rever artigos e livros para colocar a referência certa, consultar as normas para rever a formatação, ler e reler à procura de erros. Também estou criando programas de computador para fazer os cálculos de que preciso para reforçar as minhas conclusões.

Para a grande parte dessas atividades eu preciso apenas de um computador. Meu trabalho envolve uma parte experimental, de laboratório, mas isto felizmente já foi concluído. Eu também dependo de poucos pessoas, e não faço parte de nenhuma “equipe”, pelo menos não no sentido corporativo. Troco emails com meu orientador e com alguns colegas.

Meu ponto principal é que posso trabalhar em casa. Também poderia levar o meu computador para a universidade, ou usar o de lá. Vamos analisar por que prefiro a primeira opção.

  • Trabalhar em casa é economizar dinheiro. Primeiro, há o custo de ônibus ou da gasolina; depois, a alimentação. O restaurante universitário da UFSC não está funcionando (além da comida ser péssima), e os preços praticados pelos restaurantes da região são muito altos — apesar de serem muito mais baratos que em outras regiões. Estou cada vez mais convencido de que, a não ser que você tenha um bom vale-alimentação, comer fora virou atividade de luxo. Para piorar, o laboratório onde trabalho tem uma política de não permitir que as pessoas levem almoço — temos muito a aprender com a Europa em alguns aspectos.
  • Ficando em casa, eu não preciso pegar trânsito. Já se tornou rotina demorar uma hora e meia num trecho em que há dois anos demoraria 20 minutos. Já passei da idade de discutir política, e não vou aqui fazer um longo discurso sobre carros e transporte público. O trânsito é ruim; não precisar encarar isso todo dia é uma economia de tempo e um alívio mental.
  • Eu me considero uma pessoa bastante disciplinada. Eu não sofro tentanções em tirar uma soneca ou ver Friends só porque não tem ninguém olhando (por isso não vejo razão para seguir as dicas de Matt Gemmell e instalar programas que bloqueiam diversos sites). Se é para trabalhar, vamos trabalhar. Ainda mais porque meu trabalho só interessa a mim; se eu ficar deitado o dia todo, eu não vou ser demitido, mas vou perder o prazo e não ser aprovado.
  • Um ambiente de trabalho é um ambiente social, e como tal as pessoas querem socializar. Eu adoro conversar com meus colegas, e muitas vezes nessas conversas aprendo mais que lendo um livro. Entretanto, eu não tenho uma sala só para mim (nem gostaria de ter), e ao longo de um dia temos inúmeras distrações de pessoas entrando e saindo, mais o telefone tocando, mais aquele colega que quer fazer uma fofoca. Como uma pessoa naturalmente introvertida, poucas coisas matam mais a minha produtividade que essas pequenas distrações. Em casa geralmente há poucas pessoas, o que signifca menos distrações. E continuo tendo os fins de semana e WhatsApp para socializar.
  • Pequenas liberdades. Como falei, sou uma pessoa disciplinada, e consigo render trabalhando em casa. Isso me dá direito a certas liberdades; por exemplo, depois do almoço, posso querer ler uns capítulos de um livro que estou lendo. Eu sei que já rendi de manhã e que vou conseguir cumprimir minhas metas de tarde, então me dou esse luxo. Tiro uma hora e meia de almoço e não apenas uma hora.

Trabalhar em casa tem sido uma experiência ótima, e pretendo explorar ao máximo isso no meu futuro, sempre que possível.

Um último recado, porêm, para reforçar um ponto do Matt. Se você resolver experimentar ficar em casa, vista-se. Você está trabalhando, e você não trabalharia de pijamas e nem de bermuda de praia. Eu sou tão paranóico que às vezes entro no espírito e fico até de sapatos (para espanto da minha mãe), tamanho é o impacto psicológico.

E você leitor, trabalha em casa? Gostaria de poder fazer isso? Compartilhe nos comentários.