Uma internet melhor

Paul Miller escreveu uma matéria maravilhosa no The Verge sobre o
ano em passou completamente desconectado. Um ano em que ele queria usar
o tempo para fazer outras coisas, ser mais produtivo, interagir mais com
os amigos, sem se preocupar em acompanhar a linha do tempo do Twitter.

Um ano horrível, nas suas próprias palavras.

O relato de Paul, junto com sua outra análise e com a entrevista
para a Folha de São Paulo
, reforça aquilo que muitos sabem: o
problema não é a internet, mas sim como a usamos. Nós é que tornamos a
internet como ela é
.

Não é preciso muito para acessar a internet. Um roteador, um computador
com placa de rede e uma conta em algum provedor (junto com muita
paciência, se for no Brasil). Com apenas isso, você pode passar a manhã
no 9Gag, ver vídeos de pegadinhas no YouTube, pesquisar sobre a próxima
viagem, comprar um livro (ou qualquer coisa útil), ver pornografia ou
fundar uma startup. É a sua escolha.

Não estamos mais online apenas para “surfar na internet” (quem inventou
essa xpressão horrível?). Estar online não é algo trivial. O Facebook,
por exemplo, é das ferramentas mais complexas já criadas. É tudo
onipresente. Você simplesmente parte do pressuposto que a outra pessoa
também está lá, quando quer adicionar alguém. Além disso, o Facebook
está te espionando, mostrando anúncions baseado no que você curte (e
visita fora do próprio site), e ainda assim ninguém quer parar de
usá-lo. Novamente, tudo se resume a uma questão de fazer escolhas. Você
pode manter contato com os amigos que conheceu na Europa, rir da Clarice
Lispector, curtir as fotos no Instagram #love #happy #nofilter,
divulgar o seu blog (e ouvir muitos comentários positivos e alguns
negativos), procurar fotos de biquíni daquela garota ou conversar com
aquela, outra, bem mais interessante (que também pode ter fotos de
biquíni, por que não?).

Todos gostamos de ver fotos engraçadas ou vídeos divertidos, mas quanto
tempo você está gastando com isso? E o que o Twitter, com seu fluxo de
notícias sem nexo e pensamentos absolutamente inúteis, está
acrescentando? E aquela lista imensa de blogs nos seus favoritos ou em
RSS, você está lendo apenas para se manter atualizado ou está absorvendo
alguma coisa de útil?

Vou além: se você tem algo a dizer ou mostrar, faça-o. É possível criar
um blog de graça (embora você já saiba o que penso da qualidade de
produtos grátis
). Até uma página no Facebook pode servir para seus
propósitos (apenas leve em conta que, assim como já passamos pela febre
de MySpace e Orkut, o Facebook também vai acabar nessa década. Quanto
você está pagando para sustentar o Facebook, mesmo?). Coloque seu foto
no Flickr, seu vídeo no Vimeo, … Consuma menos e crie mais.

Se nós estamos destruindo a internet, é hora de tentar melhorá-la.

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