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Metodologias Ativas em Ensino de Engenharia – O Plano

A frase sobre metodologias ativas para copiar e colar em textos sobre metodologias ativas é “colocar o aluno como protagonista da aprendizagem” [1], geralmente seguida por “o aluno deve fazer mais e o professor falar menos”. Como qualquer aluno meu pode atestar, eu estou precisando falar menos.

Há algumas semanas, eu descrevi aqui uma série de planos para melhorar as minhas disciplinas (1,2,3,4,5). São bons planos, todos centrados em “guiar melhor os alunos em explorar Engenharia”, mas agora que o semestre começou, eu percebo como é difícil mudar a minha maneira verborrágica de dar aula e como é preciso corrigir o curso desde já.

Aqui está o plano.

Escolhendo a sua avaliação

Nós só aprendemos de fato fazendo, preferencialmente experimentado a partir de problemas relevantes para nós [1]. É por isso que estou incluindo entre as avaliações da maioria das disciplinas um componente de “você escolhe o problema”. Você aprendeu sobre transferência de calor – e agora, que problema relevante na sua vida você quer resolver com esse conhecimento? (curiosamente, enquanto escrevo este texto, a ventoinha de meu laptop movimenta-se furiosa e audivelmente – não existe maneira melhor de remover o calor do processador?).

Ferramentas tecnológicas

Há alguns dias, eu encontrei um grande amigo meu, namorado de uma professora universitária. Como é praxe nas minhas conversas, eu reclamo de dar aulas online, e como é praxe dele, ele questiona as minhas reclamações. Com tantas ferramentas digitais, não é possível dar uma aula excepcional pela internet?

Certamente dá, mas eu ainda estou aprendendo a fazer isso.

Quando eu penso na minha experiência como engenheiro, observando os melhores profissionais com quem tive o privilégio de trabalhar, eu vejo duas características em comum:

  1. Elas dominam o básico muito bem dominado – e isso só é alcançado com uma rotina de estudos, preferencialmente de livros bem escritos e que têm reputação entre engenheiros
  2. Elas sabem fazer experimentos – físicos ou computacionais – rapidamente para comprovar alguma ideia.

As minhas disciplinas se agrupam sob o manto das “Ciências Térmicas”, e a atividade básica a todas elas é calcular propriedades termofísicas (energia, entalpia, volume). É por isso que venho enfatizando o uso de Python nas minhas aulas, especialmente com a biblioteca CoolProp. Quando eu era estudante de graduação, eu não tinha smartphones e nem a essas bibliotecas; eu tinha uma calculadora HP-50 e tabelas impressas. Hoje isso mudou, e eu não posso dar aulas como eu tinha. Hoje é possível gerar dados muito rapidamente e aprender com eles – e eu acredito fielmente que essa é uma habilidade essencial do engenheiro que está se formando.

Principalmente nas minhas disciplinas de 3 horas-aula seguidas, tenho tentado dividir as aulas em duas partes: uma parte síncrona de discussões inicias e exploração dessas ferramentas, e outra parte de confiar nos alunos e deixá-los explorar. O que vai sair dessas explorações? Eu não sei; o ensino não é sobre mim, é sobre os alunos.

Um começo de sala de aula invertida

Eu criei um canal no YouTube. Se a leitora visitá-lo, vai ver que o que há não são aulas longas, e sim algumas exposições básicas: o que eu, com um pouco mais de experiência que meus alunos, julgo ser importante considerar e estudar. A ideia é montar essa biblioteca de assuntos básicos e transformar os espaços síncronos em espaços de discussão, deixando os alunos mostrarem suas dúvidas e, utilizando as ferramentas acima, explorar junto com os alunos – mas sem um formato de palestra.

Após mais algumas semanas, eu volto aqui e relato como tem sido.

Referências

[1] Bacich, Lilian; Moran, José (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.