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Resenhas de apps

YNAB: você precisa de um orçamento

Faz algum tempo que me interesso pelo assunto de finanças pessoas e,
claro, procuro usar a tecnologia para me ajudar nesse assunto. Mas
percebi que existe algo errado com a grande maioria das aplicações sobre
o tema. E é um erro de concepção.

Digamos que você tenha R$ 1000 na sua conta bancária. O jeito que a
maioria dos softwares trabalha é simplesmente usar esse valor como
disponível. E percebo que muitas pessoas pensam assim. Se tenho R$1000,
posso comprar amanhã uma geladeira de R$800, certo? Ainda me sobram
R$200. E então, no fim do mês, quando o aluguel de R$600 chega, você
está em problemas.

Esse é o problema de mentalidade. O seu saldo da conta corrente tem na
verdade pouca relação com quanto você tem. O seu “saldo” real na verdade
tem muitos fatores: quanto você tem no banco, quanto você tem em
dinheiro vivo, quantas dívidas você tem, quais pagamentos você vai ter
de fazer no mês. E um software que me ajude a gerenciar finanças deve
ser o inteligente para me dizer: “olhe, você tem R$1000 na conta e
R$200 na carteira, mas você tem de pagar o aluguel de R$600 no fim do
mês, gasta mais ou menos R$300 com alimentação e R200 de transporte,
então só pode gastar R$100 com o resto!”. Percebam a matemática. Não
basta saber quanto eu tenho em uma conta, é preciso atualizar meus
créditos e débitos em tempo real.

Há alguns meses, conheci um aplicativo assim, e chama-se You Need a
Budget
, ou YNAB, e é um software que alterou completamente minha
maneira de gerenciar finanças.

Um software de método

Por trás desse app existe um método de quatro regras:

  1. Dê a cada centavo uma tarefa. Defina orçamentos para aluguel,
    gasolina, comida, roupas, jantares, cinema, poupança. Você deve
    distribuir toda sua renda.
  2. Guarde para dias chuvosos. A cada mês, guarde um pouco para gastos
    imprevisíveis como manutenção do carro ou da casa ou gastos maiores
    como viagens, Natal etc
  3. Adapte-se. Se num mês você gastou mais que o esperado em gasolina,
    diminua seu orçamento em outras áreas. Comprometa-se a sair menos
    para jantar ou comprar menos roupas – mas registre essa decisão.
  4. Viva dos ganhos do mês anterior. Se estamos em outubro, você deve
    estar vivendo do que ganhou em agosto; da mesma forma, a sua renda
    para novembro já deveria estar garantida.

Se você tem grande habiliade com planilhas como Excel ou Numbers, a
rigor poderia até implementar essas regras nesse tipo de software. Mas a
companhia por trás do método criou programas para Mac e Windows (com
aplicativos auxiliares para iOS e Android) que implementam isso da
maneira mais rigorosa.

Como funciona? Primeiramente, quando você inicia, cadastra uma conta:

Cadastro de contas no YNAB

Cadastro de contas no YNAB

O YNAB diferencia entre “contas” e “orçamento”. Quando você cria uma
conta, o valor que você tem nela inicialmente fica “disponível para
orçamento”.

Orçamentos no YNAB

Orçamentos no YNAB

Perceba que já delimitei algumas categorias bem básicas. Você pode
adicionar quantas contas quiser. Talvez você tenha mais de uma conta
corrente. Também deve adicionar uma conta de “Carteira” para seu
dinheiro vivo, uma conta de cartão de crédito para cada cartão que você
tem.

Para nosso exemplo, adicionei uma conta “Carteira” com R\$ 200 de
crédito inicial.

Depois de cadastar suas contas, é hora de delimitar orçamentos para suas
categorias. Isso é a regra número 1.

Orçamentos com categorias

Orçamentos com categorias

Aí você começa a ver o que acontece. Nosso saldo total nas duas contas é
de R$1200, mas só temos R$200 disponíveis. Isso porque sabemos que
vamos ter gastos no futuro, então aqueles R$ 1200 não têm muito valor!

Vamos agora complicar as coisas, adicione uma conta de cartão de crédito
com um débito inicial.

Cartão de crédito

Cartão de crédito

Você agora já tem um gasto programado, e não tem nenhum valor reservado
para aquilo, por isso o YNAB exibe o valor em vermelho, como um alerta.

Para cadastrar uma transação, escolha uma conta e clique em Add a new
transaction
:

Transação

Transação

O seu orçamento agora fica atualizado (note a coluna do meio).

Orçamento após Transação

Orçamento após Transação

Porém, veja que isso não afeta o seu valor disponível para orçamento,
porque você já tinha separado um montante para aluguel. Porém, se você
gasta mais que o planejado em uma categoria, o YNAB exibe o valor em
vermelho e debita a diferença no valor disponível, que pode ser até
negativo. Nesse caso, você separou mais dinheiro que o disponível nas
suas contas, e precisa então reservar menos para algumas categorias
(isso é a regra 3).

Não quero aqui ensinar o leitor a usar o software, mas espero que tenham
percebido o valor dessa aplicação. O software serve a você, monitorando
muitas variáveis e impedindo que você gaste mais do que o disponível. No
site do app existem muitos vídeos e informação, incluindo como
implementar a regra 4. Quero apenas mostrar como esse app é diferente e
como ele ajuda a ter uma mentalidade mais racional com dinheiro. O
grande truque é esse, quanto você tem no banco é diferente de quanto
você pode efetivamente gastar.

Postos avançados no seu smartphone

YNAB é para ser operado no seu desktop. Inserir contas e definir
orçamentos são tarefas que só podem ser executadas no seu computador. O
pessoal que faz o app deve ter pensado que um usuário de YNAB usaria seu
smartphone para duas coisas principais:

  1. Consultar o orçamento disponível para alguma área (“queria comprar
    esse livro, será que separei algum dinheiro para comprar livros
    nesse mês?”)
  2. Registrar gastos

De fato, esse deve ser o padrão de uso de muita gente. Eu entendo essa
mentalide; ainda assim, gosto de ter apps completas no iPhone. A versão
do YNAB para smartphones é grátis e sincroniza por Dropbox com seu
orçamento criado no computador. Ou seja, não é uma versão do YNAB, é um
app auxiliar, um posto avançado no seu smartphone.

YNAB no iPhone

YNAB no iPhone

O que falta

Uma licença de usuário do YNAB custa $60 por usuário (pode ser usado em
quantos computadores a pessoa quiser) e, francamente, já vale para mim
muito mais que isso. É um dos meus apps preferidos, é extremamente
útil, bem projetado e tem tido impacto muito positivo nas minhas
finanças. Um exemplo prático: em abril, eu me dei conta de que em julho
teria de pagar os impostos do meu carro. Eu consultei no Detran os
valores devidos e quando deveria pagar cada cota. Defini então
orçamentos mensais para cada gasto; como o valor total foi diluído por
meses, não teve tanto impacto no meu orçamento normal e, quando chegou a
data, eu já estava com os valores todos “separados” (o dinheiro
continuava no banco, mas eu havia separado virtualmente com ajuda do
YNAB). É bem diferente de chegar julho e eu pensar “caramba, tenho de
pagar uma fortuna em IPVA!”.

O app tem mais alguns detalhes que não mencionei. O leitor atento deve
ter percebido que podemos cadastrar contas dentro e fora do
orçamento. As contas fora do orçamento são aquelas cujas transações não
afetam o orçamento. Eu uso essas contas para investimentos. YNAB é
inteligente para perceber que transferências entre contas dentro do
orçamento não são gastos; você sacar algum dinheiro da sua conta
corrente não é um débito e não afeta sua capacidade de gastar. Porém,
quando você transfere para alguma conta fora do orçamento (como uma
caderneta de poupança), isso é um gasto, e precisa ser alocado a alguma
categoria. A ideia é que, quando você separa esse dinheiro,
compromete-se a não gastá-lo.

Na hora de cadastrar transações, é possível cadastrar os credores, e o
software lembra os já usados. Isso, combinado com o recurso de gerar
relatórios, permite a você gerar dados muito interessantes: em quais
lojas você gasta mais, por exemplo. Com relatórios, é possível também
saber quais são as categorias mais críticas, em quais meses do ano a
situação é mais apertada etc.

De tanto que eu gosto, gostaria de ver alguns melhoramentos. Por
exemplo, na parte de investimentos, gostaria de ver algo mais avançado,
como a possibilidade de inserir taxas de rendimento. Gostaria de ver
mais automação, como atalhos de teclado. Mas são apenas detalhes. YNAB é
ótimo.

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FaceTime e o que realmente importa

Recentemente minha irmã fez aniversário. Normalmente, eu daria um beijo
nela pela manhã e jantaria com ela e nossos pais pela noite. Acontece
que esse ano não é normal, e ela está estudando na França, e eu não
posso fazer o que normalmente faria.

Eu tentei usar o Skype, mas não deu certo. Então resolvi testar esse
app, FaceTime, para fazer chamadas de áudio e vídeo pela internet. E o
detalhe: é um app nativo da Apple, e tem também para OS X, o sistema
operacional da Apple e que eu uso.

Então foi assim: eu, sentado na minha mesa, confortavelmente, usando um
app que veio com o meu computador, e ela, pegando um trem para ir para a
aula, com o iPhone dela, com 3G padrão europeu. Não foi preciso instalar
nada, nem configurar, nem adicionar nenhum contato. Eu já tinha o número
dela no meu iPhone, os contatos são sincronizados pelo iCloud com meu
computador, e só precisei buscar pelo nome dela. E nós conversamos (com
vídeo) enquanto ela tomava o trem. E eu pude dar os parabéns a ela.

Vejam, quando falo de tecnologia neste blog, é sobre isso que quero
falar. Quando as pessoas me vêem com um MacBook, um iPhone e um iPad,
fazem piadas, me chamam de Apple-boy ou Mac-fag, dizem que eu sou
riquinho filhinho de papai (porque claro, no Brasil chamar alguém de
rico é ofensa). Eu não sei exatamente o que essas pessoas tem a ver com
isso, mas foi esse conjunto de ferramentas que eu pude dar parabéns à
minha irmã, no aniversário dela, não gastando nada a não ser um pouco
dos dados de pacote de 3G dela. Usar produtos Apple tem seu preço, mas
tem suas vantagens. A integração entre os produtos é fantástica. Ao
contrário do que a maioria das pessoas pensam, eu não uso a tríade
iPhone-iPad-Mac para parecer cool. Eu tento ser produtivo ao máximo
com esses gadgets.

Poderia ser feito de outra forma? Claro que sim. Se eu tivesse um
computador rodando Linux (como eu já tive durante muito tempo) e minha
irmã tivesse um Android, ou poderia no mínimo comprar créditos em VoIP
(mais baratos que telefone normal) e telefonar para ela. Ou por Skype,
ou por Google Hangout, o que seja. Não estou dizendo para você comprar
um iPhone. Estou dizendo que para você abraçar a tecnologia como
resolvedora de problemas.

A cor do meu telefone? É um detalhe. As animações do OS X? Detalhes. Os
ícones 2D do iOS 7? Detalhes. Eu poder conversar por vídeo com minha
irmã no aniversário dela usando apps já instalados? O que realmente
importa.

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Learning To Love Photo Management

Eu não gosto de tirar fotos, embora goste de ter recordações, mas eu
absolutamente detesto organizar fotografias. O iPhone simplificou e ao
mesmo complicou isso: eu não preciso mais de uma câmera digital, mas ao
mesmo tempo como diabos eu tiro as fotos dali? E se eu passar para o meu
computador, como posso mostrá-las para alguém quando não estou com ele
por perto?

Bradley Chambers lançou esse livro chamado Learning To Love Photo
Management
 que trata dessas questões. Eu ainda estou lendo, mas
baseado numa leitura rápida já deu de ver que valeu a pena. Chambers
criou um método de organização e compartilhamento usando o mínimo de
ferramentas.

Esse livro também representa uma categoria que acho muito interessante:
livros práticos, curtos, cheios de informações valiosas, distribuídos
facilmente pelo iBooks e baratos.

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Begin

Ben Brooks:

The bookkeeper at my company used to (she is now retired) have this
routine — it was something like this:

  • Sit down at her desk with coffee in hand.
  • Grab a stack of recycled paper bits that are about 2/3 the size of
    a full page of paper — all unlined — held together with a binder
    clip.
  • With her half-chewed Bic in hand she would then proceed to write
    down her todos for the day.

Quando você mergulha no mundo da produtividade, é fácil se enrolar no
mar de apps que prometem fazer suas tarefas por você. Brooks ajudou a
produzir um app que tenta simplificar ao máximo o gerenciamento de
pendências – ou você seleciona algo para fazer hoje, ou deixa para
amanhã.

Eu não estou interessado em testar mais um app, mas sempre gosto
quando alguém diz que é a tecnologia que deve nos servir, e não o
contrário.

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Por que o Rdio é a melhor maneira de escutar músicas

Estou aqui, escrevendo no meu diário, fazendo um completo
descarregamento das ideias na minha cabeça, e estou escutando o
Rdio. Especificamente, escutando a rádio personalizada do Tulio
Jarocki
 (que escrevia um blog muito bom e parece que infelizmente
parou). Muita música boa, de muitos artistas que eu não conheço, e tudo
que fiz para descobrir essa gente foi procurar meus amigos e apertar um
“play”. Não tive de procurar nada. Eu simplesmente já seguia o Tulio no
Twitter, puxei os contatos no Rdio e estou escutando várias rádios. E
estou pensando no quanto adoro esse serviço.

Eu cresci em meio ao Napster, e em meio à cultura de que, se um arquivo
.mp3 está na rede, qual o problema em escutá-lo? Não fui eu que
coloquei-o lá! E, além disso, se todo mundo está fazendo isso, por que
eu vou pagar por um CD? Otário é a gíria que eu ouvia quando
adolescente, aparentemente em desuso.

Vamos ser diretos: esse tipo de pensamento é pirataria da mais pura e eu
me envergonho de ter passado por isso. Eu não faço mais isso, e recuso a
ajudar pessoas quando eles me pedem para “baixar o CD da novela”. Eu
compro minha música, e, se eu não tenho dinheiro, eu espero até ter.
Complicado, não? Eu li as biografias de gente como Eric Clapton e Paul
McCartney e eles tinham essa mania, de trabalhar ou pedir dinheiro para
os pais para conseguir comprar os discos. E bem, eles são Clapton e
McCartney.

Eu comprei alguns álbuns e singles na iTunes Store e, se querem saber,
acho barato. O mais caro que já paguei por uma única música foi 2
dólares, ou 5 reais. Um lanche assado (geralmente queimado) nas
lanchonetes da UFSC custa 3. Dois dólares, incluindo o trabalho de
produção da música, a propriedade intelectual do artista e os custo de
download é bem justo, na minha opinião. E eles são exceção. A grande
maioria custa um dólar.

Ultimamente, no entanto, tenho consumido música de uma forma diferente.
Eu não compro mais a música em si, mas o direito de escutá-la. Com o
Rdio, você paga uma taxa e tem acesso a todo o catálogo. O problema é
que, quando se deixa de pagar, você não fica com nenhuma música.
Lembre-se você não comprou nada.

Esse tipo de pensamento provoca revolta em algumas pessoas, pois parece
roubo. Como pude pagar tanto tempo e agora não ganho nada? É preciso
ajustar essa mentalidade. Nós estávamos pagando pelo serviço de
escutar músicas. É como pagar academia: você pode pagar por dez anos e
mesmo assim não vai sair de lá com uma esteira, quando deixar de ser
cliente.

O Rdio se adequa a pessoas que, como eu, tem gosto muito variávies. Em
um mês só ouço Paul McCartney e Queen, no outro só escuto pop brasileiro
tipo Skank e Capital Inicial. No seguinte escuto um samba de raiz, no
outro vicio no último álbum de John Mayer. O Rdio me permite essa
alternância, sem ter de comprar todos esses álbuns. Muitas daqueles
singles que comprei na iTunes e dos CDS que ganhei quando adolescente
estão parados, sem ser ouvidos. Ter a posse deles não tem muita
utilidade prática, para mim.

E, como falei, temos o aspecto social, e o Rdio, na minha opinião faz
isso da maneira certa. Sendo um serviço pago, eles não te forçam a
compartilhar o que você está ouvindo a toda hora (deixando-me livre para
escutar Kid Abelha sem vergonha); mas é fácil, se você quiser. E a
integração com o Twitter (e Facebook) significa que eu, se quiser, posso
escutar o que meus amigos estão escutando. Sem ninguém forçar.

Deixei de pagar e usar o Netflix há algum tempo por achar que o catálogo
deixa a desejar. O Rdio, ao contrário, está sempre com o catálogo
atualizado (apesar de não haver nenhum disco dos Beatles, AC/DC, Led
Zeppelin etc, provavelmente por serem de direitos autorais mais
complicados) e o serviço está cada vez melhor.

Você pode escutar as músicas por streaming no seu navegador e com
programas para OS X e Windows, e pode sincronizar com seu smartphone e
escutar em modo offline. Experimente (e me siga, se quiser).